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24 março 2015

Parece um esmalte (Risqué), mas é o Brasil-Oriente-Médio

ESMALTE RISQUÉ, O ESMALTE DO ÓDIO

Quando uma mulher me diz que ''exagero'' um ao falar sobre o machismo, sugiro a ela que comece um blog, puxe da internet alguns textos feministas, avise que seu blog é sobre isso e em umas poucas semanas a ''onda'' virá na sua direção.

É questão de tempo. Até eu começar meu blog minha noção de machismo era outra, pensei que violência acontecia na rua e as coisas estavam melhorando. Hoje, depois de conhecer o mundo, pelo menos o virtual, me questiono todos os dias e me sinto cansada, não é tão simples se manter de pé escrevendo no meio de tempestades misóginas.


E em cinco anos de blog tive uma certeza, não interessa o assunto, nem a forma que abordo, eu não tenho o direito como mulher de me expressar nem escrever o que quero. Já vi muitas blogueiras feministas fecharem seus blogs e se concentrarem em outras aréas do ativismo. No começo isso me parecia um absurdo, como se o machismo tivesse ganho a guerra, mais uma vez. Mas ao me colocar no lugar delas entendo o cansaço, só quem é perseguida virtualmente por anônimos sabe o inferno que eles podem fazer de tua vida.  

Na vida real a opinião da mulher é ''tolerada'', por diversas razões. Primeiro porque fica chato e não é aceitável dizer ''cala a boca'', mas como isso não pode ser dito é substituído por frases como ''você não sabe do que está falando'', ''você não tem ideia'', ''você está confundindo tudo''. Mas na esfera virtual não se precisa ser educado e menos ainda se identificar, então  o machismo aparece com toda sua força.

Comparo o que acontece no mundo virtual com os países árabes, são pedradas constantes a qualquer mulher que se atreva a dizer qualquer coisa. Me desanima muito, porque todos os dias vejo o tamanho da ignorância dos homens brasileiros e como uma possível igualdade ainda está longe. É uma afronta a cidadania ter tempo de perseguir blogueiras, mas não tem tempo para fazer algo útil pelo país.

Mais do que nunca admiro todas as escritoras do mundo inteiro, imagino tudo o que devem ter passado e ainda assim não conseguiram mudar o pensamento machista que persegue a todas.

E essa semana esse pensamento se mostrou com toda sua força. A empresa de esmaltes Risqué lançou sua nova linha, chamada de ''Homens que amamos''. Cada cor tem uma frase ''Fê mandou mensagem'', ''Andre fez o jantar'', ''Leo mandou flores''.

Quando vi achei a coisa mais patética, triste, deprimente e primária. Esmaltes para homenagear um homem? E ''homens que amamos'' são os que fazem o jantar? Bom, depende a faixa etária de consumidoras, eu não tenho doze anos e não penso homenagear um homem que responde uma mensagem minha e fazer o jantar não me parece uma coisa tãoooooooo grandiosa assim para merecer uma homenagem.

Não acredito na ingenuidade da empresa, tenho certeza que sabiam que a proposta era provocativa e iriam irritar muitas consumidoras, assim conseguiriam uma divulgação enorme a um lançamento pequeno, porque finalmente quantas empresas de esmaltes mudam as cores todas as temporadas? E a empresa acertou, todas as páginas socias se encheram de comentários, o twitter também, foi inclusive um dos mais engraçados, porque as mulheres criaram outras frases para os esmaltes (link).

Eu não uso esmalte e tenho má vontade com qualquer empresa que contamine o mundo com esses lixos tóxicos e desde o começo a campanha me pareceu tão infantil que não pensei em escrever sobre ela.

Mas mudei de ideia pelo seguinte, acompanhei vários blogs e portais que falaram sobre o assunto e a discussão, ao contrário de outros comerciais, contava com algumas consumidoras apoiando a marca e outras criticando. E sobrou para as feministas, que escutaram horrores como ''perseguir marcas e comerciais mostra que todas vocês são umas feminazi'', ''por isso a causa não tem apoio de ninguém, porque vocês perdem tempo discutindo comercial de esmalte'', ''feministas estão acabando com o mundo, não tem senso de humor''.

A discussão em diversos portais transcendeu o esmalte e entrou no mérito de ''mulheres não podem dizer nada''. E não interessa mais se a campanha foi um péssima (eu considero que sim), mas o direito das mulheres de se expressarem e dizerem ''isso não me representa'', sem serem agredidas ou chamadas de ''feminazi''. Entrei em duas discussões, defendendo o direito das consumidoras de rejeitarem uma campanha e em questão de segundos fui mais ofendida do que em toda minha vida, inclusive por algumas mulheres que me perguntaram se a causa feminista ''não tem nada mais importante do que encher o saco das empresas''. Outra moça disse ''feministas estão detonando porque elas não usam esmaltes, são todas lésbicas''. E um rapaz disse ''o que essas feministas querem é acabar com os homens e transformarem todas as mulheres em lésbicas''. E uma moça me disse ''poxa, você não gosta que teu namorado faça teu jantar de vez em quando?''.

Eu não janto de vez em quando! E não acho que fazer jantar mereça homenagem!

Mas o problema nem era sobre as frases, mas sobre as mulheres que ''NÃO'' podem dizer nada, reclamar, se posicionar diante de uma coisa que não gostam ou acreditam, somos todas obrigadas a aceitar as burrices da empresa e do governo quietas, caso contrários somos um bando de histéricas,que sem louça suficiente para lavar, invadimos a rede querendo dar opinião e exigindo um posicionamento de uma empresa! Pode isso? Não, no mundo machismo que vivemos isso não pode!

É direito de todos se colocar e dizer do que gostou ou não em qualquer coisa, sem ser agredido. E se as pessoas acham que discussões políticas no Brasil são limitadas e agressivas é porque nunca viram uma mulher dar sua opinião neste país.

A polêmica do esmalte só revela aquilo que já se sabe, a propaganda brasileira é machista e antiquada, as empresas estão se lixando para o consumidor e o Brasil é um país de extremistas, onde a mulher não pode dar opinião. A única coisa que nos separa das mulheres árabes é a vestimenta, no resto é a mesma coisa, nossa voz não será tolerada.

Parece uma discussão simples sobre uma campanha grotesca de esmaltes, mas é um abismo de genêro, a pouca tolerância que a sociedade tem em relação as mulheres e suas opiniões. É tão claro isso que a até a empresa Risqué está se lixando, não respondeu as critícas nem se desculpou. Parece uma empresa, mas é a estrutura machista que vivemos, para que conversar com uma consumidora? A coitada é só uma mulher!

E brasileiras não conhecem ainda o poder do boicote, se tivessem noção do prejuízo que podem causar a uma empresa, parariam de comprar os esmaltes Risqué e em menos de uma semana a empresa estaria de joelhos. 

Dou risada quando me dizem que escrevo na base do ''coitadismo'' e da vítima. Tenho vontade de mostrar a essas pessoas todos os emails ofensivos e agressivos que recebo todos os dias, sem descanso. Até quando tirei férias, mesmo assim eles chegavam. E não era sobre nenhum assunto, era apenas porque falo e escrevo, e isso é a maior ofensa ao mundo, o patriarcado não tolera uma linha escrita por nenhuma mulher. Na verdade não tolera a mulher e o que vier dela sempre vai ser recebido com pedras.  

Iara De Dupont

11 comentários:

Suzana Neves disse...

Eu uso esmalte raramente porque desde que fiquei gravida parei de usar apesar de ser pouco difundido alguns esmaltes em letras minúsculas vem escrito que certos componentes fazem mal a gestação,e acabei descobrindo que resseca muito a cutícula e a própria unha porque eu nunca tirei cutícula nem pretendo mas dos esmaltes da Risque nunca gostei.
Olha eu desanimo em ver o quanto que as pessoas tem preguiça de pensar e em reagir mas pelo menos não resisti do que acho certo.
Espero que você também não desista.

Fátima disse...

Eu uso esmalte, sei como é difícil deixar de um vicio, cada semana uma cor, apenas um capricho. Já deixei de usar Risque faz tempo porque não me agrada a qualidade do produto. Achei produtos melhores de outras marcas, a preços não muito diferentes e deixei a Risque de lado. Achei os nomes escolhidos de péssimo gosto. Penso que há uma equipe de publicidade, que recebe e bem para desenvolver uma campanha e que deveria ter pensado melhor antes de sugerir algo desse tipo. Se queriam burburinho, conseguiram, mas e agradar a consumidora? Será?

Fátima disse...

Ahhh..Um "palpite ":
Não desanime, não pare com seu blog, não deixe de expor suas idéias. Vou te lembrar de uma frase: Use as pedras que te jogam para construir seu castelo. Pessoas invejosas, fingidas, ou simplesmente aquelas para quem a carapuça serve sempre vão existir. Continue escrevendo, continue defendendo seu ponto de vista, suas opiniões. Se quiser desistir, que seja pela sua vontade, não por um palpite meu, ou de quem quer que seja. Seja sempre voce mesma, autentica, independente e segura das rotas que escolhe!

Anônimo disse...

A internet se encheu de comentários mandando as mulheres calarem a boca por causa de uma simples opinião, e as pessoas juram que as feministas "estão exagerando"? Sério?

Iara, te ofereço todo o meu apoio. Seu blog é fantástico e admiro muito sua força e coragem, obrigada por sempre escrever aqui apesar de todos esses vagabundos sem mais o que fazer além de odiar os outros. Quanto à campanha da Risquè, fazer o quê, né a TV já provou que quem não tem nada que preste a oferecer baixa o nível pra agnhar ibope mesmo...

Patrícia disse...

Este tema mexe muito comigo pois eu falo sem nenhuma vergonha que sou uma apaixonada por esmaltes! Não vejo problema nenhum nisso. É algo que gosto, escolho, uso por prazer, para agradar à mim. Amo descobrir os importados com seus acabamentos diferenciados, cores magníficas e efeitos incríveis que aqui as pessoas nem sonham que existem. Além de ser uma usuária de esmaltes sou uma colecionadora, tenho uns mais de duzentos, e para o mim é pouco. Mas o que está em questão é essa campanha esdrúxula! Pela primeira vez na vida sinto vergonha por amar esmaltes.
Não acho que nenhum homem mereça homenagem por ter feito algo que para mim não tem nada demais. Mas o pior mesmo é ver muito mulher machista defendendo a Risqué. Estas pessoas não tem capacidade de ver o machismo em nada. Serão sempre escravas. Vou continuar amando meus esmaltes, mas Risqué na minha casa não entra mais!

C.Belo disse...

Havia parado de usar risque fazia tempos, pois minha filha cresceu, começou a de vez em quando cismar de querer pintar unha e a composição dos esmaltes risque continham elementos potencialmente alergênicos e prejudiciais à saúde. Eles mudaram a composição, mantiveram os preços e eu "voltei" a comprar (cheguei a comprar apenas 3, um antigo relançado e dois da primeira coleção após a mudança da fórmula). Agora, depois dessa, parei novamente, e não sei se volto. Eu boicotou mesmo!!!

Anônimo disse...

Acho que as feministas deviam ter uma pia cheia de louça, assim iam parar de procurar pelo em ovo!

Alessandra T. disse...

Querida Iara, já te disse e repito quantas vezes forem preciso, "encontrei" o feminismo por suas palavras, pelos seus textos, pelo seu blog. Desde então muitas coisas tem ficado vez mais claras e me sinto mais livre de algumas coisas que me oprimiam muito e que hoje entendo que aconteceram simplesmente pelo fato de que eu sou LIVRE para fazer escolhas.
Então, se isso serve pelo menos um pouquinho como incentivo, desiste não, continue firme, por mais dolorido que seja, pois assim como eu outras estão se inspirando e se libertando de muita coisa.
Qualquer dia desses espero podermos conversar mais sobre isso.
Grande beijo continue, sempre!

Anônimo disse...

Ah, Patrícia continue usando seus amados esmaltes sem vergonha nenhuma. A vergonha é a Risquè, e talvez os machistas que fizeram um mimimi desgraçado só porque as mulheres se atreveram a dizer que não, homens não são nossa prioridade. Imagina o quanto eles ficaram desesperados quando a bolhinha de fantasia dos caras, em que são o máximo e todas as mulheres querem se jogar aos pés deles, foi furada, rasgada, pisoteada e depois cuspiram nela!

Oi mascutroll anônimo. Homens não são o assunto n° 1 nem meu nem das mulheres com quem eu costumo conversar. Sério, homem é o último assunto dos nossos papos, até dos nossos cachorros e gatos falamos mais que de homem. E mesmo quando falamos de homem, 90%das vezes é pra descer o cacete nos que estão fazendo besteira-o professor que vive faltando, o prefeito que foi pego desviando dinheiro público, o senador da bancada religiosa que ofende umbandistas, mulheres e gays, o reitor que não atualiza o sistema...

Patrícia disse...

Nunca nem pensei em parar de usar, muito pelo contrário, ainda quero ser especialista, dona de loja, de fábrica, sei lá, rs, é só um sonho. Mas com certeza sempre fará parte da minha vida pois é no mínimo um hobbie que me faz feliz =D
É verdade, sim, vergonha para eles rs

Anônimo disse...

Legal Patrícia, nem pensei em sugerir que você deixasse de usar, só que você usasse sem sentir vergonha nenhuma porque nem a vergonha alheia que eu pensei em sentir essa campanha da Risquè merece. E eu não uso esmalte, mas adoraria ver a sua loja, com certeza teria campanhas e produtos bem melhores que os da Risquè. :)

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