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28 março 2015

Dá tanta vergonha que me recuso a dizer que são minha família!



Existem coisas que acontecem na minha família, ou pelo menos em uma parte dela, que me envergonha o suficiente como para querer sumir. Me sinto como uma estranha no ninho, dizendo sem parar ''é sério isso?''.

Meu avô não errava quando dizia alguma coisa sobre as pessoas.
Sobre a parte da família que menciono meu avô sempre me disse que eram pessoas más, não valiam o chão que pisavam. E a vida tem dado razão a ele, realmente são pessoas sórdidas, capazes de coisas que até Deus duvida.

Vieram me contar sobre essa história há uns dois anos, mas hoje fiquei sabendo que continua o mesmo rolo e cada vez pega mais fogo.

É tão nauseante acreditar no que escutei e pior ainda pensar que são pessoas, mesmo que distantes, da minha família.

Tenho três tias e os pais delas morreram. A mãe foi dona de casa e o pai deixou uma pequena fortuna para as filhas, fortuna essa que meu avô alegava e provou que tinha sido roubado dele. Mas família é família e meu avô morreu sem  ver a cor do dinheiro, que pelo jeito parece maldito.

O pai morreu, mas deixou no testamento uma a divisão igual do seu dinheiro, para as três filhas, mas a filha mais velha, uma advogada feroz e destemperada, entrou na justiça para bloquear a execução do testamento, alegando que mudanças precisam ser feitas antes do dinheiro ser distribuído as três irmãs.

E é nesse momento que acontece o inacreditável, que me deixou tão horrorizada e nauseada. A irmã maior pediu o bloqueio do testamento alegando que a irmã menor vai receber a mesma quantia das outras duas irmãs, mas tem um porém, a irmã menor é lésbica, sem descendentes e não seria justo deixar o dinheiro do pai para uma filha que não tem ninguém no mundo para herdar o que ela vai receber.

Tudo isso acontece no meio de outra tempestade. A irmã menor é lésbica, mas já passou dos cinquenta anos e tem uma vida de sofrimento, todo seu processo de aceitação foi um calvário, passou por uma enorme quantidade de cirurgias de todos os tipos, ao não se aceitar o corpo sofria a rejeição e ela ficava doente. Teve uma vida fragmentada profissionalmente, não encontrou seu caminho, apesar de do enorme talento. Há uns vinte anos conheceu outra mulher, foi o amor de sua vida e ficaram juntas, até que no ano passado sua esposa foi assassinada durante um assalto. E no meio desse processo de luto, de perda, recebe a notícia de que a irmã maior está bloqueando o testamento, porque ela não tem descendentes.

Um tio tentou argumentar com a irmã mais velha, dizendo que a vontade do pai delas era distribuir o dinheiro e isso deveria ser respeitado e quem precisa de descendentes? Ora, se pode torrar tudo viajando e curtindo a vida. E caso a irmã mais velha prestasse, tenho certeza que a irmã mais nova faria dos sobrinhos seus herdeiros naturais.

A irmã advogada não está brincando, está colocando na justiça um recurso atrás do outro, querendo provar que sua irmã menor é incapacitada para administrar sua parte, porque está em uma profunda depressão e não tem descendentes.

O que me deixou chocada foi a frieza da irmã mais velha. Fico pensando que se eu tenho uma irmã mais nova, instável na carreira, que acaba de ficar viúva, aí é que eu vou achar importante ela ter um respaldo econômico, para que possa fazer sua vida de maneira independente e segura, principalmente por não ter nenhum descendente ou uma família dela.

O discurso de minha tia advogada inclui frases horripilantes como ''ela vai acabar dando todo o dinheiro para uma putinha, lésbica velha sempre é roubada por putinhas'', ''ela não precisa porque não tem herdeiros'', ''tivesse feito sua vida direito eu não diria nada'', ''meu pai teve muita dor de cabeça por ter uma filha sapatão, é justo dar o dinheiro dele para ela agora?'', ''ela não tem filhos, eu tenho e eles podem precisar do dinheiro amanhã!'', ''quer continuar sua vida se bizarrices com o dinheiro do meu pai?''.

A história não acabou ainda, vai levar alguns anos. Me parece estranho que um juíz não possa ler os documentos e entender que minha tia é uma pessoa saudável, em pelo exercício de suas faculdades mentais e passa por um processo de luto natural, por tanto tem direito a sua parte na herança. Já minha tia mais velha é uma maluca, doente, que tem no seu histórico centenas de histórias nebulosas e sinistras sobre seu rápido enriquecimento, desde que pegou seu diploma de advogada fez uma carreira meteórica, ficou milionária em poucos anos.

E não entendo qual a dificuldade de entender que foi vontade do pai distribuir a herança em três partes iguais, não é uma suposição, foi vontade dele.

A irmã do meio não é tão neutra assim, ela não declara guerra à irmã menor, mas deixa claro que justiça é justiça e entregar uma herança na mão de uma mulher que não tem filhos, não é justo.

Tudo isso me deixou sensível por vários motivos, o primeiro foi a falta de amor e a filha-da-putice da irmã mais velha e o outro é a perseguição a orientação sexual, isso me parece inaceitável, se eu fosse a irmã menor respondia com outro processo, alegando discriminação. Dizer que a irmã é lésbica, sem descendentes e não ''merece'' a herança me parece de uma hipocrisia sem tamanho. Minha tia mais velha é hetéro, casada com um filho-da-puta infiel, isso não deveria ser questionado? A irmã menor não deveria alegar que seu cunhado pode torrar todo o dinheiro da herança em puteiros?

Me indigna que façam isso com qualquer pessoa, mas me sensibiliza muito mais que seja gay. Já acompanhei muitos dramas na minha família e sei como o mundo é. O ano passado, depois de perder a mulher de sua vida, minha tia perdeu tudo, porque dormiu no ponto e as coisas não estavam no seu nome. Minha tia é uma artista, vive em outro mundo, e sua esposa não pensou no improvável. Depois do enterro, quando minha tia voltou a sua casa, os sobrinhos de sua esposa já tinham trocado as fechaduras e proibido a entrada dela. É outra briga que arrasta na justiça.

Sabendo como é o planeta me parece fundamental que a família dê apoio e abrigo aos membros gays, não é correto a família ser a primeira a chutar e usar esse argumento medieval de ''pra quê dinheiro, se não tem descendentes?''.

É horrível e vergonhoso escrever isso pensando que são pessoas da minha família, que um dia frequentaram minha casa e comeram na minha mesa. Fico revoltada e asqueada, me parece que estão fazendo uma coisa monstruosa com uma pessoa que não merece e ainda por cima está fragilizada. E orientação sexual é uma questão pessoal, não é munição para ir para cima da pessoa. Podem alegar tudo, mas se meter na orientação sexual me parece o mais baixo e imperdoável golpe.

E para falar de descendentes minha tia mais velha não tem moral, seus dois filhos são uns imprestáveis, corruptos e ladrões, dois seres que envergonham a suposta criação divina e que só ocupam espaço neste planeta tão apertado.

Estamos no século XXI e minha família continua pensando como se estivesse no século dezenove, como se ainda fossem aquelas pessoas que desceram do barco, imigrantes, mortos de fome, fugindo de uma guerra, sem instrução, movidos a ignorância e medo. Parece que ainda vivem naqueles cortiços horrorosos, pequenos, apertados, onde a vida era tão dura.

E às vezes tenho certeza que naqueles dias a noção de irmandade era maior, ninguém passaria assim por cima do irmão menor. Mas essa é parte da minha família, de pessoas que espero nunca mais ver na minha frente, que me enojam e representam o que mais detesto na vida, a mistura de ódio com dinheiro fácil e preconceito. No fundo do meu coração desejo que esse dinheiro da herança queime sozinho, exploda, para que não coloquem a mão nele e assim se concretize a profecia do meu avô, que dizia que ninguém na família tinha a mão pura o suficiente para tocar esse dinheiro, por isso ele estaria sempre voando e só iria cair nas mãos suadas de trabalho de alguém, não em mãos de ladrões. Que assim seja vô!


Iara De Dupont

9 comentários:

Patrícia disse...

Família, uma benção né!...
Orientação sexual não é mérito, nem demérito. Lei é lei, embora sempre tenha um advogado miserável para deturpar tudo e um juiz canalha para assinar embaixo.
O pior é que são vistos como deuses. Quando alguém me diz que faz direito com a maior impáfia do mundo me dá é náuseas...

Anônimo disse...

É no momento de pegar a herança que as pessoas mostram quem verdadeiramente são e a que vieram, também fico com vergonha de toda essa ganância, as pessoas esquecem o luto tão rápido.., não quero nem ver quando acontecer isso na minha família, pois ficarei enojada também.

Suzana Neves disse...

Sua tia lesbica vai acabar morrendo
E que o sangue caia na cabeça da mais velha.

Anônimo disse...

Que triste, Iara! O dinheiro está destruindo as pessoas, o ser humano está se colocando em segundo plano..Acredita que no meu trabalho tem um cara com problemas sérios de auto estima e outra com problema de obesidade e também de auto estima, mas falam o dia todo em dinheiro se o dólar subiu ou desceu... lamentável...as pessoas não estão mais se enxergando.

Anônimo disse...

Quando li isso me lembrei de todas as pessoas babacas que são contra a adoção, dizendo que se tá no abrigo é porque tem gene ruim e por isso o filho vai ser problemático. E então, puristas genéticos, como vocês explicam isso aí?

Iara desejo que sua tia tenha força, e que a irmã dela quebre a cara, que seja feita justiça. Gente que destrói com a própria família por dinheiro não vale o que um gato enterra.

Anônimo disse...

Concordo com o anônimo ali de cima: a gente só conhece as pessoas quando se envolve dinheiro. Ou quando você precisa delas.

Anônimo disse...

Essa história está muito mal contada....

Não existe o menor fundamento jurídico para impugnar um testamento com esse tipo de alegação.

Uma ação judicial dessas seria extinta de chofre sem julgamento de mérito, por impossibilidade jurídica do pedido.

A sua tia pode até pensar todas essas barbaridades sobre a irmã, mas para impugnar judicialmente a partilha é necessário suscitar algum vício formal no corpo testamento.

A simples discordância de um herdeiro em relação à vontade do testador não tem nenhuma influência sobre a validade do testamento.




Iara De Dupont disse...

Mas essa é a pergunta de um milhão de doláres! Como minha tia parou o processo do testamento? Eu não sei e não achei ninguém que soubesse. Suas alegações sobre a irmã não ter descendentes foram ditas aos familiares, não com o juiz, pelo o que entendi ela pediu um laudo médico, dizendo que a irmã não tem condições mentais, mas não sei mais nada......

Anônimo disse...

Sabe, essa tua tia que entrou na justiça contra o testamento me parece muito ligada ao dinheiro. Porém com a velocidade da nossa justiça é capaz que nenhuma das duas o recebam vida. Vai ficar com os filhos (ou netos), mas ela mesma não vai se aproveitar do dinheiro deixado pelo pai, e infelizmente nem a irmã. É uma pena.
Carla.

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