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10 março 2015

CQC 2015: uma chance em um milhão de se levantar


Há um bom tempo não assisto CQC. No começo gostava muito do programa, pelo tom político, mas logo desandou, se concentrou em celebridades e seus discursos vazios, ao mesmo tempo que os homens do programa, apresentadores e repórteres, surtavam todas as semanas e se mostravam cada vez mais machistas e misóginos.

Larguei mão e não assisti mais. Acompanhei todas as polêmicas pela internet, quando Marcelo Tas foi processado por chamar uma moça de prostituta, depois quis processar a blogueira Lola (link) e seu outro companheiro de bancada, Rafael Bastos não parava de dizer besteiras e pornografias. A misoginia sempre foi o motor dos apresentadores, dando risadas e ridicularizando as mulheres.

É um programa totalmente masculino, direcionado aos homens, mas fazendo questão de colocar as mulheres para fora. Fizeram três tentativas de amenizar, colocaram uma apresentadora e duas repórteres, mas não tinha como, em um programa que já começa com um roteiro machista, não dá para uma mulher chegar e mudar tudo. Elas ficaram tão paralisadas e afogadas na misoginia que acabaram sendo descartadas, sinal de que mulheres ali não funcionam.

Mas não existe mais essa questão de gêneros em televisão, é arriscado e estúpido pensar que mulheres só assistem novela e homens jogos de futebol.

Foi tão grotesca a tática do CQC em manter as mulheres longes, fazer do programa o ''Clube do Bolinha'', os ''amigos'' sacaneando mulheres, que a audiência respondeu e desceu de uma maneira drástica.

Como sou apaixonada por televisão e sempre gostei do conceito político do programa, me dei o trabalho de escrever uma carta de seis páginas, explicando todos os pontos, dizendo que afastar a audiência feminina era um tiro no pé, muitas mulheres gostam de política, mas é desconfortável assistir um programa onde se fazem tantas piadas humilhando as mulheres. E deixo claro, quem desenhou o programa tem todo o direito de fazer ele ''masculinizado'', direcionado aos ''machos'', é uma opção, a minha reclamação envolve a postura agressiva e misógina dos homens que trabalham ali e seus comentários machistas.

Mas é Brasil, Rede Bandeirantes, e jamais responderam minha carta, deixaram bem claro que cagam na cabeça de qualquer telespectadora. Felizmente existe castigo divino e eles fecharam o ano com uma das piores audiências do canal e se viram obrigados a rever o elenco do programa.

Ontem, com elenco renovado, voltaram. Ficaram apenas três homens das temporadas anteriores, o resto são pessoas novas. O programa tem um padrão, não é brasileiro, o conceito é israelense, é feito em dezesseis países, tudo é igual, desde o sorriso dos apresentadores até a gravata. A única diferença no Brasil é que o elenco muda muito os óculos, já ficaram despersonalizados, mas fazem isso por uma ação de marketing e em outros lugares o programa ignora as celebridades, se concentra apenas na política e esportes.

Não tiro a importância do programa, tem quadros ótimos e necessários de denúncia, como o ''Proteste já''. E talvez já passei da faixa etária do programa, mas me continua parecendo barulhento demais e cheio de tantas cores na cenografia que seca meus olhos.

Para mim o programa de ontem é igual a todos os anteriores, vi apenas uma luz no fim do túnel, um dos novos apresentadores é Dan Stulbach, que entrou no lugar do ''misógino-master'' Marcelo Tas. Muita gente reclamou pela mudança, eu quase dei uma festa, apresentadores machistas, que perseguem blogueiras, devem sair do ar mesmo. Dan não me parece o mais simpático, agradável e carismático apresentador, mas reconheço que é elegante, tem uma boa etiqueta e não fez comentários machistas nem entrou nessa linha fácil de ''vamos detonar mulher porque é isso que a audiência quer''. Caso se mantenha assim, pode servir de freio para os dois outros apresentadores, sempre dispostos a endossar piadas machistas, Rafael Cortez e Marco Luque.

Dan pode ser aquele acerto imprevisto, alguém elegante que coloque o programa nos trilhos, se concentre na parte política e esqueça aquele baixo nível dos tempos de Marcelo Tas, Rafael  Bastos e Oscar Filho.

Espero que a direção do programa tenha entendido que fazer chacota de mulher e colocar para fora do programa, não dá, a audiência masculina, aquela que eles tanto prezam e parece tão leal, não passa de três míseros pontos no ibope (cada ponto equivale a 40 mil domicílio) ou seja nada. Se audiência masculina fosse boa e segura, o programa Pânico daria mais ibope do que a novela Império e não funciona assim, a novela bate nos quarenta pontos de ibope, enquanto Pânico rala para chegar aos cinco, quando chega.

Mesmo que o pessoal do CQC não goste de ideia, isso acontece, mulheres assistem televisão, comentam na internet e derrubam programas. A gente existe, mesmo eles querendo ignorar.

E ''homens'' não assistem televisão aberta, preferem filmes e séries estrangeiras, são felizes navegando em canais fechados. Quem tem a generosidade de ligar em televisão aberta somos nós, mulheres. Ontem meu irmão queria ver um filme e o convenci de assistir o CQC, é verdade que durou uns minutos, logo ele achou o programa barulhento e foi assistir seu filme no computador.

O programa voltou igual, no mesmo ritmo, sem novidades. E minha má vontade com eles não é um problema do politicamente correto, mas me parece coisa de outro mundo querer ter um programa em televisão aberta sem a audiência feminina, é patética a ideia de querer estar ao ar sem mulheres assistindo. E querer manter essa distância na base da agressão verbal é inaceitável.

Mas com Dan o programa tem uma chance em um milhão de se manter em pé, é só carregar na elegância, esconder o ódio que sentem pelas mulheres, evitar roteiros com piadas misóginas, brincadeiras machistas, referências pornográficas, menções humilhantes e talvez, talvez, talvez, talvez a gente volte a ligar a televisão e assistir. Talvez.

Iara De Dupont

Um comentário:

Anônimo disse...

Nao posso colocar minha mao no fogo pelo Dan ( nem por ninguem ,claro rsrs) mas sempre gostei muuuiiito dele,e um cavalheiro,doce,um fofo,tem uma bela historia de vida,avos massacrados pelo holocauso,pais figitivos da Guerra,enfim,tem uma bagagem . Assistindo ao programa saia justa verao em que ele e mais 3 homens substituem as apresentadoras no periodo das ferias pude ver o Dan desconfortavel em varias situacoes em que os outros fizeran comentarios grosseiros. Nunca assisti ao CQC,mas depois desse post vou procurer ver.

Anna

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