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29 março 2015

A puta apaixonada



Quando era pequena escutava uma história sobre um tio distante.
Ele era um rapaz sério, estudou farmacêutica e conseguiu um ótimo emprego em uma multinacional, na mesma época se casou com uma moça de ''bem'', filha de militar, correta, mulher que se ''dava o respeito''.
Deram entrada em uma casa e pareciam felizes, mas uma tragédia aconteceu, meu tio caiu vítima da ''puta de escritório''.

Naquela época, talvez anos setenta, moças de poucos recursos trabalhavam muito duro para conseguir estudar secretariado e assim conseguir um emprego melhor, algumas eram honestas, outras entravam nas empresas com um plano B, dar o golpe em algum executivo e o arrastar até o altar, assim como me diziam que as enfermeiras faziam, entravam para trabalhar em hospitais apenas para ''catar'' um marido médico.

A puta de escritório atravessou a vida do meu tio e acabou com tudo. Ele não queria se divorciar, mas a puta era tão insistente que ele não resistiu e largou a mulher, que tentou se matar com remédios, não conseguiu, mas perdeu o bebê que esperava, o que deu um ar mais trágico a toda a história.

É bem verdade que a puta de escritório era uma figura triste. De família pobre, não sabia se vestir nem falar direito. Usava roupas justas, bebia, fumava, falava palavrão e tinha um costume estranho nas festas, para causar ciúme ao meu tio, ela se sentava no colo de outros homens.

Tudo que escutei durante minha infância foi que ela era ''a puta do escritório''.
Sei de histórias paralelas que me confirmam que ela não era de bom caráter, tinha a mania de roubar coisas na casa dos outros, principalmente de minha mãe, mas hoje vendo a história com clareza, penso que ela pode ter sido qualquer coisa, menos ''puta de escritório'', existe outro lado em tudo que aconteceu.

Meu tio era farmacêutico e curioso, desde a época da faculdade começou a misturar remédios e virou um viciado. Quando se casou com a filha do militar já estava no meio do vício. Ao conhecer a puta de escritório deu de cara com alguém igual a ele, que gostava de experimentar um pouco de tudo.

Quando eles foram morar juntos, meu tio já era uma sombra do que tinha sido, perdeu o emprego, fazia bicos em farmácias e vivia com problemas de dinheiro. Mesmo assim aquela puta de escritório ficou com ele dez anos. Depois desse tempo ela o abandonou e foi dito na família que ''putas são assim'', elas varrem os homens economicamente e depois os abandonam.

Mas essa puta não varreu nada dele, saiu de casa com a mão na frente e outra atrás, meu tio só tinha dívidas.
Como ele tinha perdido tudo foi resgatado pela sua irmã, que o levou para sua casa, mas achava perigoso o manter ali, porque tinha crianças e meu tio não parava de se drogar.

Um dia meu tio foi a uma favela, ninguém sabe o que aconteceu, mas parece que uns traficantes ligaram para a irmã, dizendo que estavam com ele. Ela ficou desesperada e ligou para a puta, vai que de repente a puta conhecia alguém na favela, porque finalmente era uma puta. Ela foi e subiu o morro sozinha, quando chegou ele estava no chão, bêbado, drogado, largado. Disseram para ela pagar a dívida dele e sumir dali, mas ela teve um ataque de raiva e começou a chutar meu tio no chão. Um dos traficantes se desesperou e disse:

-Dona, era para levar ele, não pra matar!

Eles ajudaram a colocar meu tio no carro e ela o levou para sua casa. E quem contou a segunda parte da história foi o porteiro, que ajudou a puta a subir o meu tio a sua casa. O porteiro disse que meu tio teve um problema estomacal, talvez pela overdose e sujou todo o carro, corredor e elevador.

Então a puta largou ele na cama, pegou um balde e foi limpar toda a merda espalhada pelo prédio.
Ela o aceitou de volta e se desdobrava em subempregos, enquanto meu tio ficava em casa se drogando. Durou um tempo, mas ela se cansou e o largou de vez, e ele voltou a casa da irmã.

Durante os próximos cinco anos a vida do meu tio se limitava em acordar, se drogar e dormir. Quando dava algum problema ou ele tinha que ir ao hospital, ligavam para a puta, que resolvia tudo e ainda deixava um trocado para ajudar a suposta cunhada. Foi assim até que meu tio morreu e a puta pagou o enterro.

A família aprendeu a tolerar a moça, mas nunca deixaram de dizer que ela foi à causadora da tragédia do meu tio, a culpada da vida que deu errado. A primeira mulher dele, a filha de militar, sempre se manteve próxima a família e reforçava a ideia de que se ele não tivesse pedido o divórcio eles teriam sido felizes para sempre e saudáveis.

Também diziam que meu tio não usava tantas drogas, foi à companhia da puta que o fez usar, porque ele se sentia  culpado pela mulher que abandonou e se drogava. O fato dele usar drogas desde antes de se casar com a filha do militar, era um detalhe que todos negavam.

Já vivi o suficiente para fazer outra leitura e não vejo nenhuma puta de escritório nela. Que mulher é puta e aguenta dez anos um drogado violento- porque ele batia nela- e fica ali? Ora, isso não é comportamento de puta, é de mulher apaixonada. 

Puta é mulher que recebe dinheiro em troca de sexo, e caso tenha sido isso, realmente meu tio tinha dinheiro no começo, mas perdeu tudo e a puta não era obrigada à ficar dez anos morando um com drogado e limpando merda pelos corredores. Hoje analisando tudo o que me diziam me impressiona ver como ninguém na família viu que ela era uma mulher apaixonada. Largou emprego, família e foi morar com meu tio, sendo ignorada e ofendida pela família dele. Já o conheceu na descida, no começo da decadência, não devem ter tido mais de dois anos bons de vida, o resto foi só sofrimento.

Já vi muitas histórias sobre ''putas de escritório'' e elas não se parecem com a do meu tio, a dele era uma história de amor, talvez de um homem fraco que queria se drogar à vontade, sem a filha do militar por perto e viu na puta uma chance de fugir de sua vida, sem levar a culpa por isso. Nunca disseram que ele era responsável pela sua desgraça, foi tudo culpa da puta. Ele morreu como santo, aquele coitado que teve sua vida destruída quando um demônio em forma de mulher entrou na sua vida.

Os mais saudosos e  isso inclui amigos do meu tio, ainda suspiram e dizem:

-Ele teria tido uma vida incrível se essa puta não tivesse cruzado seu caminho.

É, meu tio foi uma vítima da puta. Ela perdeu sua juventude e o protegeu até o fim, mas não vai merecer entrar na galeria da família, porque não é uma moça de bem.

Eu sempre tive bronca dela por um detalhe. Quando minha mãe fez doze anos uma tia mandou fazer um anel, com as iniciais dela. Minha mãe adorava o anel e um dia aparece no dedo da puta, então minha mãe foi lá e pediu de volta, e a puta não quis devolver, alegando que tinha comprado em uma loja, o que seria impossível, porque o desenho do anel era exclusivo, a tia tinha desenhado e as iniciais eram do nome da minha mãe, não da puta. Mas meu tio para amenizar a briga foi e mostrou um recibo falso de uma compra de anel, alegando que era aquele. Minha mãe argumentou, o anel era de estimação, mesmo assim a puta bateu o pé e disse que tinha comprado. As duas brigaram e não se falaram mais.
Minha mãe proibiu a puta de ir lá em casa, mas ela foi um dia que não tinha ninguém, teve tanta sorte que foi no mesmo dia que uma diarista nova, que não conhecia a história e a deixou entrar. Assim a puta limpou a casa, levou joias da minha mãe e talão de cheques do meu pai.

Isso deu um rolo desgraçado, mas ela nunca devolveu as joias da minha mãe, por isso reforçou todo o ódio que todos sentiam por ela.

Meses depois desse episódio minha mãe ficou sabendo que a puta entrava nas casas alheias e varria o que podia. Não defendo ela, é uma ladra, mas não acho correto dizer que era uma puta, caso fosse teria sido mais esperta com meu tio, porque no fim mostrou que era burra e apaixonada, nem uma puta de estrada aguentaria tudo o que ela aguentou e de graça.

Concordo com tudo que dizem dela, é uma ladra, uma pessoa sem caráter, mas no resto me parece apenas uma mulher apaixonada, das mais trouxas. Puta nunca foi, nenhuma puta é tão idiota.

Ela ficou com ele por amor, mesmo quando isso significava passar a noite limpando merda. Toda a falta de caráter que ela mostrava com o resto do mundo, nunca mostrou a ele. O que ele recebia era o que os homens recebem de uma mulher apaixonada, alguém disposta a aguentar tudo em silêncio e ainda ser chamada de ''puta''.

Iara De Dupont 



2 comentários:

Anônimo disse...

A maioria, a grande maioria da mulheres que viven com um homem, com anel no dedo ou não, são troxas mesmo. E as que não estão nessa por amor, são putas. Em trocas de metade do aluguel r do botijão dr gás. Tem mais é que limpar merda mesmo. Tô fora!

Anônimo disse...

É incrível como mesmo que todo mundo já soubesse que o homem era toxicômano a culpa da vida dele ter ido por água abaixo ainda assim é da mulher, da p*ta. Por que ela tem que ser responsabilizada pelas péssimas escolhas dele? Acaso a mulher enfiou a droga na boca ou no nariz dele e apontou uma arma pra obrigá-lo a engolir/aspirar? Por que ninguém diz que ele destruiu a própria vida, que foi o que aconteceu? Gente, acordem: a mulher não é culpada de todas as coisas erradas do mundo. Em 90% das vezes que um homem se ferra, é por culpa dele mesmo, da própria ignorância e das besteiras que ele mesmo fez.

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