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11 fevereiro 2015

Por que as mulheres resistem a isso? Romeus massacrando de novo?


Uma vez me disseram:

-Ser mulher é uma prova de resistência.

Hoje me pergunto  ''a que tanto resistimos?''.
Porque é fato, ser mulher é uma prova de resistência, mas que prova é essa?
Sempre me surpreendo quando uma história de hoje parece ligada a uma de ontem.

Não passei por essa situação, mas já escutei muito sobre ela, é mantida em segredo, fica chato com os Romeus trazer isso à tona. Mas existem no mundo, ou pelo menos acho isso, centenas, milhares de mulheres, bem casadas com Romeus que são uns ''fofos'', mas de repente a mulher engravida e Romeu começa a perturbar a moça.

As explicações são muitas, Romeu ficou com ciúmes do bebê que vai chegar, se sente pressionado economicamente, fica com medo da responsabilidade ou não era bem aquilo que ele queria. E no meio desse chumbo cruzado estão as mulheres, de pé, com uma criança crescendo na barriga.

Percebi que esse assunto é coisa que se joga debaixo do tapete, porque encosta em uma coisa chata, o relacionamento com o Romeu e talvez a realidade, ele não é tão incrível assim como parece.

A primeira vez que acompanhei isso de perto foi com uma amiga, ela ficou grávida, estava casada com um Romeu maravilhoso, que de repente virou um super marido e não a deixava fazer nada. O tempo inteiro ele dizia ''cuida essa barriga porque senão você vai perder meu filho''. Acho que essa frase foi dita  tantas vezes que me parecia uma tortura. Dessa maneira ''cuidadosa'', a moça não podia nem sair de casa. Um dia teve um vazamento da máquina de lavar roupa, ela não percebeu, escorregou e perdeu o bebê.

Na época achei que eram dessas coisas que aconteciam, mas hoje entendo o poder da palavra, se uma mulher passa meses escutando  ''não faz isso nem aquilo para não perder meu filho'', imagino a pressão que coloca na pessoa.

E recentemente uma cena me chocou, jantando com um casal de amigos, alguém perguntou quando a moça iria engravidar e o marido respondeu:

-Depois que deixar tudo pronto para a licença maternidade, porque eu ainda não posso sustentar uma família.

Ah, então era só ela a responsável?

Alertei minha amiga sobre o que foi dito, mas ela defendeu Romeu, disse que ele era ótimo, tinha dito aquilo apenas no momento.

Outra amiga engravidou e seu Romeu vivia dizendo ''quero ver como vai ser quando esse bebê chegar, como vamos pagar as fraldas''. Isso dito durante meses a uma grávida, que está passando por mudanças hormonais deve ser uma tortura.

Mas esse assunto entra em uma área delicada, questionar o casamento justo na gravidez? Já é um momento extremo, não parece a hora certa de repensar um relacionamento, mas é justo sofrer nas mãos do Romeu?
Essa conversa sobre a pressão que eles sofrem não me comove, ainda acho que a mulher é mais pressionada.

Minha avó sempre me contava sobre uma das minhas tias. Besta ela, se apaixonou por um homem divorciado e problemático, cheio de estress, com quatro filhos. Minha tia tem o temperamento de mãe, sonhava com isso. E se casou com esse Romeu divorciado que não queria ter filhos. Mas depois mudou de ideia, aceitou ter filhos com minha tia.

Começou então um calvário para ela. Engravidou cinco vezes e não conseguiu segurar nenhuma. Minha avó dizia que na frente de todos ele era doce, educado, passava a mão na barriga da esposa e sorria, mas quando todos iam embora, ele ficava perguntando se minha tia daria conta do recado, se iria continuar trabalhado,  se teria tempo para o relacionamento. O massacre era tão grande, que minha tia não resistia a pressão e não conseguia segurar o bebê.

Fez tratamentos, sofreu, mas não conseguia ser mãe. Então minha avó levou ela a uma bruxa para ver o que tinha de errado com ela e a bruxa disse:

-Você pode engravidar e segurar o bebê, mas precisa se afastar do seu marido, ele não quer a criança e assusta os bebês que tentam chegar. Se você quer ser mãe precisa ficar longe dele e rezar para que um espírito forte se aproxime e queira ser teu filho, porque essa é a solução, um filho mais forte do que o pai.

Minha tia levou a sério, o casal tinha uma casa afastada da cidade, um pequeno sítio, ela disse ao marido que por recomendações médicas precisava passar um tempo por lá, tirou férias e ficou dois meses. Ao voltar a sua casa começou a ter centenas problemas com a gravidez, hemorragias e coisas assim, mas foi se segurando, passou outras semanas na casa da minha avó. O bebê nasceu prematuro, mas conseguiu sobreviver e foi um menino.

Anos se passaram, mas sou obrigada a reconhecer, meu primo é um filho da puta, mais ainda que o pai. Entendo cada palavra dessa bruxa, ele foi mais forte e resistiu, mas a pergunta é outra, por que uma mulher resiste a um companheiro que talvez não quer o bebê?

Uma parte de mim entende o drama, descobrir que seu Romeu não é tão legal e parceiro, justo na hora da gravidez deve confundir muitas mulheres, deixar elas sem chão. E com certeza alguém vai dizer  ''não existem pessoas perfeitas''.

É verdade, mas sou direta, acho péssimo perturbar mulheres grávidas e jogar seus medos em cima delas, como se elas já não tivessem que lidar com os seus. 

Não entendo como as mulheres resistem a essas torturas e não mandam o Romeu à merda. Minha amiga, aquela que Romeu disse que primeiro tinha que arrumar bem sua liçenca maternidade, me deu uma explicação horrorosa, na maior tranquilidade comentou:

-Olha, ele está chatinho agora, com ciúmes do bebê, mas você vai ver, assim que nascer ele vai se derreter e virar o melhor pai do mundo.

Será mesmo? Dá para virar o melhor pai do mundo depois de ser o pior marido do mundo?

Tanto se fala na violência que as mulheres sofrem em hospitais na hora de parir e me pergunto se essa violência em casa, com um Romeu perturbando, massacrando, não significa nada?

Uma das minhas primas aguentou o marido dizendo que ela estava ''cada dia mais gorda e imensa, quero ver como vai perder esse peso''.

O fundo dessa história é igual a todas, o direito que os homens acreditam ter sobre o corpo da mulher, sua vida e decisões, acham que se está grávida eles podem decidir se será ou não uma gestação tranquila. E do outro lado mulheres resistindo, segurando a criança, aguentando todos os desconfortos da gravidez e fingindo que Romeu é companheiro. Me parece demais para mim e me pergunto, até quando vamos resistir a tanto massacre?

Iara De Dupont

8 comentários:

Anônimo disse...

oi!

Gostei do texto.

vi seu post na Lola e queria perguntar sobre estrias. Voce tratou? Qual o tratamento mais eficaz, se é que ele existe?

Anônimo disse...

Em suma: se a mulher sofre um aborto, a cupa é do homem!

Quanta vitimização!

Patético!

Que tal falar sobre as mulheres que suspendem o anticoncepcional unilateralmente para engravidar sem o consentimento do parceiro?

Ah, me desculpe, eu não sabia que as suas amigas não fazem isso!

Que tal falar sobre as mulheres que escolhem manter uma gravidez mesmo sem a menor condição econômica porque concebem a maternidade como um projeto pessoal egoísta e sabem que poderão arrancar uma pensão alimentícia do pai pelos próximos 25 anos?

Ah, me desculpe, eu não sabia que você não conhece mulheres assim!

Que tal discutir a lei que obriga o homem a se responsabilizar economicamente por um filho que ele não queria, SOB PENA DE PRISÃO, enquanto a mulher com dinheiro tem, na prática, a escolha de planejar seu futuro por meio do aborto?

O direito da mulher ao aborto pressupõe uma contrapartida masculina: o direito de RENUNCIAR à paternidade, com todos os seus encargos, no caso de uma gravidez não consentida. Isso se chama IGUALDADE.

Fora daí estamos a discutir privilégios.

Iara De Dupont disse...

Anônimo, tem razão! Reparou que nos meus textos eu sempre ignoro o estupro masculino? Quanta barbaridade da minha parte! Sempre omito aquela parte onde vocês são obrigados a terem relações sexuais com as mulheres,debaixo da mira de um revólver. Já escrevi sobre isso, olha o link:

http://sindromemm.blogspot.com.br/2013/02/meus-tios-nao-correram-e-levaram-o.html

E olha que interessante o comentário de outro anônimo, como você, chateado, porque eu sempre sumo com essa parte da história, aquela que vocês são forçados e pela violência esquecem de colocar a caminha.

#chateada #tôcomdó #tadinhodoshomens

Iara De Dupont disse...

esquecem de colocar camisinha.....

Iara De Dupont disse...

Ah, sobre as estrias.

Olha, eu nunca tentei esses tratamentos super modernos, já escutei que funcionam, mas nunca fiz, na minha época era creme mesmo, usei vários e melhoraram muito minha pele, mas as estrias não sumiram.
Nunca fiz nada além de passar creme e oleo de amendoa, então não sei se existe algum tratamento eficaz, mas me parece que sim, que existem alguns que eliminam tudo.

Iara De Dupont disse...

mas olha, nem sei o nome dos tratamentos porque nunca fui atrás deles, por isso não sei dizer qual funciona....

Anônimo disse...

Engraçado que todos esses homens que não querem ser pais vão atrás de mulheres que querem filhos... por que eles não se juntam com mulheres que não querem ter filhos? Elas existem, garanto. Por que as mulheres que não querem ser mães só conseguem homem que quer ser pai? Se entender parece que ninguém quer, né? Mais fácil se acomodar com alguém com objetivos de vida e desejos completamente diferentes e complicar a vida dele ou dela. Que saco, gente! Não quer filho? Não case com alguém que quer. Quer filho? Arranje quem também queira ao invés de ficar pressionando quem não quer. E, cara, caso você não consiga deduzir sozinho, te aviso que sua mulher grávida já tem problemas suficientes, medos suficientes e não precisa de ninguém botando pressão nela. Trate-a como um ser humano e se tiver alguma dúvida, pergunte ao médico. Usem a cabeça gente, porque ela não foi feita só pra separar as orelhas não.

Mascu trollzin... não quer ter filho, use camisinha, faça vasectomia ou transe com outros homens. Ou morra de tanto bater p**eta, que é só o que mascus normalmente conseguem. Ponto. O resto nem merece resposta.

clarissa disse...

Então, Iara, eu vivi uma situação semelhante na chegada da minha menina mais velha... primeiro bebê muda tu-do! Eu tive uma gestação hiper-planejada, 32 anos, casada, trabalhando, com meios para me prover e ao bebê se fosse necessário... Meu marido queria muito ser pai, tudo certinho... Bom, quando a Bela nasceu, ele surtou! Ia surfar às 5 da manhã, ia jogar sinuca! e eu camelando, voltei a trabalhar com 5 dias de parida pq médico não tem licença- maternidade; ia com a Bela pro consultório, e o fofo na farra... Durou 4 meses... um belo dia, meu padrinho de casamento, que foi meu colega de faculdade e colega de residência do meu marido, veio nos ver. Ele chegou com a esposa e os 3 filhos, me olhou, e disse :" Cla, me dá essa criança e vai dormir!"
Puxou o meu marido de lado e passou um sabão... resultado: Eu dormi 12h seguidas, eles limparam a casa, lavaram as roupas e me fizeram o jantar. Até hoje eu não tenho muita certeza do que o Alemão(nosso amigo)disse ao manoel, mas ele virou outro... tanto que tivemos uma segunda filha, sem stress... Então, eu acho que ás vezes as pessoas também precisam de um puxão de orelha bem dado... Conosco funcionou.. bjoo

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