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20 fevereiro 2015

Pensei que era melancolia, mas é só o tempo.....



O tempo me parece a coisa mais estranha do mundo. Nunca sei quando passa voando ou estaciona.
Fiquei sabendo da morte de uma moça, com quarenta anos, de câncer. Não era minha amiga, mas cruzei com ela algumas vezes no corredor de uma emissora e sempre foi muito gentil. O ambiente que estávamos era hostil, por isso guardei sua gentileza.

Me pergunto como é possível morrer tão jovem, me parece que os quarenta anos são apenas o começo, principalmente para ela que acabava de ser mãe.

Eu vinha escutando uma música da Legião Urbana que dizia ''o futuro não é mais como era antigamente''.

Já ouvi e li centenas de teorias sobre isso, mas me pergunto se foi minha percepção que mudou, a idade ou o planeta que se mexeu, mas o meu tempo não é igual ao que um dia foi. Minha vida acelerou em algumas coisas e parou em outras, ficou congelada. Talvez por isso a morte dessa moça me abalou, trouxe à tona a rapidez da passagem pelo mundo. Ou talvez continuo sensível pela morte do meu pai e fico pensando como foi breve sua vida, apesar dos setenta anos. Em alguns momentos lembro dele e parece que vivi tudo aquilo em outra dimensão, outro espaço, outra vida. Se não tivesse fotos para mostrar, pensaria que muitas coisas não existiram.

Me sinto diferente e desconfortável com esse tempo que se mexe sem aviso e para em lugares que não conheço. Às vezes minha vida parece parada, às vezes nem lembro se um dia andou.

Gosto do calendário de uma farmácia, eles dão de brinde, porque é grande e grudo na geladeira, mas este ano não consegui, cheguei tarde e já tinha acabado. Ficou o espaço em branco na geladeira, todos os dias me prometo comprar um calendário e colocar ali. Mas não tenho feito isso, o tempo passou e nem sei onde se pode comprar um calendário se já estamos quase em março.

Até minhas memórias nestes novos tempos são diferentes. Algumas acontecimentos recentes me parecem distantes e os mais antigos me parecem próximos.

Fico pensando se é o tempo, ou são os dias iguais que enchem meu calendário. Em alguns momentos tudo está tão quieto que me pergunto se estou viva. Tudo me parece tão lento que não muda, mas tão rápido que continua igual.

E me disseram '' se você quer mudanças, então procure por elas''.
Penso assim também, mas tudo me parece tão fora de lugar e o tempo tão distinto ao que conheci, que nem sei por onde começar. 

Um amigo me disse ''entregue seu tempo a Jesus, ele sabe o que fazer com''.

O tempo e seus mistérios me deixaram sensível, pensativa e melancólica. Penso na moça de quarenta anos, na vida, na morte e na rapidez de tudo. Às vezes penso que queria uma vida diferente, às vezes penso que nem com uma eu dou conta. 

De vez em quando fico fantasiando que o tempo vai me favorecer, existe alguma coisa no relógio de areia que desce ao meu favor, mas não sei quando nem como. E ao saber da morte da moça tive a sensação de ter que correr, o tempo vem em cima de todos e nunca se sabe quando termina. Parece que lutamos na vida, corremos atrás das coisas que queremos, aceleramos os amores, atrasamos o destino. Parecem mil coisas, mas é apenas uma, nós contra o tempo.


Iara De Dupont


Um comentário:

Anônimo disse...

O tempo ou a nocao que temos dele prova nossa finitude neste mundo,nao controlamos nossa relacao com ele e essa relacao mal resolvida nos faz sentirmos estranhos,inseguros,incapazes de resolvermos nossas questoes mais importantes,por isso acredito na vida eternal da alma,porque nossa vida aqui e muito breve,sempre sentimos a sensacao de que fizemos muito pouco,nao importa quantos anos vivemos.

Anna

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