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12 fevereiro 2015

Mulheres, já deu! Chega de ser vítima!

UMA THURMAN: CADÊ A LEI DO DESAPEGO?
Esta semana a imprensa publicou uma fotos da atriz Uma Thurman durante uma estréia. Fica claro nas fotos que ela enfiou o pé na jaca e fez vários procedimentos estéticos, a ponto de parecer outra pessoa.

Já cansei de ver estrelas e subcelebridades mudando seu rosto, mas no caso de Uma fiquei aborrecida.

Ela é filha de um dos primeiros americanos que aderiu ao  budismo  e começou a divulgar a doutrina, ou seja, não é possível que não aprendeu nada sobre a lei do desapego. E conta a lenda que Dalai Lama frequenta a casa de sua família desde que ela era pequena! Poxa e não deu para aprender nada sobre a passagem do tempo e do desapego? O budismo tem as melhores definições sobre isso que já li, prega uma vida de libertação, de abandono as coisas mundanas, a aceitação dos limites materiais e do tempo e a consciência de que é um espiríto de luz, não só carne e osso.

A vida dela me parece ótima, começou cedo como modelo, ganhou concursos, foi Miss, estudou e virou atriz, entrou para a indústria do cinema, teve ótimos papéis, sempre foi reconhecida e muito bem paga. Se casou com um ator, Ethan Hawke, tiveram filhos, se divorciaram e ela voltou a se casar, desta vez com um bilionário.

A indústria do cinema é clara, depois dos trinta e cinco anos, nenhuma atriz interessa, são todas descartadas. Mas existem algumas saídas para essa situação, ou centenas de plásticas para tentar segurar o tempo, trabalhar com diretores independentes, criar seu próprio trabalho, fazer uma revolução ou voltar para casa.

E a mais importante, desapegar, entender que todos nós temos nossa época e ela passa. Ela, Uma, é maravilhosa, mas seu momento de vinte anos já passou, querer se apegar a ele só provoca dor.

Uma amiga me disse:

-Poxa, coitada, imagina a pressão que ela deve sofrer para se manter sempre jovem?

Peraí, desde quando somos umas coitadas?

Já deu.

Não somos coitadas.  Essa conversa já chegou no seu limite. No caso de Uma não tem nada de coitada, é uma mulher inteligente, com dinheiro e conhecida, pode gerar seu próprio trabalho, é só montar uma produtora e arregaçar as mangas, não precisa de ninguém, pode envelhecer com dignidade e ainda faz parte de uma profissão que permite isso, quanto mais velha é a atriz, mais interessante ela fica.

Mas ela não desapegou dos seus vinte anos e me pergunto, é mesmo uma coitada, vítima da mídia, da pressão dos estúdios?

Chega uma hora que esse argumento fica raso. É verdade que a mídia pressiona, que mulheres são submetidas durante o dia a imagens de mulheres perfeitas, os comerciais empurram produtos. Mas somos mesmo tão bobas e tão frágeis a ponto de não saber desviar essa bola de fogo que vem na nossa direção? Somos mesmos aquelas meninas perdidas que acreditam em tudo que é dito, que não sabem o que é photoshop?

E falo isso do pior lado da questão, eu estou fora do sistema, meu argumento não foi construído no conforto que desfruta quem está lá dentro. A vida inteira fui pressionada para emagrecer, meus dezoito anos de teatro não me serviram de nada para entrar na televisão, porque não sou magra e pago um preço muito mais alto do que se pode imaginar. E vou fazer o que? Empurrar minha mente de novo ao buraco, como já fiz uma vez? O padrão de magreza que me pedem não é viável para meu corpo, mesmo assim ignorei isso e acordei em um hospital, tive tempo suficiente para pensar no assunto, se queria morrer para entrar no sistema, ou tentar me adaptar do lado de fora.

Tenho uma agenda cheia de telefones de produtores e diretores de elenco, sei de gente que mataria para ter acesso a essas pessoas, tenho promessas de ótimos testes, desde que eu emagreça. Todas as semanas alguém de alguma agência me liga perguntando se emagreci. Consegui me cadastrar em uma agência bem top no mercado, a melhor e uma vez a booker de lá ligou e antes de que eu pudesse dizer qualquer coisa me disse:

-Iara, pelo amor de Deus, me diz que a Nossa Senhora da dieta te iluminou e você está magra! Tenho um teste, já escolheram a menina e adolescente, você é igual a elas, não tem erro, o papel é teu, mas me diz que emagreceu....

Diante da minha negativa ela surtou, gritou, me ofendeu e dias depois mandou a minha casa um envelope com minhas fotos rasgadas, com um bilhete que dizia  ''só me procure o dia que tiver tomado vergonha na cara e emagrecido''.

Isso não é pressão? Para mim é, até porque eu poderia estar ganhando muito bem e levando uma vida muito melhor do que a atual. Mas o que posso fazer? Tentar emagrecer de novo e arriscar minha saúde?

E sou sincera, não emagreci porque não consegui, meu corpo não chegou ao ponto necessário para o padrão de televisão, mas no meus tempos de loucura eu tentei, só depois que entrei na parte política da questão e me recusei abertamente a ceder, convencida de que não quero alimentar um padrão de beleza que não existe e não tenho porque ser esquelética nem ficar doente.

Mas isso me custa vida fora do sistema, paciência. Não vou mentir, não é um lugar confortável, nem estou feliz, mas é melhor do que morrer tentando ser o que não sou. 
Tenho duas conhecidas que estudaram comigo e hoje são estrelas de novela, uma está na novela das seis e a outra na novela das sete. Encontrei uma delas em uma festa e a moça me disse:

-Poxa, Iara, você já estudou tanto! Não é melhor pensar em uma lipoaspiração?

E volto ao ponto, não é fácil, não é confortável estar fora do sistema, mas não é impossível e ainda dá para segurar a cabeça.

E eu sou uma anônima, desconhecida, sem os recursos materiais de Uma nem sua vida garantida, ela não precisava ceder a pressão, dá para resistir sim. 
Já passei por coisas ruins que me levaram a questionar minha resistência, gastei noites chorando, em alguma épocas deixei de comer e pior ainda, eu me odiava por não conseguir emagrecer, achava que tudo era culpa da minha falta de vontade e por isso eu era um ser humano desprezível.

Não é possível que tantas mulheres sejam fracas e cedam a essa pressão, como se fosse impossível resistir. Não há luta sem resistência e se render caindo em procedimentos estéticos, atrás de uma juventude perdida me parece deprimente, não podemos como mulheres sermos tão frágeis e fracas, à mercê da indústria da beleza. Com essa loucura de querer parecer jovem estamos apenas reforçando o machismo e nos reduzindo a bonecas de plástico.

E essa desculpa de  ''fiz procedimentos estéticos porque fui pressionada pelos padrões de beleza'', já deu, me parece furada e sem sentido. Todas somos pressionadas e temos que aprender a sair desse círculo vicioso, sem alimentá-lo.

O tempo passa para todas e nenhum fica impune a tanta pressão, mas não podemos ser tão débeis e vaidosas, a ponto de não perceber que estamos fazendo exatamente o que o patriarcado quer.

E também não somos tão coitadinhas assim, que não podem discernir sobre o melhor para si. Podemos de uma maneira lógica jogar a culpa nos meios de comunicação, dizer que inventam mulheres que não existem e tal, mas e nós? Não somos capazes de avaliar nem pensar o lixo que nos é dado? Somos tão delicadas e bobas a ponto de não entender que a imagem de mulher perfeita é mentira? Não importa o que o patriarcado jogue na nossa direção, ainda somos nós que decidimos se vamos fazer parte ou não de todo o lixo que é atirado. Não somos bonecas, nem estamos hipnotizadas, podemos muito bem pensar e perceber toda a manipulação que existe detrás de uma suposta eterna juventude. Chega de ser vítima e ir chorar em mesa de cirurgião plástico, está na hora de pensar duas vezes e se perguntar, onde vai levar essa procura maluca por uma beleza e juventude que não existe?

Iara De Dupont

2 comentários:

Anônimo disse...

Antigamente, eu concordaria totalmente com a sua visão, mas hoje acredito que tudo que mexe com o psicológico não é tão simples assim. Eu escolhi não me submeter ao padrão, mas entendo (e vivo um pouco) a pressão que as mulheres sofrem, como isso abala a mente e, no final das contas, um procedimento estético vira uma bola de neve e você não mais consegue parar. Meio como usar droga, né? Não é questão de ser fraca, de não se impor. Lembra num post que você comenta que dizem que, mesmo se a nossa exposição ao padrão atual de beleza, ainda levaria gerações pra gente apagar da mente tudo? Pois é.

Anônimo disse...

As vezes a porrada tem que ser forte mesmo, o sofrimento tem que ser muito grande, uma pessoa pode passar a vida inteira presa a essas amarras que lhe fazem mal porque não "apanhou o suficiente", não sofreu um baque grande demais a ponto da segurança-prisão ficar mais insuportável que todos os riscos fora dela. Aconteceu comigo, a vida inteira uma besta que vivia pra agradar os outros; foi preciso muita violência simbólica e psicológica, muita intimidação, chantagem, indução ao medo e à culpa até que eu enxergasse a verdade, decidisse que não dava mais e fugisse de gente que me fazia mal. Conselhos e filosofias podem ser muito bons, mas tem coisas que a gente só entende e assimila mesmo quando sente a dor na própria carne ou alma.

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