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03 fevereiro 2015

Luciano Huck: não dá para esperar nada bom dele (nojinho)

ANGÉLICA E LUCIANO HUCK: GENTE, ERA SÓ BRINCADEIRA

Eu tinha uma amiga psicóloga e algumas vezes a acompanhei a uma terapia de grupo que ela dirigia. Ficava ali de assistente, anotava os nomes, separava alguns papéis e depois  sentava em um canto e ficava escutando. Era um grupo de mulheres que tinha sofrido violência doméstica. Tinham diferentes idades e níveis econômicos. Fui algumas vezes, mas logo fiquei um pouco cansada, era sempre a mesma conversa e eu me sentia enjoada só de escutar os escabrosos detalhes, a maioria envolvia o extremo da violência física.

Não entendia o que acontecia ali, na minha cabeça era sempre a mesma pergunta  ''poxa, por que não deu um chute no saco do marido e saiu correndo?''. Lembro de uma moça que o marido foi a cozinha e esquentou uma faca para cortar ela, fiquei pensando, ''nossa, e não deu tempo de correr enquanto ele fazia isso?''.

Achei que existia um abismo entre elas e eu, jamais apanhei de homem nenhum, nem me levantaram a voz. Consegui escapar de algumas situações com desconhecidos, então minha vida parecia diferente da delas.

Anos se passaram e entrei em um namoro, que terminou uns três anos depois. Quando tudo acabou fui procurar respostas e percebi todas as agressões que eu vinha aguentando há anos, em todos meus relacionamentos, não apenas nesse. Meus namorados falavam baixo, mas tiravam sarro, me humilhavam, desprezavam minhas conquistas, rebaixavam meus sentimentos e criticavam meu corpo (link). Na medida que percebia como esse horror tinha me envolvido, me sentia pior. Verbo rasga, assim como a faca rasga a pele.

Demorei para perceber que eu procurava esses relacionamentos porque era o que conhecia, venho de ambiente onde todas as mulheres são humilhadas verbalmente e diminuídas, me pareceu tão normal isso que reproduzi em todas minhas relações. 
Percebi que eu era igual a aquelas mulheres da terapia de grupo, que um dia achei tão distantes de mim. A violência, seja fisíca ou verbal, paralisa a pessoa, elas não corriam dos seus abusadores, nem eu. Apanhavam de todas as maneiras, e eu apanhava com o verbo, mas a surra era a mesma, me sentia tão pequena e humilhada como todas elas.

Hoje não tolero quando um homem tira  ''sarro'' de uma mulher, conheço essa receita e sei que começa de maneira simpática, na base de  ''foi só brincadeira'', mas depois a artilharia mais pesada vai sair da caixa. Depois da frase ''estava só brincando'', vem outra ''nossa, ficou brava por que? Tá de tpm (tensão-pré-menstrual)?'', logo em seguida ''mulher não sabe brincar'', até que termina com o que o rapaz quis dizer desde o começo  ''só tirei sarro porque você falou merda, mulher não entende disso ou daquilo''.
Então somos lembradas que mulheres são assim, criaturas inferiores, burras e prontas para serem ridicularizadas.

Li agora uma coisa que me incomodou profundamente (LINK). Não acredito na inocência do casal Angélica e Luciano, tudo ali são negócios e provavelmente existe um detrás do episódio que vi. Angélica trocou de celular e não conseguia escrever, se confundiu com o corretor, mas Luciano (ainda bem) resgatou a mulher e a ensinou a usar (o que seria das mulheres sem os homens né?). A frase dele explicando foi tão certinha que me pareceu um comercial, mas para  aumentar a circulação do que foi dito, ele correu para tirar sarro da mulher, que não sabia usar um corretor.
Vão dizer que tenho um péssimo humor, mas não é isso, é apenas a experiência de anos de abuso verbal e das risadinhas supostamente inocentes. Tirar  ''sarro'' da mulher em uma rede social não é tão inocente quanto parece.

Nossa, mas eles são um casal, qual o problema de brincar com os erros que cometem? Ah, e ela, não tem nenhum erro dele para postar? Não, ele é homem, ia ficar chato com sua imagem se ela mostrasse a incompetência dele em algum setor.

Já aprendi que não existem piadas inocentes, principalmente  as que se relacionam a mulher, tudo ali é parte do esquema de colocar a mulher no seu lugar, continuar reforçando a ideia de que somos todas umas estúpidas, que não sabem nem mexer em um celular.

Tenho amigas que passaram por isso, o namorado começou com doces piadas, eu avisei, minhas amigas disseram que eu era exagerada, que casais brincam entre eles e eu estava paranóica, achando que tudo era violência verbal. Mas me deram a razão depois de uns anos, porque a violência começa com gotas, só depois transborda, vira aquela enchente que suja tudo de lama.

Caramba, mas o marido não pode brincar com a mulher? Que exagero, ele apenas comentou sobre o fato dela não saber usar o celular!
Pois é, mas brincadeiras são usadas para manter o sistema como está, diminuir a mulher é necessário para que o mundo machista funcione.
Não existe inocência nas brincadeiras que todos repetimos, tudo é desenhado conforme o planejado, mulheres são inferiores e devem ser sempre lembradas disso e esse massacre também vem da mídia, com esses casais, onde cada um sabe ''seu lugar''. Imaginou, a Angélica tirando sarro do marido? Nunca, isso subverteria a ordem.

Angélica fez o que o patriarcado mandou, foi as redes sociais reclamar do corretor, jamais do marido, isso é uma ofensa que ela jamais cometeria.
E quem acha que não tem nada demais, que foi só brincadeira, não se preocupe, um dia vai errar e vai ter um homem ao lado se divertindo com isso, lembrando no subtexto que mulheres são assim mesmo, desastradas. É o machismo em gotas.


Então não pode brincar nem com a mulher? Não, até que essa ordem seja quebrada e não existam segundas intenções debaixo da piada.

Quem não se incomoda com o benhê tirando sarro, que bom, depois não reclamem que suas filhas namoram homens abusivos, elas aprenderam em casa que existem apenas para divertir um homem.
Quem acha que é exagero, que uma piada não mata ninguém, apenas posso dizer que piadas vão abrindo feridas lentamente e mostrando o que os homens realmente pensam das mulheres, essas bobas. E sempre recomendo este LINK, mostrando que não é apenas teoria, a perseguição as mulheres é real.


Iara De Dupont

7 comentários:

Suzana Neves disse...

Eu penso assim tbm
Sou sensivel memo e reclamo e se encher publico
http://suumaluta.blogspot.com.br/2014/12/gaslighting-desculpe-informar-mas-tem.html?m=1

Anônimo disse...

Acho que vc precisa se tratar, ta meio neurótica, deve ser falta de homem...

Iara De Dupont disse...

Mas o que seria de um blog sem um doente perseguindo cada post?

Iara De Dupont disse...


http://www.brainstorm9.com.br/54682/advertising/coca-cola-mira-nos-trolls-da-internet-em-campanha-para-o-super-bowl/

Musicista Feminista disse...

Anônimo panaca, vc deve adorar ser xingado na internet, né? Pra achar que isso é legal, acredito que gosta.
Falta de homem? Engraçado, Angélica tem homem, e o que ela ganhou com isso? Humilhação.
Pra otários como vc, homem é como braço, perna, se uma mulher não tem um é pq tá faltando alguma coisa.
Mulher nenhuma precisa "ter" um homem pra isso, eles já fazem automaticamente.

Anônimo disse...

Pior que tem mulheres que acham isso tão bonitinho!!
Destas tem que fazer piado mesmo...

clarissa disse...

Concordo com você, iara, começa sempre bem de levinho, uma brincadeirinha, seguida de um insulto, uma humilhação, e culmina no abuso físico mesmo... É o que eu digo para os pais dos meus pacientinhos " ninguém aparece com overdose do dia para noite, tipo, vou sair hoje e encher meu corpo de cocaína... começa com um cigarrinho inocente, um porrezinho de nada..." Violência é sempre injustificável... Se a pessoa não te respeita, corra... e rápido... bjoo

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