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24 fevereiro 2015

Iara, quando você vai fazer sua vida? (se casar, porra!)


E lá veio uma amiga da minha mãe me dizer:

-Você realmente não pensa se casar?

Não.

Me pegou em um dia ruim e a lembrei que foi mãe solteira, se casamento fosse bom por que ela não se casou?
E correu para me responder:

-Mas eu fiz minha vida, você não! Morei uns anos com o pai dos meus filhos. Separei porque não deu certo, mas tentei, eu fiz, e você
Não fez nada de sua vida até agora!

Para definir o que significa ''fazer alguma coisa de sua vida'' preciso saber os critérios dela. Mas fiquei muito irritada, porque eu não me meto assim na vida dos outros e não vou julgando ninguém que não faça as mesmas escolhas do que eu. E ''fazer a vida'' é uma questão discutível.

Debaixo de seu ângulo, tem razão, eu não me casei, não tive filhos ainda e não moro com nenhum homem, então apesar de ter passado dos trinta anos não fiz nada na minha vida, segundo ela. Eu não ''fiz'' minha vida.

Mas dentro dos meus critérios me atrevo a dizer que não fiz mesmo, estou ''fazendo''. Estudei mais do que ela, já mudei de país, namorei com mais homens e procuro mais coisas na vida do que apenas um ''marido''.

Me irritei muito com essa questão porque machismo vindo de mulher me dói mais. Mas a entendo, é amiga da minha mãe, que não esconde a preocupação de morrer e me deixar sozinha no mundo, sonha com o genro ideal e que eu seja muito feliz com ele.

Posso estar errada e não fujo disso, fiz minha aposta muito cedo, acreditei que deveria existir alguma coisa na minha vida além de um bom casamento. Fui guiada por uma alma sedenta de liberdade, queria descobrir quem era antes de me perder em outro sobrenome masculino. Queria conhecer meus limites antes de viver em função de outra pessoa. Eu queria isso, queria aquilo, quero agora e quero já. E não abri espaço para nada que não me trouxesse emoções fortes ou sonhos realizados. Os únicos dois Romeus que conseguiram me convencer do contrário sumiram em uma nuvem, assustados com minha fome de vida e pouca tendência a ser uma boa esposa.

Sei que a  vida é minha e ninguém sabe o que passo ou deixo de passar, não espero reconhecimento nem coroas de flores, mas de vez em quando fico magoada quando me sinto invisível apenas porque não cumpri uma ordem da sociedade. Lamento que algumas mulheres me olhem e pensem ''tadinha, não fez nada da vida'', apenas porque decidi não me casar. Podiam pelo menos respeitar minha escolha, e pensar que não casei, mas isso não quer dizer que não ''fiz'' nada da minha vida.

Uma vez escutei uma tia dizer a outra:

-Não entendo essa Iara, até as primas mais feias já se casaram e ela não desencalha!

Fiquei arrasada quando escutei isso, ainda tinha a autoestima frágil e os ouvidos sensíveis.

E escrevo ao pé da cruz, se eu estiver errada, se a vida é realmente para uma mulher se casar e ser esposa, se tudo o que eu digo é equivocado, eu juro que volto aqui e retiro meus posts, um por um. Não bato na tecla de que estou certa, posso estar errando em tudo, mas minha alma me indica esse caminho, se não for o correto, eu mudo e venho contar.

E não tenho nada contra casamento, é que eu apenas nunca sonhei com isso com tanta força. Cresci muito sufocada pela presença masculina na família, as mulheres sempre submetidas e sofrendo, eu queria uma vida melhor para mim e de uma maneira ou outra elas incentivavam, queriam me ver fora da prisão. Só quis procurar minha identidade no mundo, sem fazer mal a ninguém, quis apenas manter a liberdade e tentar outros caminhos.

Sempre tive claro uma coisa, se for para casar que seja com alguém que entenda minha maneira de viver, começando pelos detalhes técnicos, não quero morar na mesma casa. Mantenho essa ideia desde a adolescência e nunca encontrei ninguém que a tivesse entendido. O máximo que consegui com um Romeu foi a promessa de que teríamos quartos separados, em caso de casamento.

Mas é fofo se casar! Que ótimo, que todos se casem e me convidem para a festa, adoro festas de casamento, sempre vou, choro, grito, berro, canto, danço e como bastante. 

Porém o mundo é enorme e o que parece incrível para uma pessoa não é tao maravilhoso assim para outra.

E já aguentei muito, escutei conversas paralelas, insinuações, coisas do século XVIII. Já me disseram que não me caso porque sou lésbicas (oi ? Lésbica não se casa?) que sou misândrica, que não gosto de homem, que sou mal amada e ninguém me quer. Foram muitas ofensas, inclusive a clássica ''você não se casa porque ninguém te aguenta!".

E não vejo nada demais na minha escolha, qual seria a outra opcão? Perder minha invisibilidade social me casando e acrescentando um sobrenome ao meu?
E horror dos horrores, escrevo este texto em pleno século XXI!

E também luto pelo meu direito de escolha, talvez amanhã mude de ideia e me case, a única coisa que não penso mudar é minha ideia de construção, não vim ao mundo ser esposa de ninguém, cheguei aqui para fazer minha vida do meu jeito.

Tenho uma vontade imensa de fazer minha vida, mas nunca pensei que isso só seria possível  nas mãos de Romeu. 

Um dia quero olhar pra trás e saber que ''fiz'' minha vida baseada nas minhas escolhas, não nas imposições machistas do patriarcado. Eu só quero isso, o poder de olhar e saber que decidi cada passo. 

Mas neste mundo misógino parece que uma mulher que decide não se casar, ou pelo menos não fazer disso o principal evento de sua vida, é uma mulher que não fez nada de sua existência, passou pelo mundo sem deixar rastros, porque pegadas de mulheres são os filhos, não o que elas fazem no mundo. 

Nunca pensei que seria tão complexo, uma decisão que me parece simples, eu apenas quero deixar minhas pegadas no chão, os meus pés, que não são de um marido nem de um filho, são os meus. E parece que isso é uma ofensa direta ao mundo, mulheres lutando para deixar suas pegadas. Que seja, porque não vou deixar de caminhar, nem de marcar meus passos. E quem ver meu rastro pode ter uma certeza, é meu, não do meu marido. 


Iara De Dupont

6 comentários:

Anônimo disse...

Nem me fale... a gente passa dos 30 solteira e pessoas começam a olhar pra gente com cara de dó.
Primeiro: Solteiro não significa sozinho. Conheço mulheres que são ignoradas pelos maridos e até pelos filhos, que a tratam como empregadas (são muito mais solitarias que eu), e a minha vida está sendo feita: faculdade, pós graduação, bom emprego, bom salário, viagens, idiomas, namorados, carro, casa. E se os deuses permitirem, ela nunca está "feita"- sempre terá algo novo para se conquistar.

Anônimo disse...

Resposta: antes não fazer """""nada""""" (muitas aspas) da minha vida do que fazer m* e ser infeliz, pra descontar nos filhos e pra quando tudo desabar e cair a fachada de contos de fadas ainda virem me dizer que a culpa foi minha por não ter sido uma """""""boa esposa""""" (entre mais aspas ainda, porque ser boa esposa em português do Brasil significa ser escrava do maridinho.)

Realmente é muito difícil um brasileiro aceitar morar separado da mulher, afinal, se fizer isso ele vai ter que limpar a casa, lavar a própria roupa, fazer o próprio jantar, arrumar a própria cama, organizar a própria bagunça... na verdade os homens é que são desesperados pra casar e nem sempre é porque gostam da mulher, mas porque querem uma escrava pra substituir a mamãe mesmo. Essa proposta de morar separados pode até ser uma boa maneira de testar a maturidade do cara.

Anônimo disse...

Sabe, há uns muitos anos (na adolescencia ainda) eu namorava um cara muito legal, inteligente, amoroso e eu gostava dele, estava feliz.
Um dia, numa festa, uma moça que era da turma virou pra mim e disse: "Não lembro o seu nome, prá mim vc é a namorada do fulano".
Isso me marcou muito, não saía da minha cabeça... eu percebi que eu não era uma pessoa, para uns eu era a "namorada de uma pessoa" para outros "a filha de uma pessoa". Isso serviu para eu mudar, querer descobrir quem eu era e o que eu queria da minha vida. Óbvio que o namoro acabou logo depois, apesar de nem ser culpa dele... o problema era eu que estava me anulando em vários apectos da minha vida.

Alessandra Tofoli disse...

O velho e típico pensando do homem "salvando" a pobrezinha da mulher de ficar "sozinha". Oi?
Como se a salvação da vida de uma mulher fosse um casamento, com filhos e de preferência sem nenhum questionamento sobre essas convenções.

Anônimo disse...

Me sinto como voce, faço minhas as suas palavras, não tenho o que tirar nem por.
Acho que o mundo ainda vai ter que dar muuitas e muitas reviravoltas para as pessoas entenderem que casamento e filhos não é o sonho de toda mulher e que não tem nada de errado nisso. Isso é não aceitar as diferenças, o outro. Ignorância pura.

Musicista Feminista disse...

Vc está deixando mais rastros no mundo do que essa sua parente metida.
Em relação à essa coisa de viver em casas separadas, eu já parei muito para pensar nisso. Eu durmo no mesmo quarto que a minha irmã, e não sei se eu aguentaria dividir comida, casa e cama pro resto da vida. Isso não significa que eu vou amar menos o Romeu, muito pelo contrário.
Acho que cada um sabe das suas manias, não adianta ficar forçando a convivência por normas da sociedade.
Se for melhor para os dois viverem em casas separadas, que se danem os comentários!

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