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06 fevereiro 2015

Gordas e o padrão de qualidade do mundo

ESSA ASLHEY É MARAVILJHOSA, MAS NÃO ME REPRESENTA
FLUVIA LACERDA: É MUSA, MAS ATÉ EU QUERO ESSA BARRIGA PARA MIM

Há uns anos fui fazer meu cadastro de atriz na Globo. Não sei se foi brincadeira ou a produtora disse de má fé, mas antes mesmo de que eu abrisse a boca ela falou:

-Olha, vou colocar teu cadastro no perfil das atrizes gordinhas, mas aqui na Globo nunca vão te chamar, porque você não tem o padrão de qualidade Globo.

Acho que fiz uma cara de tanta surpresa, que ela respondeu:

-Quer dizer, você tem um rosto bonito, emagreça e me avise, daí te mudo de perfil.

Fiquei chocada esse dia porque nunca pensei em ''padrão de qualidade'' em relação ao meu corpo. Caso ele existisse, o meu corpo teria menção honrosa de qualidade, de tanta que aguentou e por nunca ter me colocado em situações impossíveis de sair.

Hoje essa frase não me perturba mais, mas na época machucou, me senti um animal sendo descartado por não estar no padrão de qualidade da fazenda.

Percebo agora que é apenas o velho mecanismo do machismo, a sociedade aceita as mulheres desde que seja dentro do padrão que eles querem. Não é mulher que manda em bastidores de emissora, os cargos mais altos estão nas mãos de homens, existe a diretora executiva da empresa, mas ela não se mete em testes nem novelas, dirige a empresa como um todo e imagino que isso significa perpetuar a misoginia já existente.

E apesar dos meus esforços durante anos, nunca consegui chegar a essa padrão de qualidade deles, posso emagrecer, mas não tenho estrutura física para chegar ao peso de uma Marjorie Estiano e nem aguentaria a magreza de uma Maria Fernanda Cândido, que parece doente. Se é uma escolha ficar esquelética e envelhecer precocemente ou respeitar seus limites e envelhecer de maneira natural, escolho a segunda.

E faz tempo percebi alguma coisa estranha no mundo plus-size, o que chamo de gorda-reformada.

A primeira modelo plus-size, conhecida no mundo inteiro foi Fluvia Lacerda, linda demais, fotogênica e maravilhosa. Mas reparei e até escrevi um post sobre isso, ela não tem barriga. Achei na minha ingenuidade que era sorte dela, mas conversei com um amigo médico que me garantiu que a gordura abdominal é a primeira que aparece no corpo humano, fica difícil ser gorda sem barriga.

E não é mais a única, fui atrás de outras fotos e achei várias garotas, plus-size, sem barriga.
Tenho certeza de que existem gordas sem barriga, milagre da natureza, mas elas não me representam.
É o sistema dizendo, aceito gordas, desde que seja assim, sem barriga e com o corpo torneado.

Mas se estamos falando de aceitação e gordas, é possível riscar a linha e dizer ''não pode ter barriga?''. 
Se for para entrar no sistema, tem que tirar a barriga. E por que tirar se a pessoa se aceita assim? Se eu me aceito, por que vou querer tirar uma parte do meu corpo? Não posso me aceitar a meias, aceito todo meu corpo ou não, mas me aceitar renegando minha barriguinha ou sonhando em ter essa barriga lisa não dá certo para mim. No meu contexto de vida aceitação inclui tudo, não posso me dividir em mil.

Fui atrás de umas pesquisas e descobri que a barriga é a parte do corpo que a maioria das mulheres odeia e se pudesse tiraria. Mas olha só, a indústria já fez isso por nós!

Peraí, o mercado plus size está dizendo  ''se aceite, se ame, respeite seu corpo, mas tira essa barriga dai!’’.
Nossa, que lição de aceitação incrível. A mesma que levei na Globo e seu padrão de qualidade para seres humanos.

A maioria das gordas têm barriga e agora? Não pode, tem que tirar, faz cirurgia, massagem, sei lá, mas barriga a indústria não aceita.

O que acontece com as gordas é a mesma coisa que acontece com as negras, o sistema finge que nos tolera, que nos dá espaço, mas nada disso acontece. Todas as modelos plus passam por um processo de emagrecimento no computador, afinam sua cintura, tiram a barriga e aumentam os seios e pernas, já as negras são discretamente  ''embraquecidas''.

A indústria resolveu nos dar gotinhas de açúcar, para que possamos acreditar que fomos incluídas, mas eu não me sinto incluída, tenho barriga e não tenho as pernas tão torneadas como as modelos plus e ao contrário da pele perfeita delas, eu tenho estrias, celulites e aréas flácidas. E sou igual a milhões de mulheres, por isso posso concluir que a indústria não me representa e essas modelos lindas, maravilhosas e sem barriga são tão próximas da minha imagem quanto a Gisele Bundchen.

Uma gorda ''reformada'', ''operada'', para entrar no sistema não é a mesma coisa que uma gorda natural. 

Não peço a indústria suas migalhas nem sua atenção, mas esse processo de ''limpar'' a imagem de uma gorda e tirar a barriga é tão perigoso e sinistro como colocar modelos anoréxicas, é a mesma coisa, a distorção da imagem da mulher e de como o corpo dela deve ser. Segundo a indústria as únicas gordas aceitas são as que não tem barriga, e isso não é real.

Trocamos seis por meia dúzia, a batalha dos movimentos de inclusão chegou nessa encruzilhada, a indústria aceita os gordos, desde que sejam desenhados a seu gosto. Vamos trocar as fotos de meninas magras por meninas gordas que não existem, com seus corpos super torneados, parecendo atletas nórdicas. 

Não peço milagres, apenas respeito a realidade, podem usar as modelos que quiserem, mas se pensam em me vender um produto preciso me espelhar em quem está anunciando. E gordas sem barriga não são a minha realidade.

O movimento plus tem sua parcela de culpa, ignora parte política, não entendeu que modelos gordas subvertem a ordem, quebram paradigmas e estabelecem novos conceitos, tudo isso foi deixado de lado e não se construiu um novo pensamento e imagem sem direcionamento não dá em nada.

Já aguentei anos de revistas com modelos magras e agora parece que vou aguentar outros anos com modelos gordas que na verdade não são gordas. É, no fim acabo concordando com quem diz ''esse mundo é uma farsa''.

Iara De Dupont

2 comentários:

Anônimo disse...

Exatamente! Além de barriga, não têm celulite, estria, pêlos, cicatrizes... Padrão photoshop.

Anônimo disse...

São gordas aceitáveis, na verdade nem são gordas reais, sempre percebi que a barriga delas não dobrava. Eu tenho 1,60 e 62 quilos e a minha barriga é muito mais saliente que a dela.
Acho que esse mercado de moda plus size não tem nada a ver com aceita gordinhas, só mercado mesmo, talvez elas nem se toquem disso.

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