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12 fevereiro 2015

Equipe de criação do comercial Skol: vocês são uns coitados

               



Só para variar e repetindo os mesmos clichês de todos os anos, uma marca de cerveja se meteu em uma polêmica. Fez um cartaz (LINK) que foi reprovado pelas mulheres e isso causou tanto barulho que a marca retirou o comercial de circulação.

O pior lado da história foi a misoginia da imprensa, que nem disfarça seu nojo pelas mulheres. Se referiu as todas que reclamaram como ''ativistas'', ''feministas'' e ''bastante irritadas'', nenhuma era mulher, nem ser humano, apenas ''ativistas''.

Me incomoda demais todos esses rótulos porque sei que são escritos de maneira depreciativa, fica parecendo que sempre são  ''aquelas chatas feministas'' com suas ''critíca feministas''  que perseguem os inocentes publicitários.

Minha pergunta é, se o comercial sugere e incentiva o estupro, precisa mesmo ser uma feminista para se incomodar? Isso não diz respeito a mais ninguém? A equipe que criou esse comercial foi parida na chocadeira? Ninguém tem mãe nem irmã? É tão difícil assim ver o ser humano que sofre uma agressão?

Não preciso ser homem para me sentir solidária com algumas causas, não preciso ser feminista para saber que muitas coisas estão erradas. Não é só o feminismo que pode nos levar a ter compaixão pelo outro, um pouco de senso comum também ajuda.

A imprensa coloca a reclamação das mulheres como um detalhe banal provocado por um bando de histéricas, malucas, que perseguem os meios de comunicação, mas não é o contrário que acontece?

É preciso mesmo que uma feminista olhe um cartaz e diga ''isso faz mal'' para que os outros reparem? Ninguém pode avaliar o cartaz se não é feminista?

A cobertura da imprensa nesse caso é discreta, mas dá para entender, anunciantes de cerveja são o sonho de todos os veículos de mídia, pagam milhões e são constantes nos seus anúncios. É normal que a imprensa fique quieta, mas mesmo no seu pouco barulho deixa claro que o problema são as mulheres, que  ''criticaram'' o anúncio.

Fico decepcionada quando vejo essa divisão acontecendo, então só as feministas vêem o horror que as mulheres sofrem? Ninguém vê nada?

Há muitos anos eu estava produzindo uma  peça de teatro e uma atriz sugeriu um diretor. Não gostei dele desde o começo, machista, inseguro, grosseiro, só falava pornografia e besteira.
Duas semanas antes da estréia ele sumiu. Foi uma confusão danada, porque ele desapareceu. Fiquei dividida entre achar aquilo ótimo e cancelar a peça, porque não dava tempo de resolver tudo. No fim a peça foi cancelada, mas durante alguns anos eu não podia nem escutar o nome dele.

Algum tempo depois me ligaram, avisando de seu velório, o rapaz tinha se jogado de uma ponte. Achei super estranho, ele sempre me pareceu uma pessoa firme, não vi nele nenhum traço depressivo. Não fui ao velório nem enterro, mas acabei encontrando uma amiga que foi e então ela me contou uma história de terror.

Na época que esse diretor trabalhava na peça morava sozinho, seus pais eram de uma cidade no interior. Houve um feriado e ele foi para lá. Estava em casa, com toda sua família, quando uns bandidos entraram, amarraram a todos  e subiram aos quartos com as mulheres, sua namorada, irmã e mãe. Ficaram lá por horas, enquanto ele e o pai escutavam os gritos de socorro delas.

Depois disso roubaram a casa e foram embora. Restou ao pai e a ele levar as mulheres ao hospital, todas machucadas, torturadas e estupradas.

Agora me pergunto, precisa ser feminista para ver o horror dessa história? O rapaz era machista e mesmo assim deve ter entendido o que foi feito as mulheres de sua família ou não? O machismo o impediu de perceber o que tinha acontecido? Imagino que não, me disseram que ele não superou o trauma, começou a beber e acabou se matando. Logo depois  soube que sua irmã não tinha sobrevivido, morreu no assalto.

É realmente uma questão de gênero entender a tragédia do estupro e que nada deve incentivar um ato covarde desses? Preciso ir na agência e desenhar aos que inventaram a campanha, para que eles possam entender?
Ou talvez radicalizar um pouco, usando uma pedagogia barata. Uma amiga tinha um bebê que sempre puxava seus cabelos, ela dizia que aquilo era ruim e fazia a cabeça doer, mas o bebê não estava nem aí. Então um dia ela puxou um cabelinho dele e finalmente ele entendeu a dor que causava, nunca mais puxou o cabelo da mãe. 

Nossa, preciso descer o nível e dizer a equipe ''tomara que vocês sejam estuprados?''. É isso? Assim dá para entender ou ainda fica difícil?

É necessário que alguém vá a agência de publicidade que fez o comercial e diga ''gente, olha, vocês já pensaram na sua irmã sendo estuprada durante o carnaval por um bêbado?''.

Se chegamos nesse ponto a humanidade já se perdeu. Se um publicitário não pode entender o perigo de incentivar um estupro, temos uma grande falha moral na equipe que inventou as frases.

Mas caramba! É só um comercial, não é para tanto! Não é? E se for tua mãe, irmã e namorada? Continua não sendo para tanto?  Algum desses publicitários já levou a namorada estuprada a um hospital? Já recebeu ligação do IML (Instituto Médico Legal)?

Minha conclusão é a de sempre, se não existe compaixão, não existe futuro. Mas neste caso é pior, é falta de bom senso e compaixão, duas coisas que podem mudar tudo para pior. O mundo está como está porque ninguém entende a dor do outro e enquanto não passar por ela está se lixando.

Cerveja é bebida alcoólica, já em si é um produto mãe de todas as desgraças, acidentes de trânsito, brigas e estupros. Mas ver o comercial da Skol, além da revolta que me causou, me deu muita tristeza, fiquei pensando, poxa, tantas coisas tem vindo à tona, tantas histórias de estupros e nem isso comoveu a equipe de criação. Que tristeza ter seres humanos tão miseráveis como essa equipe, tão pequenos, sórdidos e inúteis. Para mim quem incentiva o estupro é feito do mesmo material que o estuprador, lixo hospitalar, gente que merece morrer da pior maneira possível.

No começo do ano pensei que nosso problema fosse a falta de água, depois pensei que era a falta de ética e agora vejo que é falta de ser humano, de gente, de pessoas, que tenham o minímo de compaixão pelo outro. Não é possível que nem para fazer um comercial barato de um produto ruim, como cerveja, um ser humano preste! Nem para isso dá! Lixo de humanidade.

Iara De Dupont

3 comentários:

Kinha disse...

Otimo texto! Parabens!

Anônimo disse...

Realmente a Skol pisou feio na bola. Mostrei a foto do cartaz pro meu sobrinho de 12 anos, e ele num acreditou. Veja bem, um garoto de 12 anos entendeu o absurdo... como que publicitários formados não entenderam?

Anônimo disse...

Li a matéria num portal de notícias, passei uma olhadinha pelos comentários só porque sou masoquista e... adivinha? Só homem, pra variar, reclamando do politicamente correto, chamando as mulheres da foto de gordas feias (nossa, que pegada mais quinta série!), dizendo que feministas queriam chamar atenção e inteligência não era o forte delas, dizendo que como eles não viam nada demais as mulheres também não deviam se incomodar, etc. Engraçado que se eu chegar lá e dizer que todos tem mentalidade de molestador só falta fazerem um pelotão pra me fuzilar. Tragam lenha pra queimar essa bruxa, que se atreve a chamar criaturas tão puras e santas de estupradores só pq eles querem se divertir, se esfregar e passar a mão nas mulheres mesmo sem o consentimento delas! E o pior é que não adianta apelar pra mãe e pra irmã deles não, Iara. Pra incomodar esse tipo de babaca e fazê-lo pensar você tem que perguntar "E se fosse um GAY metendo a mão na sua bunda, hein?", "E se fosse um gay aproveitando que você tá bêbado e comendo seu c*, hein?", "E se fosse um gay te cantando na rua pq você passou sem camisa hein?" e daí a pior. Os homens estão tão egocêntricos hoje em dia que só entendem se a integridade e o corpo deles forem ameaçados, e nem mesmo isso é garantia de que vão ficar mais empáticos com as mulheres. E depois juram que não entendem porque as mulheres tem medo deles...

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