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09 fevereiro 2015

É uma promessa, vou dizer de novo ''olha mãe!''


Não é em tom de critica que muitas vezes escrevo sobre a educação que recebi. Tenho plena consciência que meus pais fizeram o que acharam certo naquele momento, não houve maldade e ainda carregavam muita ignorância nas costas quando resolveram ter filhos.

Mas não posso evitar dizer, o que me foi dito serviu de pouco neste mundo, tive que reavaliar tudo o que me ensinaram, porque eu ia de um lado e o mundo de outro.

As coisas que mais tenho usado na minha existência não vieram dos meus pais, são uma mistura de vários lugares, pessoas e momentos. E nem sempre entendi no momento o que era dito, mas guardei e depois coloquei essa peça junto a outras, até que pude ver o desenho completo.

Nunca tive nada contra quem escreve livros de autoajuda, pelo contrário, em uma época da minha vida li bastante, mas no meio em que eu vivia, isso era considerado uma literatura inferior, coisa de gente sem referências.

Eu trabalhava em uma emissora quando alguém me disse que um guru seria entrevistado. A produtora do programa se aproximou e disse:

-Iara, você que adora essas bobagens místicas, escreva as perguntas para esse picareta.

Fui para o Google e achei logo seu nome, era famoso, tinha escrito um livro pequeno sobre amor próprio e dava palestras, tinha seu DVD. Escrevi as perguntas e fui entregar para a apresentadora. Quando entrei no camarim percebi a irritação dela, a moça era ''superior'' e não queria descer na vibração de um homem que vendia autoajuda. Naquele momento, mesmo sem o conhecer, me senti mal por ele.

A presença dele ali tinha uma explicação, sua editora era uma das patrocinadoras do programa e tentavam equilibrar mandando escritores reconhecidos para serem entrevistados e escritores de autoajuda, essa área que vende muito.

Logo que ele chegou, a equipe, produtores e apresentadores, o cumprimentaram, mas com um pouco de gelo e uma certa distância.

Vi isso de longe e voltei ao meu trabalho, até que ele mandou me chamar, porque queria conversar sobre as perguntas que eu tinha escrito. Subi ao seu camarim e ele estava sozinho, pediu algumas mudanças, mas eu não poderia mudar nada, isso dependia da produtora.

Fiquei um bom tempo conversando com ele, enquanto a produtora resolvia se mudava as perguntas ou não.

Ele me deu um livro de presente, o que tinha escrito sobre amor próprio e comentou:

-Vai ser bom para você, dá uma lida, mas tua questão é outra.

Perguntei qual era e me respondeu:

-Acredito na teoria do amor próprio, primeiro a pessoa se ama, depois esse amor se expande para o universo e as coisas giram. Mas esse é o segundo passo, o primeiro e mais importante é complexo e poucas pessoas estão prontas para assumir todas as consequências que ele traz. Se chama autocura, a capacidade de se curar sozinho, de regeneração que todos os seres humanos têm. Algumas pessoas como você, precisam disso antes de entender o amor próprio, você precisa se curar das feridas que teve, por diversos motivos. Não tem anestesia nem mertiolate no mundo, é você que precisa se curar e isso vai te levar ao amor próprio. Ninguém sabe o que você passou e não vão entender, só você sabe a dimensão da sua dor e da necessidade de se curar, caso contrário sua vida vai ser sempre estar parando para limpar o pus e sentindo a ferida arder. Nós precisamos nos curar do que escutamos dos outros, do que nos fizeram, do que provocaram. Eles podem ter provocado a dor, mas só nós podemos nos curar e fechar as feridas. É a nossa mão que temos que levar ao coração e começar o processo de autocura. Sem cura a gente não caminha, fica paralisado, a vida estanca. A porta de entrada para uma vida melhor é aquela ferida que se fechou.

Perguntei se estava ligado ao perdão e me disse:

-Não está ligado a nada que não saia de sua alma, é você que sabe, se perdoar vai te fechar feridas, então perdoe, o que importa é você ter consciência que a cura não vem de fora,  não existe ninguém nem nada que possa te curar, além de você, e os mecanismos que decidir usar para isso são pessoais e intransferíveis. Temos que ser capazes de curar nossa própria alma durante a jornada, porque senão o caminho fica pesado, longo e sem sentido. E olhe, podemos ir longe, mesmo cheios de cicatrizes, mas ninguém sobrevive a feridas abertas. Se cure logo, menina, o mundo te espera.

No dia seguinte, ao chegar a minha mesa, tinha um chocolate, que a produtora deixou. Fui agradecer e perguntar o motivo do gesto e me disse:

-Poxa, Iara, desculpa por ontem né? Eu estava no telefone quando soube que as perguntas seriam mudadas, demorei demais e você ficou lá, coitada, aguentando aquele homem picareta, com suas conversas de autoajuda. Fiquei com pena, pensei logo, coitada da Iara, sempre sobra pra ela conhecer gente estranha!

É, verdade, isso acontece desde pequena, sempre sobrou para mim conhecer pessoas incríveis, fora do comum e dispostas a compartirem o que sabiam e graças a elas tenho muitas histórias para contar.

Tenho pensado muito no processo de autocura, até pela questão do peso. Desde o ano passado tenho largado muitas coisas e pessoas, nesse processo de me curar por dentro primeiro. No meio do caminho entendi o que ele quis dizer como ''consequências'', finalmente sou eu que posso me curar e isso exige assumir responsabilidades e descartar jogar a culpa nos outros. Também me vejo dizendo todos os dias ''tal coisa não me machuca mais'', ''tal coisa não me agride mais''. Tento me curar, mas sei que leva tempo e espaço. Mesmo assim tenho suas palavras na minha mente, não podemos caminhar com feridas e o pus saindo, é importante cicatrizar para a caminhada ser mais leve e feliz. O limite de um ser humano sangrando, cheio de feridas, é curto. E muitas vezes no meio do ódio, da mágoa, só resta se curar, nada vai voltar o tempo e apagar a experiência, mas a ferida pode ficar aberta por séculos.

Lembro que quando era pequena, tinha uns oito anos, tive uma fratura exposta e no meio de tantas trocas de gesso (naquela época era gesso), uma médica errou e não passou o protetor, um tecido que ficava entre a perna e o gesso. Por causa disso o gesso encostou na perna e causou uma ferida enorme, eu chorava de dor e todos pensavam que estava exagerando, mas minha mãe acreditou e me levou ao hospital. Ao abrirem viram a enorme ferida, então o médico me carregou e disse:

-Tenta encostar o pé no chão.

Aquilo era uma tortura, porque a ferida tinha avançado tanto que dava para ver o osso. Eles limparam, cobriram com os panos necesários e engessaram a perna novamente.

Voltei lá meses depois, tiraram o gesso e fiquei muito feliz de ver a ferida fechada, nem sei porque me deu tanta alegria, acho que na minha cabeça de criança era o motivo de tanta dor. Me colocaram no chão, segurando pelos braços e me pediram para encostar o pé no chão. Encostei e depois de uns momentos comecei a caminhar sozinha, de maneira lenta e de vez em quando me apoiando na mesa ao lado. Era a primeira vez que eu voltava a andar depois de um ano de sofrimento e lembro que virei e disse:

-Olha mãe! A ferida fechou e estou caminhando!

Faz tempo que disse essa frase, mais de trinta anos. E acho que já está na hora da minha mãe escutar isso da minha boca novamente.


Iara De Dupont

4 comentários:

Anônimo disse...

Espero que sua mãe possa ouvir essa frase em breve!

leaveinsilence disse...

Iara, quem é o autor? Quero ler esse livro!

Iara De Dupont disse...

leaveinsilence, me passa teu email e te dou o nome do autor. Não coloco aqui porque senão o pessoal da emissora me rala né?
Mas olha, já procurei todos os livros dele, tem de tudo sobre autoajuda, mas nenhum é sobre cura, não sei se ele não publicou ainda ou foi pessoal comigo, rsrsrs...

Fátima disse...

Tenho uma amiga que me contou um fato sobre a avó. A senhora tem mais de 80 anos, trabalhou por 60 anos na area de educação. Segundo ela, a avó era o pilar da família, dava os melhores conselhos, era a pessoa mais centrada da familia e hoje tem alzheimer, ela não se lembra do que aconteceu mais recentemente, se confunde com familiares, sintomas normais da doença. Há um tempo atrás ela caiu e quebrou a bacia e o fêmur. Foi hospitalizada e o médico disse que ela nunca mais andaria, pois era idosa e obesa e a fratura era mesmo séria. Ela ficou um tempo na cama, devido a cirurgia e gesso. Quando se viu livre do gesso, tentou se levantar e caiu. Tiveram de coloca-la na cama e novo e avisa-la para não se levantar, porém, devido à doença ela esquecia a ordem recebida, e tornava a levantar e a cair. Os filhos se desesperaram, já viam a mãe novamente operada e hospitalizada por nova fratura. Enquanto isso ela insistia em levantar e andar e conseguiu. Hoje anda normalmente, é capaz de ir ao banheiro sozinha, ir a cozinha, ir a varanda ver o movimento dos carros. O médico diz que se ela se lembrasse que quebrou, nunca mais andaria, pois teria medo. O fato dela não se lembrar a fez voltar a andar. Minha amiga diz que isso tambem foi uma lição de vida dada pela avó. Enquanto nos lembrarmos que nos machucamos, ou de que alguem nos machucou, ou de que alguém nos deixou faltar algo, não caminhamos para frente, sempre teremos medo de nos quebrar de novo. NO dia em que perdoarmos, ou mesmo que não haja perdão, mas que decidirmos que aquilo não tem mais tanta importancia e que a vida continua mesmo com nossos machucados, vamos andar para frente e recuperar nossos movimentos. Nossos pais nos ensinam de diversas maneiras...

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