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12 fevereiro 2015

A aspirina e minha falta de adaptação ao horror do mundo


A maioria do tempo me pego dizendo  ''calma, Iara, respira''. E faço isso porque ainda não estou adaptada a esse novo mundo e seus valores distorcidos, de repente escuto alguma coisa e parece que o ar vai embora.

É um propósito de ano novo, de 2015, acelerar minha percepção do mundo e me acostumar com o que acontece, talvez assim não precise ficar o tempo inteiro me dizendo ''respira, respira''.

Conversava com uma pessoa sobre remédios, contei que era alérgica a aspirina e não usei por muitos anos, mas uma vez uma tia me deu uma, quando eu morava no México, e teve um resultado excelente. As outras aspirinas podiam me tirar a dor de cabeça, mas me davam náuseas, essa não. O problema é que ela é feita em um laboratório em Guadalajara, bastante longe da Cidade do México, então não era fácil achar a aspirina ali, tinha que caminhar muito.

Quando voltei ao Brasil foi uma das coisas que mais senti falta, mas sempre enchi o saco de alguém, eu pedia para me mandar pelo menos uma caixinha, já que é permitido por lei.

E hoje estava lamentando não ter mais essas aspirinas, justo hoje. E uma pessoa ao meu lado me disse para comprar pela internet. Não tinha pensado nessa possibilidade, fiquei de investigar se era viável e de repente essa pessoa me disse na maior tranquilidade:

-Imagina que você não vai conseguir uma porra de uma aspirina pela internet! Ali você pode comprar tudo, até um ser humano.

Até gente?

-É, até gente ou você acha que essa circulação de escravos no planeta inteiro é o que? É gente comprando gente!

E lá fui eu dizer a minha mente ''respira, respira''. Que mundo é esse? Ainda não me acostumo a essa naturalidade diante do terror. A pessoa me disse como se fosse a coisa mais normal do mundo comprar seres humanos. A frieza de uma pessoa narrando um horror sempre me impressiona, me deixa sem chão.

Caramba, o errado é o errado, é terrível falar de tragédias, de crimes, como se fossem a coisa mais normal do mundo e fossem um ciclo natural do ser humano na Terra. 

Não sou ingênua nem abobalhada, sei que as coisas são assim e o tráfico de pessoas no mundo supera o tráfico de armas, é o primeiro tráfico que mais rende, mas nem por isso posso achar que é normal. É nojento escutar sobre isso, é asqueroso escutar um ser humano sendo comparado a uma aspirina, que pode ser comprado na internet a qualquer hora.

No começo do meu blog eu me surpreendia e dizia ''gente, como pode o ser humano ser assim?''. 
Hoje me surpreendo com minha falta de adaptação ao este planeta-horror.

Iara De Dupont

2 comentários:

Anônimo disse...

Nosso mundo é apavorante e imagino que por isso mesmo algumas pessoas acabam por se distanciar do horror e da dor por trás disso. Um ser humano normal não consegue viver imaginando o tempo todo seus semelhantes sofrendo em vários lugares diferentes, pelos mais variados e fúteis motivos-e pior, sabendo que na maioria esmagadora das vezes não pode fazer nada pra ajudar ou evitar. A gente pira e é muita coisa ruim nesse mundo pra enlouquecer o mais são dos seres humanos. Então o jeito é não tomar todas essas dores o tempo todo, mas é muito triste que as pessoas tenham que se tornar frias pra poder sobreviver aqui. Muito triste.

Carolina disse...

Eu tb não consigo me adaptar, Iara.
Beijos,
Carol

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