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29 janeiro 2015

Dinheiro é amor. Amor é dinheiro (o resto é hipocrisia)



Um amigo vai se casar e hoje me contou sobre uma decisão, que achei estranha. No meio da conversa disse:

-Sabe, Iara, decidi que vou colocar cada pessoa da minha vida no seu lugar, não quero mais  ''pagar de gatinho'', nem ser legal com ninguém. Vou começar pelo meu casamento, meu pai não vai estar no altar, vai ser apenas um convidado.

Perguntei o motivo dessa decisão e me respondeu:

-Ele foi um pai ausente, nunca jogou bola comigo, não me ensinou a andar de bicicleta e agora que estou convivendo com meus enteados percebo o quanto meu pai me largou, nunca prestou atenção na minha vida, por que o colocaria no altar?

Não disse nada na hora, porque não era o lugar adequado, mas por dentro subi paredes.

A leitura do meu amigo é bem comum, também tive essa durante um bom tempo, até que entendi a energia do dinheiro. Também achei que atenção era uma coisa e dinheiro outra, não percebia que eram a mesma coisa.

O meu amigo tem uma irmã, filhos de um dono de padarias e uma professora de história, que largou tudo para cuidar das  ''crianças''. Eles cresceram em uma casa com piscina e festas incríveis, eu era pequena quando ia na casa e não esqueço até hoje a comida, absolutamente maravilhosa.

Acho que sua mãe foi a primeira vegetariana que conheci, fora o meu pai. Ela achava importante o contato com a natureza e pediu um sítio para o marido. Eles tinham galinhas e cavalos, mas isso não era suficiente para uma infância feliz, então o pai comprou uma casa na praia.

Meu amigo nunca passou um feriado em São Paulo, antes dos oito anos já tinha ido umas cinco vezes a Disney. Frequentou aulas de inglês, natação e futebol. Na adolescência passava todas as férias na Europa e quando entrou em uma faculdade particular ganhou um carro zero e na formatura um apartamento.

Não sei se ele era o mais rico da turma, mas sempre lembro da família dele com dinheiro e uma mãe disponível, que tinha largado tudo para cuidar deles. Minha mãe trabalhava, talvez por isso lembro tanto de sua mãe que ficava em casa.

Meu amigo se perdeu na faculdade umas três vezes, mudou de curso, não sabia o que fazer, nem sei no que se formou, mas conseguiu um emprego medíocre. Uma vez me disse que não queria ser ambicioso e doente como seu pai, mas depois contou que sua namorada tinha se mudado ao seu apartamento e ele estava cuidando dos enteados, não queria outro emprego porque o que tinha dava tempo de levar as crianças ao parque e ensinar a andar de bicicleta.

Mas ele ganha muito mal e sua namorada rala em dois empregos. Moram todos no apartamento que o pai  ''ausente'' deu quando ele era solteiro. E parte da festa de casamento será paga pelo pai  ''ausente''.

Venho de uma família de homens ausentes, por isso posso dizer quem eles são e não é o caso do pai do meu amigo.

Minha tia engravidou do marido e depois do parto ele foi embora, nunca ligou, nem mandou um centavo. Isso é um pai ausente. Minha prima teve aqueles ataques freudianos e ligou para o pai no dia do seu casamento, mas ele não quis ir, nem apareceu no batizado do neto. Isso é um pai ausente.

Se eu fosse o pai do meu amigo não iria no casamento, jamais falaria com ele de novo, porque é ofensivo o que ele está fazendo com o pai. De barriga cheia é muito fácil reclamar, pagando apenas condomínio e não parcelas, fica mais fácil ainda. O pai dele não estava ausente porque passava o dia com putas, mas porque ralava o dia inteiro em duas padarias para que a família tivesse vida de luxos.

A piscina que meu amigo tanto aproveitou, a casa na praia, o sitio, as viagens, o carro, nada disso caiu do céu, foi o pai que conquistou com sua ''ausência''.

Ah, mas ele não tinha tempo para andar de bicicleta com o filho! Ora, e os sacrifícios do pai não valem nada? Será que ele nunca chorou por ter que trabalhar tanto e não poder estar com sua família?

Mas dinheiro não é tudo! É tudo sim e muito mais, mostra quem ama e quem não ama. Pai ausente é o meu tio, que nunca colocou um pão  na mesa e obrigou minha tia a trabalhar duas vezes mais para sustentar a filha. 

O pai do meu amigo foi um homem pobre,  se fez sozinho e trabalhou como um cão para que os filhos tivessem tudo na vida, pelo que vejo não mereciam, tinham que ter ralado para aprender a respeitar quem deu essa 
vida a eles. O  pai merecia estar no altar, trabalhou para isso, mas como não ensinou o filho a jogar bola, não vai estar lá.

E meu amigo tem todo o tempo do mundo para ensinar seus enteados a andar de bicicleta, mas eles nunca tiveram festas espetaculares, nem viajaram a Disney, não tem seu futuro garantido, nem a proteção que só o dinheiro compra. 

Mas nem tudo é matéria, nem tudo é dinheiro! Coisa fofa e linda de pensar. Vejo isso todos os dias, perto de onde moro existem cortiços e as crianças circulam pela rua, com suas roupinhas rasgadas e sapatinhos apertados. Mas os pais têm tempo de ficar com elas! Que coisa! Criança precisa de cuidados e isso custa dinheiro, é uma utopia pensar que só com amor se pode criar uma criança no mundo e a proteger dos horrores.  

Ah, mas é uma questão de valores, para o pai era importante dar o melhor da matéria e para o filho o importante é dar o tempo. Tá bom, cada um é cada um, mas nem por isso meu amigo tem o direito de passar em cima do pai dessa maneira.

Ausência é uma coisa muito mais profunda, que meu amigo mimado não conhece. O pai dele foi presente, muito mais presente do que muitos pais que conheço, inclusive da minha família. Nenhum de nós e digo, todos meus primos, ganhou um apartamento de  ''papai''.

Dinheiro é uma maneira de demonstrar amor, de concretizar os sentimentos bons que temos, o pai dele acordava as quatro da manhã, de segunda a segunda, fez por ambição e por amor, para que os filhos tivessem uma vida melhor, mas agora nada disso serve porque ele nunca ensinou o filho a jogar bola.
Ah! Meu pai nunca me ensinou muitas coisas e nem por isso tive a vida boa que meu amigo teve.

Dinheiro é amor, amor é dinheiro. E se um pai sai de casa de madrugada para pagar uma escola para seu filho merece respeito, milhões de pais e mães não fazem nem isso.
Dizer  ''eu te amo'' a um filho é muito fácil, quero ver bancar uma vida confortável. Levar um filho ao parque é simples, quero ver pagar uma faculdade particular e lutar pelo seu futuro.

E se o pai tivesse feito ao contrário? Dedicado mais tempo a família e menos ao negócio? Também não estaria no altar, porque meu amigo diria que ele foi um pai  ''molenga'' que nunca trabalhou pelos filhos.
Tive uma parcela de educação católica, também acreditei que tempo e energia não eram a mesma coisa que dinheiro. Ficava ofendida quando me diziam que amor e dinheiro são sinônimos, mas hoje entendo a profundidade disso. Trabalhar duro para que alguém que amamos seja melhor e possa ter uma vida confortável é o maior gesto de amor que um pai ou uma mãe podem fazer pelo filho. Pensar no filho e proteger com dinheiro o futuro dele é amor incondicional. Evitar que o filho conheça a pobreza e as mazelas da vida sendo criança é uma prova de amor.

Mas os pais têm que ser presentes e dar amor! Concordo, mas se eles saem para trabalhar também é amor.

Amor tem milhões de maneiras de se expressar, mas o dinheiro concretiza a melhor delas, uma vida boa.

Meu amigo vai estar no seu altar de areia, porque nada do que tem foi conquistado por ele, a formação, o apartamento, a educação, o carro, a festa, tudo isso foi dado por aquele convidado anônimo, que vai sentar no fundo da igreja. Aquele que ele chama de  ''pai ausente''. E lamento pelo pai, por ter tido um filho assim, ''ausente'', porque serve para criticar o pai, mas não foi adiante, não construiu nada além do que o pai deu.
Posso apostar que existem milhões de pessoas que adorariam ter tido um pai ausente assim, inclusive eu.

Iara De Dupont




6 comentários:

Suzana Neves disse...

O moço é um mimado isso é obvio,eu sempre passei necessidades principalmente na infância tudo que meu pai fazia inclusive se me colocava na garupa da bicicleta e dava uma volta no quarteirão me deixava feliz.
Mas trabalho deixa os homens como feras eles sempre ficam irritados e difíceis de conviver, esse papo que enriquece pelos filhos e da tudo a eles me parece mais por culpa mesmo.
Os exemplos de homens que conheço crescem pelo ego.
Acho que o sacrifício da mãe foi pior homens sempre se ausentam se não for pelo trabalho jogam bebem arranja amantes.....

clarissa disse...

Nossa, disse tudo, Iara... sou mãe de 2 meninas, trabalho 12h por dia, fins-de-semana inclusive, e, quando elas me cobram, com um muxoxo e , "mamãe vc vai trabalhar?" pergunto se elas gostam dos seus brinquedos, da sua escola, do ballet e da disney, porque nada disso seria possível se a mamãe e o papai não trabalhassem... Elas tem mãe e pai presentes, tem uma babá que ajuda, uma empregada que limpa e faz comida, mas, na hora de educar, de levar no médico, de contar história, sempre tem um de nós presente. Não vivo para trabalhar, mas trabalho para poder viver uma vida plena nos meus momentos de folga... De que adianta uma mãe em casa conectada no ipad/iphone o dia todo... Gostaria de poder trabalhar menos, mas me culpo muito pouco hoje em dia... vc tornou minha tarde de plantão mais leve... obrigada

clarissa disse...

Nossa, disse tudo, Iara... sou mãe de 2 meninas, trabalho 12h por dia, fins-de-semana inclusive, e, quando elas me cobram, com um muxoxo e , "mamãe vc vai trabalhar?" pergunto se elas gostam dos seus brinquedos, da sua escola, do ballet e da disney, porque nada disso seria possível se a mamãe e o papai não trabalhassem... Elas tem mãe e pai presentes, tem uma babá que ajuda, uma empregada que limpa e faz comida, mas, na hora de educar, de levar no médico, de contar história, sempre tem um de nós presente. Não vivo para trabalhar, mas trabalho para poder viver uma vida plena nos meus momentos de folga... De que adianta uma mãe em casa conectada no ipad/iphone o dia todo... Gostaria de poder trabalhar menos, mas me culpo muito pouco hoje em dia... vc tornou minha tarde de plantão mais leve... obrigada

Anônimo disse...

Meu pai teve filhos quando era jovem, imaturo e egocêntrico demais pra ter a responsabilidade de criar outros seres humanos. Era violento, batia por tudo, quando queria alguma coisa sempre tentava fazer os filhos se sentirem culpados, não escutava o que tínhamos a dizer, nossas opiniões e vontades não contavam. Eu cheguei a desejar não ter pai quando era pequena. Mas depois ele amadureceu, abriu os olhos, viu que os filhos eram PESSOAS não meras extensões do sangue e da vontade dele, mudou. E em todo esse tempo ele nunca deixou faltar nada em casa, fez vários sacrifícios, trabalhou onde não queria e com quem não queria pra eu e meus irmãos termos o que precisávamos. Então eu cresci e também entendi o meu pai, que foi um pai opressor e violento pq esse era o único modelo que ele teve. Ele não sabia ser de outro jeito. Era um menino perdido que esqueceu de se prevenir e precisou fazer algo sem estar preparado. Se apegou ao único modelo que tinha, os próprios pais. Mas viu que isso não fazia bem a ele nem aos filhos e decidiu mudar. Se eu posso compreender os erros do meu pai, por que o mimadinho não pode mostrar um mínimo de respeito ao pai que trabalhou duro pra lhe dar tudo, e que provavelmente não era violento nem egocêntrico a ponto de fazer um filho desejar ser órfão? E nunca é tarde demais, se ele sente falta da presença do pai pq nunca falou isso pra ele? Por que nunca chegou junto e disse "Pai, obrigado por tudo que você já fez, mas agora queria que ficássemos mais tempo juntos"? Tem gente que reclama à toa e pior, não faz nada pra mudar.

Anônimo disse...

Até que enfim uma palavra sensata neste blog.

C.Belo disse...

Anônimo acima, lê todo dia, tá sempre atualizado, e SÓ agora gostou do q leu??? Anônimo masoquista vc, hein!

Iara, quanto ao texto.... Tomara q seu amigo leia...

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