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26 novembro 2014

Vai dizer que é minha amiga?


Ainda existem coisas que me surpreendem na minha maneira de viver, uma delas é minha enorme margem de tolerância com (algumas) ''azamigas''. 

Não sei  se é porque cresci em um ambiente onde as mulheres eram bastante criticas umas com as outras, minhas primas detonavam as tias e vice-versa, e jamais escutei nada sobre os homens.
Talvez foi isso que me moldou a ser  ''tolerante'' com coisas que não deveria ser.

No meio da correria de ontem uma amiga me ligou e convidou para uma festa no sábado. Falei que depois resolveria isso, mas me perguntei em silêncio porque tinha atendido a ligação, sendo que a amizade ali não é mais o que parece.
Conheço ela há anos, mas percebi que tinha a mania de  ''consolar'' meus Romeus, não sei o motivo, mas tinha necessidade de se aproximar deles quando eu terminava o namoro e ficar amiga, como se estivesse dizendo que ela era a boa da história e eu a má.

Me afastei um pouco, mas nunca mandei ela à merda, lugar merecido, depois de muitas fofocas que chegaram pela boca de Romeus. Nunca tive paciência de conversar com ela a respeito porque a conheço e sei que negaria tudo, a única vez que me tirou do sério foi quando adicionou um ex-Romeu meu no seu Facebook, fiquei irritada porque ele é violento e eu sentia que adicionar minha amiga era uma maneira dele seguir meus passos.

Mas não adiantou, minha amiga me chamou de paranóica e garantiu que Romeu nem lembrava da minha existência.

Nos últimos anos venho trabalhando duro nisso, em pescar coisas que não acho certas em amizades e me afastar, mas mesmo assim não sou de passar o recado e dizer porque me afastei. Talvez porque as agressões femininas são mais veladas e cheias de sorriso, nunca uma mulher me disse  ''eu quero que você se foda'', se um dia existiu essa intenção e não duvido, ela veio coberta de boas intenções e cara meiga.

Uma vez em uma peça de teatro tive um desentendimento com um ator, que me disse um monte de besteiras, gritou, ofendeu, falou mil. E no palco tinha uma escada, no meio da peça ele tinha que me dar a mão para que eu subisse na escada, uns dias depois da briga ele se aproximou e disse baixinho: tomara que você caia da escada e quebre o pescoço.

Fiquei chocada, nunca tinha escutado nada assim. Passei anos no teatro e aguentei muitas atrizes dissimuladas sumindo com figurino, colocando o pé, errando o texto, mas jamais alguém olhou nos meus olhos com tanta raiva e disse algo desse estilo.

Nunca escutei de uma mulher  ''vá se foder''. Mas nas entrelinhas escutei demais e me cansei de ser tolerante, mesmo assim ainda não devolvo a gentileza.

Recentemente em um clima de tensão por questões de trabalho, uma moça, que eu achava ser minha amiga, ao me ver um pouco irritada me disse ''Iara, eu acho que você vai levar bronca e dessa vez vai se foder''. Perguntei se era previsão ou desejo, e ela sorriu, se defendeu e garantiu que apenas queria me prevenir, porque era minha amiga, ainda argumentou que trabalhávamos juntas e não era conveniente para ela que eu me  ''fodesse''.

Tive duas grandes amigas que me mostraram o caminho das pedras, durante anos fomos amigas e jamais escutei de nenhuma delas uma crítica ácida nem um desejo oculto de que eu quebrasse a cara. Foi pela amizade delas que comecei a perceber como eu era tolerante com outras amigas ao meu redor e como isso não era certo, porque esses comentários velados me faziam mal.
De tanto que cismei com isso comecei a reparar como centenas de mulheres passam pela mesma coisa, toleram comentários velados de outras mulheres, as vezes irmãs, tias, primas, e fingem não ter percebido o tamanho da agressão.

Palavras de ódio se escondem na frase  ''só quero teu bem'', ''avisei para você não se machucar'', ''se não sou eu para te dizer a verdade, quem vai ser?'', ''amiga é aquela que fala a verdade'' e centenas de frases mais. Só que em algumas além da maldade vai a vontade de prejudicar a pessoa, isso é um perigo.

Passei por uma situação assim há uns anos. Me convidaram para ir a uma festa, mas havia um pedido relacionado ao presente, não lembro o que era, mas tinha que ser uma coisa especifica. No dia da festa acordei com gripe e chovia muito, uma amiga me ligou e perguntou se poderíamos ir juntas, comuniquei que eu não iria, me sentia mal. Ela insistiu, insistiu  tanto que eu acabei dizendo que estava doente, mas além de tudo isso chovia demais e eu não tinha o menor saco para sair à tarde e achar o bendito presente. Lembro de cada palavra que disse, em algum momento até comentei  ''ah, eu deixei tudo para última hora e onde vou achar essa merda agora?''.

Não fui a festa, mas mandei uma mensagem para quem me convidou me desculpando e ela não respondeu, coisa que achei estranha.

Três anos depois encontrei a mãe da moça, que me cumprimentou e disse não me perdoar por não ter ido a festa, disse a ela que eu estava doente e não pude, ela respondeu o seguinte:

-Ah, não foi isso que fulana disse. Ela comentou que te ligou para que vocês fossem juntas à festa, mas você disse que não tinha  ''saco nem dinheiro para comprar a porra do presente''. Eu fiquei muito chateada, porque o presente era uma brincadeira que fizemos no fim da festa com todos, você era amiga antiga, tinha confiança de dizer que naquele momento não poderia gastar no presente, teria sido recebida com o mesmo carinho, ninguém iria dizer nada.

Mas quando eu disse que não comprei pela falta de dinheiro?

Fiquei tão revoltada que liguei no mesmo dia para minha amiga, ou que eu pensava ser, e perguntei sobre o assunto, na maior cara de pau ela respondeu:

-Me perguntaram porque você não foi e eu disse a verdade!

Insisti em dizer que jamais tinha dito nada sobre ter ou não dinheiro e a moça argumentou:

-Você disse que não tinha saco para comprar e me pareceu que estava sem dinheiro!

Não é a mesma coisa! Sou pão dura e me dói gastar em besteiras, mas nesse caso nem era tanto assim e não foi o problema central, não era o dinheiro, era a falta de vontade mesmo de sair debaixo de chuva catando presente.

Fiquei muito irritada com isso e até hoje tenho certeza que essa suposta amiga disse de propósito essa história, nunca acreditei na sua inocência e no tom que disse ter usado, porque até hoje a dona da festa tem raiva de mim.

E  são poucas as mulheres que reagem com outras porque nem sempre existe a frase direta, mandando à merda, às vezes fica só na risada.
Mas se ainda não mando pro inferno já aprendi a me afastar e perceber quando isso acontece, muitas vezes nada é dito, mas um ataque de riso na hora errada do outro lado mostra que a pessoa quer que a gente se foda mesmo.

Vou morrer sem saber da onde vem tanta tolerância de uma mulher com outra no meio de agressões veladas, mas existe e é muito mais comum do que parece.  Até aqui no blog percebo isso, já recebi emails que diziam assim ''ah, eu adoro teu blog, mas um dia você pode se foder por falar tantas coisas''. Mas não é? E vem dizer que é amiga?

E tenho impressão que uma coisa confunde algumas mulheres, muitas vezes o desejo de ''foda-se você'' vem acompanhando de um ''se precisar eu estou aqui, conte com meu apoio''. Ora, mas se quer ver se fodendo, vai apoiar no que? Na desgraça? É, até nisso a mensagem parece contraditória, mas é só raiva, inveja, ódio. 

Uma professora dava uma uma aula sobre guerra e alguém perguntou porque mulheres não era boas para a guerra e ela respondeu:

-Mulheres são péssimas para as guerras porque não sabem identificar um inimigo. Como crescem rodeadas deles aprendem a ser tolerantes e a diluir o ódio alheio na água com rosas. Quem não identifica o inimigo perto não pode identificar o inimigo longe.


Iara De Dupont

3 comentários:

Anônimo disse...

Só fui reparar nessas atitudes depois de me ferrar muito com as minhas "amigas".

Anônimo disse...

Também já me ferrei muito com minhas amigas e agora reconheço o inimigo até pelo cheiro...Ouvi de uma pessoa uma frase muito racista: Deixei de ser branco para ser franco. Então se ser branco é ser polido e educado, aceitando tudo, eu não sou mais!

Anônimo disse...

Não tenho mais nada a acrescentar. Perfeito.

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