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23 novembro 2014

Tem mulher na história? Tem! Então tudo é culpa dela!

O casal do capeta, Jose Luis Abarca e Maria de los Angeles Pineda

De vez em quando leio umas coisas, fico pensando e me perguntando sobre o assunto e fico na dúvida se estou sendo maldosa a respeito.

No dia 26 de setembro, na cidade Iguala, Estado de Guerrero, México, uns estudantes faziam um protesto, reclamavam por mais verbas para a educação e questões ligadas a distribuição de água. Naquele dia a primeira dama do lugar, Maria de los Angeles estava fazendo um ato, apresentando seu trabalho. E alguém deu ordem a polícia para que mantivessem os estudantes afastados do lugar, já que eram conhecidos por fazerem seus protestos e o prefeito não gostava deles. A polícia chegou, começou uma confusão e sete estudantes foram mortos a tiros e um deles esfolado vivo. Os outros quarenta e três sobreviveram, mas foram colocados em viaturas e levados embora.

Até hoje, dois meses depois, ninguém sabe onde eles estão. As famílias começaram a fazer barulho e acabaram atraindo a atenção internacional.
No começo me perguntei se era uma questão de gênero, porque a cada ano quase seiscentas mulheres desaparecem na fronteira do México, em Ciudad Juárez, já são mais de três mil desaparecidas e ninguém diz nada e por que diriam de quarenta e três estudantes homens?

Perguntei isso a dois amigos mexicanos que me garantiram que não era uma questão de gênero, o barulho só está acontecendo dessa maneira porque os mexicanos se cansaram, já são mais de oitenta mil pessoas desaparecidas pela guerra do tráfico. E não foi só isso, o que também mexeu demais com os mexicanos foi o envolvimento da polícia, mostrando o que todos sabem, em países de terceiro mundo não existe essa linha que divide a polícia dos traficantes, acabam todos envolvidos no mesmo esquema. Neste caso a polícia matou sete e desapareceu com quarenta e três, o que faz qualquer cidadão se perguntar para quem a polícia trabalha.
Lembro de um policial que contou em uma entrevista que os cidadãos pagavam seu salário, mas o tráfico pagava hora extra e bônus. Parece piada, mas mostra aquela realidade que países corruptos tentam esconder, a polícia recebe péssimos pagamentos do Estado e acaba fazendo seus ''bicos'' por fora. 

O chefe da polícia de Iguala foi levado para prestar depoimento, disse que recebeu a ordem de levar os estudantes até um certo ponto, chegando ali todos eles foram entregues ao grupo de traficantes que manda na região. É tão absurda a história que não dá para acreditar, como é possível que a polícia entregue quarenta e três pessoas aos traficantes em vez de levar a delegacia e deixar ali presos? Mas entregou e o destino deles deve ter sido o mesmo de centenas, torturados, mortos e carbonizados.

A pressão tem sido tão forte para desvendar o que aconteceu que até o Presidente Enrique Peña Nieto finge se mexer, é até a agora o maior desafio desde que se tornou presidente.
Mandou exército e perícia a cidade procurando por respostas, mas não deu em nada, ainda. Até porque os traficantes quando querem se livrar do corpo deixam ele incinerando por mais de quatorze horas, assim é impossível qualquer vestígio. Já tentaram fazer exames de DNA até na água de um rio, conhecida por ser usada para o descarte de corpos, mas não encontraram nada.

Já li tantas histórias sinistras do México que cansei, mas recebi vários links desta e uma coisa começou a chamar minha atenção. Perguntei a um amigo se estava vendo coisas e ele me disse que sim, o detalhe que eu reparei é apenas a parte folclórica de uma história trágica.

No meio de tantos personagens, policiais, governos, traficantes, estudantes, vítimas, pais de desaparecidos, a imprensa vem se concentrando em uma figura, a nobre esposa do prefeito, a senhora Maria de los Angeles. E parece que é uma história bíblica, a mulher má que é a mentora de tudo, sem ela nada disso teria acontecido.

Do seu marido li pouco, o prefeito, Jose Luis Abarca. Dele a imprensa diz que é fanático por musculação, bronzeamento e é tão violento que não precisa andar com seguranças em uma cidade perigosa, todos sabem que ele se  ''resolve'' com seu revólver. Dizem que não tem adversários políticos porque eles têm  ''mania'' de sumir, inclusive se conta a história de que ele matou com dois tiros um adversário antes de uma eleição.

Mas a história dela é mais recheada, a moça tinha dois irmãos e a mãe ligados ao um dos mais importantes cartéis de droga do México, dizem que é fria, calculista, dominante, ambiciosa e faminta de dinheiro e poder. Dela a imprensa tem a ficha inteira e a descrição do caráter. 
Acostumada a se meter nas reuniões da prefeitura e dar ordens, com sonhos de grandeza montava todo um esquema para subir na vida política. E quando um empregado da prefeitura começou a atrapalhar seus planos apareceu morto. No dia do seu evento falam que foi ela que mandou a polícia se livrar dos estudantes, cansada das constantes reivindicações deles.

Ela tem merecido linhas e mais linhas quando se fala do caso, dizem que todos obedeceram suas ordens e que a cidade inteira tinha mais medo dela do que do marido.
Depois do massacre de Iguala e o escândalo que isso gerou, o casal fugiu da cidade e se escondeu na Cidade do México por mais de um mês, até que  foi capturado pela polícia.

Quando o casal foi encontrado, em uma casa simples, duas coisas chamaram a atenção da polícia e da imprensa, que os dois estivessem dormindo em um colchão inflável, em um lugar de poucos recursos, ele parecia cansado, mas ela estava de maquiagem quando a polícia chegou! De maquiagem!  E sabendo que já era uma questão de repercussão internacional pediu a polícia para dar uma ‘’mãozinha de gato’’ antes de ser presa, mas não foi permitido.

Então a mulher é acusada da tortura, desparecimento e provável morte de quarenta e  três estudantes, mas o que impressiona é que ela estava usando maquiagem no seu esconderijo? É!

O casal foi preso e negou qualquer participação no desparecimento dos estudantes, dizem que não sabem de nada. Mas a tragédia de Iguala parece que vai entrar para a história, caminha para ser arquivada e os quarenta e três desaparecidos irão se somar  aos oitenta mil.

E ninguém será mais mencionado que a senhora Maria de Los Angeles, programas inteiros já discutiram até sobre as marcas preferidas de maquiagem dela e da sua ambição maluca.

Em uma história tão sórdida me pergunto se ela é a única culpada, se o marido é tão inocente e a polícia tão medrosa. Parece que todo mundo vai lavar as mãos e jogar tudo em cima dela, aproveitando que é mulher.
Não tenho a menor dúvida da culpa dela, mas não me parece a única responsável, nem acredito que sua fome de poder pudesse controlar tanto o cartel mais forte como a polícia, precisava da ajuda de muitos, inclusive do santo do seu marido que mata adversários a luz do dia.

Cada vez que leio sobre esse assunto vejo o sexismo,  os dois são bandidos e merecem a punição eterna pelo o que fizeram, mas apenas ela está sentindo todo o ódio do mundo ir na sua direção. É a mulher má da história, que acabou com a carreira política do seu marido, mandou sumir com os estudantes porque não queria confusão no seu evento e usa maquiagem até na hora de ser presa!

Ela me parece uma bandida, até porque teve o doce exemplo da mamãe, também chefe de cartel, mas não vejo porque ignorar na história todos os homens envolvidos, até o sinistro presidente do México e só falar dela, como se o marido não fosse o prefeito da cidade e não tivesse um histórico tão assustador como o da mulher.

Existe um ponto e não posso negar essa possibilidade, talvez não é sexismo, estou apenas exagerando, pode ser que o mundo seja tão fútil e frio que não faça nenhuma diferença a morte de alguém, mas saber que maquiagem a mentora da morte estava  usando, isso sim interessa. Não é uma questão de morte, mas do que é fashion. E maquiagem sempre vai ser. Não importa o crime cometido, mas sim a maquiagem que se estava usando.

Iara De Dupont

Um comentário:

Patrícia disse...

Só de olhar pra foto desta mulher dá medo da cara dela, sério!
Deve ter tanta, mas tanta podridão por trás deste caso, coisas e pessoas envolvidas que talvez nunca descobrirão. O que me espanta é estas coisas acontecerem ainda nos dias de hoje, como se vivêssemos na idade média. Claro que se for o caso ela não fez nada sozinha, mas usam destas banalidades para se furtarem ao que realmente interessa, e a coisa acabar virando assunto pra programa de fofoca. Fico espantada, como pode, tanta gente desaparecer à luz do dia, houve um crime, está claro, e as pessoas comentando da maquiagem da sujeita, não me conformo...

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