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20 novembro 2014

Tanto bem me faz mal


Tive um professor na faculdade incrível, meu amigo até hoje.
Um dia ele deu uma aula falando sobre a importância da ONU (organização das Nações Unidas). Fiquei quieta, mas depois falei um monte para ele, ora, falou como se a ONU fosse de grande ajuda ao mundo, quando na verdade não passam de uns quantos bem colocados ali que viajam o mundo inteiro, se hospedam nos melhores hotéis, comem como reis e se reúnem fingindo que estão preocupados com os países pobres, mesmo eles trabalhando e sendo pagos por países ricos.

Ele disse que entendia meu ponto de vista, mas era importante que as pessoas tivessem uma ideia do  ''bem'', que alguém no mundo se movia apenas por amor ao próximo, caso contrário ninguém resistiria viver em um mundo tão desumano.

Quando eu me mudei ao bairro que estou era um lugar normal, hoje se transformou em um ninho de moderninhos do bem. Todos querem ou andam de bicicleta, usam sapatos de plástico sustentável e mantém um sorriso meigo no rosto. Só falam do ''bem'', querem um planeta melhor e acreditam em dias iluminados.

Seria fofo, se eu não fosse macaca velha, mas para um ser humano me convencer de que é do ''bem'' muitas coisas teriam que mudar.
Aprendi a conhecer o ''bem sustentável'', aquele que parece para os outros, mas é para nós mesmos. O ''bem'' esconde muitas intenções e quando não é mostrado de maneira crua não é  ''bem''.

No novo capítulo do meu prédio ''A direção faraônica'', a administração de grandeza bíblica resolveu colocar uma árvore de natal, quase que do tamanho do Empire State. Já falei mil vezes, sou contra mais gastos no prédio, a coisa saiu de controle e o condomínio está três vezes mais caro.

Fui clara e disse não precisamos de uma árvore gigantesca de Natal, mas se todos querem tanto fazer o  ''bem'' sugeri que pegassem o dinheiro da árvore, comprassem comida, caminhassem menos de um quarteirão e entregassem as pessoas que dormem debaixo da ponte.

Ficaram me olhando sem dizer nada, até que alguém juntou o fôlego e disse:

-Mas e a nossa árvore?

Eu não sei, eu não como árvore e acho que o pessoal da rua também não.

E um moderninho que mora aqui arrematou:

-É nossa decoração, temos o direito de ter a árvore e vamos pagar por ela!

Mas é por isso mesmo, se vamos pagar, vamos fazer o  ''bem'', tirar do discurso e ir para a prática.

E hoje vou entrando e vejo as caixas de enfeites espalhadas pelo corredor. Ah, o ser humano e ainda por cima paulista!

Esse é o ''bem'' de fim de ano? Será mesmo que eu preciso mais de uma árvore gigante do que um morador de rua de comida em dia de Natal? Será que manter meus olhos felizes com essa árvore vale mais do que uma pessoa ter o mínimo para não ter uma noite tão miserável?

Que porra de bem é esse?

Estou cansada desses moderninhos do  ''bem'', que querem andar nas ruas com suas bicicletas de  sessenta mil reais, seus tênis de quinhentos reais, mas se alguém pisar no jardim deles vai sentir sua fúria, porque não é culpa deles, o coração humano é egoísta e pensa no seu prazer.

Todo mundo fala que é  ''do bem'', até em comerciais, mas eu não vejo isso na rua, continuo morando em uma cidade suja, abandonada e sem essa multidão de pessoas do ''bem''. Se existissem tantos seres humanos que acreditam no ''bem'' esta cidade seria outra.

Mas o ''bem'' nesta cidade é relativo e pessoal, até pode ser praticado, mas desde que não interfira no resto.

Queria ver mais o ''bem'' nas ruas, nas ações e nunca mais escutar no discurso, que acho chato, cansativo e mentiroso. Cheguei a um ponto de dizer isso, tanto ''bem'' em teoria me faz mal.

Iara De Dupont


2 comentários:

Anônimo disse...

Tudo bem querer uma árvore de natal... mas, pô, pagar por uma árvore gigante que vai atrapalhar o caminho, só vai ser usada uma vez por ano e provavelmente vão querer substituir (por uma mais cara ainda) quando a árvore antiga provavelmente ainda tá disponível e perfeitamente funcional? Só pra "ostentar"? Mostrar que pode ter uma árvore cara mesmo que tenha que cortar o feijão pela metade pra poder pagar tudo? E dar uma comidinha pro pessoal passar um natal menos triste é "jogar dinheiro fora"? Dá licença, vou ali passar álcool gel no cérebro e começar de novo pra ver se isso faz algum sentido...

Anônimo disse...

Acho que quando fazemos o bem fazemos por nos mesmo,como voce disse,na verdade somos egoistas mesmo,fazemos o bem para nos sentirmos bem. Concordo com o seu professor,se todos fossem como eu e voce nao existiriam almas fofas (kkk),eu as vezes deixo as pessoas sonharem e verem as coisas cor de rosa,nem todo mundo aguenta ver a realidade em cada esquina.

Anna

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