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16 novembro 2014

Sexo é um ótimo motivo para ser feminista


Entendo a confusão que muitas pessoas fazem em relação ao feminismo.
Se o comunismo que é uma proposta política com ampla divulgação ainda sofre pela ignorância de muitos, que acreditam que  ''comunistas comem criancinhas'' , imagina o feminismo, esse nervo central do patriarcado.
Informações erradas, distorcidas e maldosas são jogadas de propósito para as mulheres e no fim nem elas sabem no que acreditar.

Fui educada para acreditar que o mundo já era feminista, porque eu podia estudar, escolher uma carreira, trabalhar e votar. O resto esconderam de mim, ninguém disse que tudo isso eram meus direitos minímos, ''emprestados'' pelo patriarcado para me manter longe da bandeira.

E já fui a palestras de grandes estudiosas do feminismo e não entendi nada. Apresentavam o trabalho de uma maneira rebuscada e eu ficava mais confusa, mas isso não é apenas em relação a quem trabalha nessa parte. São comuns palestras onde o palestrante acredita que todos dominam o assunto como  ele.

Somado a isso temos o fato de que no Brasil mulheres feministas não parecem ser  ''bem sucedidas'', são escondidas pela mídia como se fossem leprosas, afastadas e muitas vezes objeto de burla.
Assumo que ainda me confundo com muitas coisas e nem sempre uso a teoria, na dúvida penso o que sinto a respeito, mas entendo quem me diz ter uma dificuldade para entender tudo o que o feminismo envolve.

O que não entendo é quando me dizem  ''não tenho motivos para ser feminista''.

Uma coisa é não ter claro todas as bases do movimento, outra é achar que não precisa.

Não vivemos na Nova Zelândia, o único lugar do mundo, segundo uma pesquisa, onde as mulheres não são molestadas na rua.

Qualquer brasileira já sentiu o machismo, então pensar que não precisa do feminismo porque não é uma moça no Paquistão, sendo apedrejada, nem uma menina na Quênia sendo mutilada, nem uma garota na Guatemala vendida ao comércio sexual, é uma visão simples e egoísta.

Uma moça me disse:

-Iara não sou feminista porque vocês passam o tempo inteiro brigando na internet!

É, algumas fazem isso, mas desafio a moça à ir a uma delegacia e ver quantas ''feministas'' brigaram entre si e quantas mulheres apanharam dos seus maridos, talvez essa conta ajude a esclarecer as dúvidas.

Outra me garantiu:

-Entendo teu ponto de vista feminista, mas o que eu posso fazer se o machismo não afeta nenhuma área da minha vida? Não tenho culpa se trabalho no que gosto, casei com um homem incrível e a violência que estou exposta nesta cidade todos estão, então qual seria o motivo para ser feminista?

Vou dizer um motivo ótimo para ser feminista: sexo.

Tem coisas que nem adianta vir pra cima de mim, sou mulher e conheço a estrutura. Posso estar errada em tudo, mas como mulher sei as pedras que todas enfrentam e sexo é uma delas.

O machismo destrói na sua fúria a vida sexual de qualquer mulher, não podem nem se masturbar quando são meninas, soube de casos de crianças que tiveram suas mãos queimadas porque os pais pegaram a menina se masturbando. Depois vem aquele discurso  da ''noite especial'' e esperar quem ''realmente vale a pena''. Conseguindo desviar de todas essas pedras a mulher pode encontrar alguém, se apaixonar e ter uma vida sexual plena.

Mas é nessa sentença ''vida sexual plena'' que todas nós mulheres batemos em uma parede que fazemos questão de esconder. Eu não falo sobre esse assunto nem com as amigas mais próximas, de tão penoso que é.

Existe o outro lado da moeda, para uma mulher que está em um relacionamento com um homem, depende dele para ter sexo e justo nessa parte que o silêncio impera.

O lado masculino é tão oprimido quanto o feminino em relação a sexo. Enquanto nós mulheres somos levadas a pensar que não podemos  ''dar'' para qualquer um, os homens passam por um processo tão traumático como o nosso.  Nós somos educadas para nos preservar, viver na santa ignorância, eles são educados para não respeitarem seu corpo e se agredirem constantemente, se submetendo a terem relações sexuais sem nem saber o que é isso.

São empurrados muito jovens, e não são historias do século passado, a prostíbulos, levados por amigos e familiares. Quem não passa por isso é massacrado por amigos para  ''mostrar'' resultados. Passam a adolescência inteira tendo seu cérebro preenchido com imagens e filmes pornôs que não correspondem à realidade, depois crescem, se apaixonam  por uma mulher que sabe menos do que eles. O que pode dar errado nessa mistura? Tudo.
Um casal vai para a cama com duas ideias tatutadas pelo  machismo: mulheres são doutrinadas para acreditar que não tem clitóris e homens são doutrinados para acreditar que só tem pênis.
Nenhum dos dois conhece seu corpo suficiente e como diz um amigo  ''tudo o que pode dar errado, vai dar errado, tudo que pode dar certo, vai dar errado''.

Como mulher levei anos para perceber como tudo isso era estressante e horrível, ir para a cama com um homem que concentra toda sua energia na ereção e acredita que toda a noite reside ali, transformando a vida sexual de qualquer casal em um círculo de frustrações, para ambos.

E não posso culpar os homens, eles são educados pelo machismo a ignorar seu corpo, não conhecem suas  zonas erógenas, nada, apenas o pênis. Convencer um de que não é bem assim é tão fácil como convencer minhas tias que mulheres não nasceram para serem mães.

Quando  percebi o que acontecia na minha vida sexual e tentei remediar não deu certo. Dizer a um homem  ''vamos tentar outra coisa?'', significava na cabeça dele  ''vamos copiar aquela cena do filme onde a atriz se pendura no lustre!''. Tentar mudar tudo o que eles aprenderam e falar '' vamos transar sem penetração, existem algumas coisas além do pênis'', causa um espanto na ala masculina e respostas deprimentes como '' tá me chamando de broxa?''.

Conheci de perto o quanto centenas deles são travados, porque no teatro alguns exercícios bem chatos são necessários e obrigatórios, entre eles um que inclui  trabalhar com o corpo do outro.
Resisti muito porque pensei que isso daria margem aos alunos mais sacaninhas de se aproveitarem das mulheres, mas nunca vi um deles passando a linha, de tão constrangidos que ficam. Não estão acostumados a serem tocados em nenhuma parte do corpo e resistem bravamente até a uma simples massagem no pé. Mulheres também não gostam do contato físico, mas estamos mais acostumadas, talvez porque abraçamos mais e somos mais expressivas, outra herança cultural.

Para as mulheres que não precisam do feminismo desejo boa sorte, inclusive na cama, mas sugiro que estudem um pouco sobre sexualidade e percebam a diferença entre ir para a cama com um pênis ou com um homem inteiro. Erotismo não é a putaria barata dos filmes e orgasmos são consequências, não objetivos de quem está seguindo indicações de revistas.

O machismo mutilou a sexualidade masculina e feminina, a vida sexual da maioria das pessoas é limitada, chata e repetitiva e não tem nada a ver com o discurso político, eu sou feminista e nem isso me garantiu uma vida sexual melhor, não adianta muito saber que homens são travados na cama se não posso fazer nada a respeito.

Tocar nesse assunto incomoda os homens, acham que estão sendo humilhados e ficam se perguntando porque a mulher não reconhece a importância do pênis na cama e rende sua homenagem.

E a única coisa que pode mudar essa perspectiva é o feminismo, a igualdade, a única saída é que todos possamos perceber como nossa sexualidade, tanto de homens e mulheres, tem sido sufocada, desviada e mutilada pelo machismo. Poucos conhecem a vida sexual plena, a maioria vive na mediocridade sexual e não é porque não conseguem repetir a cena de um filme pornô, mas porque não conhecem o próprio corpo.

O machismo para aquela moça não a afeta, mas ele está na sua cama. E mulheres podem negar isso, mas todas sabemos a dificuldade de tocar um homem sem que aquilo acabe na cama, até um simples abraço é interpretado por eles como  ''quero sexo''.
Graças ao machismo homens e mulheres são infelizes e limitados em uma das melhores coisas da vida, o sexo.

Fica o meu apelo as mulheres que não têm motivos para serem feministas, na próxima noite de amor com seu Romeu se lembrem deste post e pensem duas vezes.  Se algumas mulheres estão convencidas que não precisam do feminismo, olhem seus Romeus e pensem neles, que estão tão agoniados e frustrados como muitas mulheres.

Feminismo também pode ser uma questão de amor, eu penso nisso, se tiver um filho quero que tenha uma vida sexual melhor do que a geração anterior. Sexo é plenitude, é uma dádiva. 

Para quem está apaixonada por seu Romeu incrível, só posso perguntar uma coisa, ele não merece uma vida sexual plena? Vocês como casal não merecem na cama mais do que o lixo comportamental que receberam?

De longe o feminismo parece  uma batalha sem tréguas contra os homens, mas de perto é um gesto de amor, acreditar que todos podemos nos realizar sexualmente, deixar de lado todo o sofrimento faz parte da luta e feminismo não é sobre as mulheres, é sobre todos os seres humanos, inclusive o Romeu que você diz amar tanto.


Iara De Dupont

2 comentários:

Alessandra Tofoli disse...

Todos nós precisamos SIM do feminismo e se hoje conheço um pouquinho sobre isso devo à você. Pois você sabe que foi através dos seus textos que cheguei até ele.
Bjs.

Anônimo disse...

Iara, mas se não for penetração, o que fazer na cama? Só consigo pensar em oral e mais nada.

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