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05 novembro 2014

''Se você é Iara continue sendo Iara''



A parte que mais gosto do blog é a inesperada, coisas que acontecem e nunca pensei que poderiam acontecer. 
Desde que comecei percebi que alguns assuntos são meio estressantes, se posicionar neles sempre rende um pouco de dor de cabeça.
Como gosto de televisão aprendi que duas figuras são intocáveis, a desaparecida Adriane Galisteu e o insuportável Rafinha Bastos, ambos donos de fã-clubes que beiram o fanatismo, qualquer linha escrita sobre eles rende centenas de emails mal educados e grosseiros.
E política, aborto, pena de morte, drogas, todos esses assuntos também irritam o pessoal, mas logo passa.

E agora me surpreendi com outro assunto, que entrou para a lista dos proibidos, mas será a lista dos outros, porque não me preocupo, as vezes que quiser escrever sobre isso vou fazer e que se dane quem não gosta.

Quem diria que no século XXI casamento seria um assunto polêmico para jogar na roda.
Desde que escrevi um post falando que casamento não leva a nada parece que acordei no Oriente Médio. Já li de tudo em menos de quarenta e oito horas e assumo minha responsabilidade, talvez não desenvolvi a ideia, não fui clara ou realmente sou muito ignorante e casamento é uma coisa maravilhosa, pode ser, por que não?

Pelo menos no Brasil o único motivo que leva as pessoas a se casarem é o amor, não o fazem por razões políticas nem por questões familiares. Quem sobe ao altar é porque está convencido de que ama e essa é a melhor coisa a se fazer.
O meu ponto aqui remete a educação que todas nós mulheres recebemos desde que chegamos ao mundo, ou pelo menos eu e as que conheço.

Não fui educada para ser um indivíduo, ficou claro desde o começo que era uma mulher e assim seria parte da sociedade. Se esperava que eu controlasse meu gênio, fosse boazinha e não criasse  ''problemas''. 
Meu pai era amigo de uma grande escritora que vivia do jeito que queria, tinha seus namorados, fumava, se drogava e não prestava contas a ninguém. Ficou conhecida por todos por ser maluca, doida, insana, mas nada disso foi diagnóstico de um psiquiatra, foi carimbo da sociedade.

Meus primos gritavam, berravam, contavam piadas no Natal e todos aplaudiam. Quando minhas primas e eu éramos um pouco mais barulhentas nos diziam para  ''falar baixinho como as mocinhas fazem''. No calor eles andavam sem blusa e as vezes de cueca, nós usávamos vestidos mesmo que tivéssemos a mesma idade, sete ou oito anos.

Quando eles entraram na faculdade todo mundo aplaudiu, quando minhas primas entraram ninguém disse nada. Eles apareciam com namoradas na casa da minha avó e eu escutava pelos corredores alguém dizendo ''ah, é mais uma''. Mas se uma prima chegava com namorado todos queriam saber se era  ''sério''.

Não fui educada para me aceitar, me conhecer, nem para compreender meu jeito, mas sim para me adaptar ao mundo e as suas vontades. Quando colocava minhas opiniões na mesa ninguém aplaudia, diziam para que eu ''controlasse esse gênio ruim''.

Todas as vezes que tive alguma dor de barriga ninguém me perguntou se tinha comido alguma coisa estragada, logo diziam que eram cólicas, como se fosse a única dor que uma mulher pode sentir.

E quando comecei a namorar muitas pessoas ao meu redor ficaram preocupadas, eu era de gênio forte, cheia de vontades e não tinha uma 
tendência a respeitar o  ''homem'', escutei milhões de vezes que se quisesse manter meu namorado teria que ser mais meiga, doce, suave e compreensiva. Ninguém me disse para se apenas  ''eu'', nunca, jamais, me disseram ''se você é Iara continue sendo Iara'', pelo contrário, faziam questão de ressaltar a importância de sumir com a ''Iara e seu gênio'', se eu não me neutralizasse nunca casaria.

Relacionamentos sempre foram um tormento para mim porque quando eu corria para chorar as mágoas sempre tinha alguém para me dizer que a culpa era minha e do meu temperamento forte. Minhas amigas diziam isso, uma vez em um episódio lamentável fui a um restaurante com uns amigos e meu novo namorado. Ele me sugeriu um prato, mas eu não gostava dos ingredientes e pedi outro. Uma amiga me puxou ao banheiro e disse:

-Olha, você quer que esse namoro dure? Então se manca né! Poxa, se ele pediu o prato aceite e fica quieta, não pode desmotivar ele assim!

Meu único argumento eram os ingredientes, não gostava e ponto. Não fui mal educada, mas isso aconteceu milhões de vezes, o mundo me dizia que minha vontade não valia nada, nem interessava a ninguém, para o homem se sentir  ''homem'' ele precisa de uma mulher que o apoie e aceite tudo o que disser, é preciso encorajar os homens e mulheres como eu não fazem isso.

Se alguém tivesse me dito ''entre em um relacionamento e seja você'', talvez meus namoros teriam durado mais. Ninguém disse e entrei como me mandavam entrar, cedendo e flexibilizando, sem contrariar, mas nunca consegui controlar meu ''gênio'' o tempo inteiro, eventualmente explodia porque não aguentava mais viver na mentira.

E quando detono o casamento falo do momento que a mulher ''encarna'' o papel de esposa, se anula, deixa de ser quem é, para se adaptar ao outro. É uma educação tão milenar que fazemos isso sem perceber, ninguém está consciente ainda, são séculos de educação e doutrinamento onde nos ensinaram a pensar no outro, cuidar, proteger e assumir suas responsabilidades. 

Por isso o casamento me parece tão tenebroso, porque vejo poucas mulheres respeitando sua identidade, ainda a maioria se afunda na ideia de ser ''esposa'' e compra um papel sozinha, porque os homens são mais espertos e não fazem isso, eles ficam na beirada.

Vejo muitas mulheres ao meu redor independentes, mas sem perceber encarnaram no papel de esposas e não as condeno, é tão antiga a ideia que deve estar no DNA de todas nós como um vírus. E isso me leva a outro ponto, comprar uma ideia sozinha é uma furada, sempre dá errado.

Percebi com o tempo que mulheres não têm nome, são primeiro filhas, depois esposas e logo mães. Ter seu próprio nome implica uma luta enorme com o mundo, parece que se ofende o planeta.

Recebi muitos emails de mulheres defendendo o casamento e tenho certeza que estão certas, assim como eu estou em dizer que isso não funciona na minha vida.

E o motivo vai além do feminismo, não é apenas um gesto político não querer ser esposa, é uma procura pessoal, uma decisão íntima.

Acredito nos relacionamentos, na amizade, no amor e nas coisas boas que nascem de tudo isso, mas não tenho intenção de amar alguém no papel de ''esposa''.
Procuro o que nunca tive, o que não me ensinaram e não aprendi, quero apenas continuar no meu caminho e amar como eu amo, sem regras, nem papéis, nem ''encarnando'' figuras clássicas.

Minha educação me desviou do caminho, neutralizou e sufocou muitas coisas, entre elas que desconheci por anos amar do meu jeito, amando como amo.

Me pergunto se sou a única que procura por essa resposta, se só eu penso nisso, só eu quero saber como é meu amor real, sem etiquetas.

Fui educada sem nome, era apenas outra mulher no mundo que um dia iria trabalhar e amar como ama uma esposa. Levei anos para entender que tenho um jeito, personalidade e nome. Não amo como uma esposa ama, quis ir além e por isso dei com tantas portas na cara, mas não me arrependo. Não preciso ser esposa para conhecer a amizade e cumplicidade que um relacionamento pode dar.

Pessoas amam e não se perguntam como é seu amor real, sem clichês nem contratos sociais. E não digo que amo melhor ou mais do que uma esposa, isso não existe, cada uma ama a sua maneira, o que falo é sobre minha procura, decidi há anos amar do meu jeito e longe dos papéis que estavam destinados a mim. Se outras mulheres amam como esposas é problema delas, se estão bem assim que continuem. 

Não tenho nenhuma vontade de amar como uma esposa ama e não me desculpo por isso, me parece pouco e desinteressante. Tenho apenas vontade de continuar na minha linha de pensamento e amar como eu amo, porque nunca ninguém bateu na minha porta e me disse  ''Iara, como você ama?’’. Nunca me perguntaram como eu amo, o que penso, o que quero, sempre fui uma sombra perdida no mundo dos homens tentando me adaptar para não atrapalhar a vida deles. Mas só eu sei o que me custou arrancar cada vogal do meu nome da terra, só eu sei  o que passo e passei para ter meu nome nas minhas mãos. Por isso digo, o amor de esposa eu não posso oferecer a ninguém, a única coisa que tenho é o amor de Iara, esse que eu levei anos para desenterrar das profundezas do planeta, aquele que não tem etiqueta nem precisa de assinatura em cartório, nasce não sei onde e morre sem avisar. É o que eu tenho.

Iara De Dupont


5 comentários:

Anônimo disse...

Esse texto me fez lembrar de uma colega que faz de um tudo para ser a mãe perfeita, a esposa perfeita... mas ela mesma está largada... não se arruma, só vai ao cinema para ver filmes infantis com os filhos, o marido é o próprio deus na terra, que pode frequentar academia, jogar futebol e beber com os amigos. Faz planos para o filho ser engenheiro e que as filhas encontrem um homem bom, da igreja...
O pior é quando ela fala destas coisas de um jeito como se vivesse na disnelandia, e eu deveria ter inveja disso.
Para manter o ambiente de trabalho eu nem discuto mais com ela...

Patrícia disse...

As pessoas não entendem que alguém pode pensar como voce, e tem raiva disso. Como se voce com seu pensamento pudesse prejudicá-las. No fundo todo mundo sabe a furada que é, mas é tão difícil sair disso que preferem a venda nos olhos. Em muita coisa me identifico com voce, e pelas observações que faço se eu dissesse a terça parte que voce diz ia ser muito cansativo, a vida das pessoas não me interessa e a minha não diz respeito a ninguém, então eu deixo pra lá. Mas pensar como elas, agir como elas, nunca. cada um sabe de si. Acho que pouca gente tem o previlégio de ver as coisas por outro ângulo, eu pelo menos me sinto previlegiada. Um dia alguém disse que a Terra era redonda e o julgaram como louco, mas nem por isso ele voltou atrás.

Anônimo disse...

Essa postagem lembra aquela famosa fábula de Esopo: "A raposa e as uvas". Você é a raposa, as uvas são o marido ou casamento.

O fato de você ter sofrido injustiças durante toda a sua vida não a torna uma pessoa boa e sábia. Pelo contrário.

Iara De Dupont disse...

Anônimo, adoro fábulas! Tanto que tenho uma pra te contar, olha que coisa mais fofa! Mas além da fábula tenho um desafio a te fazer, leia os mil e quinhentos posts e me diga onde está escrito que eu me tornei uma pessoa sábia, jamais disse isso, não sou tão sem noção assim. E não sou boa, tem razão, sou ótima, mas vamos a fábula, esquente um pouco de leite com mel, separe uns biscoitos de aveia e fique à vontade para desfrutar dessa linda fábula:

O leão, o lobo e a raposa

O leão que reinava naquela floresta já estava bastante velho; sentia-se cansado e doente, mas ainda era muito respeitado.
Todos os animais foram visitá-lo, menos a raposa. O lobo, que não gostava da raposa e pensava em devorá-la, vendo que ela não vinha , aproveitou para cochichar no ouvido do leão.
- Majestade, o senhor reparou que todos vieram vê-lo, menos a raposa?
- É verdade - disse o leão zangado. - Pois vá procurar aquela abusada e a traga aqui, imediatamente.
O lobo logo tratou de aproveitar a oportunidade e saiu à procura da raposa. Assim que a encontrou, pegou-a pelo pescoço, pôs nas costas e levou até a presença do rei leão. Mas a esperta raposa já tinha um bom plano na cabeça. Assim que chegou foi logo se justificando dizendo:
- Majestade, desculpe não ter vindo antes visitá-lo, mas estou muito preocupada com sua saúde e tenho andado à procura de algum remédio para curá-lo.
- É mesmo? - perguntou o leão. E mostrando-se muito satisfeito, continuou: - E você já descobriu como será possível curar-me?
E a raposa, cheia de alegria, foi logo dizendo:
- Encontrei um velho amigo curandeiro que me informou a solução para o seu problema.
- E que solução é essa? - perguntou o leão.
- Ele me disse que para curar a sua enfermidade será necessário que o senhor passe a usar uma pele de lobo bem quentinha sobre as costas.
Ao ouvir isso, o leão deu um salto sobre o lobo e arrancou-lhe a pele.

Moral da História: Quem procura fazer mal aos outros, acaba sendo vítima de suas próprias artimanhas.

Anônimo disse...

Anônimo da raposa e das uvas, sabia que quando você persegue uma pessoa insistentemente sem motivo isso diz muito mais sobre você mesmo do que sobre ela? A Iara tá no blog dela, falando sobre o que ela quer, só lê aqui quem quiser, e você continua perseguindo... mascu carente é dose...

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