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18 novembro 2014

Se Romeu não for ao hospital, não é amor!


De vez em quando fico lembrando de umas coisas e tentando juntar as peças, mesmo assim não encontro as respostas.
Em algum momento um dos meus primos apareceu com uma moça na casa da minha avó.  Ninguém sabia se era namorada ou não, mas ela se apresentava as pessoas como se fosse. Quando a conheci me disse:

-Prazer, eu sou namorada do seu primo.

Toda a família comentava, ela não era o tipo físico dele, que negava o namoro, dizia que era apenas uma  ''amiga''. Meu primo sempre foi uma figura sinistra, meu pai dizia que ele tinha o olhar nebuloso.

A moça se infiltrou na família, mesmo com meu primo fechando a cara.
Um dia eu estava com uma prima conversando na sala, naquele momento o assunto era sobre um Romeu inconstante em minha vida, não sabia se ele gostava ou não de mim. Para não perder o costume a moça apareceu e se meteu na conversa, foi dizendo:

-Sabe Iara, entendo tua dúvida. Eu estava assim com teu primo, a gente parecia caminhar na areia, nada era sólido, mas tive um acidente de carro e ele ficou preocupado, foi correndo me ver. Percebi então que gostava muito mais de mim do que dizia.

Dias depois perguntei a meu primo como tinha sido o acidente e com frieza me disse que não foi sério, apenas  ''charminho'' e que só foi ajudar a moça porque ela morava sozinha na cidade e ficou com pena.

Conhecendo a arrogância dele, resolvi perguntar a minha tia, que respondeu furiosa que a fulana era boba, primitiva e que tinha transformado um incidente pequeno no trânsito em algo sério apenas para ligar e ver se meu primo ''ia até lá''.

Tempos depois uma prima apareceu com o namorado, ninguém gostou dele porque ficou claro que ela o  ''namorava'' mas ele não tinha sido avisado. 

No meio de rumores e comentários cortados fiquei sabendo que ele era galinha, agressivo e não estava nem aí pra minha prima.
Um dia ela teve um acidente de carro, não foi grave, mas ninguém ficou sabendo.  Quando o irmão dela me contou eu corri para a casa da minha tia e perguntei o que tinha acontecido e ela na total indiferença me respondeu:

-Ela não ligou para mim eu sou sua mãe, preferiu ligar pra aquele fulano. 

Pelo menos ele foi até o encontro dela e a família dele me avisou.
Meses depois eles se casaram e minha avó disse a melhor coisa que já escutei sobre um casamento  ''a letra C não significa apenas casamento, também pode significar calvário''.

O que entendi na época é que o fato dele ter ido ao local do acidente colocava um carimbo no relacionamento e deu uma tranquilidade a família.

E tudo veio a minha mente porque assistia à novela e uma personagem em um namoro enrolado disse a outra:

-Ai, que vontade de ter um acidente, só pra ver se ele vai ao hospital!

Então não foi coisa da minha família, isso deve vir de outro lugar, mas não sei qual. Não tenho a menor ideia da origem, nem se é uma fantasia feminina, sei que é um truque muito usado em comédias românticas americanas em cenas finais, o rapaz correndo desesperado se a mulher vai entrar em um avião ou está em um hospital.

Tenho apenas teorias a respeito. Imagino que todos que entram em relacionamentos esperam contar com o apoio do seu companheiro e só nas horas de aperto que se sabe se a pessoa realmente se importa, mas acho meio trágico querer a confirmação do que a pessoa sente no hospital.

Quando uma das minhas avós morreu eu estava namorando um dos Romeus que mais amei e ele não apareceu no velório. Fiquei sentada na igreja pensando nisso, mas ainda dei uma trégua, achei que meu recado tinha se perdido. Só dias depois ele me ligou e disse que não tinha ligado antes, nem me procurado, porque achou que eu queria ficar sozinha. Nunca entendi da onde veio esse  ''achismo'' de que queria ficar sozinha, justo ele que sabia que  passeis três meses ao lado dela ao pé da cama.

Mas entendi o recado, eu não poderia contar com ele. O único problema é que só sabemos disso na hora, não dá pra saber antes.

Talvez algumas pessoas fiquem tão inseguras na relação que pensam que em caso de acidente devem ligar ao amado, se ele for é amor, senão pode esquecer. Mas também existem seres como meu primo, ele não foi por amor, mas porque tem o ego do tamanho do mundo e quer que todos acreditem que ele é ótimo, caso contrário ele perde o sono.  E o marido da minha prima tem uma história mais nebulosa, contada pela sogra, dizia ela que minha prima ligou para o rapaz, mas seu celular estava fora de área (sei) e ela acabou ligando para a casa dele, a sogra atendeu, achou o rapaz e mandou ele para o local. Ou seja, não foi uma reação espontânea do moço.

E uma amiga teve um acidente de trabalho e foi internada, passei uma noite com ela no hospital e as três da manhã a escutei chorando, achei que era de dor e disse que ia buscar um médico, mas me disse que não chorava de dor, quer dizer, era dor de alma, porque Romeu não tinha ido ao hospital. O namoro deles era um clássico, um rapaz lindo com uma moça linda, mas depois de uns sete anos juntos a relação azedou, iam e vinham, duraram assim uns três anos, mas tudo acabou essa noite no hospital, ele não foi e ela não perdoou nunca. O  esqueceu e se casou com outro.

Um dia perguntei quando ela soube que era o fim e me respondeu:

-Fiquei com ele quase dez anos e na única vez que fui  parar em um hospital o filho da puta nem apareceu! Fiquei com ódio, naquele dia tive certeza de que não me amava.

Eu o achava  tão legal que ainda tentei defender, dizendo que de repente o rapaz tinha trauma de hospital, mas não deu certo.

Pra mim tudo isso ainda é confuso, porque as vezes que precisei de Romeu ele não apareceu, então acho que me acostumei a estar sozinha e não desenvolvi essa parte romântica que diz que ''em caso de acidentes chamar Romeu''.

Mas tenho meu centro particular de pesquisa e perguntei a algumas mulheres se era tão importante assim em caso de tragédia comparecer ao hospital e todas me confirmaram que sim, é sinal de amor, caso contrário é porque o homem enxerga a mulher como  ''ficante'' e não se envolve nos problemas cotidianos dela nem nas tragédias urbanas.
Pelo que pude perceber é um comportamento exclusivo da ala masculina de não estar sempre presente, mulher é educada para ser solidária, se Romeu quebrar um dedinho, ela corre ao hospital.

Acho os relacionamentos tão complicados que não sei o que pensar a respeito da teoria ''em caso de acidente chamar Romeu''. É claro que eu gostaria de ter um namorado decente, que me prestasse seu apoio, caso eu precisasse, mas fiquei tão chateada no velório e enterro da minha avó que de alguma maneira tive claro que não se pode confiar no que um Romeu diz e fechei esse assunto.

Se um dia fui romântica, um pouco de experiência e os  Romeus errados arrancaram isso na unha, acabei asfaltando minha alma e urbanizando meu coração, hoje em caso de acidentes meu primeiro pensamento é em relação ao convênio médico.  Caso Romeu quiser aparecer, que apareça, mas não muda mais nada para mim. A diferença entre a vida e a morte não está na presença de Romeu, mas em um bom resgaste. 

Iara De Dupont



4 comentários:

Anônimo disse...

Acredito que exista excessoes como trauma,mas via de regra,acidente,morte na familia a pessoa que se importa vai correndo sim porque quer tentar amenenizar a dor. Me lembro quando a avó de uma das minhas melhores amigas ficou muito mal no hospital minha amiga veio de outra cidade e eu estava morando ha pouco tempo onde a avó dela Morava, quando ela chegou ela discutiu com a prima dizendo que a mesma nao estava dando a atancao devida a avó e disse que tinha certeza que eu mesmo sem saber andar na cidade e o hospital ficando muito longe iria aparecer,a prima duvidou já que eu não era da familia e não via minha amiga ha alguns anos,no mesmo dia eu fui ao hospital, mas ja deixei de visitor agumas colegas tambem porque achei que nao precisavam,que nao era pra tanto,nao precisava ou eu nao me importava o bastante?

Anna

Anônimo disse...

olá ,,eu me lembrei de você, em um perrengue que passei dia desses, decidi te contar pq acho que vc vai partilhar da mesma opinião que eu. O fato é que fui alvo de um machismo nojento, fui humilhada pelo marido de uma amiga. Esse homem trai minha amiga(vou chama-la de Joana), trata ela como um lixo, já bateu nela e na mãe dela, tem uma amante fixa, a amante é menor de idade, ele sustenta ela e tudo mais. Ele escancara isso para quem quiser ouvir. É um grosso ao tratar os outros, estúpido, fala o que vem a cabeça e não está nem ai. Dia desses ia eu e essa amiga , na casa de uma outra amiga comum ...eu não sabia o endereço e combinei de ir de carona com a Joana. Já começou que na ida esse babaca elogiou as minhas pernas na frente da Joana,,, achei muito ridículo ele fazer isso, mas fiquei na minha, afinal não queria perder a amizade dela... mas ai na vinda para casa, tudo começou...

Anônimo disse...

continuação.... na volta, esse trouxa, na frente da Joana, disse que se me visse na balada me pegava porque eu estava muito gostosa e falou mais umas coisas que eu tenho vergonha até de escrever aqui... A Joana ouviu tudo e ria que nem uma idiota, tentando levar na brincadeira, acho que com medo de que eu ficasse braba, ou com medo de ver a realidade: ELE CANTANDO A SUA AMIGA NA FRENTE DELA,,, no meio do caminho eu quis descer do carro, não aguentava mais aquela nojeira, ele então, começou a brincar que eu queria descer do carro porque queria fazer ponto na esquina, afinal estava de vestido curto, PAROU O CARRO 3 VEZES FAZENDO A MESMA BRINCADEIRA... eu gritei:EU NÃO SOU UMA PUTA!... estava tão atordoada com a falta de respeito que foi a única frase que consegui dizer,,,sim,,, depois me veio mais coisas que poderia ter dito,,,ter feito aquele merda calar a boca...mas na hora, foi a única coisa que consegui dizer:EU NAO SOU UMA PUTA...agora só porque eu estava de vestido curto sou uma puta e tenho que ouvir merda? Conclusão da história, a Joana nunca mais fez contato comigo, não sei até hoje se ficou com vergonha do papelão do marido ou se ficou braba comigo, por ter ido de perna de fora e "tentado" o marido dela....affs,,, ninguém merece, né?

Anônimo disse...

Veja bem, eu concordo com tudo o que você disse sobre a questão romântica, infelizmente temos essa sensação de que temos que ser salvas pelos romeus...
Porém essa questão do precisar, do hospital, do estar doente para mim é um filtro para egoístas...
Aqueles caras que só querem o sexo, o teu ser mas não doam 1% a ninguém...
Conheci uma pessoa após um término conturbado (idas e vindas de longo namoro)
Ok, o cara era legal e quê e ciumento coisa que eu vivia reclamando que o ex não era...
Dizia que ia ficar ao meu lado, cuidar de mim mimimimi ( senta lá)
Eu já calejada uma vez falando sobre relacionamentos ele veio dizer: teu ex não te ama, não cuida de você...
Pelo que você diz ele caga pra você, estamos aqui agora e ele sequer deve estar pensando em ti, e vocês terminaram a 2 semanas, eu estaria louco te procurando zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
E eu com toda minha mágoa e dor pensei é você deve ter razão...
Como você acredita nessas coisas vou citar: Nessa hora como uma coisa sobrenatural eu comecei a sentir dor de cabeça e uma febre típica da sinusite que eu tenho...
Na mesma hora eu falei ao projeto de romeu: Olha ele tinha todos os defeitos mas nesses momentos estava ao meu lado ( e não era pra fazer bonito pros outros, pq sempre era só nós dois, ngm ficava sabendo)
Fiz uma cirurgia na qual quando acordei ele estava em minha frente as lágrimas ( eu nunca mais o vi chorar, foi a única vez)...
Enfim disse ao cara e fiz um teste pouco feminista confesso e me arrependo, mas soltei: E seu eu passar mal na sua casa, tiver dessas minhas altas febres e dores o que você vai fazer?? O rapaz me responde: minha mãe é médica eu moro com ela (detalhe a mulher é formada numa especialidade que de nada ajudaria)
Eu falei e o que tem ela ser médica?
Ah ela é médica eu ia chama-la, não sei o que fazer...
Isso foi um divisor de águas, até mais dois encontros eu perceber mais características egocêntricas...
O cara queria alguém pra mima-lo e ouvir ele soltar sua labia, porém esta não poderia passar mal perto dele, pq né tadinho ele não tem reação...
Não dizendo que o ex era melhor...
Mas é nessas horas pelo menos em suma que você percebe a solidariedade da pessoa, não é nem tanto romantismo Iara, é o dar, ajudar a qualquer um, pensa você tem uma grande amiga e ela desmaia: Você vai gritar, chamar ajudar segurar a mão até a ajuda chegar... Assim espera-se de quem vai dividir tantas coisas da vida com você...
Meu ex não era romântico, não me tecia milhões de elogios (também não fazia o contrário) e as vezes era bem ríspido...
Porém todas as x que estive doente posso dizer que contei com ele, nem que fosse pra esperar na sala ao lado enquanto eu fosse medicada... E eu via sua agonia e olhar de preocupação... E o outro romeu eu só ouvia a alegria o quanto era bom estar comigo, no tanto que eu estivesse bem... Se eu estivesse doente que voltasse semana que vem pq né o bebê não sabe lidar com isso...
Entende a mente das suas primas e amigas, creio que elas devem ter esta mesma sensação com os romeus.

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