ADICIONE O BLOG SMM AOS FAVORITOS! OBRIGADO PELA SUA VISITA E LEITURA!

NOVIDADE!

NOVIDADE!

Nota:O formato PDF dos livros acima pode ser acessado em qualquer plataforma, inclusive Windows, Mac OS e plataformas móveis como Android e iOS para iPhone e iPad.

Os posts mais lidos viraram livros e não estão mais disponíveis no blog.

DESDE 2010. ANO VI. MAIS DE 2.000 POSTS.

GUEST POST NO ESCREVA LOLA ESCREVA

CURTA NO FACEBOOK


E-MAIL
sindromemm@gmail.com

13 novembro 2014

Prêmio MMT (mulheres machistas na televisão)

Milene Pavorô
Nunca escondi que tenho bronca da maioria das apresentadoras de televisão que existem no Brasil. Sou direta nisso, elas têm o direito de serem como quiserem, mas seu jeito vai  contra a causa feminista. Todo o posicionamento político é uma decisão pessoal, mas a postura delas atrapalha quem luta pelos direitos da mulher. Nenhuma delas é obrigada a ser feminista, mas também não precisam jogar areia em que tenta melhorar as coisas.

Qualquer alienígena que chegar aqui pode pensar que essas apresentadoras são o reflexo das  mulheres brasileiras, todas com jeito de Barbie e assumindo uma posição de idiotas.

Nunca tinha visto na minha vida Milene Pavorô, uma moça que trabalha com o Ratinho, mas vi uma entrevista dela e fiquei assustada. Ela vai à fórmula exata, a moça que parece do interior, finge ser burra (como se as mulheres do interior fossem burras), não diz nada com nada e carrega em um sotaque caipira inocente, mas isso sim, o corpo é perfeito, entra naquela caixa que o machismo tanta gosta  ''é burra mas é gostosa''. Finge ser ingênua, coisa que o mundo machista adora.

Por conhecer o meio não posso criticar essas apresentadoras, entrar na televisão, um lugar controlado por homens, onde eles estão até no RH da empresa, não é fácil. Mulher que fala mais firme nem chega à porta. Mas se for ''gostosona'' e souber fingir essa suposta burrice e ingenuidade, já está dentro.

O que me causa revolta é ver como tantas mulheres assistem essas apresentadoras e acabam apoiando o comportamento  ''boneca'' de quase todas.
E elas nem escondem o lado que estão,  deixam claro que trabalham para o patriarcado.

Outro dia assisti um pouco do programa  ''Mulheres'' da Gazeta. Acho e sou a favor de um ''Prêmio MMT (mulheres machistas na televisão)’’, porque tem muita gente lutando para perpetuar esse horror e merecem seu prêmio por um trabalho tão descarado, que vai contra qualquer argumento humanista. 
E se esse prêmio existisse, a apresentadora do programa ''Mulheres'', Kátia Fonseca, já teria sido indicada e premiada diversas vezes. Esse dia que assisti mereceu levar, porque estava falando com uma convidada sobre a reação dos homens diante de mulheres bonitas  e encerrou dizendo ''aqui no estúdio da Gazeta quando entra ''carne nova'' todos os pescoços masculinos se viram''.

Carne? Ah, não dever ser machismo, é que eu pego no pé mesmo, deve estar na torcida para pegar um contrato com algum frigorífico ou lutando pelo seu prêmio  ''Mulheres machistas na televisão''.

Acredito, ainda no meu idealismo, que é possível se infiltrar no sistema sem que ele detecte isso, não precisa fingir que é estúpida nem carregar em um sotaque que não existe. A apresentadora Ana Hickman é um bom exemplo, ainda mantém sua aparência de acordo ao padrão mundial de beleza e se arruma como boneca gigante, mas quando abre a boca mantém um tom de voz normal e não finge ser estúpida.

Em países democráticos e isso não inclui nenhum da América Latina, mas os Estados Unidos, Suécia, Inglaterra, França, é normal ver na televisão apresentadoras cheinhas, de idade e colocando sua opinião. Mas aqui no Brasil, assim como no México, mulher não pode pensar e muito menos falar em um programa e tem que se limitar a mostrar as pernas, todas trabalham mostrando as pernas, até a moça do tempo.

Parece inocente esse processo de idiotiozação, mas tem seu peso em uma sociedade, principalmente tão machista e fechada como a brasileira. Existem consequências sociais em qualquer lugar que eduque as mulheres para serem bonecas vivas.

E não tenho nada contra a Pavorô, cada uma sabe como entra no sistema e se mantém lá dentro, ela não é culpada do machismo que existe, apesar de perpetuar ele com sua atitude de  ''não sei de nada''. E até na entrevista, quando perguntaram quando ia se casar começou a responder como menina de onze anos, falando uma oração que deram a ela para se casar e morrendo de rir com a piada.

Televisão é um dos instrumentos de comunicação mais poderosos do mundo, não pode estar a serviço do machismo e da misoginia, e é inaceitável que a televisão brasileira sirva ao patriarcado, programas femininos só falam de lasanha verde e fofoca de celebridades, apresentadoras não têm opinião e não largam mão de suas minissaias, comerciais que só mostram a mulher limpando e adorando um produto, novelas onde homens traem a mulher e são os heróis, filmes violentos e séries onde a mulher sempre é mostrada como a chata que persegue os homens.

Duas horas por dia na frente da televisão convence qualquer menina que ser a  ''bonequinha'' é a única maneira de sobreviver e isso causa um prejuízo enorme à sociedade e todos pagamos a conta.

Alguém disse uma vez que televisão é uma fábrica de sonhos, mas não, é uma fábrica de carne moída, joga todas as mulheres lá dentro e faz picadinho sem dó. Mas desta vez sou obrigada a dizer, nem tudo é culpa do sistema, mais de 60% do público que assiste televisão é composto por mulheres, somos nós que estamos asssistindo e aplaudindo essas figuras de boneca que não nos representam. E se assistimos sem reclamar não tenho nada a dizer ao patriarcado, pelo menos desta vez.


Iara De Dupont



2 comentários:

Anônimo disse...

Tenho vergonha do Brasil e nao vejo luz no fim do tunel. Tenho um colega que trabalha em televisao e me disse que quando aparece uma mulher loira seja em programa ou commercial a audiencia sobe na hora,nao importa o quao bonita seja a morena. Assistindo a um canal internacional esses dias vi a moca do tempo,uma senhora de uns 50 anos ,com no minimo 90 quilos e uma roupa super comum senti mais vergonha ainda do Brasil. Ja vi de tudo em canais internacionais,negras ancoras de telejornal,mulheres com quase 60 anos,cabelos brancos,mas no Brasil náo,tem que ser modelo. Esperar o que de uma sociedade como essa?

Anna

Anônimo disse...

A TV nos impõe um padrão de filme americano. Quantos filmes voce ja viu em que a mocinha era gorda, a heroina era negra, ou o cérebro por trás de toda ação era uma mulher deficiente? A TV brasileira acha que esse é o certo, esse é o normal, descarta negros, ( quantas Glorias Marias você vê na TV ?) descarta gordos ( Andre Marques reduziu o estomago para conseguir um lugar ao sol ), descarta deficientes ( quem mesmo??). Na novela das 7 ontem vi uma cena em que a mocinha ruiva exigia que o mocinho com cara de bad boy pedisse desculpas a um negro a respeito de uma atitude racista. Muito bonito, muito bom, só que não! O rapaz, vítima de racismo, era branco! Porque não darem oportunidade a negros em papéis nas novelas? Porque não colocam gordinhas como as mocinhas e não como as amiguinhas engraçadas e boazinhas? Porque não demonstram as dificuldades de um deficiente no Brasil ,para ter emprego, transporte e um relacionamento? Isso não dá audiencia? Imagina um negro, gordo e deficiente comandando um programa de entrevistas na TV? Nenhum tem capacidade?

Leia outros posts....

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...