ADICIONE O BLOG SMM AOS FAVORITOS! OBRIGADO PELA SUA VISITA E LEITURA!

DESDE 2010. ANO VI. MAIS DE 2.000 POSTS.

GUEST POST NO ESCREVA LOLA ESCREVA

CURTA NO FACEBOOK


E-MAIL
sindromemm@gmail.com

27 novembro 2014

Os dois lados da mesma situação


Um amigo budista me garante que todas as pessoas que cruzam nosso caminho são mestres que nos ensinam alguma coisa. Quando eu reclamava das mulheres da família ele me dizia que tinha que ser grata, já que elas me mostravam o que eu não queria ser.

As mulheres da família da minha mãe são complexas e misteriosas, difícil saber o que acontece ali. E as da família do meu pai são o caos, agressivas, destemperadas, arrogantes, cretinas, grosseiras, escandalosas e mal educadas, sempre gastando energia à toa, apenas porque querem deixar claro quem manda.

Posso não me identificar muito com as silenciosas e herméticas mulheres da família da minha mãe, mas as do meu pai sempre me causaram medo e horror.

Hoje não me impressiono ao saber que sofrem de tantos problemas físicos, porque o desgaste ali é terrível e sem sentido, parecem touros correndo sem destino.

Uma delas resolveu fazer uma festa para sua neta de dois anos e contratou um pessoal para levar os salgadinhos. Não sei bem o que aconteceu, porque eu não estava na cozinha, mas parece que fritaram os salgadinhos e ainda estavam congelados. Minha tia poderia ter ido reclamar e tentando arrumar a situação, mas não fez isso, preferiu entrar aos berros na cozinha, ameaçando e dando ordens. Perdeu energia à toa, se aborreceu, irritou a mãe da criança e tudo por uns salgadinhos congelados. Pelo menos garantiu seu show, todos ficaram sabendo que ela não  ''admitia'' o que tinha acontecido. E no fim ainda queria processar a moça que tinha vendido os salgadinhos. 

Também na festa ela contratou dois palhaços, mas chegou apenas uma moça, não sei o motivo, de novo minha tia surtou, mas nessa hora Deus é grande e percebi o que iria acontecer e fui conversar com ela, pedi, implorei, que não se metesse com a palhacinha, nunca trabalhei em festa infantil, mas sei todo o desgaste que envolve. As crianças gostaram da palhacinha que começou a pintar o rosto delas e minha tia sossegou sua fúria desgovernada.

Esse é um exemplo de vida que tive com a família do meu pai e as mulheres sem eira nem beira.

Já a família da minha mãe deu melhores exemplos, pelo menos até a página dois. Um deles foi no casamento da minha prima, em uma casa de campo no horário do almoço. Minha tia pediu a sobrinha mais desorganizada e a que não gostava de acordar cedo, para que fosse madrinha de Bíblia, e ela teria que levar uma. A cerimônia já estava começando e minha prima não chegava, então minha tia foi com o Padre, explicou a situação e o Padre tinha uma Bíblia de reserva no carro, foi lá, pegou e deu por encerrada essa parte. 

E na hora do almoço o pessoal que ia entregar as sobremesas não chegou, parece que se confundiram de dia. Alguém avisou minha tia, que pegou seu carro e saiu dando voltas pelo lugar, até que achou uma sorveteria aberta, entrou e comprou casquinhas e umas caixas de sorvete. A dona da sorveteria já estava encerrando o expediente, mas minha tia contou o que tinha acontecido e ela decidiu ir junto e ajudar a servir os sorvetes na festa. E tudo isso aconteceu sem que a noiva percebesse que sua mãe corria atrás de uma sobremesa, só semanas depois que ela ficou sabendo o que tinha acontecido. Minha tia voltou a festa, serviu o sorvete e tudo deu certo, sem berros, gritos, nem ameaças de processo e principalmente sem vazamento de energia.

Admiro muito isso na família da minha mãe, a maneira silenciosa como resolvem as situações e tenho profunda repulsa pelas mulheres da família do meu pai e seus comportamentos barulhentos, sempre ameaçando processar as pessoas.

Meu amigo budista diz que as minhas tias e primas por parte de pai são mestres que me ensinam como eu não devo e não quero ser. Me mostram na prática como o barulho pode ser ofensivo, desagradável e na maioria das vezes não leva a nada, apenas gera mais energia negativa. 

Me lembro no episódio dos salgadinhos que minha tia gritou tanto que uma das moças que os fritava acabou queimando a mão. Já outra tia entrou na cozinha e ficou dando ordens como se fosse uma rainha. Esqueceram que era apenas uma festa de uma criança de dois anos, em um salão de um prédio suburbano, nada que exigisse tantos gritos e tensão, não era a cozinha do palácio da Rainha da Inglaterra em dia de recepção.

Entendo uma parte da maneira de agir dessas tias agitadas, temos que nos defender, existem pessoas folgadas no mundo e devemos estar atentas, mas é um erro não perceber as situações e achar que salgadinhos congelados merecem tanta energia de uma pessoa. Até a menina da festa, com apenas dois anos, se assustou com a reação da avó e acabou chorando.

O grande segredo na vida é saber diferenciar os lugares e momentos e não sair derramando toda nossa energia em lugares errados. 

E o problema dos salgadinhos se arrastou por dias, minha tia não quis pagar o restante do dinheiro e demorou semanas para chegar a um acordo. Já minha outra tia que conseguiu os sorvetes sem fazer barulho, no dia seguinte nem se lembrava do que tinha acontecido, não virou o humor por isso, nem congelou o estômago. Em algum momento conversou com as pessoas que não entregaram a sobremesa e tudo se resolveu.

A coisa que mais fazemos na vida é perder tempo com bobagens que nos aborrecem profundamente, como se tivessem algum peso na nossa existência. 

Uma das minhas tias perdeu ver a neta brincando na sua festinha porque preferiu dar barraco na cozinha, já a outra tia preferiu curtir a filha, a festa e deixou de lado o problema da sobremesa. São escolhas que todos temos espaço para fazer.

Ah, mas minha tia dos salgadinhos queria a festa perfeita! Ralou para pagar!

Pois é, mas quantas coisas queremos na vida e nem por isso elas chegam a nós? E se chegam nem sempre vão ser do nosso jeito. 

E não importa quando elas chegam, está em nossas mãos a maneira de lidar com os imprevistos que trazem. 

E sempre existe o dia seguinte, sei porque estava lá, minha tia dos salgadinhos acordou com dor de cabeça e ficou assim durante dias, valeu a pena? Ela fez sua escolha. Cada um faz a sua, mas energia é uma coisa que não se pode perder de maneira tão fácil, até o corpo ressente quando ela vaza de maneira estúpida. E não é culpa de ninguém, tudo pode acontecer, mas quem resolve como lidar com a situação somos nós.

Iara De Dupont

Um comentário:

Anônimo disse...

Trabalho numa repartição pública e no ano passado nos juntamos para uma festa em dezembro.Acertamos com um restaurante os pratos a serem servidos, dividimos os custos, cada um pagou sua parte e fomos nós para nossa diversão. Durante nosso encontro surgiram pessoas não convidadas, amigas de um e outro que foram ficando, o restaurante tinha um serviço péssimo, as porções vinham pequenas e com um intervalo enorme. A cerveja e o refrigerante estavam quentes, os não convidados, portanto não pagantes, se serviam, bebendo e comendo como se tivessem colaborado para isso. Muitos brigaram, xingaram os organizadores, os garçons, saíram de lá estressados. Eu simplesmente saí à francesa, não quis ficar mais numa festa em que nada estava como previsto. Esse ano vieram de novo com o assunto da festa, convocando quem ia participar, informando o custo por pessoa, o que seria servido e demais detalhes. Eu preferi não participar. Aqueles que fizeram escandalo, brigaram no restaurante ano passado vão a festa esse ano e me chamaram de anti-social...Melhor eu ficar na minha, não passar raiva com os bicões e com os lugares escolhidos para as comemorações que pagar mico, dando xiliques e tremeliques durante a comemoração!

Leia outros posts....

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...