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15 novembro 2014

O calendário da escravidão



Moro em um lugar rodeado de academias, tem mais do que padarias. E todas agora estão com excelentes promoções porque o verão está chegando, então me vejo obrigada a atravessar  a rua o tempo inteiro, para que não  me perturbem com seus panfletos baratos e deprimentes.

Conheci uma espanhola que passou uns anos no Brasil, rodeada de amigas brasileiras tentou se adaptar a cultura e fazia tudo que diziam para fazer. Perguntei se ela sentia falta do Brasil, já que ficou um bom tempo aqui e me disse:

-Sabe que não? Quando cheguei a Barcelona a primeira sensação que tive foi de liberdade e pensei  ''Brasil nunca mais''.

Pensei na minha ingenuidade que ela tinha sido assaltada ou sequestrada, perguntei o que tinha acontecido e ela respondeu:

-Vocês brasileiras são escravas de um calendário de beleza, eu comecei a fazer tudo o que minhas amigas faziam e depois que voltei  a Espanha percebi o quanto perdia meu tempo e estava amarrada ao nada. Nunca mais coloco os pés no Brasil.

Comecei a observar e percebi que ela até que foi gentil, nosso calendário de beleza é uma planilha que começa a fazer  pressão no mês de novembro, quando começa a correr o tempo para ter o  ''corpo do verão''. Durante quatro, três meses, todas as revistas vão ser invadidas com matérias sobre como emagrecer, ter a barriga chapada e as pernas duras para mostrar na praia. A televisão vai atrás e vende remédios para emagrecer e mostra pessoas que perdem peso e conquistam o ''corpo dos sonhos''.

O massacre dura o ano inteiro, mas nos últimos meses é mais intenso.
O calendário da beleza não tem feriados nem domingos. Não importa o nível social, mulher brasileira adora um cabelereiro e vai pelo menos três vezes por mês, isso sem contar os dias especiais que quer se arrumar para uma festa. Pode ser para cortar as pontas, fazer outro corte, hidratação ou tingir.

De quinze em quinze dias  cuidam as unhas,  de preferência no salão e depende da mulher, mas algumas se depilam uma vez por mês outras a cada três semanas.
Nesse calendário também entram aplicações de botox a cada seis meses, drenagem linfática uma vez por semana e outros tipos de tratamentos que exigem visitas quinzenais a consultórios.

Já vi pessoas me dizendo que tudo isso depende do nível econômico, mas conheci durante um trabalho várias mulheres que viviam em comunidades e elas faziam muitos tratamentos estéticos, a diferença é que parcelavam, mas todas iam a uma vizinha para fazer massagem, a outra fazia depilação e coisas assim, gastavam muito, algumas vezes comprometiam o seu salário, uma moça me disse uma vez '' a sensação de sair do salão toda poderosa não tem preço''.

Isso sem contar o custo dos produtos cosméticos adicionais que as brasileiras compram. Pelo menos duas vezes por semana qualquer brasileira está envolvida em algum tratamento de beleza, nem que seja trocar de esmalte assistindo novela.

É tudo uma escravidão terrível, a espanhola tinha razão, é cansativo, se perde uma energia e dinheiro à toa e não sei o motivo dessa obsessão.
E ainda temos orgulho, nos consideramos vaidosas e charmosas, não percebemos que somos umas escravas jeitosinhas, muito lindas, mas no fim das contas, escravas.

Não faço tratamentos de beleza apenas por um motivo, não suporto escravidão, se alguém me dissesse  ''vai lá, faz tal coisa e nunca mais precisa voltar'', eu até iria, mas qualquer tratamento vem com aquela terrível frase ''tem que voltar de quinze em quinze dias''. 
E o custo? E qual o motivo real de tudo isso? Já passei meses sem cortar o cabelo e nem reparei o que eram pontas secas ou quebradas, isso é tudo uma paranóia que vai somando a cultura da beleza e não leva a lugar nenhum.

É importante se cuidar, mas descobri que se meu cabelo não está bom posso fazer uma máscara em casa quando quiser e se quiser, não preciso ficar escrava de  ''hidratação no salão''.

Defendo tudo o que as pessoas quiserem fazer, mas pelo menos que tenham motivos para perder tanto tempo e dinheiro.

E minhas dúvidas sempre vão de encontro a mesma questão, por que mulheres brasileiras são escravas por vontade própria? Por que se comportam com o pássaros em jaulas que depois de um tempo que estão ali ficam com medo de sair?

Existe uma linha tênue entre se cuidar e entrar nesse calendário brasileiro da beleza. E insisto, se todas essas mulheres investissem o seu dinheiro em outras coisas mudariam sua maneira de viver e perceber sua beleza. São horas e dias que se consomem sentadas em mesas, cadeiras, fazendo tratamentos.

Há muito tempo abandonei esse jeito brasileiro de viver, não coloco mais essa corda no meu pescoço e posso garantir a qualquer um, a liberdade que experimentei não tem preço e isso não quer dizer que não me cuido, mas sim que faço isso a hora que quiser, sem o calendário na mão. Não faz diferença se o verão está chegando ou já chegou, quem manda na minha vida e beleza sou eu, não um calendário machista que mantém todas as mulheres presas e escravas. O pior de tudo é saber que são as mulheres que pagam todos esses tratamentos, não existe no Brasil uma ''Bolsa-Machismo'' que banque todos esses procedimentos. E algumas mulheres vão dizer que os fazem porque gostam, é para si, não é para o Romeu. Outras garantem que a base dessa correria é a eterna briga entre mulheres, sempre uma tem que mostrar que é melhor que a outra. Mas todos esses tratamentos custam dinheiro e doem, então é melhor que as mulheres tenham um bom motivo para fazer, caso contrário é a maior perda de tempo da vida delas.

E sempre vou me perguntar isso, da onde vem tanto gosto das brasileiras em serem escravas?
Imagino que essa resposta nem Deus sabe. 

Iara De Dupont 

5 comentários:

Anônimo disse...

Eu so me dei conta o quanto eu gastava em tempo,dinheiro e energia cuidando da beleza da maneira que todos faziam quando fui morar fora. Hoje eu mesma arrumo meu cabelo,vou ao salao 2 ou 3 vezes ao ano pra cortar e pintar,cuido das minhas unhas sem precisar de terceiros,afinal,se o Brasil é o unico país do mundo em que se tira a cuticula alguma coisa esta errada rsrs. Realmente é libertador,em muitos países voce ve as mulheres ricas com mansóes,carroes e muitas viagens que só se produzem para um casamento de for alguem da familia,aí sobra tempo pra ler,passear,enquanto nós estamos em 2 lugar como país que mais gasta com beleza ,talvez ainda alcancemos o 1 lugar.

Anna Lara

Suzana Neves disse...

Eu não faço nada fora e acho que corte o cabelo a cada seis meses.

E por meio desta venho defender a massagem relaxante da qual deveria ser obrigatória kkkkkkk.

Fátima disse...

Brasileira não aceita ficar velha! Se ficarem velhas, o marido as troca por outra com metade da idade, então, velhice nem pensar. Se tem algo que me faz ficar abismada, são aquelas com mais de 50, 60 anos, que resolvem pintar o cabelo de vermelho e acham que assim ficam a cara da Marina Ruy Barbosa!! Acho que a beleza varia, se modifica com a idade, se torna mais serena, menos agressiva com o correr do tempo, mas continua alí... as brasileiras nao sabem procurar por ela, não sabem ver a beleza alheia. Triste isso!

C.Belo disse...

Olha, engraçado ler isso, pois a minha impressão sobre as mulheres justamente da Espanha é que elas são tão ou mais neuróticas do que as brasileiras. Isso pq minha mãe compra sempre uma revista espanhola que vem com brindes e eu sempre folheio, e vou te falar, eu fico enojada e logo fecho a revista! Ledo engano dessa sua amiga espanhola, essa mania já dominou o mundo todo!

Iara De Dupont disse...

C.Belo,se for uma revista que estou pensando é babado hem? Adorooooooo.
Então, é assim, tanto espanhola como mexicana elas são peruas,curtem se montar, encher de maquiagem, brinco e cabelão, mas encarar esses tratamentos de beleza que as brasileiras encaram, dolorosos e caros, elas não caem pra dentro não! São mais inteligentes, rsrsr

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