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04 novembro 2014

Não tenho ''material de esposa''? Nossa, olha minha cara de preocupação..



Uma pessoa que respeito muito me disse hoje que tinha lido meu post sobre o casamento e eu não deveria me preocupar com esse assunto, já que não tenho  ''material de esposa''. Tentei fazer que me explicasse um pouco, mas não foi além disso.
Cada vez que uma frase do século XVIII cai no meu colo fico intrigada. O que seria  ''material de esposa''?

Não vejo a menor chance de melhorar o planeta se as pessoas não avançarem em todas as questões que envolvem os gêneros. Entendo que muitas mulheres querem se casar e gostam da ideia, mas minha luta é que entendam que não são apenas isso, ninguém é apenas  ''esposa''.  O ideal seria ter a mesma visão que os homens têm do assunto, eles não se identificam como  ''maridos'', mantém sua individualidade. A mesma coisa deveria valer para a mulher, ser esposa deveria ser uma parte da vida, não ela inteira.

E de tanto pensar sobre o  ''material de esposa'', lembrei que já tinha escutado antes. Foi em um programa de rádio de Renato e Cristiane Cardoso, onde eles dão orientação aos casais, também vendem seus livros e tem seu programa de televisão, a Escola do Amor.
Acharia o trabalho deles incrível, caso fossem historiadores e estivessem contando como era a vida em séculos passados, mas para o século XXI eles carregam conceitos assustadores, engessados, sufocantes e ofensivos. Dizem que a mulher tem que ser compreensiva, tolerante e submissa ao homem, imagino que devem vender livros até no Oriente Médio, lá seu livro  ''Casamento blindado'' deve ser best-seller.

A primeira lição que levei na vida amorosa foi justo essa, eu posso ser tolerante com o homem, compreensiva e meiga, mas o mundo jamais vai ser assim comigo. Mulher é um tapete no fantástico mundo encantado dos homens, serve apenas para ser pisada e em casos de sorte, admirada pela sua beleza.

Eu circulo pela vida e minha única vontade é encontrar gente que é feita de ''material humano'', não me importa se é marido ou esposa, isso para mim não é material, é acessório.

Não é só uma questão de gêneros, vai além. Qualquer ser humano nasce com vontades e sonhos, todos têm alguma coisa para contribuir e o planeta está virado pela falta de pessoas com bom  ''material humano'', é degradante e injusto dizer que uma mulher e todo seu potencial pode ser resumido apenas em  ter ou não ''material de esposa''. O ser humano não se define dessa maneira, nem seria correto pensar que casar é uma proteção  contra a invisibilidade social da mulher.

Falta no mundo mais material de compaixão, tolerância e entendimento. E ''material de esposa'' não significa nada. E que isso seja dito por líderes religiosos me leva ao mesmo ponto novamente, eles estão arrastando as pessoas à idade média apenas para arrancar dinheiro delas, não por objetivos espirituais.

Uma mulher até pode ter  ''material de esposa'', pode gostar disso, mas não é apenas isso. Nenhum ser humano existe no outro, só se forem siameses.

Entendo toda essa lógica de ser  ''esposa'' geograficamente, se estamos falando de países onde a mulher é escrava e arrastada para um casamento, mas se penso em um país livre, do tamanho do Brasil, cheio de possibilidades, então fico gelada. Tantas mulheres aqui consumindo a ideia de serem esposas e sonhando  em ter esse material que tanto se precisa para o casamento.

E falo muito de casamento porque vejo que em alguns lugares, como aqui, é como ter um segundo e terceiro emprego. Não vejo mulheres se casando e levando a vida mais relaxada, felizes, ora, por acaso não encontraram sua metade, seu príncipe? Cadê o sorriso de alegria e paz? Isso não vem à tona, eu só percebo a presença de outro trabalho, chefe, outro cartão para bater e começam a rodar em círculos entre casa, trabalho, filhos, família do marido, e o benhê.

E minha teoria é a seguinte: CASAMENTO NÃO LEVA A NADA.

Ah, mas depende né?

Verdade, depende. Se eu pensar na cantora Gloria Estefan, uma cubana radicada em Miami que se apaixonou por um músico, Emílio Estefan e juntos construíram um império, tiveram filhos e se realizaram na profissão, então sim, casamento leva a alguma coisa. Mas ela é uma exceção, o resto das mulheres se condena a uma vida mais apertada, sofrida e uma morte lenta.

Mas casamento tem que levar a alguma coisa?

Ora, tem sim! Se ter três empregos não leva a nada, então por que trabalhar tanto? Casou e vai ser escrava e não vai dar em nada? Então pra que casar? Vai se arrebentar na vida por um alguém que não vai nem lavar um prato?

Mas alguns homens são fofos e ajudam a mulher!

Ai, Jesus, que bênção isso! Outro argumento desses e começo a chorar!

Sempre que falo isso às pessoas acham que sou contra sexo, namoro e relacionamentos, mas não sou, dou meu total apoio a todos os namoros, experiências, momentos e bom sexo, mas não acho que é preciso casar para ter nada disso.

Mesmo assim algumas insistem  ''casamento é o jeito de formar família!''.

Ah, santa paciência! Existem milhões de jeitos de ter uma família e dependendo do casamento é apenas oficializar a escravidão.

Casar deve ser bom para quem acredita, o problema é achar que a vida é só isso, ou só depois fica boa. Fico verde quando as pessoas me dizem que eu não entendo de amor e detono o casamento.  Justo por entender de amor que digo que não precisa casar, a única coisa que tento dizer é que nós mulheres temos que estar bem acordadas e não cair mais nessa manipulação de ''quem ama, casa!''. Desde pequenas somos doutrinadas para acreditar que nada vai ser mais importante do que o casamento, o famoso ''o dia mais feliz da minha vida''.

Uma vez alguém me contou a história de um menino que ficava na beira do mar vendo os barcos se aproximarem e achando que eram a coisa mais linda do mundo. Muitos anos depois, já adulto, ficou sabendo que eram os barcos negreiros, de longe lindos, grandes e de perto cheios de dor, de seres humanos maltratados e torturados. Casamento para as mulheres me parece isso, de longe a ideia é bonita, mas de perto é só escravidão.


Iara De Dupont




6 comentários:

Anônimo disse...

Não esqueça de avisar o seu futuro marido sobre as vantagens do caixa 2 do casamento.

Anônimo disse...

Obrigada por citar esta escola do amor (sic idiotice)...
Bom vamos lá me casei aos 21, era evangélica fervorosa e lia e assistia palestras deste tipo, seguia tudo a risca e veja bem meu relacionamento era as trevas, nunca gostei dos familiares do meu conjuge e isso piorava a situação porque eles queriam se meter na relação. Até que os dois viramos agnósticos, ele entrou em um acordo comigo no qual eu não preciso aturar a familia dele, afinal eu moro com ele e não com minha sogra, cunhado e afins...
Os retrocessos pregados na igreja evangélica: obrigação de filhos, convivio familiar (mesmo que estes sejam o demônio), enfim tudo aquilo foi por água abaixo em minha vida e olha hoje eu sou feliz... Cada um faz suas tarefas em casa, nunca mais tivemos brigas feias, o respeito cresceu pois vemos um ao outro como individuos e não como obrigação... Eu sou a prova viva que um relacionamento longe dessas regrinhas de merda pode dar certo. Não digo que será eterno, não creio mais nisso, mas hoje eu tenho em casa um amigo e não apenas um marido e vice e versa...

Anônimo disse...

Sabe aquela história da lavagem cerebral feita em meninas pra que a gente ache normais e lindas coisas horríveis? Pra que a gente queira desesperadamente coisas de que em geral ensinam os meninos a fugir? Tipo gente ciumenta e possessiva, ensinam pras meninas que é amor e pros meninos que é cilada? Pois é, eu não levei a sério quando disse que era de propósito, mas já tô começando a achar que essa situação é real...

clarissa lima disse...

Oi, Iara, sou fã do seu blog, leio diariamente, e, algumas vezes me surpreendo com este arroubo de irritação com os homens... Eu tenho 40 anos, sou casada há 15, trabalho, ganho tanto quanto o meu marido, inclusive temos a mesma profissão, e ele me ajuda muito. Te digo uma coisa, no alto da minha independência, ontem, casualmente, sofri um acidente de trânsito grave,3 carros, perda total nos 3, miraculosamente sem nenhum ferido. pois bem, a primeira coisa que eu pensei quando vi que estávamos todos bem foi: vou ligar para o meu marido... devo ter falado alto porque um pessoa respondeu; 'ele vai ficar uma fera", como se o carro não fosse meu, enfim... mas eu pensei no meu marido pelo apoio que precisava naquele momento... ele é o meu melhor amigo, já passamos por poucas e boas e estamos juntos... te escrevo para te dizer que nem todos os casamentos são prisões... eu não vou ao supermercado, nem cuido da casa, nem cozinho, dividimos quem busca as crianças na escola, dividimos as contas, pagamos a empregada... eu sempre disse para o meu marido que eu era ambiciosa e fazia parte do grupo dos provedores, que, se ele queria uma mãe, que ficasse com a dele... deu certo... temos nossos problemas, claro, mas eu acho que as coisas boas superam de longe as coisas ruins... escrevi para te dizer isso... nós mulheres independentes, também somos responsáveis por não nos submetermos à condição de capacho do mozão... é só escolher certo e se posicionar... casamento pode sim, ser uma delícia... bjoo

Iara De Dupont disse...

Anônimo,o segredo do caixa dois é não revelar que existe né? E diante da crise aconselho todas as mulheres casadas a fazerem um caixa dois, três, quatro e cinco......

Clarissa, não tenho nada contra os homens, rsrs, o ponto você mesma mencionou, teu marido é teu amigo, essa é a parte incrível, mas nem todas as mulheres percebem a importância de levar um relacionamento com essa leveza, acabam comprando a ideia de ''marido'' e se submetem a tudo. É como a moça do comentário acima que era evangélica, e depois mudou, ela entendeu que casamento é uma parceria com alguém que voce gosta, não uma prisão onde o estado e igreja dizem o que fazer. E te surpreenderia o número de mulheres que ainda vivem os casamentos de maneira sufocante. Beijos!

Paula Santos disse...

A gente escuta/lê/ve cada coisa, né?

Sou casada, mas não me sinto ofendida de vc ter opinião diferente. É um direito seu, oras! Entendi as situações que vc expos, os motivos pelo qual esse "modelo" de casamento te enoja. Me enoja tb!

Gosto da maneira que você coloca as coisas Iara, pq eu vejo que você está dando sua opinião e não tentando impo-la a seus leitores. Acho que é por isso que mesmo quando eu não concordo (e não é o caso desse post de hoje), eu leio té o final e penso no assunto. Não sei pq o povo fica tão bravo. Eu conheço gente q sempre que vai dar opiniões, faz isso de maneira arrogante, donos da verdade, senhores da razão. E ainda vai gente lá concordar, mesmo que seja absurdo. Ai venho aqui, te vejo falando de modo sincero, limpo. E vem uma galera comentar nervosamente. Vai entender... Eu não entendo!

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