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18 novembro 2014

Namastê (sei)



Existe uma velha teoria de que no momento que o ser humano começa a viver em sociedade acaba desenvolvendo algum preconceito, parece natural virar a cara para algumas coisas.

Nunca escondi meu receio e preconceito com pessoas que usam a religião como cartão de apresentação. Tenho até medo de gente assim, não confio e pelo jeito deve existir um fundo de verdade na minha resistência.

Na faculdade uma vez uma moça se aproximou e me disse:

-Sabe fulano? Não briga com ele porque é do candomblé e pode te fazer macumba!

Perguntei como ela sabia e me respondeu que ele tinha uma tatuagem que indicava isso.

Achei a coisa mais sem sentido do mundo. O rapaz era um encanto, nunca escutei ele dizer nada sobre candomblé e eu morria de curiosidade de saber, porque não tenho até hoje nenhum conhecimento sobre isso. Mas para mim ele era a maneira certa de viver, seguisse o que seguisse ninguém tinha que saber, se as pessoas faziam fofoca era problema delas, mas ele nunca abriu a boca.

Já no segundo semestre entrou na sala uma  ''abençoada'', uma moça que seguia alguma igreja mais radical, porque seu cabelo ia até a cintura e suas roupas pareciam dos anos cinquenta. Tudo para ela era falta de Jesus no coração e distribuía panfletos avisado sobre missas e batizados.

Não tive nenhum problema com ela, até que suspenderam meu professor favorito,  que em uma aula disse que religiões foram desenvolvidas para controlar as pessoas. Ela não gostou, levantou uma queixa com o cordenador e conseguiu que o advogado de sua igreja ligasse para o reitor, causando uma saia justa.  O professor perdeu dias de salário, foi advertido e depois desse incidente todos os professores recuaram, nunca mais mencionaram a palavra  ''religião'' em nenhuma aula.
Fiquei na época muito revoltada com essa moça, achei que foi impositiva e só ajudou a fomentar meu preconceito com pessoas que entram nos lugares se dizendo  ''abençoados''.
Desconfio demais de gente que usa a religião como roupa e faz questão de mostrar.

Há pouco tempo uma moça budista me pediu um trabalho de tradução. Eu não perguntei a sua religião, mas fala baixo, se veste como budista e está sempre falando do  ''círculo de amor'', tudo isso sem ninguém perguntar. E se despede juntando as mãos e mencionando Buda.
Me disse que não poderia me pagar os 50% adiantados, como é normal, mas pagaria assim que o trabalho estivesse pronto.

Em algum momento conversamos e ela me disse que eu precisava mudar minha visão de vida, que tudo que fazemos no planeta tem que ser  ''amor'', esse que move o mundo, segundo Buda. Me falou de compaixão e perdão. Eu fiquei só ouvindo, não disse nada, mas discordei dela quando me contou sobre a lei do desapego a matéria, falei que não estava de acordo e dinheiro é uma energia boa, só traz alegrias. Achei que ela ia desmaiar quando disse isso, mas não, voltou a vida  e começou de novo seu chato discurso sobre entender que amor é a base de tudo.
Assim que entreguei o trabalho (feito com muito amor) ela me disse que pagaria em trinta dias, coisa que não tinha sido combinada assim, mas resolvi não dizer nada.

Quarenta dias se passaram e não sabia de nada da moça, então mandei um email perguntando sobre o pagamento. Foram exatamente duas semanas e três emails necessários para que ela respondesse.

É nessa parte que me pergunto onde ficou o budismo, se a base é o amor ao ser humano, o respeito deveria estar incluído. Por respeito ela deveria ter me respondido, mas não fez isso, me deixou mandando e-mails como se eu fosse uma palhaça. Não apareceu em nenhum momento aquele ''círculo de amor'' que ela tanta falava nem a compaixão.

Quando se dignou a responer me avisou que assumia a dívida (obrigado Buda), mas não sabia quando ia pagar, não tinha o dinheiro (acode Buda!), estava enrolada com outras coisas, mas pagaria em parcelas (?) quando pudesse. Mas olha só! Isso não foi combinado e eu não entreguei meu trabalho em parcelas! E sem contar que ela ganhou dinheiro com meu trabalho! Ah, mas tudo bem, respeito, compaixão, pelos outros cadê? Chama o Buda, ele que se vire! Coitado, deve estar como Jesus, morrendo de vergonha desses discípulos picaretas!

E ainda colocou no email ao final  ''namastê'', que quer dizer ''Meu Deus saúda o Deus que existe em você''. Ao responder quase coloquei no email  "namastê-work-money'', que quer dizer  ''Meu Deus quer saber quando o teu Deus vai pagar''.

É o segundo cano que levo de pessoas espiritualmente desenvolvidas, também teve uma igreja bem famosa que me deu dois cheques sem fundo!

E voltando a casa passei perto de uma loja e vi uns incensos em promoção, peguei uma caixa e estava escrito ''Viva e deixe viver com respeito''. Como o mundo é cínico! Todos sabem que esses incensos são feitos por crianças na Índía,que morrem com menos de quinze anos, com o pulmão intoxicado pelas substâncias químicas do produto, passam o dia inteiro, a partir dos três anos de idade, enrolando incensos para  vender e o fabricante coloca essa frase!Mundo cínico! 

Religião é apenas um acessório para  ''pagar de gatinho'', quem realmente segue alguma não fica falando nem usa de bandeira. 

Conheço judeus, católicos, budistas, evangélicos, e outros que  seguem sua vida sem incomodar ninguém nem usar suas crenças como cartão de crédito.
Eu critico muito os líderes religiosos e vinha me esquecendo dessa ''categoria'' de ser humano que usa sua religião como vitrine, mas não acredita em uma palavra do que diz.

E podem dizer que é  preconceito meu, eu assumo, não gosto e agora que tenho raiva mesmo. Cada vez que vejo uma pessoa vestida de uma maneira que indique uma religião e chegue aos berros falando disso, penso logo em tubarões, que avisam quando estão por pertos. Bestas são os que não correm.

E o planeta é tão virado que confia nessas pessoas, quando o certo seria agir como agem os traficantes, na hora de pagar não importa a religião, é uma nota em cima da outra. Mas dizer namastê é um pecado, pegar um cumprimento sagrado e utilizar da maneira mais sórdida e cínica do mundo. O ser humano é isso mesmo, utiliza o sagrado para seus fins mais baixos. Na hora de dar cano vale tudo, até cumprimento sagrado.

Iara De Dupont




5 comentários:

Anônimo disse...

Religiao é muito usada para controlar os outros e as pessoas a usam pra pagar de gatinho nem chega a ser uma opiniao sua,ou preconceito,é fato. Eu sigo uma religião,preceitos,chame como quiser,e sofro preconceito dos dois lados,de quem não me conhece e acha que devo ser uma alienada porque na cabeça de muitas cultura,opinião forte,respeito as diferenças não combinam com religião,bom eu não abro mão disso,e do lado de ca da religião não são todos que me acham coerente,porque acham que pra ser religiosa não se pode defender feminismo,liberdade de pensamento e expressão e outras coisas ,ta as vezes não combina mas eu tambem não abro mão disso . kkk Sabe Iara quando voce fala sobre religião e muitas vezes da minha eu não fico nem um pouco chateada,aliás até fico chateada por ser verdade o que voce fala,por ser fato e não apenas uma opinião preconceituosa,seria bom se não fosse verdade,mas é,fazer o que né,eu faço minha parte.
Anna

Isabela Matos de Resende disse...

Quanto ao seu antigo professor, infelizmente ele fez uma colocação extremamente egoísta e preconceituosa. Aquela mulher radical realmente teve razões para reclamar dele. Queria saber se ele tivesse falado mal dos negros ou dos gays, a carreira dele estaria acabada naquele momento. Mas com seguidores de religiões "não é veneno, é vitamina". Intolerância religiosa faz tanto estrago quanto as outras.

Anônimo disse...

Há alguns anos atras, fui passar o carnaval na represa de tres marias em MG, 6 pessoas no total. Chegamos numa sexta a noite, haviam alguns hóspedes lá que faziam um "lual de agua doce", tudo estava muito bem e muito divertido, até que chegaram dois onibus de uma igreja evangelica, com fiéis para um retiro espiritual. Foram logo reclamando da musica, da fogueira, das roupas usadas por nós, pareciam querer começar uma briga. O gerente da pousada contornou a situação e todos foram para os quartos nos deixando em paz. Resolvemos que saíriamos para uma pescaria bem cedo, perto das tres da manha e o lual terminou por alí. Quando nos encontramos novamente para pegar os barcos e sair para a pesca, ouvimos barulhos vindos do jardim. Um dos colegas jogou uma pedra, pensando assim, assustar algum animal que estivesse no caminho entre a pousada e os barcos. A pedra deu resultado, uns 4 ou 5 casais abençoados sairam do meio do mato correndo, subindo as calças e descendo as saias! No meu passeio à represa, não houve sexo,uma turma de amigos que foi apenas para se divertir, agora eles que foram orar, se divertiram mais que nós.
Trabalhei numa imobiliária e sempre havia um " religioso" que dizia não precisar de avalista, porque era temente à Deus e sempre cumpria suas obrigações. Meu supervisor sempre nos avisou que esses eram os piores!
Meus sentimentos! Você não verá seu dinheiro da tradução, ou se preferir, meus parabéns pela doação involuntária a Buda ( que não tem nada com isso)

Anônimo disse...

Nossa, eu também tenho reparado nisso.
Conhecidos que usam o fato de pertencerem a determinada religião como
declaração de inocencia,de não fazer fofoca,para manipular e encher o saco para você se converter.

Anônimo disse...

Achei o máximo chamar a mulher de 'abençoada'. No meu ex trabalho tb tinha uma assim e a chamavamos desse jeito, mas uma abençoada católica, vivia criticando todo mundo e reclamando de tudo e só as coisas dela eram certas. Tudo metia a igreja no meio.

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