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26 novembro 2014

Mulheres que encarnam a figura da ''mãe''


Trabalhei muito duro em produção de teatro e tinha a ver com minha personalidade detalhista, que prestava atenção em tudo.
Éramos poucos na produção de uma peça grande e logo alguns se estranharam, eu tive problemas com alguns atores, eram rebeldes e se recusavam a cooperar,  acreditavam que eram deuses e ninguém podia dizer nada.
Por sorte o meu chefe era amigo de longa data, sempre nos demos bem, então a relação ficou igual. Mas um dia eu estava dizendo alguma coisa, fazendo uma lista de mais e mais problemas e ele me disse:

-Eu te conheço viu? Pode levar tudo a sério aqui, mas não vai  ''encarnar'' esse personagem. Não tem gente mais chata no mundo que os que ''encarnam'' algum papel.

Muitos anos depois fui a uma palestra do meu muso Luiz Gasparetto e ele dizia justamente isso, as pessoas que  ''encarnam'' um personagem, em especial as mulheres que viram ''mães'' e acabam encarnando o papel em todos os momentos de sua vida.

No dia seguinte a palestra fui a uma festa infantil, da filha de uma amiga que eu tinha anos sem ver, mais de dez anos. Ela me achou no Orkut e retomamos a amizade.

Chegando lá e vendo minha amiga lembrei na hora da palestra do Gasparetto, porque ela era a ''encarnação'' perfeita da figura da mãe.
Muitos anos tinham se passado, nós tínhamos ficado amigas na época do teatro e como ela era magra começou a fazer uma carreira de modelo, em poucos meses foi morar no Japão. Minha lembrança dela era essa, uma moça alta, magra e cheia de pilha. E de repente estava na minha frente uma moça alta, magra e  ''mãe'', até o tom de voz dela era de ''mãe'', a expressão corporal, tudo era de ''mãe''.

E não tenho nada contra isso, apenas alego que ser mãe não é a totalidade da pessoa, ela ainda tem um nome, uma vida e acrescenta a isso ser mãe, mas não é a única identificação.

É difícil explicar, mas parece que algumas mulheres depois de ter os filhos são abduzidas e voltam com esse desenho de ''mãe'', parece que perdem até o jeito de falar, de pensar, tudo começa a ficar naquele tom de ''leite ninho''.

Conheço muitas mulheres, inclusive na mídia, que tiveram filhos mas conseguiram preservar sua maneira de ser, sua essência, continuam sendo mães, mas não está ali na cara delas nem no tom mais baixo e meigo.

Tenho isso marcado porque minha mãe sempre foi rebelde e se recusou a ficar no papel de mãe. Quando meu irmão era pequeno minha avó tinha vergonha de ir as festinhas de crianças porque minha mãe se vestia com minissaia e botas, e todo mundo dizia que isso não ''era roupa de mãe''. Ela usava maquiagem, tinha unhas longas, pintava o cabelo e as mulheres da família do meu pai, todas encarnadas na figura da mãe, ficavam revoltadas, dizendo que ela não se comportava como ''mãe''.

E não é só com mãe, qualquer personagem ''encarnado'' é uma merda, também existem mulheres que ''encarnam'' a santa, piriguete, amiga de todos, beata, consolo da família e assim por diante, se afastando de quem são, assumindo uma parte da personalidade como se fosse o todo.

Eu estava em uma sala quando passou perto de mim uma moça muito bonita e alguém disse  ''é esposa de tal apresentador''. Me chamou a atenção o rosto dela, a cara e energia de mãe, uma mulher jovem, bonita, mas parecia limitada no seu papel de ''mãe''.

Pouco depois estava vendo um programa de televisão que tentava adivinhar uma fofoca jogada na internet pela jornalista Fabíola Reipert (link), que garantia saber o nome de um apresentador jovem, casado, com filhos,  que estava pulando a cerca com uma atriz famosa. Na hora que ela acabou de dizer lembrei da esposa que tinha visto uns minutos antes e pensei  ''é ela a que está levando chifre''.

Tive essa sensação porque pensei no marido, o dia inteiro trabalhando, se ralando e chega em casa, encontra uma mulher linda, perfeita, mas com energia de mãe. Pode ser fofo em comerciais, mas na vida real deve ser broxante. Não digo que isso justifique sair traindo, nem o comportamento promíscuo dos homens, mas deve ser dose conviver com alguém que encarna um papel, o que for.

Também acho que homens que ''encarnam'' o papel de pai ficam chatos com cara de tios, envelhecem logo, aparece um expressão de homem broxa.

Essa figura da  ''mãe''  é de séculos passados, hoje nenhuma mulher é apenas isso, mesmo que seja dona de casa é obrigada a lidar com milhões de coisas que não incluem apenas a criança. Vou morrer sem entender porque uma mulher tem um filho e de repente tudo o que ela era ou sonhava ser, desaparece como se nunca tivesse existido. É como dizer que ela não existiu até ali, só apareceu no mundo porque virou ''mãe''. 

Sempre me coloquei em contra dessas revistas que falam de mulheres maravilhosas esperando seus maridos, acho isso um porre, mas sou obrigada a dizer que se estiver certa em relação ao apresentador posso entender o lado dele, eu não gostaria de chegar em casa e ver meu marido com ''energia de pai'', ele que coloque essa energia com os filhos, não comigo, como mulher eu espero a energia do homem.

Nelson Rodrigues dizia que o sexo depois do nascimento dos filhos é complicado porque é incestuoso fazer amor com a mãe do próprio filho.
A frase é pesada, mas levando em conta a questão energética tem seu fundo de razão. Encarnar um papel significa anular quem somos e estacionar ali. É possível durante a vida ir somando as coisas a quem somos, mas não encarnar nada. E não é só na esfera pessoal que isso acontece, também na pública, como aquelas mulheres que entram na política e de repente todas ''encarnam'' em uma imagem masculinizada. Ou aquelas bonitonas que ''encarnam'' a gostosa até para ir comprar pão. Encarnar é cansativo para quem faz isso e frustrante para quem convive com a pessoa. Tudo o que nos afasta de quem somos e nos coloca dentro de um vidro com etiqueta tem data de validade, um dia o personagem engole a pessoa.

Iara De Dupont

7 comentários:

Paula Santos disse...

Foi isso que eu quis dizer naquele post do seu amigo reclamando do irmão, que tinha se tornado pai. (apesar de eu achar também que ele foi idiota nas colações que fez)

É muito chato alguém que é mãe ou pai (são casos raros, mas existem) e só isso. Cabou o resto todo. Eu não consigo imaginar minha vida sendo apenas mãe. só pensando em coisas de filhos... Amo minha filha e como vivemos sem nenhum parente por perto, fazemos tudo com ela a tiracolo... Mas não deixamos de fazer as coisas que queremos, na maioria das vezes. Ainda que precise de estar minha mãe ou minha sogra aqui para eu ir ao cinema e ao teatro (sao as coisas que sinto mais falta na minha vida social), são só esses que não posso fazer no dia a dia. Pq de resto, até pro México eu levo a pequena! rsrsrs E não me imagino na disney tão cedo! rs

Apesar de eu respeitar as escolhas que as pessoas fazem pra si, acho que tenho o direito de achar um saco essa vida de mãe em tempo integral. rs Mas não é uma crítica, nem julgamento, é só o que eu acho. :o)

Anônimo disse...

Texto profundamente revelador da sua inveja e desconforto em ver as outras mulheres avançarem no caminho natural da vida enquanto você dando murro em ponta de faca e reclamando sozinha. É você quem está estacionada em um papel medíocre, não as suas amigas.

Iara De Dupont disse...

Anônimo o seu comentário só revela que você nunca estudou interpretação de texto e é incapaz de entender o que está escrito. E seu comentário também revela que é covarde, cadê seu nome?

Anônimo disse...

Minha mãe sofreu muito não só por encarnar o papel pressionada, mas por terem imposto a ela um papel extremamente rígido como mãe. Ate hoje ela sofre por não ter se encaixado no papel cheio de exigências de mãe que ela não conseguiu encarnar. É triste isso.

Anon carente, já catalogou os fungos no armário que não limpa há dez anos? E aquelas algas crscendo na louça acumulada na pia? E os insetos que fizeram ninho nas cuecas sujas jogadas no canto do quarto? Já fez os seus volumes de estudo da fauna mascu urbana? Não? ntão vai observar e registrar imediatamente tudo isso que eu quero o livro pra semana que vem.

Patricia disse...

Iara,nunca ninguém vai escapar de ,em alguma vez na vida,encarnar algum papel...que pode agradar a muitos e desagradar profundamente outros...o negócio é cada um procurar sua panela...!

Eu sou mãe,e detesto(não é comum,mas vejo,e conheço uma assim)a mulher que tem filha adolescente,e encarna o papel de mocinha,competindo com as vestes curtas da filha.Se fosse uma coisa genuína,da personalidade da pessoa,aí sim,mas cada vez mais percebe-se que é o contrario;são pessoas que querem escapar do papel natural do envelhecimento(se isso incluir filhos,qual o problema?Os assuntos e as maneiras mudam sim,as pessoas se metamorfoseiam!)e forçam uma imagem de jovens que já não são mais...não dá,definitivamente!Ah,e traição não tem justificativas,eu não queria estar no lugar da apresentadora,se um cara tem uma mulher linda,e fértil,que quis gerar um filho dele,e ainda a trai,esse cara é que é o demente e não merece a musa que tem em casa!

Anônimo disse...

Isso me lembrou um namorado militante que eu tive, eu me lembro, que ele era a encarnação de um militante perfeito.
Vegano, LGBT (bissexual), de esquerda, pró-feminista, enfim...mas era bem isso, no início era legal, mas ele era militante 24 horas por dia, e chegou a um ponto q eu percebi q só tínhamos este assunto, política, pow ! Eu sou militante tbm, mas esse é um dos pedaços do meu todo.
Ele havia perdido sua conexão com a realidade, teve vezes q eu me assustei, um dia ele me viu vendo novela (Avenida Brasil, eu gostava), ele quase me acusou de estar traindo minha luta, enfim...um personagem !
Encarnar qualquer coisa é muio ruim mesmo, é cansativo para quem atua e difícil para quem convive, nosso namoro durou 3 meses, não aguentei tanto tempo com um personagem, prefiro gente real, se fosse assim namorava logo o Dr House, pelo menos ele tinha estilo..hahauhauahuahau

Alessandra Tofoli disse...

Uma coisa que também me tira do sério é quando mulheres se acham mais mulheres que outras porque tiveram filhos. Oi?
Quem passou o atestado de "mais mulher" para essas? Esse papinho de se sentir mais completa também é outra coisa chata, pqp cada um pode se sentir preenchido com o que melhor lhe convêm, não precisa ser mãe pra isso!
Mas é aquela velha e mentirosa desculpa: "Não estou cuidando da sua vida, só querendo o que é melhor". Melhor pra quem?

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