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18 novembro 2014

Mulheres: não importa a ocasião, temos que nos impor



Na véspera do casamento meu primo viajou para o sítio de uns amigos e chegou quase que em cima da hora da cerimônia. Não escutei nada a respeito, é homem, pode fazer o que quiser.

Já uma prima passou por uma situação muito tensa. Um pouco antes do seu casamento decidiu que não queria se arrumar com a mãe por perto, não queria que ela estivesse nos bastidores porque ficava irritada e brava com a mãe dando palpite e querendo mudar tudo.

Essa minha prima sofre com a ausência total de caráter, é uma pessoa de má índole e dada a vida bandida. Achei que era um erro genético, mas me aproximei da minha tia e percebi o que se chama de  ''influência social'', talvez minha prima já  nasceu com um temperamento pérfido, mas cresceu ao lado de uma mãe também bandida, não foi apenas fruto da genética, mas também da educação que ela recebeu.
As duas são almas similares, mesmo assim minha prima não tolera a mãe, porque critica e pega  seu pé o tempo inteiro.

E minha prima avisou que no dia do seu casamento iria se arrumar na casa de uma tia, o que foi uma decisão péssima, porque essa tia não soube criar seus filhos, mas adora posar de  ''tia compreensiva'' e usou esse argumento para ofender sua irmã, dizendo que nem a filha a queria por perto no dia do casamento.

Foi uma confusão dos mil diabos, acho que até Jesus veio para pedir a minha prima uma mudança de planos. Para uma família onde sobra o drama e falta à coerência, uma decisão assim, da filha não querer a mãe próxima no dia do casamento é como um tiro na cabeça da família inteira.

Na época eu não entendi nada, não tinha conhecimento do assunto e achei o fim do mundo o que minha prima fez. Na minha cabeça a noiva pedir à mãe que apareça na festa, mas não se envolva antes com os preparativos me pareceu a coisa mais ofensiva do planeta.

Me parecia que a presença da mãe na hora de arrumar a noiva era um ritual, não uma coisa que pudesse ser modificada.

Mas minha prima bateu o pé e na véspera se mudou para a casa da tia. Não saiu de graça, porque no dia seguinte a mãe dela foi ao casamento de cara amarrada, fez questão de dizer a todos que tinha comprado chapéus para as damas de honra e a festa deveria ter sido em um jardim, não em um clube a beira da piscina, acentuando mais ainda a personalidade suburbana da minha prima.

E minha tia quase enfartou quando viu que o vestido não era branco, outro surto de cafonice da minha prima, escolheu um vestido que parecia cortina, com flores vermelhas. A minha tia não deu trégua, criticou o noivo, a noiva, o lugar, a música e o buffet, deixou claro que era um dia frustrante e ainda emendou  ''não perco a esperança, de repente ela se separa, casa de novo e então sim, fará uma festa digna''.

E não acabou ai. Depois da festa essa conversa sobre o atrevimento da minha prima rendeu muito, até a avó dela por parte de pai ficou inconformada, achou que a filha usou o casamento para  ''acertar as contas com a mãe''.

Na época prestei total apoio a minha tia, eu não poderia jamais aceitar ter uma filha e no dia do seu casamento ser tratada como uma convidada. Mas minha prima alegou que a presença de sua mãe a deixava tensa e que ela ia encher o saco, querer tudo do seu jeito, até a cor do batom ela seria capaz de mandar a noiva mudar.

Hoje penso sinceramente, apesar de achar minha prima um ser execrável, que ela estava no seu direito. Era sua festa, seu casamento e não existe nenhum papel que obrigue a filha a aguentar a mãe durante os preparativos para a cerimonia. E conheci muitas noivas que teriam entrado na igreja mais tranquilas, se tivessem mantido a mãe longe.
Não adianta colocar panos quentes, existem mães que são impossíveis, um pesadelo para as filhas e capazes de estragar os preparativos de um casamento.

Mas existe um fato, mulheres somos massacradas nos rituais e convencidas da importância da presença de outras, apesar de não acharmos sempre que isso seja uma boa ideia.

Tive uma amiga que sofreu muito porque não queria convidar sua tia aos preparativos do casamento, tudo porque ela sentia que a tia era invejosa, tinha uma energia ruim. Foi tudo tão difícil que nada foi feito, minha amiga aguentou a tia zicando e não conseguiu dizer nada.

Em novelas as noivas estão cercadas de mulheres que a amam e desejam o melhor, na vida real todas sabemos que sempre tem gente torcendo para que a noiva caia e quebre o pescoço.

Minha prima tinha o direito de se arrumar em um banheiro de puteiro, caso quisesse, não era problema de ninguém, mas ela mexeu em uma estrutura social que determina que mulheres se arrumam, protegem, cuidam e  vivem todos os rituais juntas. Essa ideia tem levado muitas mulheres a se casarem engolindo sapos, a terem que aguentar pessoas que não gostam nos 
bastidores, apenas porque é regra social.

Também tive outra amiga que sofreu pela sogra, que se meteu em todas as decisões do casamento. No dia da cerimônia minha amiga estava tão irritada com tudo que não escondia de ninguém que rezava para que a festa acabasse logo.

E outra prima também foi atropelada pela sogra, que no fim da festa perguntou a noiva:

-Você gostou do casamento?

E minha prima na sua finura e  ''chiqueza'' respondeu:

-Que casamento? O seu? Porque eu não me casei, apenas compareci a sua festa, foi você que decidiu tudo.

Essas histórias são muito importantes para mim porque sou do tipo que teria engolido sapos para não causar problemas, nem constrangimentos. Eu teria aguentado a sogra metida, a tia macumbeira, a prima invejosa, as amigas estressadas, tudo isso para não quebrar o suposto ritual.

Agora entendo que não importa a estrutura social, se a mulher não está à vontade tem que chutar o pau da barraca mesmo, não pode se deixar afogar nesse mar de hipocrisias. E não importa se é o dia do casamento, a festa disso ou daquilo, todas nós temos direito de escolher quem vai ou não nos acompanhar. Não dá pra ficar nessa conversa de  ''não se faz desaforo para família''. Ah é? E quando o desaforo vem na nossa direção? Então pode?
É inacreditável pensar nisso, mas até  para uma simples festa temos que colocar nossos limites, porque senão o sistema atravessa sem perguntar. Se a gente não se impor o mundo continua nos tratando como se não existíssemos.

Iara De Dupont





2 comentários:

Patrícia disse...

Dá para viver numa boa sem Romeu, mas sem dinheiro não. Mulheres fugiriam de muitos deles se pudessem, mas ficam ao lado exatamente por não ter o tal dinheiro para sua independência muitas das vezes, já uma vez com o dinheiro, ninguém quer largar mais dele.
Acredito que ele só não compra paz de espírito, de resto, sou mais o dinheiro também.

Anônimo disse...

Passei por essa situação de fazer tudo que não queria pra agradar os outros, mas não num casamento foi na "minha" festa de 15 anos. Sempre detestei festas, quanto mais formal pior pra mim (porque quanto mais formal mas eu tenho que me arrumar, coisa que eu ODEIO). Tive que ter DUAS festas de 15 anos porque minha família materna e a paterna não conseguiam entrar em acordo e decidiram que uma noite só de tortura não era o suficiente. A da minha família materna foi pior, admito. Vestido chato, sapatos que massacraram meus pés, comida ruim. E o pior foi que quando eu reclamei, só faltaram me bater! Disseram que eu não devia ser ingrata, que fizeram aquilo tudo pensando em mim, pra me agradar. É mole? Passei um ano inteiro querendo convencer a velha guarda a desistir da festa, todos sabiam que eu detesto festas e ainda tem a cara de pau de dizer que fizeram uma pra me agradar! Mas confesso que esse é um dos poucos momentos dos quais eu sinto orgulho de mim mesma na vida, porque quando me disseram isso eu respondi que fizeram aquilo pra me agradar o cac*te, sabiam que eu detestava festas e fizeram uma pra agradar a eles mesmos, não a mim. Foi uma maravilha ver a velha guarda calar a boca e não dizer mais nada. E nunca mais sequer pensaram em me obrigar a fazer algo parecido. Se eu algum dia me casar, será do meu jeito: ir no cartório assinar os papéis e pronto. Qume não gostar dessa vez vai levar um fora dado com gosto, como devia ter sido desde o começo.

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