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11 novembro 2014

Finalmente posso dizer ''Brasil, o país da igualdade''


Quando era pequena lembro ter assistido um Globo Repórter sobre a seca. Eles fizeram o programa em uma cidade muito pequena, no meio do sertão e as pessoas estavam revoltadas porque o governo mandou a prefeitura uma ajuda, que incluía uma caixa de água e a perfuração de um poço artesiano, ou uma coisa assim, não lembro bem, mas o prefeito fez a obra em sua casa, colocou a caixa de água ali e o assunto foi encerrado. A cidade ficou revoltada, mas nada aconteceu.
E quantas pessoas deveriam viver naquela cidade? Não era mais de mil.

E hoje uma amiga veio me dizer que preciso aprender a ser positiva, ver o lado bom das coisas. Nunca me achei negativa, tenho  apenas a sensação de que descrevo a realidade, sem ser positiva ou negativa e diante dos fatos me parece que a versão mais próxima do que acontece é sempre a mais válida.

Lembrei dessa história da caixa de água e pensei que minha amiga tem razão, tenho sido muito negativa em relação ao Brasil, um país democrático, que funciona como a Suécia, só que ao contrário.
Descobri que existe igualdade no Brasil, era eu que não enxergava no meu ódio.

São Paulo é um dos principais pontos econômicos do país, centro financeiro, base da indústria e imigração. Mas não temos água devido à má administração do governo, as obras que nunca foram feitas, ao desperdício e ao dinheiro roubado e jogado na Bolsa de Valores dos Estados Unidos. 

Diante disso, uma cidade como São Paulo, foi tratada pelo governo como se fosse uma cidade do sertão de mil habitantes. E qual o nome disso? Igualdade. No Brasil somos todos iguais, largados pelo poder público, explorados pelo Estado e desrespeitados pelos governos.

Na Suécia as pessoas são iguais no lado bom da coisa, aqui no lado ruim.

Quem mora em São Paulo paga os impostos mais caros do mundo, mas para o governo não passamos de uma cidade de mil habitantes fazendo ''birra'' porque a única água potável decente está na casa do governador.

A crise é tão grande que a água do esgoto vai passar por outro tratamento e voltar às torneiras, outro gesto de igualdade. Não importa o nível social, a pessoa vai tomar banho com uma água estranha e fedorenta, aqui no Brasil ricos e pobres são iguais, áreas de seca e metrópole recebem o mesmo tratamento do poder público.

E por que a cidade mereceria privilégios? Não seria exatamente isso, mas não se pode administrar um lugar com vinte milhões de habitantes da mesma maneira que se administra uma cidade de quinhentos, mas no Brasil se faz isso,  o Estado não privilegia ninguém e dá a mesma surra em todos. É fácil roubar e tirar a água de quinhentas pessoas, mas de vinte milhões?

E não quero água para mim, quero para todos, já que o Brasil tem segunda maior reserva de água do mundo gostaria de ter minha parte, assim como as pessoas que moram em todas as regiões, todos pagamos impostos e somos donos desse recurso. Antes o Brasil era um país onde era fácil indentificar os lugares que estavam nas mãos dos governos corruptos, hoje no auge da democracia posso dizer que todos as prefeituras, de norte a sul, são corruptas. É a igualdade que chegou. 

Pode parecer que é mais fácil punir um prefeito corrupto que roubou a caixa de água da cidade do que um governo sinistro que desviou bilhões de dólares do saneamento básico, mas isso é negatividade da minha parte. Sou eu que estou revoltada pela falta de água e fico batendo o pé, porque ainda chega a mesma conta, do mesmo valor, mas a água não chega. Sei que eu preciso ser mais patriótica e me acostumar a esse novo Brasil da igualdade. O Estado está mostrando que não existem mais filhos favoritos.

Sempre falo que é um país democrático, aqui para não sofrer com a democracia tem que ser do grupo dos super-ricos, que vão de um lado ao outro de helicóptero, mas se for só rico mesmo vai se ferrar tanto como um pobre. Um grande exemplo é o trânsito, a pessoa pode estar em um carro importado e blindado, vai mofar lá dentro como as pessoas que estão no transporte público.

Já vi gente pagar fortunas em convênios médicos e na hora do vamos ver tem que jogar advogados para conseguir uma cirurgia, assim como quem usa o sistema público de saúde.

Não existe no momento um país mais democrático e igual que o Brasil, a crise da água mostrou que todos fomos abandonamos pelo poder público e não existe mais essa divisão de  ''vou pro sudeste fugir da seca''. Hoje o governo cumpriu sua promessa, fez do Brasil um país de todos (que se fodem), não existe mais divisão social nem por região.

Eu moro em São Paulo, uma cidade em desenvolvimento, com capital estrangeiro, não uma cidade perdida ignorada por todos, moro em um apartamento, mas diante de um sistema justo e igualitário, hoje de manhã fiz a mesma coisa que a moça que mora no sertão, naquela cidade largada até pelo seu prefeito,  desci umas escadas e perguntei para o porteiro ''a síndica liberou água hoje?''. E o porteiro respondeu  ''só até a uma da tarde''.

E falo água porque sou educada, mas não sei que é líquido é esse que sai da minha torneira, tenho medo até de perguntar.
Tive vontade de sentar na escada e chorar, mas lembrei que parte do meu sonho na vida era viver em uma sociedade justa e igual, não posso reclamar se Deus me deu o que tanto pedi. Hoje no Brasil somos todos iguais.

Iara De Dupont




Um comentário:

C.Belo disse...

Eu acho engraçado como as reportagens sobre este problema de seca em SP sempre fazem parecer que o problema é por causa da falta de chuvas APENAS, ou seja, o governador, tadinho, nada tem a ver com isso....é, mas vai lá ver de perto pra ver se ele tá tendo que tomar banho de balde????

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