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14 novembro 2014

É sério isso? Vamos de novo, Romeu e dinheiro não combinam


O blog da psicanalista Regina Navarro deveria se chamar  ''Histórias de terror''. Cada vez que passo por lá  meu primeiro pensamento é  ''mas é sério isso?''. Só acredito no que leio porque sei que os casos mencionados seguem o padrão de educação que a maioria das mulheres recebeu.

No caso dessa semana (link) uma moça contou que depois de se casar o marido pediu a ela que entregasse seu salário para que o administrasse e ela se arrependeu, porque nunca mais teve acesso ao próprio dinheiro, agora tem medo de pedir o dinheiro de volta. Me perguntei se casamento é ter ''medo'' de dizer ao parceiro que mudou de ideia, mas enfim, o assunto aqui é sobre o dinheiro.

Não sei se existe alguma mulher que não tenha sido educada dentro da ideia de que homens  ''sabem'' mais do que nós. Entregar o dinheiro não é um gesto de amor, nem confiança, é submissão, admitir que acredita na superioridade masculina, eles ''sabem'' administrar dinheiro e fazer as coisas, mulheres não.

Homens representam os sábios, os protetores, o que decidem a vida da mulher.
E já conheci mulher que não entregava o seu salário para o marido, mas não sabia comprar uma lâmpada sozinha, pra tudo precisava da figura do ''homem sábio''.

A gente só percebe o quanto acredita nessa ideia de que homens sabem tudo quando começa a viver de outro jeito.
Quando fui morar sozinha entendi como as coisas funcionavam. Eu sabia fazer um pouco de tudo, mas me vi obrigada a pedir ajuda em alguns casos, os homens ajudavam, mas sempre acompanhando um sermão discreto, que deixava bem claro que mulheres sempre precisam de homens. E vinha aquele tom de burla, de  ''você não sabe fazer isso?''.

E eu ainda pertenço aquela categoria de mulheres que se viram muito bem, aprendi com minha mãe, que cresceu cercada de homens inúteis e seguiu o melhor conselho que minha avó  deu ''se não sabe fazer, aprenda, não dependa de ninguém e nada neste mundo é construído por alienígenas, se uma pessoa construiu outra pode consertar''.

Sei arrumar quase tudo, só resisto na parte elétrica porque sou um pouco medrosa, mas de resto me viro.

E ainda existe outro aspecto mais assustador detrás dessa ideia de  ''homens sabem tudo''. 
Tenho uma amiga que se casou e ''finge'' não saber nada, qualquer coisa fala ''é mesmo mó?'' e ele fica lá, estufando o peito e acreditando que domina todos os assuntos. Mas a conheço e sei que seu cérebro é fora do normal, é mais inteligente que cem raposas. Um dia não resisti e perguntei  a ela porque fazia isso e com a cara mais lavada do mundo me  respondeu:

-É para ele se sentir útil, sabe aquela teoria de não minimizar os homens porque senão eles fogem?

Ah, é verdade, esqueci que além de tudo temos que manter a autoestima do homem em dia e fazer eles se sentirem muito bem, tão bem como o super- homem.

Não sei se a moça resolveu entregar seu salário ao marido pensando que 
seria melhor para o casal que apenas um administrasse ou fez isso para que ele não se sentisse inferior e pensasse que tem um papel definido no casamento. E olha que nem sabemos as consequências do gesto dela, ele pode estar gastando demais, administrando de menos, puxando empréstimos, torrando à toa, talvez fazendo coisas que ela nunca faria economicamente, isso sem contar aquela velha possibilidade dele estar pagando as flores para a amante com o dinheiro da esposa, mas isso é maldade minha, homens são bons.

Fico pensando quantos séculos eu ainda vou dizer a mesma coisa, dinheiro é dinheiro, homem é homem e não se mistura os dois nem por erro. Dividir a vida incluiu o dinheiro, mas para isso existe o planejamento, se somam os salários, anotam os gastos e cada um coloca sua parte, não é inteligente entregar tudo ao parceiro, apesar de que sou obrigada a reconhecer, conheço alguns casamentos onde o homem entrega seu salário a mulher, se não fosse isso o rapaz torraria o dinheiro no mesmo dia, não tem a capacidade de administrar, então prefere que a mulher o faça.

Gostaria que dinheiro fosse como um nervo, se alguém mexesse a dor nos avisaria.

Acho engraçado quando me dizem  ''ah, você é egoísta, casamento exige dividir tudo''. Será isso para os outros, para mim casamento é construção, é o que as pessoas constroem juntas, não o que dividem.

Muitas coisas mudaram na minha vida quando entendi a maior verdade de todas, o opressor não vai nos libertar, o machismo não vai abrir as portas da cadeia. Somos nós mulheres que temos que acordar para a vida e mudar a sociedade, porque os homens não vão fazer isso.

Claro que gosto de coisas fofas e preferiria a ajuda de um Romeu, seria mais cômodo, mas a liberdade não vai chegar pelas mãos dele. Não adianta nenhum avanço feminista se as mulheres continuam do lado do opressor, como no caso dessa moça. Ela trabalha porque esse direito foi conquistado, caso contrário seria uma escrava do lar, mas conseguiu quebrar a corda e se sustentar desde os quinze anos de idade. E o que fez assim que conquistou sua independência? Entregou sua liberdade ao inimigo, dá todo o seu dinheiro para o marido, voltou a ser escrava de homem.

E de que porra serve o feminismo se a mesma mulher volta caminhando para a senzala? Do que adianta tanto discurso, sofrimento, mulheres morrendo pela causa, se muitas fazem questão de voltar a cadeia de onde foram tiradas?
É burrice, carência?

E não aguento quando vem aquela penca de românticas me dizer que ''marido não é inimigo''.  Não? Quero ver me dizer isso em vinte anos. 

Marido pode não ser inimigo, mas não é amigo da causa, não vai renunciar ao seu conforto nem privilégios, tanto é assim que uma pesquisa (link) mostrou que homens fazem o serviço da casa de maneira errada, malfeito, para não ter que fazer de novo, sabem que a mulher percebe que não está bem feito e nunca mais vai pedir para eles fazerem. Mas isso não é comportamento de inimigo? Não, isso é coisa do neném, do benhê engraçadinho, parceiro, companheiro, do Romeu. Tá.

Gosto de homem, adoro conversar com eles, acho o sexo com o gênero masculino maravilhoso, são engraçados e valem a convivência, mas não valem meu dinheiro e não perco a noção de que luto para tirar deles uma coisa que eles não querem, seus privilégios, isso me transforma matematicamente em oposição. 

E não é guerra, nem nada parecido, é apenas uma tentativa de viver os relacionamentos com os olhos abertos, posso estar errada em tudo, assumo as consequências, mas até lá não dou um centavo do meu dinheiro para Romeu administrar, dinheiro é fonte de controle e essa chave de cadeia me recuso a entregar a eles, até por respeito as mulheres que morreram lutando para que eu fosse livre e pudesse ter e mandar no própio dinheiro.

Posso escorregar para dentro da cama do meu Romeu, dar muita risada, conversar por horas, assistir filmes, e em um gesto de boa vontade me levantar e preparar um mousse de chocolate. Mas no meu dinheiro ele não encosta. Essa liberdade conquistada eu vou manter até o fim.

Iara De Dupont

3 comentários:

Carla disse...

Olha, tbm fiquei boquiaberta com a historia do blog da Regina Navarro, mas como vc, sei que isso acontece.
Mas eu queria mesmo era comentar sobre a parte de "...se existe uma mulher que não tenha sido criada com a idéia de que os homens sabem mais do que nós..." Eu e minha irmã tivemos sorte com nosso pai: ele sempre fez questão de que fossemos independentes, e disse mais de uma vez que nós nunca deveríamos deixar um homem fazer a gente de gato e sapato. Dizia que o mundo era machista, mas que as filhas dele seriam melhores que isso...

Patrícia disse...

Fico boquiaberta porque tem gente que faz isso. Então eu levanto cedo todo dia mesmo querendo dormir até tarde, pego ônibus lotado, com gente suada e pisando no meu pé, sendo bolinada com a desculpa que o ônibus está lotado, aguento bronca de patrão, ser explorada no serviço, não ter tempo pra nada, viver cansada, e na hora de receber a recompensa por isso, entregar tudo na mão de marido! Quem trabalhou fui eu! Dá vontade de soltar um palavrão, enfiar a cabeça de quem faz isso na privada e puxar a descarga! Desculpa, mas certas coisas não dá para aturar. Nem consigo falar mais nada.

Anônimo disse...

Trabalhei em contabilidade por anos, se havia algo que eu sabia que naufragaria rápido e um negócio que o marido coloca em nome da mulher. " Quero registrar um restaurante em nome da minha esposa!" Uma oficina mecanica, um salao de beleza, uma construtora, seja o que for. Se o marido coloca no nome da esposa, não paga um imposto, atrasa com fornecedores, não se importa com burocracia ou fiscalização, porque quando tudo dá errado, o nome da mulher não vale nada mesmo, quem paga as contas são eles...Nunca confie num namorado ou marido que tem uma ideia genial de negocio e coloca em nome da mulher. Isso é planejado para que ele ganhe dinheiro e ela herde as dívidas!

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