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06 novembro 2014

É pra ser namorada ou macaca de auditório?



Fui a muitos casamentos na minha vida, mas não esqueço de um. Era de uma grande amiga, foi festa deslumbrante, parecia coisa de reis e rainhas.
Mas na igreja percebi uma coisa estranha, estavam os pais dela e os do noivo no altar em atitudes opostas. A família dela mantinha a cabeça abaixada, chorando discretamente, já a dele parecia que ia soltar fogos de artifício ali de tanta alegria.
E durante a festa reparei no mesmo comportamento,  a família dela de cara fechada e a dele curtindo horrores.

Desde o começo foi um namoro complicado. Não sei onde se conheceram, mas ele se apaixonou loucamente, perseguiu tanto que a moça acabou cedendo. Eu nunca a vi  realmente apaixonada, mas namoraram durante seis anos, depois desse tempo ela terminou, engatou outros namoros, mas no fim acabou voltando com ele e se casaram.
Ele era simpático, mas tinha fama de violento, eu trabalhei com ele e nunca vi  nada, só escutei os rumores.

No fim da festa de casamento fui me despedir da mãe da minha amiga, agradecer pelo convite e comentei que ela parecia muito  ''cansada'', mas a festa tinha sido tão espetacular que todo seu esforço tinha valido a pena e ela me respondeu:

-Não estou cansada, estou desanimada. Até o último momento rezei para que ela não se cassasse. Você a conhece, sabe que poderia achar alguma coisa melhor. Mas vou fazer o quê? Errei como mãe, se ela não tem autoestima deve ser minha culpa e se acha que a vida de alguém merece mais energia do que a dela, não posso fazer nada.

Eu ia responder alguma coisa, não sabia o que, mas estava pensando, quando a irmã da noiva se aproximou, puxou a mãe e disse:

-Vamos embora e esquecer que esse dia existiu.

Pensei que alguma coisa parecia fora de lugar na hora que vi a dança do casal, no começo da festa. Ela estava linda, parecia uma princesa com seu vestido maravilhoso, mas era muito para ele, não sei porque pensei que era mulher demais para o rapaz, não faziam um casal bonito, como se ela realmente fosse mais do que ele em algum aspecto que não sei explicar qual é.

Saindo dali me encontrei com a mãe do noivo, que também conhecia bem porque frequentei muito sua casa por questões de trabalho. A senhora estava tão feliz que dava vontade de cantar com ela. Fiz a mesma coisa que com a anterior, agradeci o convite e disse que a festa foi fora de série e ela respondeu:

-Mas não é? Economizei a vida inteira para que meus filhos pudessem se casar em festas assim. E estou tão feliz, ela é a melhor coisa que poderia ter acontecido a ele, senão fosse por esse encontro divino a vida dele teria sido outra!

Perguntei porque ela tinha dito isso e me respondeu:

-Ah, ele sempre foi rebelde, o caçula. Sofri demais para que terminasse os estudos, entrou na faculdade na base da chantagem, não terminava nada quando a conheceu. E olha, ela é uma moça reta, trabalhadora, o colocou em cintura sabe? Sem ela empurrando, incentivando, ele jamais teria terminado a faculdade, arranjado um emprego nem teria parado de beber. Antes dela era um moleque, hoje é um homem. É uma bênção quando aparece uma mulher para endireitar um homem.

Não sabia dessa parte da história, mas como convivi muito com o casal 
durante anos comecei a lembrar de muitos momentos em que ela não ia a compromissos com as amigas porque tinha que  ''estudar com fulano''. Sempre achei que era desculpa para ficar com ele. Ela sempre me impressionou por sua capacidade de trabalho e organização, trabalhei com ela em um grupo de teatro e ela fazia tudo, era incrivelmente talentosa e metódica. Mas lembro muito desses  ''buracos'' de ausência porque estava estudando com ele.

Levando em conta todo o tempo que perdeu ali, entendo sua mãe, deve ser frustrante ver a filha investir tanto tempo em um homem.
Mas a história dela é mais comum do que parece, faz parte da vida essa lenda urbana de que  ''mulheres endireitam os homens'', e quando não fazem isso é porque a mulher ''não tem competência''.

Já escutei uma vez que quando um homem é bem sucedido é porque fez um bom casamento com alguém que soube cuidar, incentivar e tirar o melhor dele. E não são coisas do passado, isso é mais presente do que parece.

Algumas vezes serve até para ofender. Lembro do casamento de um Romeu que deve ser até hoje meu Romeu intocável, o mais amado. Não queria ir ao casamento, nem a festa, mas ele insistiu tanto e nunca houve entre nós uma conversa franca, até hoje ele pensa que somos amigos, vai morrer sem saber que eu nunca deixei de gostar dele.

Eu estava parada em uma parte do salão observando os noivos dançarem quando o irmão dele se aproximou. Esse meu ex-cunhado sempre foi um enigma para mim, não sei o motivo, mas ele nunca gostou de mim, sempre me evitou e cansei de encontrar ele em lugares porque tínhamos amigos em comum, devido a mesma profissão. Ele sempre me tratou com uma indiferença fora do normal e nunca consegui quebrar o gelo, tentei de todas as maneiras, convidava ele para ir a jantares na minha casa, mas ele não ia.

Não falou comigo na igreja nem durante o jantar, mas de repente se aproximou e me perguntou o que eu estava achando, respondi que a festa estava linda e o casal parecia feliz.

-É, vai dar certo esse casamento, ela é bem diferente de você.

Naquele momento eu já estava sensível demais com a situação e na minha miopia emocional achava que a diferença era apenas física, ela era loira, magra e deslumbrante. Mas insisti em dizer uma coisa que sempre acreditei, desde que os vi juntos me pareceu um amor de outras vidas, outros mundos. 
Não conheci até hoje nenhum casal que me transmita esse amor, é uma visão linda ver os dois juntos, uma energia forte, dá para sentir o amor sincero que um tem pelo outro. Falei isso para meu ex-cunhado, aquele amor era coisa de vidas passadas e ele respondeu:

-Ah, bom que pensa assim. Você nunca foi boa influência para meu irmão, não teve mão de ferro com ele. Mas ela é firme, endireitou ele.

Disse a ele que eu tinha sido namorada, não educadora, não tenho nem diploma de pedagoga e ele continuou:

-Fala sério, você sabe que meu irmão é sem eira bem beira, é como meu pai, se não tiver uma mulher perto para segurar as rédeas cai na vida, bebida, drogas e mulheres. Você não era boa namorada porque é egocêntrica, só pensa em você, jamais se concentrou no namoro porque é uma egoísta.

Respondi que ele não conhecia o irmão, de temperamento inconstante e 
voluntarioso, que mandava todo mundo à merda e fazia o que queria.

-Todos os homens são assim ou você acha que algum quer se casar? É a mulher que dobra e o coloca nos trilhos.

Para o meu azar não foi a única vez que escutei isso. Passei anos com Romeus dizendo que eu não dava apoio suficiente, não incentivava, não empurrava para a frente. Mas nunca me vi como uma macaca de auditório disposta a aplaudir todas as gracinhas do Romeu.

Talvez meu ex-cunhado tenha razão, sou egocêntrica, autocentrada e egoísta, não me interessa empurrar nenhuma vida que não seja a minha e ainda me pergunto  ''como endireitar a vida de alguém se nem a minha consegui ainda?''.

Entendo meu ex-cunhado, seu irmão parecia mesmo caso perdido e a moça deu um jeito, mas não seria eu que faria isso, o que ela aguentou e driblou eu jamais teria capacidade de fazer.
E uma vez contei essa história a uma amiga e ela respondeu:

-Ah, mas alguns homens valem a pena, olha o caso desse Romeu, a mulher tem um casamento legal com um cara incrível como ele. Acredito que a mulher deve apoiar porque vai colher os resultados.

Mas apoiar não é a mesma coisa que  ''endireitar'' homem!

Meu pesadelo é que ainda muitas pensam assim, ontem mesmo escutei uma moça dizer que ''vai dar um jeito no namorado'' e fiquei gelada. Queria dizer a ela que uma boa maneira de viver é primeiro dando um ''jeito'' na nossa vida e no meio do caminho é possível encontrar alguém que também já deu um jeito em sua vida, então podem se apaixonar e curtir tudo, sem perder energia dando um jeito no outro.

E o mundo está na merda porque mulheres perdem tempo demais aplaudindo os homens e se esquecem de suas vidas, por isso vivem no silêncio e na escuridão. Nenhuma mulher nasceu para ser macaca de auditório de um homem e quem fizer isso que não se  esqueça que o tempo está correndo e aplaudir homem não tem recompensa, só solidão.



Iara De Dupont

3 comentários:

Anônimo disse...

Eu confesso: Eu aplaudi um homem! Recem separado, estava baixo astral, não se gostava, não se cuidava, tinha revolta no olhar e no coração. Eu conversei, eu o fiz ver que era bonito (e não era), que era jovem, poderia recomeçar. Elogiava os looks, sugeria outros, o convenci a voltar a estudar, a abrir uma empresa para ele...ele me deixou e se casou com quem nunca elogiou. Aprendi.

Anônimo disse...

Eu queria muito saber por que carvalhos ninguém ensina os homens a se cuidarem sozinhos. Sério, chega de ficar mimando homens. Eu com treze anos já tinha que preparar meu próprio café da manhã antes de ir pra escola, meu irmão ficou até os dezessete acordando e comendo besteiras até alguém acordar pra fazer o café dele. Eu vou tomar vacinas e marco consultas no médico sozinha, meu irmão com 24 anos não vai nem numa emergência, se tiver algum problema é minha mãe quem tem que marcar o médico. Hoje ele é bem menos dependente mas ainda assim não faz metade do que as irmãs fazem. Que tal simplesmente colocar os meninos na linha também? Se eles fossem cobrados como as meninas são, tenho certeza de que não precisariam de uma otária pra ir empurrando.

clarissa disse...

mas que bela bobagem te disse esse ex-cunhado, Iara!! pelamor... era só o que faltava ter que, além de tudo, "endireitar" o cara... minha sogra certa vez disse que eu não "cuidava" do meu marido... porfa... um homem de 30 e tantos anos, formado, que se cuide sozinho!! aff

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