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20 novembro 2014

É meu blog que incita o ódio? Ah, tá! Desculpa!


Desde criança escuto que mulheres são  ''loucas, imprevisíveis, agressivas e em caso de serem abandonadas ficam perigosas, nada no mundo é mais arriscado do que uma mulher procurando se vingar do amor que a deixou''.

Já passei dos trinta anos e nunca vi uma mulher levantando o dedo, nem batendo em um homem. Não conheço uma história de amigos, nem da família. Mas se for falar de homens batendo e ameaçando, então meu blog teria que ser atualizado a cada quinze minutos, de tantas que eu conheço.
Nunca vi uma das minhas primas, nem as mais temperamentais se meterem a brigar com um homem.

Só lembro de uma história de uma prima, que o namorado surtou, se apaixonou por outra e minha prima foi até a casa dele e fez um escândalo como toda a maluca faz.
Isso foi o que me contaram, mas a versão dela era outra. Eles iam se casar e puxaram alguns empréstimos para a festa, na época minha prima estava lutando para conseguir uma bolsa de estudos e não poderia ter o nome sujo, quando o rapaz cancelou o casamento ela pediu para resolver a questão dos empréstimos e o Romeu disse ''se vira'', então ela perdeu a cabeça, começou a gritar na casa dele e  na raiva jogou umas pedras. Mas Graças a Deus não atingiu a integridade do Romeu, coitadinho, esse se salvou.
Nunca vi nem ouvi nenhuma história de mulheres pegando facas de cozinha e colocando no pescoço dos seus Romeus.

E fiz um trabalho durante uma época em uma delegacia de mulheres no México, no qual eu tinha que sair a cada meia hora para vomitar, de tão mal que me sentia. Tenho emotofobia, (fobia a vomitar), é um processo terrível querer vomitar e não conseguir, mas diante de algumas histórias eu corria ao banheiro, de tão fortes que eram. Mas a delegada era muito gente boa e tinha um principio que nunca esqueci  ''mulheres têm que se defender''.

Lembro de um caso de uma  moça que estava cozinhando e o marido se aproximou, começou a discussão e colocou uma arma na cabeça dela. A delegada disse:

-Querida, da próxima vez vire a panela na cabeça dele! Você acha que panela de pressão se inventou para que?

Parece engraçado, mas no limite da violência, na linha que separa a vida da morte vale tudo para os homens, não para as mulheres.

E ontem lendo umas estatísticas apareceu que o Estado do México tem cinco mulheres mortas por dia ou desaparecidas, não parece um número fora do normal, mas são apenas as mulheres mortas pela guerra do tráfico. Sendo assim a polícia não sabe, não viu e nada muda. Os que mais podem ajudar nesses casos são os garis da cidade, porque são eles que acham os restos dos corpos, em alguns casos, e entregam a polícia.

O México tem poucos movimentos que trabalhem pelo reconhecimento do feminicídio, as autoridades mexicanas ainda dizem que em um país grande é normal o número de mortos ser alto. No momento o número de mulheres mortas no México é um dos maiores do planeta e morrem da maneira mais cruel, mas ninguém se importa e mulheres que conseguiram sobreviver e denunciaram, acabaram sendo mortas. São casos tão chocantes que fogem da compreensão humana, ainda porque apesar da guerra do tráfico estar dizimando a todos, os números de mulheres mortas é sete vezes superior ao de homens mortos pelos traficantes e pela polícia.

Ontem mesmo lia sobre um caso de uma menina de quinze anos que saiu de sua casa à tarde para ir a uma papelaria tirar cópias. Dias se passaram e não voltou, a família ficou desesperada e a polícia se limitava a dizer que a menina ''devia ter fugido com um namoradinho''.
Uma semana depois seu cadáver apareceu, coisa rara, mas não tiveram a decência de entregar a polícia, alguém jogou na porta da casa da família, o corpo nu, cheio de marcas de tortura, os olhos vendados e as mãos atadas. A polícia naquela sua eficiência latina levou mais de quatro horas para recolher e deixar no IML.
O caso não foi investigado porque recebeu outro carimbo da polícia  ''essas meninas que se metem com traficantes''.
A família procurou a imprensa, mas o nome da garota se soma a outros três mil nomes de mulheres mortas do mesmo modo.

E apesar de tudo ainda recebo emails e comentários aqui no meu blog dizendo que sou uma pessoa cheia de ódio e perigosa, já me disseram até que incito a violência contra o homem.
Dou risada, sei que mulheres que reagem são tratadas dessa maneira, qualquer mulher que não abaixar a cabeça para o patriarcado é  ''cheia de ódio no coração''.

Também reclamam de que menciono o uso de armas,  mas não são armas de fogo, podem ser facas, sou a favor da mulher se proteger , tudo isso irrita o patriarcado no seu limite. Acham que eles podem agredir, mas mulheres não podem se defender. Sei.
E ainda acredito que no dia que as mulheres começarem a reagir o mundo vai mudar, os homens vão recuar um pouco, não totalmente, mas vão.

Muita gente diz que isso seria um retrocesso, caminhar para trás, se mulheres começam a reagir de maneira violenta contra os homens, a sociedade viraria uma guerra e as coisas piorariam, mas temos que ser honestos, reagir pode ser a diferença entre a morte e a vida, não é reagir e sair atirando no meio de uma discussão, mas se o homem já avançou e pode matar, por que a mulher não pode se defender?

Enfim, são essas coisas que acontecem, os números mostram para qualquer um, delegacias são abertas e muitas têm ótimos profissionais lá dentro, é só ir e perguntar quantas  mulheres morrem por dia nas mãos de um homem e quantos  homens morrem nas mãos das mulheres. Também vale a visita ao IML, lá se pode saber em detalhes quantas mulheres são torturadas, estupradas e depois mortas por homens e quantos homens são torturados, estuprados e mortos pelas mulheres.

E podem rolar na lama e gritar que sou cheia de ódio, não muda nada porque tenho plena certeza que ódio é apenas reação a violência,  conheço a leitura social sobre mulheres que dizem ''chega''. Me chamar de ''sapatona cheia de ódio'' é apenas a confirmação da loucura do machismo.

Dizer que meu blog é cheio de ódio, que eu sou cheia de ódio e incito a violência contra os homens para mim é elogio, isso quer dizer que atingi um nervo do patriarcado e isso sempre tem seus méritos.

Canso de dizer, o mundo vai ter que dar mil voltas por segundo para que eu possa reconhecer os homens como os coitadinhos da história, as vitímas das mulheres malucas e os infelizes que apanham de suas esposas. Não sou eu que digo nada, são os números que mostram e não tenho ódio no coração, tenho muita tristeza, principalmente quando penso nas mães que abrem a porta e olham o corpo nu de sua filha jogado no chão, como se fosse um animal. E quem fez isso? Um homem. São os homens que matam as mulheres, não o contrário, está na hora de pelo menos o mundo assumir isso, são os homens os carrascos.



Iara De Dupont

4 comentários:

Patrícia disse...

Ficam indignados quando alguém reage, vai que todas resolvem escutar né...
Mas eu fico passada coma situação do México. Eu nunca fui nem conheço ninguém de lá, mas eu sinto uma grande atração por este país, e só de uns tempos para cá, depois que assisti "Cidade do Silêncio" que pesquisei à fundo. Gente o país está nas mãos dos bandidos da pior espécie. A polícia trabalha para os traficantes e os políticos também. Fiquei estarrecida com este caso recente daquelas dezenas de estudantes que sumiram e agora já sabem que foram todos mortos, parece que o prefeito da cidade está foragido né. Acho que junto com a faixa de Gaza, a fronteira entre o México e os EUA são um dos lugares mais sinistros, perigosos e violentos do mundo, principalmente para as mulheres. Fico triste pelo México...

Anônimo disse...

Esse caso da menina que foi tirar cópias aconteceu em Ciudad Juarez, a cidade que odeia as mulheres? Porque é exatamente o que acontece lá, as mulheres somem e aparecem torturadas e mortas. Eis um lugar pelo qual eu não vou chorar se jogarem uma bomba... e esses mimizentos que não podem ser contrariados dizem que reclamar da imaturidade e da criancice deles é semear ódio? Com todo o respeito, vão se jogar de cabeça do alto do Empire State em Nova Iorque. E só pra irritar mais esses mimados, eu já ando armada. Estudo artes e como brinde tenho que levar sempre comigo dois estiletes monstros, vou ter que comprar uma tesoura e ando mexendo com pirógrafo na aula, um instrumento que esquenta o suficiente pra derreter emborrachado e desenhar carimbos. E sou muito boa manejando todos esses instrumentos. E aí, manés, vão encarar?

Iara De Dupont disse...

Não, infelizmente esse caso da menina que foi tirar cópias aconteceu em Ecatepc, Estado do México, o grande problema agora é que todos os crimes cometidos que envolviam mulheres aconteciam no Estado de Guerrero, onde fica Acapulco e a fronteira, a Cidade Juárez, mas os traficantes estão se espalhando pelo México inteiro e agora invadiram o Estado do México, onde fica a Cidade do México, e as pessoas estão se mobilizando, é como se nós brasileiros tivessémos muita violencia na fronteira e de repente ela invadisse cidades como São Paulo e Rio, mais ainda do que já existe.

Anônimo disse...

Eu vou além, digo que defesa pessoal devia ser matéria de escola pras meninas. E todas a partir dos 15 anos deveriam sair armadas e saber onde atirar, não pra matar, mas par se defender...
Eu já sofri violência doméstica, e assim que me recuperei, fiz defesa pessoal, karatê e tirei porte de arma. Se ele vier atrás, mesmo com as inumeras ordens de restrição e BOs, eu atiro...será legítima defesa?

Bjo
Sam

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