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21 novembro 2014

Até pelo direito de sentir tenho que lutar?



Em alguns momentos quando encosto no machismo o cansaço me vence.
O feminismo me libertou, mas também tenho que ser honesta, ver o tamanho do estrago é uma coisa que às vezes deprime. Tantas situações passariam em branco, mas hoje com o conhecimento que tenho parece que machucam e irritam mais ainda.

Desde que meu pai morreu subi de peso, descontei na comida, nunca escondi que para mim comida é conforto, alívio e tem o mesmo efeito que para algumas pessoas deve ter o álcool e as drogas.
Não controlei o chocolate, comi à vontade e agora sabendo que o cacau vai acabar em 2015 como mais ainda.

Tive que ir no médico hoje e lá me pesaram, subi mais quilos do que tinha imaginado, mas essas coisas acontecem.
Quando vi o número pensei que já tinha passado por ele e poderia descer de novo, tudo bem, sem stress.

Mas estava colocando os sapatos quando me invadiu uma sensação de frustração que não posso explicar. São mais de trinta anos nesse calvário de sobe e desçe de balança, fiquei frustrada, triste, chateada e cansada de saber que vou ter que começar de novo uma coisa que fiz a vida inteira.
Não chorei histericamente, mas minhas lágrimas rolaram pelo  rosto, o médico se aproximou e disse:

-É tpm? Olha, você precisa fazer uma reposição hormonal, já passou dos trinta e cinco anos, isso pode te ajudar a diminuir a tpm.

Então lembrei naquele segundo que sou mulher e não tenho direito a me sentir frustrada em relação a nada, se estou chorando é porque estou de tpm (tensão-pré-menstrual).
Não tenho porque chorar por outro motivo, se sou mulher pertenço ao gênero que é feliz, apenas por existir e servir um homem. Se uma lágrima ca do caí meu rosto é porque não fiz ainda essa tal de reposição hormonal, mas sou para o mundo machista como um sub-genêro, sem sentimentos. Existem pessoas no planeta que garantem provar que animais não têm sentimentos, por que uma mulher teria?

Ontem conversava com uma ativista no México e a senti muito esperançosa de que as coisas melhorem para as mulheres, já que a pressão internacional está muito forte para acabar com o feminicídio por lá.

E isso cruzou minha mente, será que um dia vamos poder chegar a essa igualdade se ainda um homem, médico, pensa que se sua paciente sobe na balança e chora é culpa da tmp?

Falta tanta coisa ainda!  E ainda estamos amarrados por conceitos machistas e ideias misóginas, não é a primeira vez que eu escuto isso e não será a última.

Já vi homens surtarem por milhões de coisas, tem até aqueles que matam a mulher, mas nenhum desequilíbrio hormonal é mencionado, como se homens não tivessem hormônios poderosos que também causam estrago.

Pode parecer revolucionário  o que vou escrever, mas mulheres podem ficar tristes e frustradas e isso não tem nada a ver com a tpm, é uma ideia radical, eu sei, mas mulheres são seres humanos e estão a mercê de seus sentimentos como qualquer um. Às vezes estar diante de um problema que não conseguimos resolver nos frustra e isso causa o choro.

Eu quis virar para o médico e dizer tudo isso, mas fui invadida pelo tédio, cansaço e só pude dizer:

-É tmp sim.

Não gosto de acordar cedo e oito da manhã me pareceu muito cedo para convencer um homem que o patriarcado está errado, mulheres somos pessoas e por consequência sofremos por milhões de coisas, também carregamos na alma crises existenciais e dores emocionais.

Deixei o médico continuar pensando que mulheres são alegres, vivem na luz de saber que servem os homens e sua presença no planeta é apenas tolerada porque são úteis na cozinha e cama.

Eu podia ter lutado, dito mil coisas, mas tenho que reconhecer, às vezes o patriarcado me vence pelo cansaço. E para ele parecia tpm, mas era só frustração, tanto pelo peso quanto pelo machismo da pergunta.

Nenhuma mulher precisa dos sintomas da tmp, só o fato de viver apertadas nessa cultura machista faz com que todas sintam os nervos à flor da pele, porque machismo cansa qualquer uma.


Iara De Dupont





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