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25 outubro 2014

Poxa Padre Reginaldo Manzotti, assim fica difícil.....

PADRE MANZOTTI
PADRE  MANZOTTI


Estava dando uma olhada nos programas de televisão quando cheguei no programa do Padre Reginaldo Manzotti,  ''Sinais do Sagrado''.
Tenho uma profunda simpatia por esse padre, me parece sóbrio e percebi que gosta de contar histórias, tem um talento e carisma enorme, sabe entreter falando sobre santos e suas datas comemorativas. Também dá aconselhamentos, as pessoas mandam e-mails e ele responde no ar.

Não conheço ainda um país onde a figura do padre seja tão confusa como no Brasil, aqui eles parecem muito próximos da qualidade de  ''estrelas'' , cantam, dançam, vendem livros e cds e acabam criando um fanatismo além da conta, parecem deixar de lado a figura clássica do padre e se transformam em algo tão ''pop'' que às vezes é complicado de assimilar ou entender.

Assisti o programa do padre algumas vezes, me parece uma pessoa séria, mas não perco a noção de que ele trabalha para uma multinacional que não aceita minha presença.
Nas ocasiões que prestei atenção ao programa os três aconselhamentos que ele deu foram para mulheres que reclamavam nos e-mails sobre seus casamentos. Uma delas dizia se sentir uma ''prisioneira'', o marido era ciumento, não a deixava trabalhar, estudar nem visitar sua família. O padre respondeu que ela deveria rezar e tentar conversar com o marido, mas fez questão de reiterar, namoro e noivado servem para conhecer o outro, é necessário esse tempo para ver se podemos lidar com a outra parte. Jogou a culpa na ansiedade dos casais, que se casam logo, sem esperar o tempo revelar quem é cada um. Concordo com tudo que disse, essa pressa e loucura por casar sempre dá errado, não vale a pena surtar com essa ideia de sair casando. Mas ao final do aconselhamento ele disse  ''filha, agora já foi, se casou, casou''.

''Já foi'' coisa nenhuma! Para isso existe o divórcio, todos erram na vida e tem direito de começar de novo.

Entendo o ponto dele, sei que trabalha para uma corporação e o discurso deles é esse, o Vaticano é contra o divórcio e defendem a ideia do casamento eterno, como dizem  ''o que Deus uniu o homem não separa''.

Mas já começou um lento movimento no planeta de pessoas que começam a questionar as grandes empresas, desde as alimentícias até farmacêuticas. E o mesmo deveria acontecer com as igrejas, é mais do que hora de repensar tudo o que é jogado na nossa direção.

Há alguns séculos poderia ter lógica a pressão do Vaticano para as mulheres se manterem dentro do casamento, elas saiam da casa dos pais para se casar, não tinham instrução e caso se separassem acabariam morrendo de fome na rua, ignoradas e ofendidas por todos. Mas esses tempos já passaram em alguns países, inclusive no Brasil. Hoje a mulher não depende mais de um homem em nenhum aspecto, nem emocional, social ou econômico. Existem sim algumas que dependem do homem para sobreviver, mas hoje se pode encontrar ajuda e orientação.

Uma das grandes preocupações do machismo para frear a saída das mulheres do casamento foi espalhar que muitas não poderiam se sustentar e morreriam elas e os filhos passando necessidade. Mas isso é lenda, ninguém precisa de um diploma de medicina para sair de um matrimônio.

Tenho uma conhecida que me contou a história da sua mãe, casada com um homem infeliz que batia nas filhas, chegava bêbado em casa, arrancava a esposa da cama, estuprava e depois batia até cansar. A mulher achava que não poderia se separar porque não conhecia ninguém em São Paulo, tinha três filhas e não tinha concluído nem o ensino médio, com tudo isso nas costas ficou paralisada sem saber o que fazer, até que conheceu no posto de saúde uma moça que trabalhava para uma ONG (organização não governamental).

A moça se propôs a ajudar, mas a mulher lembrou que não sabia fazer nada e não poderia sustentar as filhas. E a moça da ONG deu uma resposta que ela nunca esqueceu  ''todo mundo sabe fazer alguma coisa''. Pensando nisso concluiu que sabia fazer cachecóis de tricô. Orientada pela ONG começou a fazer alguns e foi guardando. No inverno conseguiram uma vaga para ela em uma feira de artesanato, mas antes teve que sair de sua casa. Por segurança saiu com a roupa do corpo, à noite, com as três filhas, antes que o marido chegasse. Ficou umas semanas na casa da moça da ONG e depois alugou um quarto de pensão. Com o tempo foi se restabelecendo, aprendeu a fazer mais coisas além dos seus cachecóis, conseguiu o divórcio e uma medida restritiva que mantinha o ex-marido longe. Depois as filhas cresceram e compraram um apartamento. Foi um processo de vinte anos, mas a vida é assim, caso ela tivesse ficado em sua casa, presa ao seu marido hoje poderia estar morta. Na época do divórcio ela já tinha passado pelo menos quinze anos apanhando.

A posição da Igreja Católica nesse assunto é criminosa, porque dizer a uma mulher que  ''agora já foi''  é como entregar ela ao carrasco. A igreja não tem que assumir o papel do Estado, esse sim deve apoiar a decisão da mulher, mas jogar pilha no assunto  levantando uma possível condena divina por um divórcio é inaceitável, mais ainda em um mundo como o que vivemos, onde uma a cada três mulheres sofrem agressões do seu companheiro. 
Pergunto a Igreja Católica onde estão as provas que mostram a condena divina em caso de divórcio? Cadê o documento assinado por Jesus garantindo que todas as mulheres divorciadas vão queimar no inferno? Já estamos no século XXI, passou a época das teorias e supostas leituras, agora se é para condenar precisam mais do que ''interpretações de textos sagrados'', é necessário provar que Deus não aceita o divórcio.

Mulheres sofrem a mesma discriminação e perseguição pela igreja que os gays e o que pedimos é também a mesma coisa, não precisa gostar, mas tem que respeitar. No discurso retrógrado da Igreja Católica sobram condenas para a mulher que quiser se divorciar, mas para o homem que agride o silêncio o cobre e protege.

Tenho o maior respeito pelo trabalho do Padre Manzotti, gosto demais da figura, já li até um livro dele e sei que seu discurso não é pessoal, é apenas parte da cartilha medieval, arcaica e nebulosa da Igreja, mas ver o mundo continuar na mesma direção perseguindo as mulheres me assusta porque parece que não se cansam. Tudo sempre empurra o planeta a punir a mulher por existir, nem na igreja ela pode encontrar um pouco de paz.

Meu único consolo é ver que já chegou ao mundo uma nova geração que ignora tudo o que foi dito, não escutam nem os pais, quanto menos um discurso velho e falido de uma igreja sinistra.

Mulheres não são animais nem seres humanos de segunda categoria, dizer ''já foi'' para uma mulher presa a um casamento com um homem que demonstra um desequilíbrio mental não é a resposta adequada, nem se aproxima a nada celestial. O pouco que conheço de Jesus tenho certeza que ele jamais proibiria uma mulher de abandonar seu casamento, principalmente se fosse uma ''prisioneira''.

Se o Padre Manzotti conhecesse a realidade das mulheres saberia que poucas caem nas mãos de alguma maníaco desconhecido, a maioria morre nas mãos do marido, aquele que parecia ótima pessoa e apenas ciumento, mas começou a controlar tudo até o dia que pulou no pescoço da mulher e terminou com a linda história de amor dos dois . E o pior é que se o marido for  preso e pedir a visita de um padre, ele vai receber,  por mais inacreditável que possa parecer.

E digo isso novamente, não tenho nada contra o Padre Manzotti, gosto muito dele, mas é um funcionário de uma corporação que deve explicações ao mundo. Assim como quero saber como a Coca-Cola vai resolver o problema do excesso de açúcar e outras empresas vão resolver questões ligadas ao uso indiscriminado de corantes, aromatizantes e agrotóxicos, também quero saber sobre o futuro da Igreja Católica e suas mudanças, até onde vão ir com esse discurso de ''casou, casou'', mesmo que isso seja uma sentença de morte para a mulher.

Nesse hermetismo medieval a Igreja Católica perde o bonde, não percebe que as coisas são mutáveis e as pessoas não ficam no mesmo ponto a vida inteira e se não estão satisfeitas com as respostas que recebem se mexem e procuram em outro lugar.

Mesmo sendo uma católica enrustida só tenho duas preocupações em relação ao futuro da Igreja Católica,  a primeira é que aconteça o que acontecer preservem suas igrejas no mundo inteiro, porque são registros históricos de arquitetura e arte. E a segunda preocupação é que deixem as mulheres em paz, parem de usar o chicote ''espiritual'' na nossa direção, se dediquem aos seus santos e nos esqueçam. E se existe um Deus, como eles afirmam, se Deus é pai, tenho certeza que quer ver TODAS as suas filhas vivas.

 Iara De Dupont 

Um comentário:

Anônimo disse...

Sou católica mas não levo tudo que a igreja prega ao pé da letra. Fiquei injuriada quando há uns anos atrás, uma adolescente estuprada que tinha feito um aborto, foi excomungada da igreja, juntamente da sua mãe e do médico que fez o aborto. E o carinha que estuprou? Pra ele nada? Segundo o padre não, pois ele estava arrependido...Que se houver mesmo um julgamento divino, essa autoridade que promoveu a excomunhão, tenha um julgamento justo.

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