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02 outubro 2014

Por que pobre não usa maquiagem em novela?



Há uns cinco anos uma amiga me disse que meu cabelo estava seco e como eu não gostava de usar tintas nem de mudanças drásticas  me sugeriu comprar um xampu tonalizante, uma espécie de tinta leve que se coloca no cabelo como se fosse xampu.

Minha amiga tinha esse produto em casa e me deu. E ontem caminhando pela rua passei na frente de uma enorme farmácia e decidi comprar. A moça da loja me disse que não vendem mais, é difícil achar porque as brasileiras não gostaram do produto, ele dura pouco, resiste apenas a dez banhos e desbota logo a cor. Então a moça me sugeriu tentar uma tinta ou creme e me encaminhou a um corredor gigante. Fiquei ali parada sem saber para onde olhar. Achei tudo tão cansativo que resolvi ir embora. Eu só queria um xampu tonalizante, não ter que ler mil caixas de centenas de cores.

Não conheço nenhuma mulher no mundo que seja mais pressionada para se manter bonita do que a brasileira, tanto é assim que o Brasil já é o número um em consumo de produtos de beleza, apesar dos impostos e do monopólio, que impede a entrada de produtos variados aqui.

Me considero um peixe fora d’água e navego em outros mares, mesmo assim sinto a pressão. Houve uma época que fazia muitos testes e sempre existiu a pressão para manter a pele boa e o cabelo brilhante porque no vídeo isso aparece muito. Com o tempo fui desencanando, até porque percebi que pela minha alimentação eu conseguia naturalmente manter o cabelo brilhante e a pele saudável.

Passei pela fase de ter coleções e coleções de maquiagem, meu barato nem era usar, mas ter um monte ''caso'' eu quisesse usar. Eu achava divertido ter muitas coisas na gaveta, aquilo para mim era o máximo e só não tive mais porque os produtos eram caros. Mas com o tempo percebi que estragavam muito rápido e não valia a pena o que se gasta neles, depois percebi o fator ''químico'', tudo aquilo ali continha muitas substâncias ruins.

Existe uma parte divertida nas maquiagens e nos produtos para o cabelo, dá para brincar um pouco, mas é apenas isso.

Já a pressão que as brasileiras sofrem para se manterem lindas não tem nome. Vem de todos os lados e não tenho nada contra quem usa maquiagem, o que não gosto é que pareça estranho não usar.

Uma colega na faculdade uma vez disse uma coisa que no primeiro momento me pareceu inadequada, mas depois entendi. Estávamos em uma aula sobre televisão e sua influência, aquela velha história de até onde uma televisão reflete o pensamento da sociedade. A professora perguntou se repetíamos o que assistíamos e essa colega se levantou e disse:

-Eu não gosto de maquiagem porque ''meleca'' a cara, mas comecei a usar por culpa da televisão.

A professora quis saber o porquê daquilo e ela respondeu:

-Professora, a senhora já reparou que as únicas atrizes em novelas que não usam maquiagem sempre são os personagens pobres, doentes, velhos e sofridos? Poxa, só porque é pobre não pode passar um batom? Tem que ter a cara limpa? Eu uso maquiagem para não parecer pobre!

E novamente aparece aquela velha questão brasileira, até a maquiagem é uma coisa que determina o nível social da pessoa.
No mundo inteiro a maquiagem é vendida como promessa de uma juventude já perdida, um brilho diferente, mas aqui é incluído o fator social. Na televisão, essa única escola que 200 milhões de brasileiros têm acesso a maquiagem é colocada como uma coisa que diferencia a rica da pobre. É só ver qualquer novela, as pobres aparecem com o rosto sem cor, enquanto as ricas usam aqueles batons maravilhosos de cores exóticas, quase sempre importados.

Não uso maquiagem todos os dias, só de vez em quando, mas já cansei de escutar ''ah, vai dizer que não tem dinheiro para comprar um simples batom?''.  Uma vez resolvi comprar um protetor labial com cor, uma coisa bem simples e minha amiga surtou, começou a dizer '' mas que porra é essa? Você acha que tem onze anos para usar um protetor labial com cor? Acorda! Tem que usar um super batom, com uma cor bem na moda''

E não vivo no meio de vedetes, nem de mulheres que usam maquiagem até para dormir, mesmo assim sinto a pressão constante para manter um suposto padrão de beleza e ser uma consumidora fiel dos produtos cosméticos.  Gosto de usar rabo-de-cavalo porque é prático, mas sempre escutei  ''não pensa soltar esse cabelo nunca?''. Mas por que deveria soltar? Porque é o que aparece na propaganda e novela! Mulheres com rabo-de-cavalo só aparecem na televisão se estão fazendo faxina ou são uma personagem meio maluco, mas se for uma mocinha o cabelo sempre aparece solto e lindo.

Não digo a ninguém como deveriam se pentear ou se maquiar, mas esse direito parece que não se estende a mim. Evitar maquiagens ou produtos de cabelo me faz uma ''estranha'' para alguns. Tenho uma amiga que antes de se casar me disse discretamente  ''ah, pelo menos no meu casamento passa um pouco de maquiagem né?''.

A pressão é enorme e nos cerca por todos os lados, a única coisa que quero é o direito de fazer o que me parece melhor, de vez em quando vou me divertir usando maquiagem e soltando o cabelo e outras vezes vou preferir estar de cabelo preso e cara limpa. São as minhas opções, mas não tenho porque ser julgada por nenhuma delas.

E uma vez durante uma festa escutei um rapaz dizer que minha amiga usava maquiagem de ''vadia''. E da minha cara limpa disseram ''com certeza é lésbica''. Mas usar ou não maquiagem é problema da mulher, no caso da pessoa, porque muitos homens já usam. O que importa é preservar o direito de ser o que quiser e usar o que tiver vontade, longe dessa pressão horrorosa que massacra as mulheres e as obriga a viver de um jeito que nem todas querem.

Iara De Dupont





4 comentários:

Márcio Luís disse...

Que inveja de você, que consegue manter seu blog atualizado! :)

Fatima disse...

Ontem conversávamos no trabalho sobre essa vaidade, muitas vezes excessiva. Comentamos sobre o aniversário de Brigitte Bardot, nessa semana. Que bom foi ver uma foto dela, linda, idosa,cabelos naturais, pele com marcas do tempo, roupas simples, bengala. Envelhecendo com sabedoria, com maturidade! Vejo algumas " stars" brasileiras, tão esticadas que qdo dão um passo as orelhas se mexem, não param de sorrir porque a boca foi puxada até a nuca e a maquiagem parece massa corrida. A sensação que dá é que se molharem, vão derreter! Quero não ter medo do espelho, pois chega um momento que nem quilos da melhor maquiagem escondem o que o tempo faz.

Anônimo disse...

Detesto quando julgam uma mulher pela maquiagem. Se não usa, é desleixada, lésbica (como se uma coisa tivesse a ver com a outra), se usa, é fútil, piriguete e assim vai.

Pior são as revistas e posts de blogs na net que ditam a maquiagem, do tipo: mulher não pode sair de casa sem corretivo, máscara e blush. Ou, homem não gosta de tal tipo de maquiagem, por isso as mulheres devem evitar (batom escuro, por exemplo).

Para mim, maquiagem é prazer, expressão, diversão. Uso como e quando quero e quando não tô afim, tô sem tempo ou cansada, não uso. E que se dane.

Anônimo disse...

Fui pra uma festa de bodas de ouro num fim de semana. Fiz o cabelo, botei um pretinho básico e uma sapatilha elegante. Na cara? Nada. Nem batom. E mesmo assim pude entrar na festa. Que coisa, né? Essas mulheres rebeldes que não usam quilos de maquiagem, não fazem plásticas, não esvaziam a conta bancária pra ficar bonitas... como os pobres executivos vão pagar suas mansões, carrões, GPs de luxo e champanhes importados caréééésimos se essas mulheres não estiverem dispostas a pagar milhões em produtos de beleza que, se a gente for pensar bem, não servem pra nada mesmo?

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