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15 outubro 2014

O preço de ser feminista


TEM MUITO HOMEM LEGAL NESTE PLANETA (E LINDOS)


Quando comecei o blog algumas pessoas próximas a mim se mostraram preocupadas, me diziam que tudo  bem ser  ''feminista'', mas não precisava sair gritando isso, podia disfarçar. O problema é que aquilo foi dito na hora errada, eu já estava exausta de ''disfarçar'' o que sentia, pensava e queria.

Chega um ponto da vida que se precisa de talento para disfarçar quem somos e nunca tive esse talento.

Mas cada vez que escrevo sobre o comportamento de algumas mulheres e dos homens recebo e-mails preocupados de pessoas que dizem concordar com o que escrevi, mas se eu continuar pensando assim não ficarei sozinha?

Não vejo maldade nesse conselho, entendo a preocupação, mas isso apenas perpetua aquela ideia de coagir as mulheres que se posicionam na vida. Antes diziam que a mulher tinha que chegar virgem ao casamento, caso contrário morreria solteira, depois que era preciso manter a beleza para atrair os pretendentes e hoje que não seja ''tão feminista'', senão os homens fogem.

Tive como muitas mulheres fases de Julieta, acreditava em encontrar alguém e me apaixonar. Minha sorte foi que por instinto sempre soube que a vida era mais do que isso e comecei no teatro muito nova, menos de dezoito anos, ali percebi que era uma pessoa, não uma mulher pensando no Romeu. E via atrizes, produtoras e diretoras trabalhando, isso me permitiu ver o tamanho do mundo real e não me condenar a uma esfera doméstica.

Eu não tinha claro naquela época o que era realmente o feminismo, só fui mergulhar no assunto anos depois e foi o momento certo. Eu vinha saindo de uma relação tóxica, doentia e abusiva, tive o espaço que precisei para estudar sem ficar pensando se  o ''feminismo'' afasta os homens, naquele ponto queria distância deles. 

Em algum momento tive uma margem de dúvida, eram muitas pessoas me dizendo que meu comportamento era chato e irreal, mas isso aconteceu porque o tom das minhas discussões mudou, antes eu não sabia me posicionar, depois aprendi e essa mudança gerou reações. Antes se eu discutia com um ator a coisa morria ali, não passava disso, mas depois pelo meu posicionamento político e minha zero tolerância com o machismo comecei escutar nas discussões o seguinte argumento  ''por isso está sozinha, porque é um porre de mulher''.

Minha vida pessoal entrou na roda,  coisa que nunca tinha estado e para me ofender começaram a usar o argumento de que nenhum  ''homem'' me aguentava.

Durante alguns segundos duvidei de tudo, pensei que talvez essas pessoas tivessem razão e o preço de ser feminista seria ficar solteira. Mas com o tempo essa sensação passou, até porque eu não estava ainda preparada para entrar em outro relacionamento.

Não sofri mais porque tive muita convivência com pessoas de outros países e sempre soube que existiam no mundo homens que não eram machistas, mas entendo as mulheres que sofrem pelas suas escolhas políticas ao mesmo tempo em que são  ''apertadas'' pelas suas famílias para resolver sua vida pessoal.

Entendo a preocupação de algumas pessoas em relação a minha vida íntima, mas eu sempre disse que estava  ''solteira'', nunca disse ''sozinha''e que se preocupem com se tenho ou não namorado mostra o machismo da situação, caso eu  fosse lésbica não diriam nada, pensariam que é mais fácil achar uma mulher feminista e namorar do que um homem que aceite uma feminista.
É natural quando vamos para um lado desconhecido passar por um período de adaptação, mas pude fazer isso com calma e depois as coisas se ajeitaram.

Sei de que longe não parece assim,  pessoas pensam que feministas estão condenadas a morrer sem namorar com ninguém, mas não é assim.

Eu apenas tive que mudar um ponto e foi o melhor de todos, antes namorava machistas porque me pareciam normais, achava que todos eram assim. Hoje namoro homens que como eu tentam se livrar do ranço machista, esse foi um ponto em comum que encontrei com eles, eu não acordei feminista, ainda estou me construindo, por isso conheço e entendo quem passa pelo mesmo processo e posso garantir que existem muitos homens que tentam todos os dias melhorar e se livrar dessa má educação, percebem como isso é limitante. Me reeducar faz parte da minha vida e muitas vezes tem sido um processo divertido e prazeroso por estar ao lado de alguém que também tenta a mesma coisa. Já conheci homens incríveis que me ensinaram muitas coisas e também se permitiram aprender outras comigo, foi uma troca que enriqueceu os dois.

A dúvida sobre os namoros persiste para muitas, recebo e-mails de mulheres jovens e não tão jovens com a mesma angústia, se identificam com a causa feminista, mas escutam que ela  ''espanta homens''.

A única coisa que o feminismo espanta é a ignorância. É melhor ser uma feminista sozinha do que uma mulher casada com um machista agressivo.

Mas estar com alguém não tem nada a ver com escolhas políticas, são encontros que acontecem na vida. Eu não poderia hoje sair com um machista, mas há anos não saio com fumantes, porque eu não fumo, nem bebo, então são duas coisas que descarto na hora e todos fazem isso. Já fui descartada por um namorado porque ele comia carne e não queria namorar uma vegetariana, é a lei dos relacionamentos, vamos procurando pessoas que tenham a ver com nós.

E cada um sabe de sua vida, mas meus períodos de maior solidão foram aqueles que estava mergulhada na ignorância e sofrendo em relacionamentos abusivos. Hoje graças ao feminismo posso encontrar a leveza em uma relação, o humor e apreciar a companhia masculina sem ter medo, coisa que algum dia já tive.

O feminismo afastou da minha vida homens machistas, estúpidos e agressivos, por isso digo a quem se preocupa com meu futuro amoroso, nunca estive tão bem. Sei quem sou e os erros cometidos, não me nego a brincar de Julieta de vez em quando, mas essa não será minha história, apenas uma página dela.

Escuto muito que estar  ''sozinha'' é o preço que pago por ser feminista, mas não acredito nisso. Não tenho problema nenhum com homens que se afastam de mim dizendo que sou ''feminista'', pelo contrário, agradeço a eles o favor. O único preço que pago é o de ser mulher em um mundo misógino. E na hora de fazer as contas me pergunto, que mulher não paga o preço de existir em um planeta machista? Se eu pago por ser feminista, a moça que está casada e sofre com seu marido também paga um preço. Mesmo assim continuo dizendo que se paguei um preço na vida e alto, foi por ter sido ignorante, por não conhecer meus direitos e por me submeter a um homem. Ser feminista não faz nenhuma mulher pagar um preço, pelo contrário, diria que compra sua liberdade e eu comprei a minha.

Iara De Dupont

7 comentários:

Anônimo disse...

Três anos após o fim da saga Crepúsculo, parece que Kristen Stewart se tornou uma nova mulher.

Em entrevista ao The Daily Beast, a atriz contou sua opinião sobre o feminismo e o que acha das atrizes serem contra serem rotuladas como feministas:

- Isso é uma coisa tão estranho que pareça, não é? Tipo, o que você quer dizer? Você não acredita na igualdade para homens e mulheres? Eu acho que é uma resposta a tipos excessivamente agressivos. Há um monte de mulheres que se sentem perseguidas sobre isso, e eu às vezes eu digo: Honestamente, apenas relaxe, porque agora você está indo nas outras direções. As vezes a voz mais alta no quarto não é necessariamente o que você deve ouvir. Pense no que você diz e apenas diga mas não grite na cara das pessoas, porque então você as faz desacreditar daquilo que diz. Mas em todo caso, é realmente ridiculo você dizer que não é feminista

Matéria do " estrelando " no R7.com

Qual a sua opinião?

Elisane disse...

Entendo cada palavra sua Iara. Desde muito cedo passei a sofrer por não me encaixar no padrão que esperam de uma mulher. Minha tentativa de casamento foi um desastre, pois me cobravam que eu cozinhasse e fizesse os afazeres domésticos. E eu nunca consegui entender porque tinha que cozinhar para o marido. Com o fim do relacionamento entendi com pesquisas e leituras que sempre tive um posicionamento que é considerado feminista desde minha adolescência, quando minha mãe e irmã me mandavam depilar as pernas para ficar bonita e eu odiava, porque não aceitava o fato de querer ficar bonita, simplesmente. Hoje trabalho em um escritório de advocacia com dois homens, e a área do direito ainda é muito machista e apesar de ter as mesmas qualificações que eles, me sinto e sou tratada de forma inferior, infelizmente. Por isso já pedi desligamento da empresa porque é mais fácil virar as costas do que mudar uma mente machista.

Carol disse...

Exatamente. Se um homem se afasta de você por ser feminista, que ótimo! Esse homem não queremos mesmo.

Tadeu Diniz disse...

Iara, nesse mundo de homens machistas, as mulheres são as que mais sofrem com o casamento e ainda sim preferem casar com um idiota do que ficar solteira. Nunca vou entender, sou homem, hoje muito menos machista que antes e como você disse é muito difícil se limpar dessa educação arcaica. As pessoas não enfrentam as coisas muito mais por preguiça que por medo. Então quem não quer lutar, me desculpe, tem que se lascar. Você tá lutando, então tá melhorando sua condição, se livrando de idiotas. Duvido muito que existam homens feministas, duvido mesmo. Mas com certeza tem muitos querendo mudar e seguir novos caminhos. Mulheres, não sejam acoadas, imponham-se e sejam líderes desse planeta, pois ele está essa merda desde o princípio porque é governado por homens.

Anônimo disse...

Pare de se iludir com essa história de que você está pagando um "preço" por ser feminista. Feministas podem ser adoráveis. Você repele os homens por outros motivos. Os seus problemas são o subemprego, o irrealismo econômico, o direcionamento pessoal para conflitos familiares e o desejo autoritário de ser protegida e servida. Nessas condições, se você fosse machista, magra e carnívora os homens também não iriam suportá-la do mesmo jeito.

Iara De Dupont disse...

Anônimo, vou ser bem direta com sua pessoa. Na hora que você entra aqui no meu blog anonimamente você já perde a moral. Acho muito fácil entrar em blog alheio e ficar falando horrores para quem escreve e não se identificar. Mas poxa, no meu trabalho vão ficar chateados quando souberem que você chamou de subemprego o que fazemos..... E olha, recebo comentários como os teus e considero como cartas de amor reprimido, isso para mim é paixão..

Gostei dessa parte de ''direcionamento pessoal para conflitos familires''. Se voce tem tanta noção de ''direcionamento'' me faça um favor, aprenda a direcionar sua barra de endereços e não apareça mais por aqui.

Iara De Dupont disse...

Anônimo 1, me desculpe, achei que já tinha respondido. Eu não vi a entrevista da Kristen, mas entendo seu ponto de vista, deve ser difícil para ela se colocar de maneira clara em uma indústria tão machista. Os americanos são ótimos para consumir, mas também tem pouca tolerância a mulheres que se assumem feministas, é natural ver entrevistas de mulheres famosas disfarçando para não serem ''identificadas'' como feministas. E concordo com Kristen, voce não precisa gritar tua posição política, mas o feminismo é tão perseguido no mundo que qualquer coisa dita parece um grito......

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