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12 outubro 2014

Não é culpa do homem se a mulher é burra....



Desde pequena sempre vi a mesma coisa, mulheres correndo de um lado a outro e os homens descansando. Me diziam que eles precisavam relaxar da vida estressante que levavam.

Não posso chegar aqui e falar mal deles, em muitos casos vejo que a mulher também pensa assim e acredita que só por ser mulher nunca se cansa, nem precisa de um tempo, só os homens podem relaxar.

Tenho uma vizinha que ilustra bem isso. Ela é casada, com três filhos, e desde que moro no prédio a vejo sempre correndo, carregando crianças, bolsas e lancheiras.

Como desço e subo escadas para fazer exercício acabei reparando na sua rotina, porque passo pelo seu andar. Ela trabalha de segunda à sábado e todos os domingos faz uma faxina em sua casa. Nunca a vi arrumada, encarnou aquele papel de  ''mãe'' no sentido negativo da palavra e sempre está com o cabelo preso, a mesma roupa e com o rosto cansado. Apesar do bairro ser cheio de salões de beleza jamais a vi em nenhum deles. Parece que foi abduzida pela sua vida doméstica e não voltou.

Já o seu marido é a alegria em pessoa, sempre dando risadas, cumprimentando os vizinhos, talvez fruto de uma rotina mais tranquila. 

Todos os dias ele sai para trabalhar e na volta se reúne com seus amigos no bar, fica horas ali conversando. No mesmo horário já me encontrei com a vizinha no supermercado, correndo para comprar coisas, e fazer o jantar. Não importa o dia, o marido sempre está de conversa e relaxando no bar com seus amigos, já ela não tem tempo de conversar nem com seus filhos.

Fiquei pensando na questão econômica, os dois trabalham e devem dividir as contas, mas ele ''trabalha'', ela ''rala''. Porque para ele o dia acaba lá pelas seis da tarde, para ela nunca, como se fosse uma prisioneira em um campo de trabalho escravo, chegando em casa tem que lavar, passar e cuidar as crianças.

E pensei no dinheiro, se ele vai ao bar todos os dias e gasta em média cinco reais, não sei, é apenas uma suposição, isso significa trinta e cinco reais por semana, cento e quarenta reais por mês. Pode parecer pouco, mas é como aquela minha outra teoria, o dinheiro mostra o caminho da exploração. Me pergunto se ela tem cento e quarenta reais por mês para gastar no que quiser.

Muitas mulheres ficam tímidas em relação ao dinheiro porque cresceram escutando que ''mulher gasta tudo'', ''mulher só pensa em comprar bobagem'', ''mulher não pode ver sapato e bolsa que vai comprando''. Já vi mulheres tão constrangidas em relação ao dinheiro que entregam ao marido para que ele administre e também vi mulheres que trabalham e escutam o marido dizer ''se eu não controlar o dinheiro dela gasta tudo em coisa inútil''.

Mas essas frases sempre são ditas pelo lado que gasta mais, ou seja, os homens. Quando escuto um homem reclamando do dinheiro que a mulher gasta, que ela ganhou com seu trabalho, já sei que é ele que tem as mãos furadas e gasta tudo.

Institutos ligados a economia no mundo inteiro têm feito pesquisas e o resultado é sempre o mesmo, a mulher investe todo seu dinheiro na casa e na família, é mito dizer que gasta em sapatos ou bolsas, nem em esferas altas a mulher joga tudo o que ganha em artigos de luxo.

E sempre que vejo o marido da minha vizinha, fico pensando se ela já fez as contas e viu que além de ficar em casa fazendo faxina grátis, ainda perde cento e quarenta reais por mês, com isso dava para garantir uma diarista pelo menos uma vez por mês.

O homem nem sempre tem culpa, às vezes a mulher é frouxa e burra, como minha vizinha.

O ser humano tem o mecanismo de exploração ligado o tempo inteiro, sempre vai explorar alguma coisa, não é questão de gênero, mas as mulheres têm que estar atentas porque têm sido as mais exploradas.

Não culpo meu vizinho, se eu fosse casada com um homem que limpasse a casa, fizesse o jantar e não reclamasse da minha mania de ficar no bar jogando conversa fora, ora, eu não diria nada! Ia gostar de ter minha roupa limpa, a comida pronta e as crianças arrumadas.

A história da minha vizinha é igual a milhões, enquanto a mulher permitir vai ser explorada sem dó, o marido nunca vai se desculpar pelo que gastou no bar e a faxina que nunca fez, é a mulher que tem que parar o trem.

As contas sempre mostram a realidade, tenho certeza que como casal eles devem fazer o orçamento da casa juntos, então minha vizinha deveria se perguntar qual o destino dos cento e cinquenta reais. Se percebesse isso poderia ver como é explorada economicamente e abusada emocionalmente. Entenderia que está trabalhando pelo  ''bem da família'', mas só seu marido parece disfrutar a viagem. Perceberia que ela também merece seu descanso e gastar em coisas inúteis, por que não? Só homem pode relaxar?

E um amigo sempre me diz:

-Os homens só fazem merda porque vocês, mulheres, apoiam e os protegem.

Dessa vez, odeio dizer isso, concordo com ele.


Iara De Dupont



4 comentários:

Anônimo disse...

O pior é que geralmente são as mães quem criam meninos folgados e acomodados. Na minha casa, por exemplo, eu tinha que ajudar minha mãe a lavar louça, limpar a casa, etc. Meus irmãos? Não mexiam um dedo, por mais que eu reclamasse da injustiça.
Hoje sou casada, e meus irmãos continuam solteiros e morando com minha mãe. Ela tem uma diarista uma vez por semana, mas continua lavando e passando a roupa dos marmanjos (os dois já passaram dos trinta), fazendo comidinha pra eles, etc. Meus irmãos são muito acomodados pra casar, mas se isso acontecer algum dia, espero que encontrem mulheres que os coloquem na linha.
Se eu tivesse um filho homem, eu o ensinaria desde pequeno a fazer coisas dentro de casa, como arrumar o quarto, cozinhar, etc. Pra qdo ele crescesse, não explorasse a mulher dele.
Estou desempregada e cuido da casa, mas fiz meu marido comprar lava-louça e outros itens que facilitam minha vida. E assim que conseguir um emprego, arrumo uma diarista. Não nasci pra ser amélia!

Patrícia disse...

Seu amigo está completamente certo, concordo com ele em gênero, número e grau!
A culpa não é do cara, como diz aquele ditado, enquanto tiver dragão São Jorge não anda a pé (acho que é isso mesmo rs)! São milhões de mulheres vivendo assim realmente, e eu felizmente dou graças por não fazer parte disso. E cinco reais? Só para sentar na cadeira do bar pode ter certeza que ele gasta bem mais.
Deus que me livre!

Anônimo disse...

Entrei hoje no seu blog, através de um outro (Escreva Lola Escreva) e simplesmente amei a postagem de hoje!!!! Sou casada, mãe de dois filhos (17 e 11 anos), professora em duas escolas e há 18 anos "contribuo" com aproximadamente 75% da renda familiar!!! Há alguns anos eu era "essa burra" do início da postagem, mas acordei a tempo, e meus maiores gastos hoje são comigo e com meus dois filhos!!!! Acordem mulheres, alguns homens só querem mesmo é "encostar" em uma mulher forte, como nós!!!!

Suzana Neves disse...

Eu ia deixar a Amélia com vergonha sou má dona de casa assumida e mesmo assim sou cheia de coisas para fazer, como casei no regime do machismo certas coisas não conseguir mudar mas a renda toda dele provém a casa porque não tem condição.
Para melhorar minha 'sorte' meus negócios não vem dando certo.
Mas sem hora feliz pra ele.

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