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01 outubro 2014

Levy Fidelix: qual é o nosso limite de tolerância com a classe política?

LEVY FIDELIX




Sempre me posicionei contra a monarquia, talvez pelo trauma de ver as consequências dela em uma sociedade. O Brasil colocou sua monarquia para correr há séculos, mas ainda continua preso a mentalidade de  ''corte'', ainda somos tratados pelo poder como se fôssemos escravos obrigados a pagar altos impostos para manter os luxos de uma corte insana.

Em algum momento escrevi sobre a Casa Real Espanhola, me surpreendia de ver como os espanhóis são um povo politizado e ainda aceitam manter uma monarquia. Recebi um e-mail de um professor espanhol radicado aqui no Brasil me explicando que a Espanha é um país dividido por muitas questões internas mal resolvidas, prova disso é a luta da Catalunha para ser independente da Espanha. O professor me explicou que a figura do ''rei'' une o país, o transforma em uma nação mesmo que a nível inconsciente, as pessoas entendem que existe uma figura que representa o interesse de todos, sem o ''rei'' a Espanha poderia entrar em uma guerra civil pela separação de Catalunha.

Seria maravilhoso dizer que todos nós pensamos sozinhos e não precisamos de figuras que nos representem como se fôssemos crianças, mas na verdade somos manipulados e ainda estamos longe da consciência necessária para agir sozinhos.

No último debate dos candidatos a presidência do Brasil, um deles, Levy Fidelix fez um discurso homofobico, cheio de ódio, palavras pesadas e encerrou dizendo ''Então, gente, vamos ter coragem somos maioria. Vamos enfrentar essa minoria (gays)''.

Em si Levy é tão insignificante que não mereceria nem um comentário a respeito, mas o fato de ser candidato a presidente de um dos maiores países do mundo mudou a questão. A fala dele rodou o planeta inteiro e eu me pergunto como brasileira até onde vai a nossa tolerância com tanta ignorância.

As jequices que acontecem aqui dentro me incomodam, mas quando saem e são vistas lá fora me deixam constrangida. Saber que temos um candidato que incita o ódio, mesmo sem a menor chance de ganhar e com uma figura patética, concorrendo mostra como somos mentalmente miseráveis e como estamos descendo cada vez mais na escala ética, nossos candidatos não são apenas um bando de corruptos, mas agora também existem os pequenos Hitlers.

O discurso dele é o caminho contrário a luta da humanidade. Existe um desejo real em  ''unificar'' os direitos para proteger a todos e Levy vai a contra mão. Existem pessoas morrendo para acabar com esse conceito de ''minorias'' e deixar claro que todos somos iguais, leis são modificadas e grupos lutam para melhorar a vida de muitas ''minorias'', enquanto isso Levy vai e diz que ''temos que acabar com eles''.

Grupos de defesas dos direitos dos gays vão processar e com certeza vão ganhar,  o discurso dele foi criminoso e pode ser considerado incitação ao ódio, se ele tivesse tido mais um minuto para continuar seu discurso com certeza diria a sociedade como planeja sumir com as minorias, talvez instale câmeras de gás pelo país inteiro.

Me chamou muito a atenção quando ele disse  ''somos maioria, vamos contra a minoria''.
Fico pensando, que tipo de ser humano diz isso?  O mundo está uma situação crítica e ainda existe alguém que diz  ''vamos contra a minoria?''.  Entendo todos os grupos LGBT que se sentiram ofendidos, mas como mulher me sinto incluída na palavra ''minoria'', tenho certeza que se Levy não tivesse atacado os gays teria ido na direção das mulheres, negros e religiosos.

Vejo essas imagens de radicais cortando o pescoço de jornalistas no meio de uma eterna guerra no Oriente e sempre aparece esse discurso  de ''maiorias que vão contra as minorias'' e todas as consequências disso.
Toda a violência no planeta usa a bandeira de perseguir as minorias, o mundo está explodindo porque a ''maioria'' se acha no direito de  pisar os calcanhares das  ''minorias''.
É uma tristeza ver que um candidato a presidência é capaz de incitar a perseguição a minorias, é exatamente o mesmo discurso usado por Hitler.
Fico sem acreditar que exista ainda no mundo uma pessoa  capaz de dizer que  ''vamos ter coragem de enfrentar a minoria''.

Como cidadã tenho sido obrigada a tolerar a corrupção, o desvio de dinheiro, as obras não concluídas, a ausência de Estado, mas tolerar um candidato desumano, incapaz de perceber o horror que disse cruza meu limite de entendimento, me pergunto onde estão as regras do jogo, o que ele disse deveria ter o afastado na mesma hora do debate e da candidatura. 

Existem coisas que não devem ser toleradas nem por erro e pessoas se posicionando contra as minorias é uma delas, principalmente na vida pública. Se Levy quer brincar de mini-Hitler que faça isso tentando se eleger como síndico do seu prédio, mas não deveria ser permitido que estivesse na política.

O Brasil ainda lida com candidatos sem preparo, analfabetos, ambiciosos e sem planos, mas ter que lidar com desumanos incitando o ódio é uma coisa que vai contra a Constituição e todo o movimento da humanidade. Não podemos como país ter uma figura perseguindo as minorias, qualquer líder político precisa ''unificar'' os direitos, não fragmentar mais ainda.

E não se pode ver o discurso de Levy apenas contra os gays, quem carrega o ódio contra uma minoria vai em cima de todas, é apenas questão de tempo. O discurso dele  me envergonhou como brasileira, ver isso impresso no mundo inteiro me deixou constrangida, porque Levy representa uma ''minoria'' de brancos, odiosos, racistas, machistas e homofóbicos, mas a maioria de nós brasileiros não somos assim e o gesto dele desmoraliza o país, uma nação que aceita a candidatura de um político asqueroso querendo copiar a Hitler é uma nação que abriu as portas para o ódio. E sei, até porque sou brasileira, que não somos assim, o ódio nunca fez parte desta nação.


Iara De Dupont



6 comentários:

C.Belo disse...

De fato, o que me deixou mais abismada nisso tudo não foram nem somente as asneiras que ele falou, e sim o fato de NINGUÉM ali ter impedido ele de continuar falando. Ele deveria ter a candidatura cassada, ter o direito de exercer qualquer função política cassada para sempre, nem sequer participar de mais nenhum debate. A tolerância com a qual ele está sendo tratado demonstra o quanto o país ainda tem de evoluir em diversas questões. E mais: afinal, qual o conceito de "minoria" na cabeça desse jumento???? Pq vamos lá: mulheres, negros, pobres, gays, umbandistas, etc....essa minoria hein, sei não....acho que minoria no Brasil são os brancos ricos e heteros, isso sim!

Anônimo disse...

Que maravilha, mais um provável enrustido tentando fugir de si mesmo... ainda bem que já perdi a fé na humanidade e pra mim isso não é surpresa; é só mais um idiota a ser escarnecido, combatido, ridicularizado e rechaçado, mais nada. Esse tipinho asqueroso não merece mais que ser ignorado.

Fátima disse...

A verdadeira minoria brasileira é branca, tem curso superior, é homem e é rica. Está na hora do brasileiro começar a enxergar, andamos de cabeça baixa para seres como esse e o Brasil fica do jeito que está. Cada povo tem o governo que merece. Temos a arma nas mãos e não sabemos o que fazer com ela.

Alessandra Tofoli disse...

Depois do silêncio geral dos demais candidatos, quero ver se algum deles hoje terá coragem de tocar nesse assunto.
Me assusta a falta de posicionamento dos demais candidatos também. Vamos ver como será hoje no debate.
Beijos

Patrícia disse...

Debate agora se resume em falar de preferência sexual e liberar baseado. O dia em que falarem sobre coisas que realmente possam mudar este país, e torná-lo um lugar digno para pessoas honestas, como o fim da impunidade, punir pelo crime e não pela idade do bandido, controle de natalidade, fim do voto obrigatório, quem sabe o ato de votar realmente será levado à sério.
Porque do jeito que está me sinto uma palhaça sendo obrigada a fazer parte deste circo.

Suzana Neves disse...

Hj mesmo eu ouvi o açougueiro dizendo que vai votar no Feliciano porque ele vai contra os gays.
Depois disso fui pra casa e fiz um post e fiquei muito desanimada

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