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12 outubro 2014

É pra sempre? Então tchau!



Há muito tempo aprendi a reservar algumas opiniões que tenho sobre a vida. Mesmo assim sempre me perguntam coisas que eu preferiria não dizer nada a respeito e acabo não me segurando, tropeço naquela frase que diz ''não pergunta que eu respondo!''.

Uma amiga veio conversar e me disse que está preocupada, casada há oito anos chegou à conclusão que ama o marido, mas está morrendo de tédio no casamento e não sabe o que fazer.

Não sou psicóloga nem especialista em relacionamentos, apenas mantenho minha visão alinhada com o que acontece no planeta e principalmente com as mulheres. Acredito que enquanto as mulheres não se sentirem seguras para fazerem suas escolhas emocionais ou mudarem a situação que se encontram, estaremos vivendo em um mundo sufocante.

Por questão de bom senso e tentando não fugir do lugar comum disse a minha amiga para procurar um terapeuta, talvez seu tédio é apenas uma fase no casamento. Também inclui aquele discurso que garante que todos passamos por fases e o que vale é a construção, não se pode jogar fora oito anos de vida em comum, é importante avaliar o que se conquistou nesse relacionamento e a base que ele deu.

Acredito em tudo isso sinceramente, até porque conheço as fases que uma pessoa pode passar, tem horas que acordamos morrendo de tédio, tudo parece chato, desde o marido até o trabalho.

Mas depois que conversei com minha amiga mudei de ideia, fiquei pensando, por que carregamos a noção de eternidade nos relacionamentos? Poxa, oito anos é um bom tempo para viver uma emoção legal, mas tudo acaba e se no caso dela já acabou?

A cristalização do casamento é feita por duas vias, uma é a religiosa que garante que ''se Deus uniu, o homem não separa''  e a outra é econômica, hoje a mulher trabalha e muitas vezes divide as parcelas da casa, carro e cartão de crédito com o homem, se o casamento acabar Deus fica bravo e as contas vão para o vermelho.
Mas e se esses dois fatores não existissem, será que as pessoas continuariam arrastando tanto um relacionamento?

Minha amiga parece cansada, entediada e gastando à toa, talvez, os últimos minutos de amor. Caso ela se separe poderia ter que refazer as contas, porque comprou com seu marido um apartamento, mas fora isso não tem mais nada que a congele ao seu lado. Não sou a favor das pessoas saírem correndo no primeiro problema em um relacionamento, pessoas que tem a ver com nós não aparecem todos os dias e não vale a pena jogar isso fora. Mas ao mesmo tempo não acho justo ter que ficar presa a uma situação morrendo de tédio apenas porque alguém disse que relacionamentos são assim, cheios de subidas e descidas.

O mundo mudou e acelerou, as coisas não são iguais há dez anos, pelo menos em alguns países e isso inclui o Brasil, aqui  ninguém é obrigado a ficar com marido ou esposa.

Hoje temos mais consciência da nossa felicidade e momentos sufocantes podem mudar o rumo da nossa história, mesmo assim muitas pessoas continuam presas à ideia da eternidade nos relacionamentos, parece que só casamentos onde os dois morrem juntos cinquenta anos depois valem alguma coisa.

Já tive meu momento de Julieta, pensei que se ficasse um milhão de anos ao lado de Romeu seria pouco, de tanto que achava  ''amar'' o rapaz. Mas hoje se penso nisso começo a passar mal e ter ataques de pânico. Não me vejo em uma igreja escutando de um padre  ''até que a morte os separe'', só a frase me sufoca. Quero ficar com o meu Romeu o tempo que der pra ficar, que eu me sinta inspirada, não quero ficar por obrigação ou porque o manual sobre relacionamentos manda ficar.

Muitas vezes as pessoas se enroscam mais tempo porque existem crianças no meio, mas até para elas é importante ensinar que o tempo não é de ninguém, não existe eternidade no amor nem nas relações humanas.

Depois que meu pai morreu percebi que eu carregava a sensação de que ele era eterno, por isso sofri tanto. E fiz a mesma coisa com alguns namoros, não sofri pelo fim, mas porque achava que seriam para sempre e não soube lidar com a perda.

E o tédio é uma emoção como qualquer outra, não é para ser ignorada. Por que não podemos amar o tempo que aquilo ali dura e depois seguir a vida? 
Perguntei a minha mãe isso e ela respondeu:

-Mas tua amiga fez um compromisso! Ela se casou, não é brincadeira!

Ah, que merda! Coisa chata, até o casamento é um compromisso? Por isso não caso! Vou pagar impostos toda a minha vida, tenho compromisso com o Estado e ainda por cima com um Romeu? Pra mim não dá.

Garanto o amor o tempo que rolar, depois não. Morro de tédio todos os dias com diferentes coisas e me recuso a morrer mais em um relacionamento, prefiro sair dele.

E lembro que há uns vinte anos saiu no mercado um perfume, Acqua de Gio. Me apaixonei loucamente por ele, é cítrico, fresco, perfeito. Todo mundo sabia e sempre me davam coisas ligadas ao perfume, desde sabonetes até cremes. Mas um dia acordei e não quis mais, eu tinha dois anos usando sem parar, apaixonada. Não tenho explicação, aconteceu e ponto. E não é comparar um relacionamento com um perfume, mas a questão da liberdade, de querer procurar outros caminhos, outra felicidade, outros momentos. O tédio é um sinal que não deve ser ignorado, pode ser um alerta de uma vida que tem algumas vontades que ainda não foram satisfeitas.

Todo mundo passa por fases de tédio no emprego e nas relações e nem por isso sai detonando tudo e mudando a vida, mas ficar preso ali pela ideia de ''eternidade'' complica demais as coisas.

Amor não tem essa eternidade que todos insistem em dizer, ele pode durar apenas horas. Relacionamentos não são ''para sempre'' em todos os casos, algumas vezes as pessoas se acham e conseguem viver assim, outras não.

O que me impressionou conversando com minha amiga foi a pequena quantidade de vezes que ela disse ''eu'', acho que nem chegou a dizer. Ela dizia ''o relacionamento'', ''o casamento'', ''o marido''. Caramba! E ela, não conta? Tem horas que temos que nos olhar no espelho e perguntar ''e você o que quer? Como está?''.

Muitas mulheres colocam as instituições na frente das suas vontades, a igreja, o casamento, a família. Mas e elas? Não existem? Poxa, tá morrendo de tédio corre! O amor acabou? Recicla ou vai embora, o que não dá é para ficar no meio sem saber o que fazer e sofrendo com isso, apenas porque casamentos são ''eternos''. Porra, eternos para quem? 

A única coisa que deveria ser eterna é nossa vontade de procurar a felicidade e o bem estar. Durante séculos as mulheres não puderam pensar nisso, massacradas pela instituição do casamento e  pelo ''bem da família''.

Meu único conselho para minha amiga é que não importa a decisão que ela tome, desde que seja sua vontade. Chega de ceder em favor de ideias medievais e instituições falidas, é hora de se libertar de tantas mentiras e ter bem claro uma questão, estamos neste mundo para procurar e achar o que nos traz felicidade. O único compromisso que temos selado é com nós mesmas e as nossas escolhas. A única eternidade que temos que manter é com nossa alma, porque ela vai conosco o caminho inteiro, o resto é provisório e momentâneo. E muitas coisas na jornada vão nos matar de tédio, mas que não seja o amor que faça isso.

Iara De Dupont

2 comentários:

Tadeu Diniz disse...

Iarinha, do meu coração!!! Suas palavras são sábias. Também sofri em perdas por achar que era eterno, mas depois que entendi que mesmo o amor tem validade sou uma pessoa bem mais feliz. Para algumas pessoas o amor dura mais que a própria vida, ótimo! Como você disse, para outros duram horas. Recentemente terminei meu namoro, gosto dela demais, mas parecia que ela estava comigo só por estar e comecei ficar angustiado. Aí pensei, gosto dela mas estou angustiado pela falta de atenção dela então é melhor ficar sozinho. Terminei, fiquei triste, gosto dela, mas também foi um alívio, não estou mais angustiado. Devemos dar vasão aos nossos sentimentos sempre. Claro que devemos ser cuidadosos para não maltratar ninguém, mas devemos sempre saber do eu primeiro, depois do nós!

Suzana Neves disse...

Casamento é uma das coisas mais confusas que existe, Deus vai ficar bravo dessa eu ri.

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