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02 setembro 2014

Uma grande homem para uma mulher pequena



Tenho uma tia que toda a vez que seu genro se aproxima ela faz cara de tédio. Um dia perguntei o motivo disso e ela respondeu:

-É um amor medíocre. Não sei porque minha filha está com ele.

Nunca pensei que o amor pudesse ser medíocre, mas segundo minha tia pode.

E os motivos dessa mediocridade são apenas machismo. Imagino que uma mulher sonha para seus filhos a vida que não teve, mas esquece em alguns momentos que até a vida de ''sonhos'' exige construção, não é apenas ficar sonhando.

O que eu sei da minha tia é que ela teve um grande amor, mas o rapaz era jornalista e parece que a família não gostou. Naquele tempo, anos sessenta, jornalismo era coisa de homem boêmio, sem responsabilidades. A família apertou, ela não segurou a onda e o rapaz ficou de saco cheio e sumiu. 

Depois disso foi pressionada por um rapaz que todos gostavam e parecia ter ''futuro'', então ela se casou.

Mas errou na escolha, o marido escolhido era boa pessoa e trabalhador, mas sem ambição nem grandes momentos. Já o jornalista rejeitado ficou famoso, rico e até hoje mora em Nova York onde trabalha para uma grande emissora. 
Sua vida foi um sonho, talvez o que minha tia sonhou, viagens, dinheiro e aventuras.

Imagino que por tudo isso ela projetou na sua filha um futuro fantástico, mas movida pelo machismo esqueceu-se do ponto principal, para a menina ter uma vida maravilhosa tinha que ter sido preparada e não foi, a vida incrível somos nós que temos que conquistar, não um suposto Romeu que vai chegar em um cavalo branco.

Perguntei a minha tia como a sua filha conheceu o marido, e ela com cara de preguiça me disse que em um bar qualquer da cidade, aquela típica paquera noturna.

O rapaz estudava, mas depois de se casar com minha prima largou a faculdade no último ano, mesmo assim conseguiu um bom emprego, uma empresa que sempre o incentivou a terminar a faculdade mas ele não quis, deram cursos noturnos para que pudesse avançar, mas ele recusou alegando cansaço, dizia não aguentar trabalhar o dia inteiro e depois estudar à noite. 

Não tem nenhum interesse na vida além de futebol e sua cerveja, coisa que deixa minha tia subindo pelas paredes. É mal educado, grosseiro, sem modos e folgado, bem longe do príncipe que imagino minha tia tanto quis.

Mas essa é a versão dela. É verdade que o rapaz não presta pra muito, eu mesma vi. Um dia minha tia e minha prima se enrolavam para colocar coisas no carro e ajeitar a cadeira do bebê e ele estava ao volante mexendo no rádio. 

Cansei de ver minha tia chegando do supermercado carregando bolsas e ele não ia ajudar, só aparecia depois para lembrar ela de colocar as cervejas na geladeira.

Ele não é um príncipe nem um companheiro de aventuras, mas minha tia sofre porque não reconhece a filha imprestável que tem. Assim como seu genro sua filha também não terminou os estudos, enrolou, não quis saber, conseguiu um emprego medíocre que alguma amiga indicou e encostou ali. 

Também é como ele, bebe e fuma maconha o dia inteiro, não tem ambição, nem preocupações na vida. Para mim eles são almas gêmeas, poucas vezes conheci um casal tão parecido.

Uma vez minha tia falou tão mal dele que não resisti e defendi o rapaz, fiquei com pena e ela respondeu:
-Ah é? Queria ver se fosse tua filha casada com esse traste!

Misericórdia! Se ela queria um casamento melhor deveria ter preparado a filha para ser alguém melhor. A mulher não se constrói pelo homem, isso não existe. Se ela quer uma vida incrível tem que trabalhar para isso, não ficar sonhando com um homem que traga essa vida, até porque homens assim nem olham para mulheres como minha prima, folgada e porca.

Mesmo diante dos meus argumentos de que aquilo era ''amor'' minha tia não desistiu:

-Pelo amor de Deus! Ele é um Zé Ninguém, um Zé Ruela, nunca vai sair desse emprego medíocre, jamais vai dar nada além do básico para minha filha.

Essa parte é engraçada. Minha família também é de Zé Ruelas, mas não aceitam isso. Alguns como minha tia trabalharam, compraram sua casa e um apartamento na praia, só por isso se acham nobres e melhores que o resto do mundo, acham que por ter um carro do ano seu sangue agora é azul. Nunca aceitou que sua filha também é uma Maria Ruela, Maria Ninguém, que não andou para frente porque prefere ficar fumando maconha. Teve oportunidades de estudar, viajar, mas não quis, preferiu sua vida como ela chama ''pacata e caseira''.

Homens incríveis estão com mulheres incríveis, é um jogo de dois, não é o sonho machista da minha tia que pensa de maneira limitada e medieval, acha que sua filha deveria ter sido disputada a tapas por grandes homens, mas desde quando grandes homens brigam por pequenas mulheres?

Minha tia errou na sua vida e na de sua filha, se queria um destino tão brilhante e luminoso para a filha deveria ter visto ela como um ser individual, que pode se realizar e fazer muito no mundo, não apenas uma princesinha folgada a espera de um príncipe que a leve para um mundo de aventuras.

Ainda acontece no mundo inteiro, famílias investem pesado na educação dos filhos e ficam rezando para casar a filha com alguém que preste. Tive uma colega de faculdade que adorava estudar, mas teve que esperar ter um bom trabalho para pagar os estudos, porque sua família dizia só ter condições de pagar uma faculdade e seria para o filho, porque homens ''têm grandes responsabilidades na vida''. Isso aconteceu no século XXI em São Paulo, não é uma história do século passado.

Em alguma entrevista perguntaram a mãe de Hillary Clinton como ela tinha sido educada, já que deu tão certo. Hillary era estudiosa, conseguiu uma bolsa de estudos, se formou advogada, se casou com Bill Clinton que foi duas vezes eleito presidente dos Estados Unidos. Hillary sempre trabalhou com ele e se recusou a assumir o papel de primeira-dama passiva, fez seu nome, depois se separou, virou senadora e agora luta para ser candidata a presidência.

A mãe de Hillary disse que tinha educado ela ''para ser uma pessoa no mundo''.

Isso fez toda a diferença, ela não foi educada dentro de um gênero culturalmente limitado e asfixiado. Educar uma filha para ser ''mulher no mundo'' é entregar a cabeça dela ao vento. A única educação que serve e dá resultados é aquela direcionada ao ser humano, a pessoa. Quando a mulher se posiciona como indivíduo e consegue fazer sua vida então talvez grandes coisas aconteçam, inclusive o casamento com alguém decente. Mas enquanto ela for uma princesa à mercê de sua sorte é o destino que manda e nem sempre ele é generoso.


Iara De Dupont

Um comentário:

Anônimo disse...

Engraçado ela estar preocupada com o que " ele pode dar para ela". Acho um absurdo essa ideia de casamento capitalista, de ter obrigação de dar bens ao outro. Vamos supor que o marido dê "algo além do básico". E se eles se separarem? o que acontece com ela? Fica refém do panaca, e entra num círculo vicioso de dependência, pois não foi criada para se virar sozinha.

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