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11 setembro 2014

Tem televisão no sítio? Tem sim senhor!




   O que mais tem na internet são blogs sobre celebridades, mas alguns escrevem em códigos, sem mencionar nomes para não levar processo.
      
   Hoje um deles escreveu sobre dois apresentadores de televisão que foram chamados a um canto pela direção dos seus programas apenas por um motivo: são gays e  a emissora quer saber como eles vão resolver isso.
·  Um deles foi rápido no gatilho, já marcou casamento, mas o outro conseguiu escapar da pressão alegando ser muito jovem ainda, menos de trinta e cinco anos.
     
   O que me surpreende dessa história é a jequice das emissoras. É uma atitude tão cafona, tão provinciana que dá pena. A televisão brasileira é uma das melhores do mundo em termos técnicos, mas em igualdade deve ser pior que a televisão do Vietnã. Chamar os apresentadores assim na lata e perguntar como vão resolver esse ''problema'' parece coisa do século passado.
  
   E eles não são os únicos afetados, não existe nenhuma apresentadora jovem e negra em canal aberto. O dia mais importante na televisão comercialmente falando é o domingo e não existe um apresentador negro nesse dia, nem como assistente de palco. Na teoria das emissoras a família brasileira é branca, conservadora e quer se divertir com um apresentador  ''igual'' a eles, por isso todos são hetéros e moços de família.
  
   Só uma apresentadora, Eliana, conseguiu quebrar o machismo do domingo, mas ainda assim navega na sua loirice e na pose de boneca sem opinião, está ali apenas para agradar a família brasileira.
      
   Eu me pergunto que ''família brasileira'' é essa  que não tem um gay no seu núcleo. Me arrisco a dizer que hoje não existe nenhuma família sem um membro gay, é matematicamente impossível.
  
   A desculpa é sempre a mesma, se os apresentadores assumem que são gays perdem os patrocinadores, que são conservadores, radicais e extremistas. Por isso atores preferem se jogar de um penhasco a assumir sua condição sexual, para não perder a possibilidade de fazer comerciais.
     
   Não acho que ninguém tenha que se ''assumir'', as pessoas devem ser livres para viverem sua vida do jeito que quiserem e isso não inclui sair dizendo o que gosta ou não. Mas me parece errado obrigar apresentadores a se casarem para disfarçar sua condição sexual, levar a mentira a esse grau é doentio, e mais ainda em um mundo que cada vez mais se abre as diferenças.

   Tenho um arrependimento em relação a isso porque uma vez me ofereceram uma ótima vida se eu me cassasse com um ator que estava começando, a ideia foi dele, éramos amigos há anos e seu empresário jogou o assunto na roda. No começo pensei que era uma boa ideia, era meu amigo e eu queria ajudar, mas depois vi que aquilo tudo era grande demais e envolvia coisas que eu não queria fazer, como um casamento grande, no cartório, fotos e declarações de amor públicas. Achei que seria mentira demais, ninguém poderia saber a verdade, nem minha família, eu estaria protegida por um contrato, mas teria que fingir tudo aquilo ali durante anos. Pensei que seria sufocante e não aceitei. Mas uma amiga aceitou e depois percebi como aquilo era fácil e teria sido maravilhoso na minha vida. Ela nem morava na mesma casa que ele, cada um tinha sua vida. O plano dele deu certo, a carreira foi pra cima, depois inventou um divórcio e todos ficaram felizes.
      
   Me arrependo de não ter tido um pouco de visão naquele momento, mas nunca entendi a mentira como meio de vida e isso aconteceu há dez anos. Pensar que hoje é a mesma coisa me deprime e assusta, vejo a televisão brasileira cada vez mais limitada e presa a ideia de um povo branco e hetero, onde os homens são casados e as mulheres são bonecas que não param de sorrir para a câmera.
     
   É uma televisão que parece transmitida do sítio, feitas sob ordens do coronel e do jeito dele, que só gosta de ver mulheres loiras e ''homens de respeito''.
   Fiquei com pena dos apresentadores serem obrigados a viver uma mentira  para manterem seu emprego, me parece agoniante e sem sentido. Entrar naquele circo de casamento falso e juras de amor sabendo que tudo ali é teatro exige estômago.
  
   Não tem como avançar em relação aos direitos de todos se apresentadores são obrigados a fingir uma coisa que não são, a televisão brasileira vive nesse retrocesso, enquanto no mundo inteiro os direitos dos negros, gays e mulheres são discutidos aqui parece que são cada vez mais jogados debaixo do tapete.

   Somos um país de negros sem apresentadores negros, um país de mulheres sem apresentadoras que se posicionem politicamente e somos um país de gays onde eles são obrigados a se esconder. A televisão é feita para uma parcela mínima da população, brancos, ricos, héteros e sem nenhum negro ou gay na família.
  
   E ainda por cima somos uns ridículos que querem parecer mais civilizados do que são. Uma torcedora chamou o goleiro do time adversário de ''macaco'' durante um jogo. Foi chamada para depor e vai ser processada, coisa justa, o racismo tem que ser punido, se as pessoas não aprendem de um jeito que aprendam de outro. Tenho certeza que essa torcedora entendeu agora as consequências do seu racismo. Mas quem deu a notícia? Um monte de jornalistas brancos! Ah, que fofo, então a moça foi racista ao chamar um negro de macaco, mas as emissoras não são racistas ao só terem apresentadores e repórteres brancos? Cadê um jornalista negro para dar uma lição de moral na torcedora? Cadê uma jornalista negra para dar um chega pra lá na torcedora?
  
   A torcedora foi racista e mereceu tudo o que aconteceu com ela depois desse episódio, mas as emissoras também são racistas e não admitem isso. Racismo não é uma gota de água que cai em alguns lugares, é um mar que inunda e atrasa este país.
      
   E todos os direitos estão ligados, se os negros não têm direitos neste país, os gays também não, as mulheres também não, é tudo a mesma coisa.
  
   A televisão brasileira é provinciana, limitada, jeca, cafona, racista, machista e ainda por cima religiosa, o que não falta ali é Padre e Pastor dando sermão, parece a igreja da cidade transmitindo seus sermões.
    
   E agora vamos ver em todas as capas de revista o casamento do apresentador, cheio de frases prontas e fofice.
   E me pergunto, pra que tanta mentira? O trabalho dele é apresentar um programa, não ficar bancando ''o branco hétero''. Como o Brasil pode virar uma potência mundial se ainda está  preso as ideias preconceituosas do sítio? Fazemos televisão como se só o coronel assistisse.
  
   Televisão é um reflexo de um povo e o nosso é o pior possível, parece que mulheres, gays e negros não existem ali, é aquela televisão transmitida desde o sítio, segundo as ordens do coronel e sua família branca. E podemos ser uma das melhores televisões do mundo tecnicamente, mas socialmente somos uma das piores e preconceito até em televisão enterra o futuro de qualquer país.

   
   Iara De Dupont

3 comentários:

Olhar Bipolar disse...

Concordo plenamente com vc. Muito bom o seu texto, é a pura realidade. A verdade é que o racismo e a homofobia continuam mascarados. É lamentável que ainda exista este tipo de discriminação e mentes atrasadas.

Alessandra Tofoli disse...

E para continuar o assunto lamentável do caso do jogador, o Pelé deu uma infeliz declaração dizendo que o rapaz se "precipitou" ao reclamar dos xingamentos. OI??!!!
Quando agente pensa que pior não pode ficar, acontece sempre alguma coisa provando o contrário.

Patrícia disse...

Eu acho a televisão brasileira um nojo, é raro eu ver algo, e quando vejo, não acredito em nada. Pior que a grande maioria que assiste, não se toca.
Parece que ontem incendiaram parte da casa desta "torcedora", tem gente defendendo ela já, eu não tenho dó. Num país que crime nenhum é punido, que seja esta a pena dela. E quem a defende está defendendo o racismo. Sobre o que o Pelé falou, o que se esperar de um homem que viu a filha morrer e foi incapaz de chamá-la de filha nem que fosse para diminuir o sofrimento de quem já morria, e que se faz de bonzinho para o mundo e despreza os netos, filhos desta mesma pessoa que ele ignorou até na hora na morte? Para mim ele não é nada e o que ele diz, vale menos ainda do que o que esta "torcedora" fez.

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