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05 setembro 2014

Quando o verbo vira uma faca



A genética é uma coisa estranha, carrega por um lado e se ausenta no outro. No caso da minha genética ela me deixou na mão na questão do peso, colocou meu sofrimento do lado oposto ao da minha mãe, ela luta sem parar tentando engordar nem que seja meio quilo e eu luto para perder meio quilo.

Mas no caso dos meus ouvidos a genética chegou a um ponto de perfeição, não sei como funciona, mas escuto conversas de longe com uma nitidez assombrosa. Não preciso estar perto, parece que tudo chega com clareza.

E hoje escutava uma dessas na fila do supermercado. Duas mulheres falavam sobre uma terceira, que não consegue engravidar. Papo vem, papo vai, uma delas disse:

-Que pena que Fulana não foi abençoada com a maternidade.

Depois que cheguei em casa escutei uma apresentadora de televisão dizer que ''filho é uma benção''.

Não discuto isso, mas me pergunto se as pessoas sabem ou imaginam o quanto isso pode ferir um ser humano. Colocar a palavra ''abençoada'' no meio da frase sobre alguém que não consegue engravidar dá a impressão que aquela pessoa é o contrário de ''abençoada'', seria então ''amaldiçoada''?

É terrível usar essas palavras para descrever a luta de uma mulher que tenta engravidar. As coisas mudaram, a alimentação é outra, o stress, a correria, o uso de remédios, tudo isso mudou a fertilidade de algumas mulheres, atrasou um pouco, mas não quer dizer que não podem engravidar.

Da minha geração ainda não vi ninguém sofrer para engravidar, mas várias amigas da minha mãe passaram por isso e algumas não conseguiram ter bebês. E agora precisam sair por aí e escutar que não são abençoadas?

O conceito de ''abençoado'' é humano, Deus nunca veio ao mundo para dizer quem é ou não abençoado, nem podemos dizer que a maternidade seja uma ''benção''. Tenho certeza que muitas mulheres que são mães poderiam discutir isso.

O perigo dessas palavras se espalharem pelo mundo é enorme, muitas mulheres decidiram não ter filhos e têm direito a pensar assim, mas com essa ideia ''abençoadas pela maternidade'' circulando então surgiria uma nova geração de mulheres ''não abençoadas'' e isso é um fardo injusto e falta de respeito com que decidiu não ter filhos ou não conseguiu.

Tudo ligado a mulher sempre passa por um massacre e a decisão de muitas de não serem mães sempre é questionada. Tenho uma prima que desde pequena diz que nunca vai ser mãe e sempre escuta das minhas tias que não pode decidir isso sem saber o que é, primeiro precisa ser mãe e depois vai saber se estava certa ou errada, como se essa lógica fosse possível.

Mas a palavra ''abençoada'' no contexto da frase me irritou muito, me lembrou o exercício da crueldade à toa. Em uma mulher que decidiu não ser mãe pode não surtir efeito, mas em uma que tenta engravidar deve machucar escutar que não ''foi abençoada''. 

Nesses casos apoio os conselhos da minha avó, que dizia que não é porque temos alguma coisa que todos têm. Existem pessoas no mundo sofrendo por coisas que nem damos bola por ter, ou nos parece fácil conquistar. Se uma mulher teve um filho não quer dizer que é uma ''abençoada'', mas se ela se sente assim que guarde isso, não saia pelo mundo gritando e machucando muitas que não conseguiram. Palavras podem cortar como faca, é preciso saber usar para não sair machucando os outros.

E cada um tem sua interpretação da palavra, ser ''abençoada'' na minha leitura é poder viver sem machucar ninguém, sem causar dor, isso sim deve ser uma pessoa abençoada, alguém que consegue passar pelo planeta sem ferir nenhum ser vivo. Essa me parece a maior bênção que um ser humano pode receber.

Iara De Dupont

3 comentários:

Anônimo disse...

Bom, no meu caso meu marido é infértil, e nós vamos adotar. Mas sempre tem algum pentelho de plantão pra falar bobagens sobre o assunto. A família dele dá um valor absurdo pra esse negócio de "sangue", o que eu considero uma bobagem. Acho que se a infertilidade fosse minha, eles o aconselhariam a mudar de mulher só pra ter um "filho de sangue". Mas como o problema é com ele, terão que aceitar uma neta/sobrinha sem o DNA deles...

Patrícia disse...

Benção jogar filho no telhado após parir, sem saber que há nove meses estava "abençoada". Sinceramente seria uma benção se metade do mundo parasse de procriar. E se a outra metade tivesse mais responsabilidade, porque o mundo está cheio dessas bençãos, matando, destruindo, guerreando.
Benção é saber respeitar as escolhas dos outros, e arcar com as responsabilidades que as nossas geram.

Suzana Neves disse...

È uma vergonha mulheres não são vacas reprodutoras e ter criar filhos é uma barra, é o mesmo quando as pessoas compram carros casas e escreve Foi Deus que me deu.
http://suumaluta.blogspot.com.br/2014/09/gente-x-objeto.html?m=1

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