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08 setembro 2014

O perigo das amizades masculinas

No teatro aprendi um exercício para prestar bem atenção às pessoas antes que elas dissessem qualquer coisa. Era muito importante aprender isso porque coisas acontecem durante uma peça, é comum um ator esquecer suas linhas, se atrapalhar, enrolar, ir por outro caminho. Quem está em cena tem que perceber e dar a volta, seja puxando o companheiro de novo para o texto ou acompanhando, o que não pode acontecer é deixar um buraco, onde cada ator diz uma coisa e ninguém se entende.

Não adianta decorar o texto, tem que entender, porque se alguma coisa der errada dá para puxar a ideia e continuar.

Hoje acho esse exercício perfeito e deveria ser colocado em prática nas escolas, principalmente nos garotos, para que possam aprender a ver as expressões das mulheres antes de sair falando barbaridades nas ruas e bares.

Eu caminhava no parque quando uma moça com uma cara de tensão passou perto de mim, dava para ver que não estava em um bom dia. Mesmo assim ao passar por um grupo de homens que jogavam baralho não escapou de algumas cantadas grosseiras e estúpidas. Ela se irritou e mandou todos eles à merda.

Fiquei pensando porque será tão difícil para alguns homens entenderem que ''cantadas'' não são uma coisa agradável. Tenho um amigo que diz ''cantar'' mulher é necessário, porque homens procuram ''oportunidades de sexo'' e de repente uma cantada pode colar.

O que não entendo é a dificuldade masculina em perceber que nem todas gostam de ser cantadas, é só olhar para o rosto delas.
Perto da minha casa tem um bar e sempre vejo ali uma moça loira com umas amigas. Uma vez ela vinha caminhando na rua e fez questão de atravessar na porta do bar, usava um short bem curto, desfilou ali e ficou rindo quando foi ''cantada''. Sei que existem mulheres assim, que foram culturalmente ensinadas a acreditar que ''cantadas'' são elogios e fazem bem a alma, mas é uma minoria de mulheres que pensam e agem assim e em muitos casos esse pensamento está ligado a pouca escolaridade, a ignorância, ao ambiente machista e a violência que vivenciou.

A diferença entre poucas mulheres que gostam de serem ''cantadas'' e as que não gostam está no rosto, na expressão. Já vi mulheres de short como essa do parque e no rosto dela estava a distância com o mundo e já vi moças como essa do bar, que fazia questão de ser vista.

Para mim não tem acordo nem argumento, sou contra cantadas, acho absurdo, nenhuma mulher deveria estar sujeita a isso, mas já escutei de algumas mulheres que falo isso de recalcada e invejosa, então abro a exceção para mulheres que acham ''cantadas'' uma coisa boa, o que não entendo é a dificuldade masculina em perceber quais parecem entrar na brincadeira e quais não.
Na faculdade a minha sala tinha mais de cem pessoas. Acabei fazendo amizade com um grupo mais próximo e nele se incluiam três homens mais velhos, todos casados, com filhos. Eu gostava de conversar com eles, não eram moleques e sempre foram muito educados. Passei anos fazendo trabalho de grupo com os mesmos e nunca tive nenhum problema. Até que um dia uma aula foi cancelada e um deles veio me avisar, me disse que o professor não ia chegar mas nós poderíamos ir a outro lugar. Perguntei que lugar e ele disse na lata ''um motel ué!''. Achei que estava brincando e disse que não gostei, mas ele se manteve na ideia e ainda argumentou:

-Qual o problema? Você é adulta, maior de idade e eu também, está fazendo cera por quê?

Pela minha educação aprendi a ter pavor desse tipo de situação e ligar o sinal de emergência, como estávamos no corredor da faculdade olhei rapidamente e vi um grupo saindo de uma sala, corri na direção deles e me misturei ali para sair do lugar.

Fiz isso porque conheço a cultura machista, sei que existem grandes possibilidades de violência depois que um convite desses é negado, por isso corri.

E no dia seguinte mudei de lugar na sala, fui para o outro extremo. Nunca mais falei com ele e sempre fugi de qualquer explicação. Em uma festa ele conseguiu se aproximar e dizer que eu era ''criançona'' e ele não tinha falado nada demais, era só dizer que não queria ir ao motel e tudo teria ficado nas mesmas.

Mas a história não terminou ali. Não entendi o motivo, mas ele contou isso para um professor que eu gostava muito, conversava demais com ele e o professor resolveu se meter e me chamou para uma conversa. Me disse na lata que eu fui ''boba'', que meu colega fez um convite qualquer, podia ter sido um café, mas era um motel, qual o problema?
Eu respondi que o problema eram os sinais, eu nunca mandei nenhum sinal dizendo que tinha algum interesse sexual nesse colega, era apenas isso. Jamais tive qualquer conversa de teor sexual com esse homem nem fiz gracinhas, conheço bem o limitado universo masculino, sei que eles entendem tudo virado, e não dá para confiar.

Essa é a parte que não entendo, como é possível convidar alguém para o motel sem olhar primeiro o rosto dessa pessoa e ver se está na mesma sintonia ou não? Até os animais fazem isso, não é uma coisa de outro mundo. Crianças conhecem bem as expressões dos seus pais, antes de pedir uma coisa elas calculam o momento, não é tão espontâneo como parece ser.

Mas a grande maioria dos homens ignora isso e vai chutando as cantadas, pensando que é um jogo de futebol, em algum momento vão fazer um gol.
Sempre vou ser contra as cantadas, acho grotesco, agressivo e humilhante e até onde os números vão esse pensamento pertence à maioria das mulheres. 

É difícil entender porque os homens não percebem isso e não prestam atenção as mulheres, se o fizessem poderiam rapidamente entender como ''cantadas'' são constrangedoras. A única mulher que eu vejo sorrir depois de ser cantada na rua é essa moça loira que frequenta o bar, o resto eu vejo que como eu fecha a cara e o tempo.

No fim da conversa com o professor ele me disse uma coisa que nunca esqueci e sempre achei muito triste:

-Ah, Iara, não fica chateada com o que Fulano te disse. Amizade com homens corre esse perigo né?

Foi deprimente escutar essa frase. Então amizade com homem sempre vai correr o perigo de ele te convidar a um motel? Parece que sim.

Iara De Dupont

5 comentários:

Fátima disse...

Eu tinha um amigo de quem gostava muito, era um rapaz legal, jovem, já casado, com filhos, nos dávamos bem. Eu já era amiga da esposa quando começaram a namorar. Um dia, parei no estacionamento de uma oficina mecanica, por causa de uma chuva muito forte e não sei de onde, ele também apareceu para se esconder no mesmo lugar. Nossa conversa era a chuva de verão, que durava pouco, mas causava atrasos e problemas, de repente ele me chamou para ir ao motel, eu respondi que não, que nunca iria a um motel com ele, pois era casado e não me despertava nenhum interesse. A resposta que ele me deu foi: " Voce quem sabe, posso ser a sua última chance de ir a um motel." Nunca esqueci desse dia. O rapaz chegando em casa, inverteu as coisas e disse à esposa que eu o havia cantado, recebi um telefonema bem desaforado da cunhada dele, me avisando que eu me colocasse no meu lugar. Uns dois dias depois, recebi a visita da esposa , que me disse saber que era mentira, que eu não faria isso e se desculpando pela irmã. Perguntei o que a fazia ficar casada com ele, sabendo o que ele era. Ela me disse que era melhor estar com ele, que ficar sozinha, largada...Não me meti mais. Não sou mais amiga, apenas uma antiga colega, pouco nos vemos, pouco conversamos e ele eu vi uma ou duas vezes mais. Há pessoas que só merecem o descaso.

Suzana Neves disse...

Eu ando não muito confiável para falar de homens ultimamente.
Mas das amizades que tinha todos me rrespeitaram quem sempre puxava pra esses lados era eu.

Anônimo disse...

Minha melhor amizade nesses últimos 10 anos é (ou foi) com um homem. Quando nos conhecemos eu já namorava o meu marido, e ele estava começando a namorar uma amiga minha. O namoro deles durou uns 3 anos, quando ela terminou e ele ficou arrasado eu sempre fiquei do lado dele (mesmo porque ela tinha ido pro exterior, e estava 'curtindo a vida adoidada'). O tempo passou, ele namorou outras garotas mas sempre mantivemos a amizade, nós confiávamos segredos um ao outro, ele me ajudou quando precisei e vice-versa. Nunca tive nenhum sentimento romântico por ele, posso dizer que eu o via mais como um irmão. Sempre tem quem fale que amizade entre homem e mulher não existe, e eu achava pura bobagem. Até que, no começo deste ano ele terminou um namoro de mais ou menos 4 anos e fui passear um sábado com ele, ver um filme, espairecer, conversar. Estávamos assistindo o filme e ele começou a pegar na minha mão de um jeito estranho, se debruçar em mim. Mandei ele parar com aquilo e fui embora. Voltei a falar com ele depois de umas semanas mas nunca falamos no assunto, dei um tempo até nos vermos novamente e tudo estava normal, mas agora fico atenta pois surgiram dúvidas "até onde posso deixar ele se aproximar de mim? Até onde posso confiar nele?"... A amizade nunca mais será como antes, sei disso. Concluí que na minha cabeça a amizade entre homem e mulher ERA possível, já na cabeça de um homem...
S.

Andrea disse...

O que eu fiz quando um pretenso amigo me soltou essa pérola: "você não acha que amigos podem transar?".

FUGI... PARA AS MONTANHAS.

Anônimo disse...

Você é criançona sim. Deixasse a cantada de lado com educação e continuasse com a amizade.

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