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25 setembro 2014

O perfume que garante a ascensão social

Perfume Angel EDP Feminino Thierry Mugler
ANGEL, O PERFUME DA ASCENSÃO SOCIAL
Existe uma teoria que circula no mundo garantindo que tudo é uma farsa, inclusive os sistemas políticos.
O Brasil deve ser o rei das farsas, se vende como democracia, mas esconde um sistema político que ninguém consegue decifrar.
Tenho anos escutando que o poder aquisitivo no país aumentou e agora a classe C pode finalmente consumir coisas que nunca teve acesso. Falam em linha branca (geladeira, fogão, máquina de lavar roupa) e carros. Esquecem de dizer que tudo isso é parcelado e financiado, levando a pessoa a pagar três vezes o valor do produto e no meio do caminho se afundar em dívidas.
E ninguém fala de direitos, impostos nem retorno do Estado.

Na ignorância as pessoas acabaram usando o ''fator consumo'' para medir os seus direitos, aqueles que desconhecem.

Estava na fila do supermercado quando percebi que o rapaz na minha frente conversava bem animado com a moça da caixa e acabou perguntando a ela se gostava de perfumes doces, a moça confirmou e ele disse:

-Você deve gostar daquele perfume Egeo do ''O Boticário'' né?

A moça deu um pulo na cadeira e respondeu:

-Vá! Eu sou pobre, mas não sou miserável. Não compro mais nessa loja, comigo agora só importado, eu uso Angel (um perfume  francês de Thierry Mugler).

Analisando friamente o caso da moça não acredito que ganhe além de mil reais. Deve talvez morar longe, gastar uma fortuna em transporte e não deve ter acesso a muitas coisas. Talvez um dia precisou de um hospital e não conseguiu vaga. Mas concluiu que não é mais miserável porque entrou na categoria de consumidora de um perfume importado.

O problema é que ela está trocando seis por meia dúzia. Esse perfume mencionado, Angel, custa cinquenta doláres aqui perto, na Argentina, mas no Brasil é vendido entre trezentos e quatrocentos reais, dependendo do tamanho, o que seria o equivalente a cento e cinquenta doláres, ou seja três vezes mais caro que qualquer parte do mundo.

No Brasil perfumes pagam 78% de imposto e o importador joga esse fator e outros em cima do consumidor, até o tempo que eles ficam presos na alfândega é cobrado no nosso bolso.

Com um pouco de consciência política seria fácil perceber que sair da linha da miséria e ir para a pobreza ou um pouco acima deveria incluir hospitais decentes, boas escolas e empregos sem exploração. Mas a leitura é feita em cima de um perfume importado, se a pessoa pode comprar acha que atravessou a linha da miséria e está melhor, quando na verdade está piorando, porque entra em um círculo de consumo perigoso.

O mais irônico é que o perfume mencionado, Egeo, do ''O Boticário'' é caro, mesmo sendo nacional  tem um custo elevado e injusto, pelo menos cinquenta doláres ou quase cem reais.
Já fui a casa de pessoas que se esfolavam para pagar a prestação de uma geladeira enorme, essas de novela, mas faziam isso mesmo sem ter energia elétrica, na verdade tinham, mas era ''gato'', o que é um risco e pode queimar a resistência de todos esses aparelhos, essas pessoas moravam em lugares onde a companhia de luz não ia, mas não esquecia de cobrar o imposto da iluminação na rua, apesar de não  ter instalado nada.
Perfumes nacionais ou importados são nosso último problema na escala social e nem deveriam ser considerados fatores de ''venci na vida''.

Uma nação é considerada rica levando em conta todos os fatores, suas reservas, seu fluxo econômico, administração e qualidade de vida dos cidadãos. Segundo a tabela internacional o lugar que mais respeita o cidadão, apesar dos altos impostos o retorno do Estado é equivalente ao que a pessoa entrega, é a Suécia, depois a Noruega e não existe nessa  tabela nada que indique que os países são ricos ou seus cidadãos respeitados apenas porque podem consumir perfumes importados, não é assim que se confirma o progresso de um país.

E a moça fez esse comparativo porque ninguém a avisou da exploração na qual vive, ela apenas acreditou que se um dia comprou um perfume de cem reais e hoje compra um de trezentos  progrediu na vida. Não percebe a injustiça até em um simples perfume e seus impostos excessivos.

Não tenho nada contra o consumo,  também gosto de consumir e sou maluca por perfumes, mas fiquei assustada de pensar que eles agora são um parâmetro  para avisar quem avançou na vida.
O governo sabe do poder hipnotizante dos produtos, sabe que todos queremos consumir e diante de tantas restrições na vida eles incentivam tudo que possa desviar a atenção. É melhor tentar nos enfeitiçar com produtos importados vendidos a preços exorbitantes do que nos deixar perceber que não existem nem parques decentes na cidade, tudo está largado do poder público.

Mas é só um perfume!  É, e do que adianta ter ele ali em um banheiro que muitas vezes não tem água, nem o encanamento correto,  em uma rua abandonada sem segurança com um ponto de ônibus assustador, em uma cidade onde o trânsito não anda, o transporte é sucateado e não existem hospitais, parques e escolas de boa qualidade, que diferença faz a origem do perfume? Por acaso ele vai disfarçar os esgostos a céu aberto e os rios que contaminam a cidade com seu fétido cheiro?

Todos temos direito de consumir o que queremos, se a moça gostou desse perfume está no seu direito de comprar, mas o consumo não pode ser visto como se fosse um direito reconhecido, quando na verdade é apenas um fator de exploração. Ela pode não saber, mas está sendo roubada novamente pelo sistema, aquele que nega o acesso ao ensino justamente para evitar questionamentos e perguntas, é melhor manter a população em sub-empregos acreditando que finalmente pode consumir. E eu posso garantir uma coisa, conheço bem o poder hipnótico de um bom perfume, pode durar dias o encanto, sou obrigada a reconhecer que nosso sistema político sabe o que faz, porque parece que olhos grudam naquele frasco e esquecem do resto, exatamente como o Estado quer.

Iara De Dupont

4 comentários:

Fátima disse...

Há duas coisas infalíveis na nossa vida: A morte e os impostos. Não sei de quem é essa frase, mas é de alguém que sabe bem o que diz. O que sustentaria os barões brasileiros, além dos impostos altíssimos? Quando vejo meu contracheque, o quanto pago de INSS e IRRF, me dá vontade de pedir que me paguem o valor dos impostos e fiquem com o resto do salário. Tiradentes se rebelou contra os impostos, um quinto dos ganhos da época. E agora com os tres quintos, quatro quintos que pagamos, ficamos calados e elegemos os mesmos sugadores, ou filhos deles, primos deles, esposas deles...

Anônimo disse...

Com o perdão do desabafo, mas brasileiro é mesmo um bicho trouxa. Sem mais.

Patrícia disse...

Isso se chama deslumbramento! Mesma coisa de ter carro e morar aluguel (e ainda de quebra o aluguel da garagem em um outro lugar na maioria das vezes). Mesma coisa que comprar tênis de 400 reais e celular de mil, e andar de ônibus para baixo e para cima. Concordo, cada um gasta onde quer, todos tem este direito. Mas o que importa é verem as pingas que voce toma e não os tombos que voce leva, e como o governo sabe disso, aproveita e faz a gente pagar o preço de três, por um.

Musicista Feminista disse...

É curioso como o brasileiro quer ser europeu, mas na verdade não sabe nada de como eles vivem. Eles se mudam pra Alemanha e acham legal andar de bicicleta lá, pq lá quem afaz isso é rico. Não é não. É somente uma pessoa, não tem essa neura de ficar ostentando pra mostrar que tem ascensão social.
Tenho uma amiga muito esnobe, que jamais trabalharia de babá aqui, e está indo para os EUA trabalhar de babá lá.
Pra gringo pode, sabe?
Esses riquinhos mimados jamais viveriam como o pessoal da Suécia, andando quase somente com transporte coletivo e limpando o próprio banheiro. Pq lá isso é normal. Aqui não, imitar europeu e americano é se passar por otário, se endividar para ter uma vida que nem eles tem.

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