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15 setembro 2014

Mulheres: fujam dos ''bandidos emocionais''


Outro dia conversando com uma pessoa da minha família cheguei a uma conclusão: todas as mulheres se ferraram porque não souberam dizer não, nunca se posicionaram diante dos Romeus e quem  o fez acabou sendo acusada de desafiar homens e procurar brigas. Passei por isso com umas primas, se a gente batia de frente com namorados erámos consideradas ''problemáticas, ''histéricas'' e ''malucas''.

Hoje entendo que é um fator cultural, é a educação machista que ensina as mulheres para que nunca respondam a um homem nem questionem suas decisões, a única margem de tolerância é no ambiente doméstico, supostamente onde o exercício do reino feminino acontece, então a mulher vai lá e parece ter o direito de dizer que homem não sabe lavar um banheiro, mas jamais poderia dizer o mesmo sobre decisões que envolvem o casal.

Se eu tivesse uma filha agora nada me parece mais importante do que ensinar ela a se impor em um relacionamento, até porque ceder sempre empurra a pessoa para o outro extremo, ela acaba se vitimizando e sofrendo mais com a situação.

Tive uma prima que passou por uma situação terrível e nunca conseguiu superar, porque a regra é clara, se não assumimos nossa posição e enfrentamos o outro não vamos saber lidar com as consequências de sermos esmagadas pelas vontades alheias.

Minha prima engravidou de um namorado, era louca por ele, apaixonada, e sonhava em ser mãe. Tinha vinte e cinco anos e era formada, não era uma menina de doze anos. Mas Romeu não queria ser pai e pressionou minha prima. A mãe dele insistiu para que mantivesse a gravidez que ela daria todo o apoio, além disso seria arriscado demais fazer um aborto. Isso acontecia de um lado e pelo outro Romeu ameaçava, dizia que o namoro terminaria caso ela insistisse em ter o filho e minha prima loucamente apaixonada cedeu.

E lógico que isso tudo teve seu desfecho, igual a outros. Ela ficou muito doente, o aborto não foi bem feito, teve lesões, demorou para se recuperar e quando tudo passou ficou sabendo que Romeu já estava com outra.

O mais terrível da história é que minha prima um dia contou que na cliníca de aborto uma enfermeira conversou com ela antes e perguntou se queria mesmo fazer aquilo, se tinha certeza. Minha prima respondeu que não, que seu sonho era ser mãe, tinha condições econômicas e queria o bebê, mas Romeu não e sua matemática foi a seguinte, é melhor perder um bebê  e depois ter muitos com o Romeu do que ficar com um bebê e sem o amado Romeu. A enfermeira disse que aborto só se faz quando a decisão é da mulher, não do homem, não é ele que vai deitar ali e arriscar sua vida, até que tentou convencer minha prima de desistir, mas a simples ideia de perder o Romeu fez minha prima levar ir até o fim.

Ter cabeça mole no momento errado muda a vida de qualquer um, todo mundo já cedeu sem pensar em si e ainda paga por isso, mas no caso da minha prima a lição tem sido terrível, depois do aborto foi obrigada a fazer duas cirurgias pelos problemas causados. Nunca mais conseguiu engravidar e até hoje sofre por isso, ficou tão traumatizada que nem quis adotar.

O que me parte o coração é o sentimento dela em relação ao que fez, ela não se perdoa, fica se condenando. Eu já cansei de dizer que não podemos nos julgar e condenar por uma educação que recebemos, como ela também fui educada para ceder a um Romeu e priorizar o relacionamento como se ele soubesse o que está fazendo ou estar com ele fosse minha vida inteira.

Nunca passei pela situação da minha prima, mas cheguei perto uma vez, achei que estava grávida e Romeu me disse que não tinha problema, conseguiria o dinheiro do aborto. Naquela época tinha a cabeça mole e com o excesso de paixão talvez eu teria feito o aborto, não sei, mas tinha pouco conhecimento das consequências fisícas e emocionais do procedimento e sou obrigada a concordar com a enfermeira, se a mulher vai fazer um aborto que o faça convencida, mas jamais empurrada por um homem, isso é uma das maiores agressões que uma mulher pode sofrer.

O Romeu da minha prima não esperou nem dois meses depois do aborto, largou ela antes e sumiu no mundo, ela surtou, chegou a ser internada em uma cliníca psquiátrica, perdeu o emprego e sua vida mudou drasticamente apenas porque não soube se impor.

Desse episódio lembro de uma coisa terrível, a família murmurava e a mãe dela disse que minha prima estava fazendo um drama, que abortos são problema do casal e o rapaz estava sendo homem de pagar, que é normal em um relacionamento o casal chegar a conclusão que não pode ou não quer o filho e  acontece no mundo inteiro. A mãe disse na frente de todo mundo  ''eu fiz dois abortos, estava casada e não morri por isso, foi decisão minha e do meu marido''.

Que conselho cretino! Ninguém disse para minha prima tomar a decisão pensando nela, no que queria, não no Romeu. A mãe dela chegou a dizer que relacionamentos exigem sacrifícios e se Romeu não estava pronto para ser pai ela tinha que respeitar isso.
E ela, quem iria respeitar? E a vontade de ser mãe quem respeitou?

A pior verdade que envolve um relacionamento é que com o tempo percebemos que nada ali valia tanto a pena. Eu olho para os meus erros e penso que alguns serviram para alguma coisa, mas todas as besteiras que fiz em namoros não me ajudaram em nada na vida, apenas porque educação machista  não serve para nada.

Já conheci muitas mulheres que fizeram abortos e algumas lidaram bem com isso, foi decisão delas, mas todas que foram pressionadas por Romeus até hoje se sentem mal.

Uma vez escutava um programa de rádio de conselhos amorosos e uma psicóloga disse uma coisa que nunca esqueci  ''para estragar o relacionamento é só você fazer uma coisa que não quer''.

Achei perfeito, porque se a gente fizer o que o outro quer nunca vamos nos perdoar e nem vamos perdoar o outro, aquilo vira um massacre para as duas partes.

E vejo mulheres que sabem se impor no trabalbo, amizades e família, mas quando encostam no Romeu cedem na hora. Não falo sobre esse assunto com ares de pretensão e conhecimento, mas porque passei por ali e sei as consequências de ceder para um Romeu em alguma coisa que não queria fazer e acabei fazendo porque estava convencida culturalmente que era assim que tinha que ser feito, relacionamentos exigem entrega e confiança e se eu não posso ceder para um Romeu, então para que merda eu namoro? Também acreditei nisso e paguei um preço alto, o suficiente para ficar traumatizada.

Fico com vergonha de dizer, mas é verdade, nunca fui ameaçada por nenhum Romeu, nem namorei homens que colocassem armas na cabeça. Era apenas aquela conversa fiada e mole de ''somos namorados e tal coisa é normal'', ''o que tem de errado?'', ''temos que pensar nos dois, não apenas em um'', ''amor não é verbo, tem que mostrar que ama mesmo''. Como diz uma amiga ''tudo conversa de bandido emocional''.
Melhor definição não existe. É bandidagem pressionar e chantagear a mulher, mas os homens são educados para fazer desse jeito e por isso dá tudo errado.

Escutei minha prima dizer a outra que na época do aborto o Romeu garatiu que eles ''precisavam trabalhar a relação ainda, antes de ter um terceiro''. Ele não ameaçou nem enforcou ela, apenas empurrou toda essa conversa nauseante, manipulou seus sentimentos e se livrou da responsabilidade.

Minha prima ficou machucada fisicamente e emocionalmente, mas tem que aceitar que fez porque quis, não tinha uma arma na cabeça. Já Romeu está ótimo, se casou com outra e teve dois lindos filhos, conheceu todas a as alegrias que minha prima não teve.

E se ele aparecesse aqui no meu blog eu poderia dizer alguma coisa? Não, ele não fez nada contra ela, não obrigou nem arrastou a cliníca, apenas pediu que ela considerasse que eles tinham um futuro pela frente cheio de viagens, loucas noites de amor e uma criança só iria atrapalhar.

Algumas mulheres da família estamos aprendendo lentamente essa lição, não importa a decisão que se tenha na vida, desde que seja fruto da sua vontade, jamais do outro, seja Romeu, mãe ou Estado. Porque a vida cobra qualquer movimento e a única maneira de ficar em paz é poder olhar a própia história e perceber que tomou a decisão que achava certa na hora, diante do que sabia, mas olhar para trás e perceber que fomos manipuladas emocionalmente e perdemos leva qualquer pessoa a carregar mais magóas do que o coração aguenta. E o outro nunca vai pagar por isso, somos nós que pagamos pelos nossos erros, e já que vamos errar bastante que seja pela nossa cabeça, não dos outros.

Iara De Dupont

2 comentários:

Carolina disse...

Ai, até suspirei qd acabei de ler. Simplesmente perfeito o seu texto. Senti vontade de dar um abraço na sua Prima e outro em vc, por ser tão brilhante.
Beijos,
Carol

Patricia disse...

chorei por dentro,lendo este texto...

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