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04 setembro 2014

Como uma guerra começa



Uma vez me disseram uma coisa que achei interessante ''o que importa não são as árvores que já nasceram, mas as que estão nascendo, porque as que já estão aqui sabemos onde encontrar, mas as que vão chegar não sabemos se vão nascer no meio do nosso caminho''.

Achei isso muito legal porque é uma maneira de dizer que podemos lidar com o que temos diante de nós, mas o perigo é o que começa a crescer em silêncio e não sabemos se aquilo vai nos atrapalhar.

Penso assim sobre o crescimento das religiões no Brasil. Parece que nada acontece, vai tudo tranquilo, mas atrás desse mundo quieto existem líderes famintos e ambiciosos, que se infiltram em todas as esferas do poder e começam a devorar um país inteiro.

Não tenho nada contra quem frequenta igrejas, templos, o que for, mas diante dos líderes religiosos minha postura é outra. Vejo como o ódio começa a se instalar de maneira discreta, silenciosa, mas direcionando o Brasil para ser um país de pouca tolerância religiosa.

Tenho uma vizinha que é uma senhora muito gentil, mas no outro dia tive uma conversa assustadora com ela, o que me levou a pensar que o perigo é maior do que parece, já que esse doutrinamento começa a servir de guia.

Eu estava entrando no prédio quando ela veio me dizer que minha cara parecia triste e me perguntou:

-Você por acaso é católica?

Como estava cansada não quis perder meu tempo explicando sobre ser uma ''católica enrustida'' como eu sou, é muito complexo e longo explicar que não estou alinhada ao pensamento político da Igreja católica, mas gosto de missa, então me limitei a dizer que sim e ela respondeu:

-Por isso que você tem essa carinha meio triste! Os católicos não têm vida, ficam presos aos seus terços, rezando o dia inteiro ''Ave Maria, cheia de graça'', ali ajoelhados com cara de coitados e esperando um Deus mesquinho.

Pronto, não gostei. Não gostei mesmo, não mesmo. Deve ser assim que começa a intolerância religiosa. Perguntei a ela qual era sua religião e me disse que frequenta a Igreja Universal, me convidou para ir a um culto para conhecer um Deus cheio de energia, de alegria, que gosta de ver todos cantando e vivendo intensamente.

Fiquei puta da vida porque tenho certeza que essa é a base da desgraça da humanidade, a mania de se meter com o Deus alheio.

Eu me sentia imune aos conflitos da faixa de Gaza, mas de repente percebi que tão próximos estão de mim.

Moro em um prédio classe média normal, no meio de uma cidade caótica, mas sem conflitos religiosos e de repente uma inocente senhora vem me dizer que seu Deus parece ser melhor do que o meu. Vi a pólvora no chão, foi só apertar um pouco para que me contasse que o Bispo disse no seu culto que os católicos são tristes e depressivos, que vivem atrás de uma Igreja arcaica que se recusa a passar por uma modernização.

Isso pode parecer um simples incidente de elevador, uma senhora que critica a religião alheia, mas se colocamos em números me pergunto quantas pessoas estão sendo convencidas pelos Bispos de que os católicos são inferiores a eles, menos evoluídos espiritualmente. Em uma escala a longo prazo o resultado é a intolerância religiosa e as guerras em nome de Deus.

O brasileiro não tem a essência da guerra, caso um dia os Bispos governem o país não vejo ninguém reagindo nem abrindo fogo, mas existem muitas pessoas como eu que se recusam a serem governadas por um suposto livro sagrado e assim começam as guerras.

A semente já foi jogada ao chão, o problema não é a Igreja Universal crescer mais ainda, mas continuar reforçando a ideia de que as outras igrejas são inferiores e as pessoas devem ser convencidas a mudar.

E volto ao mesmo ponto, não tenho nada contra quem frequenta, nem contra minha vizinha. O problema é quem dirige esses lugares e o poder do seu sermão. Caso esse Bispo que insiste em dizer que ''católicos são depressivos'' estivesse preocupado com seus fiéis e sua igreja não me incomodo, mas quando pedras começam a ser jogadas em outras direções vejo o perigo se aproximando.

Não entendo a dificuldade em entrar na igreja ou templo e se limitar a desenvolver sua vida espiritual sem colocar o nariz para fora e querer dar palpite no que acontece na igreja dos outros.
Eu não tenho terços, nem sei rezar Ave-Maria, mas são rituais que pertencem a religião católica e não devem ser criticados nem julgados por outras religiões, ninguém é obrigado a seguir o que os líderes religiosos dizem.

Deus é uma questão de foro íntimo, não é munição para ser colocada nas armas. E se eu que sou uma católica não praticante, incubada, fiquei irritada ao escutar que católicos são ''tristes e depressivos'', imagine então uma católica assumida, vai soltar fogo pelas ventas quando souber disso.

Acredito no poder da diversidade, culturas misturadas, religiões diferentes, mas sem a condenação nem a frase de ''a minha é melhor do que a sua''.

Vi muitas situações onde religiões e doutrinas sem misturam sem ódio, raiva, ou julgamento. Tenho uma prima distante que é beata, católica ao pé da letra, ela passou por uma tragédia, perdeu um filho e outra pessoa da família sugeriu que ela visitasse um centro espírita porque poderia se sentir melhor. Ela agradeceu, foi, mas achou que aquilo ali não era o que procurava. Ninguém disse nada, ninguém criticou nem julgou, foi apenas uma ideia muito comum em países latinos que são tolerantes com todos os tipos de expressão espiritual.

Também tenho uma amiga que era católica e resolveu estudar o judaísmo, não sei o motivo, mas ela se achou ali. O que importa é isso, encontrar o conforto espiritual e um pouco das respostas que tanto queremos. Pessoas no mundo inteiro frequentam lugares de prática espiritual porque querem se sentir melhor, não porque querem fazer parte de uma guerra. É natural no ser humano ir além do que conhece e acreditar em coisas maiores.

Mas se existem pessoas neste mundo dando sermões e dizendo ''nós somos melhores que os outros'', então a pólvora se espalha no chão. E isso me confirma como alguns líderes religiosos estão distante do sermão que pregam. Quem ama a Deus não fala de ódio, nem critica escolhas alheias.

É uma pena mesmo pensar que um país como o Brasil que é um exemplo de tolerância religiosa caminhe a um destino tão infeliz, que já começa a ser plantado. O único que eu sei sobre intolerância religiosa é que não tem volta, depois que se entra nesse túnel de ódio o país morre.

Iara De Dupont




5 comentários:

Carolina disse...

Minha mãe é católica, daquelas bem praticantes. Ajuda a Igreja nos eventos, tem grupo de oração e etc. Um dia ela foi procurar a imagem de um santo pra comprar. Ela parou numa loja e perguntou se sabiam onde vendia. A pessoa poderia ter falado que não sabia, mas respondeu que a venda desse tipo de coisa era proibida no país, que era uma aberração e que por isso ninguém mais podia vender. Eu não entendo como uma pessoa faz isso.
Eu sou ateia, mas não saio por aí falando da religião dos outros. Acho que nenhuma religião deve se envolver com política, acho que a crença das pessoas (mesmo que da maioria) não deve pautar a vida de todos. Se acredita em algo, que siga, mas não ache que todos tem que seguir só porque você quer assim, só porque você acha que esse é o certo.
Eu vejo a intolerância religiosa aumentando. E o grupo que faz esse sentimento crescer é o mesmo grupo que poderia ter sido dizimado se não fosse a maravilha que é o Estado Laico. Derrubar isso, da forma que estão trabalhando silenciosamente para derrubar, seria um golpe duríssimo para a democracia.

Fátima disse...

Sou Católica, sei rezar a Ave Maria, tenho terço, mas não sou praticante. Pouco frequento a igreja, não participo de nenhum grupo, não concordo com tudo que o catolicismo prega, sou contra várias opiniões de padres e papas, não tenho imagens de santos, mas continuo sendo católica. Vejo tantas coisas erradas também em outras religiões praticadas pelos meus amigos, vi uma vizinha ser " depenada" pela igreja universal, que só saiu da vida dela, depois de ve-la sem nada. Vi uma mãe deixar a filha à própria sorte num hospital porque a religião não permitia doação de sangue. Ví casal se separando porque o pastor não permitia certo padrão de comportamento de sua fiel, comportamento esse que mantinha um relacionamento sem rotina. Vi uma família crescendo e se multiplicando, passando fome, frio,sem estudo ou diversão, porque a religião não permitia anticoncepcional. Vi gente perdendo emprego porque se negava a trabalhar no sábado... enfim, já ví muita coisa para poder te afirmar que está coberta de razão, um futuro não muito feliz espera nosso país multicultural, multireligioso, multiacomodado...

Anônimo disse...

Pior do que ser uma católica "depressiva" é frequentar a Universal e enriquecer esses bispos safados!
PS: fui criada como católica, mas agora me considero espírita kardecista.

Anônimo disse...

E se você respondesse, que frequentava a Universal...
Qual seria a desculpa da sua vizinha para sua tristeza??
Realmente as pessoas não respeitam as outras e se acham no direito de julga-las... Muito triste...

Anônimo disse...

Meu pai falava ser ateu agora faz parteda Cristã do Brasil e fica me dizendo que tbm preciso procurar algo pra mim
Queria poder dizer a ele que não fiz tanta merda ainda para procurar redenção como ele é a minha mãe que mesmo separados foram para a mesma doutrina.

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