ADICIONE O BLOG SMM AOS FAVORITOS! OBRIGADO PELA SUA VISITA E LEITURA!

DESDE 2010. ANO VI. MAIS DE 2.000 POSTS.

GUEST POST NO ESCREVA LOLA ESCREVA

CURTA NO FACEBOOK


E-MAIL
sindromemm@gmail.com

27 setembro 2014

Carmem Miranda: É com Esse que eu vou! E olha onde deu...



CARMEM MIRANDA



Tenho escutado com muita frequência uma frase de algumas amigas e conhecidas.

E cada vez que isso acontece lembro de Carmem Miranda, que também dizia a mesma coisa.

Carmem nasceu em Portugal e sua família resolveu morar no Brasil, ela cresceu aqui, começou a fazer uma brilhante carreira na rádio e cassinos como cantora. Foi convidada por um empresário americano para fazer uns shows nos Estados Unidos e acabou morando por lá, onde também fez cinema.

Ela era disciplinada e trabalhava duro, já na época que morava no Brasil era a cantora de rádio mais bem paga e ao se mudar para os Estados Unidos conseguiu chegar a ser a atriz mais bem paga.

Dizem que ela não conseguia recusar trabalho, aceitava tudo e foi questão de tempo começar a trabalhar mais de quinze horas por dia, às vezes fazia até três shows por noite. Passava dias sem dormir e acabou usando remédios para tentar descansar, mas se recusava a parar de trabalhar.

A sua vida pessoal era bem organizada, estava cercada de seus amigos músicos e sua família morava com ela em Los Angeles. Carmem estava acostumada a trabalhar o dia inteiro nos estúdios e chegava para jantar a sopa que a mãe fazia. Suas irmãs, sobrinhos e cunhados enchiam a casa e a protegiam emocionalmente.

Dos seus casos de amor não se sabe muito porque era discreta, mas dizem que manteve um romance durante anos com um músico brasileiro Aloysio de Oliveira, seu grande amor e parceiro na música. Carmem queria se casar na igreja, mas ele não queria, enrolava, não queria ficar conhecido como o ''Sr. Carmem Miranda''. Eles foram namorados durante muito tempo e família de Carmem sonhava com o casamento, todos gostavam dele.

Um tempo depois o namoro terminou e Carmem resolveu mudar um pouco seu perfil profissional, queria mostrar que era uma atriz de mais nuances, ir além daquele personagem que aparece cantando e dançando nos filmes. Conseguiu um papel no filme ''Copacabana'' onde poderia se mostrar um pouco diferente. Na produção conheceu um homem, David Sebastian, ele dizia ser um dos produtores, mas era apenas empregado da produtora do filme. Deve ter farejado Carmem como um lobo faminto, percebeu que ela estava exausta fisicamente e carente. Se aproximou e pouco tempo depois estavam namorando.

Carmem sempre foi inteligente e soube se rodear de pessoas que gostavam dela, coisa que não parecia difícil porque é unanimidade que tinha um caráter excepcional, era generosa e nobre. Todo mundo rejeitou David, avisaram que ele não parecia um bom homem. Mas Carmem estava com trinta e oito anos, cansada de sua vida amorosa e com vontade de se casar, apesar das súplicas das suas irmãs e mãe ela resolveu levar adiante o compromisso e acabou dizendo uma frase que virou música, fechou a discussão sobre o casamento dizendo ''É com Esse que eu vou''.

Ele se mudou para a casa de Carmem e mesmo ela sendo milionária ele não quis celebrar o casamento nem fazer uma festa. Todo o tempo que Carmem sonhou com isso não comoveu David, nem as súplicas de Dona Maria, mãe de Carmem, que se recusava a aceitar o genro e queria ver a filha casada na igreja.
Na casa de Carmem morava sua família e David deu um jeito de mandar todos de volta ao Brasil e a isolou dos amigos.

Ele era violento, agressivo, grosseiro, mas virou seu empresário e ao perceber a enorme capacidade de trabalho de Carmem começou a dobrar sua agenda, aceitava marcar shows em todos os lugares, por pior que fossem.

Já naquele momento ela tinha vinte anos trabalhando sem parar e com essa nova agenda começou uma queda vertiginosa. Ele gastava o dinheiro de Carmem com outras mulheres, mentia e a agredia fisicamente e verbalmente.

Ela se recusava a levar um divórcio adiante, católica radical, já tinha sofrido horrores por não se casar na igreja porque o marido era judeu e não foi permitido, também ficou chateada que ele não quis uma festa, mas um divórcio era inaceitável para ela, apesar de várias pessoas terem insistindo nisso, o que poderia ter sido sua salvação.

Nunca ninguém confirmou a história, mas dizem que ficou grávida e perdeu o bebê pelo excesso de shows. Depois desse episódio entrou em uma profunda depressão, misturava remédios, bebida e cigarros e foi cobaia de um tratamento experimental com choques, o começo da terapia eletroconvulsiva, onde não se usava anestesia, não se protegiam os dentes nem partes do corpo do paciente, tudo era rudimentar e causava um enorme sofrimento. Nada funcionou, Carmem não melhorava e resolveu voltar ao Brasil para tentar descansar, mas o marido a levou de volta para os Estados Unidos e acabou morrendo de um ataque do coração aos quarenta e seis anos.

Não existe nenhuma pessoa mencionada nas biografias de Carmem que não diga que a culpa de sua morte foi do marido, de todos os maus tratos que ela sofreu, do excesso de trabalho e da tristeza que sentia pelo casamento falido com um homem sem caráter, justo ela, uma pessoa conhecida pelo caráter impecável.

E parece que Carmem foi embora mas sua frase ''É com Esse que eu vou'' ficou marcada no inconsciente de muitas mulheres.


Tenho visto amigas com péssimos namorados e me respondem isso ''É com Esse que eu vou''.

Já escutei coisas sem noção, como aquela velha teoria de que não existem homens no mundo, são poucos héteros e quase nenhum querendo um compromisso sério.

Não trabalho com estatísticas, não sei até que ponto isso é verdade, mas e se for? Vale a pena estar com um homem violento apenas porque pode ser o último hétero do planeta?




É impossível saber, mas tenho quase certeza que Carmem nunca teria morrido de tristeza nem exausta se tivesse ficado solteira, sua família pelo menos teria ficado por perto e talvez no meio dos amigos que tanta a protegeram poderia ter conhecido alguém melhor. Mas ela se precipitou, deve ter entrado naquela paranoia feminina de que estava nos últimos momentos de seu relógio biológico e tinha que se casar e engravidar.

Se as coisas vão acontecer na nossa vida que bom, caso contrário não adianta correr atrás. Carmem pagou o preço de uma época ignorante, não era deslumbrada nem tinha ataques de estrelismo, pensava que era uma trabalhadora sonhando em se casar e ter seus filhos. Levou essa ideia ao extremo e morreu por isso.

As mulheres de hoje não podem mais se dar esse luxo, não dá para pegar qualquer traste e dizer ''É com Esse que eu vou'', isso pode incluir perder a vida.

O mundo não é do tamanho do sítio Brasil, existem milhões de homens que valem a pena, não são apenas três ou quatro e também se não existem mais, paciência, melhor se manter viva e curtir as coisas do que carregar um encosto e ver tudo dar errado como Carmem viu. E tanto trabalho deu em nada, apesar da fortuna que juntou sua família não ficou com um centavo porque dizem que o marido sumiu com tudo. Nem a segurança econômica de sua família que Carmem tanto trabalhou para conquistar ficou. Tudo foi varrido por essa frase ''É com Esse que eu vou''. Foi mesmo, mas para a eternidade.


t
Canso de dizer, lugar de lixo é no lixo. Sei que muitas vezes estar solteira não é a coisa mais agradável do mundo, mas pelo menos é seguro. Carmem tinha muito para dar ao mundo e tudo foi cortado porque entrou na história um monstro. E não posso chegar aqui e dizer que foi apenas com ela, porque vejo isso acontecendo todos os dias e me pergunto, até quando as mulheres vão catar um traste e dizer ''É com Esse que eu vou!''. Vai pra onde criatura? Só se for pro inferno.
Iara de Dupont



7 comentários:

Anônimo disse...

A pressão social, religiosa e familiar pelo casamento ( e só nas costas da mulher, veja-se bem) é um indicativo claro de como a humanidade ainda precisa evoluir. Muito. É tragicômico como as pessoas culpam a mulher que cede a essa pressão que vem de todos os lados e casa com um traste qualquer, mas se ela é seletiva e não fica com qualquer porcaria que o gato enterrou chamam de fresca, exigente, dizem que ela quer demais. Quer saber? O melhor é mandar esse povo todo ir tomar no rabo e ser feliz.

Anônimo disse...

Anote aí: daqui a vinte anos você não vai mais achar nada "seguro" em ser solteira.

Iara De Dupont disse...

Anônimo, faça suas contas, vinte anos curtindo, livre e longe do perigo não valem a pena?

Patrícia disse...

Acho incrível as mulheres "escolherem" entrar neste inferno. A maioria que vejo casando, arrumando trastes para a sua vida, só se ferram. Eu não tenho a mínima vontade de fazer a mesma coisa. Deve ser horrível viver nesta prisão que voce mesma escolhe entrar, e depois que entra é isso aí, na maioria das vezes só sai morta. Eu dou muito valor á minha vida, ao meu bem estar, e sinceramente, não tenho um pingo de vontade de estar na pele destas mulheres. Se um dia eu encontrar alguém que eu veja ser diferente, bem, senão, bom também.

Fátima disse...

Em 1939 as coisas eram muito diferentes...vejo pais de amigos meus contando como a infancia foi dura, passando fome, não tendo roupas, porque o pai não trabalhava ou ganhava pouco. Aí eu pergunto: E sua mãe? O que fazia? " Minha mãe cuidava de casa, mulher não PODIA trabalhar fora". Isso me deixa possessa! Poder ver o filho sofrer de fome e frio pode, mas trabalhar fora não era usual!!! Uma pessoa pública, nos dias de hoje, do calibre de Carmem Miranda, daria um pé na bunda do infeliz e ia curtir a vida, trabalhando e fazendo sucesso.

adriana disse...

A mulher que não casa,mesmo bem sucedida ainda é visto como uma fracassada. E qualquer atrito que ela venha a ter, vai escutar da boca de outras mulheres: "Ela é assim porque não tem um homem"

Suzana Neves disse...

Conheço mulheres que praticamente sustentam trastes e ainda existe sim mulheres que ficam em casamentos abusivos mesmo tendo independência financeira

Leia outros posts....

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...