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16 agosto 2014

Risco de giz no chão




Desde pequena me disseram que educação era a resposta para tudo. Acreditei nisso por um bom tempo, ainda sou educada, mas entendi a importância de ter no meu bolso um giz para riscar uma linha no chão.

Ter um giz no bolso significa que existem assuntos que não são da conta de ninguém, risco no chão meu limite e não deixo ninguém passar ele.

Mas vivo em uma cultura que incentiva o contrário, pessoas acreditam que porque são da família ou amigos podem dizer o que quiserem a hora que tiverem vontade, mas todos temos nossos limites e ninguém pode cruzar.

Existem assuntos que não quero comentar nem tenho vontade, são meus e não quero escutar opinião de ninguém, nem com minha mãe eu converso sobre isso para não me estressar.

Conquistar meus riscos no chão teve seu preço, porque eu era muito educada e se as pessoas comentavam alguma coisa eu ficava constrangida de não responder e acabava respondendo. Levei anos para entender que se as pessoas têm direito de perguntar eu tenho de não querer responder.

Fiquei mal educada em relação a muitas coisas, a primeira delas é meu peso, converso sobre isso com quem eu quero, não deixo mais ninguém sair dando palpite. Carregar seu giz e sair riscando seus limites pode ser grosseiro e parecer coisa de má vontade, mas é necessário isso porque estamos em um mundo onde as pessoas começam a acreditar que podem palpitar sobre a vida de todos, principalmente se são próximas.

Não converso com minha mãe sobre casamento, temos ideias diferentes e pensamentos opostos, mas hoje não discuto mais, me limito a dizer que não entro nesse assunto e risco o chão, não deixo mais cruzar a linha.

Parei de discutir em muitas coisas, até em namoros, não sou obrigada a entrar em assuntos que não quero conversar a respeito.

Pensei que ser grosseira era a única maneira de me proteger um pouco, mas depois cheguei a conclusão que pessoas podem ser invasivas e não tem esse direito.

Escuto muitas amigas me dizendo que odeiam falar sobre um assunto, mas o namorado, marido, pai, mãe, irmão, vivem mencionando e mexendo na questão. Já cansei de dizer que não adianta discutir, é necessário tirar o giz do bolso, riscar o chão e dizer ''não falo sobre isso''. Uma vez disse essa frase a uma amiga e ela respondeu:

-Se não falar comigo vai falar com quem?

Ora, e quem disse que eu quero falar sobre isso com alguém? Não me interessa que seja o Papa, Jesus, nem um anjo, não somos obrigados a escutar coisas que não nos interessam e não dizem respeito aos outros.

Perdi tempo demais até perceber que precisava dizer isso a muitas pessoas, que aquele limite elas não iam cruzar, porque quando o contrário acontecia eu pagava a conta, ficava mal, irritada, chorava de ódio, de raiva, batia portas e acabava magoada, apenas porque um assunto que eu não queria discutir era mencionado.

Vejo muitas pessoas se enrolando nessa questão ligada ao peso, estão gordinhas e gostam de estar assim, mas a família, namorado ou amigos detonam e mencionam o assunto. Sempre falo que não vale a pena discutir, tem que chamar em um canto e dizer  ''não encosta nisso''. Temos que nos impor o tempo inteiro, porque se não as pessoas passam em cima, acabam sendo indiscretas e infelizes nos seus comentário. Às vezes isso exige um corte mais grosseiro, mas vale a pena deixar claro que não estamos brincando quando falamos que tal assunto não é do interesse de ninguém. É uma questão de respeito e nem sempre se consegue colocar isso na mesa de maneira educada, algumas pessoas insistem, principalmente se são da família, por isso precisamos cortar o mal pela raiz de maneira definitiva e firme.

Uma vez escutei de um amigo que quando eu me negava a falar do meu peso estava fugindo da questão e isso não ia resolver nada. Durante um tempo achei que ele tinha razão, mas depois percebi que eu tinha o direito de não falar sobre isso, não era questão de fugir, era apenas um assunto meu e ninguém tinha nada a ver com isso, por mais próximo que fosse a mim.

Pode parecer má educação, mas não é, foi apenas a maneira que achei para sobreviver e entender que não tenho que conversar sobre tudo com todos, nem que esse ''todos'' acabe incluindo minha família. Não sou grosseira, é apenas um risco de giz no chão que avisa meu limite, essa linha nunca mais ninguém cruza.


Iara De Dupont

2 comentários:

Anônimo disse...

Primeiro "eu", segundo "eu", terceiro "eu"... se nós não fizermos algo por nós mesmo, quem vai fazer? Impor limites e evitar estresse nunca é demais.

Nathália

C.Belo disse...

Olha Iara, é uma questão bastante delicada mesmo. Às vezes a gente gosta muito de alguém e percebe que certas coisas incomodam essa pessoa e queremos tentar fazer algo ou falar algo que possa ajudar. Até aí tudo bem, mas é tão difícil delimitar até onde a pessoa quer de fato ajudar ou te cutucar, te incomodar. Eu mesma passei e passo por isso sempre. Estou bem, na minha, numa boa....e vem alguém me dar "conselhos". Exemplo: uma amiga que vem me dar dicas de como endurecer o bumbum e os braços flácidos (ou seja, ainda que vc emagreça o que vc quer emagrecer, prepare-se para mais demandas, afinal, vc "tem que" ser perfeita). Tem tb irmã me dizendo que eu tenho que fazer isso é aquilo para ganhar mais dinheiro ou para cortar despesas....enfim, tem certas coisas que é complicado. Creio que o melhor indicativo de que alguém só quer te ajudar é quando essa pessoa age mais do que fala (e essa ação é efetiva na maioria das vezes) ou quando ela só fala se vc der brecha ou mesmo pedir diretamente um conselho. Fora isso, de fato, é cruzar os limites e vc tem, sim, todo direito de manifestar seu desagrado. Ora, melhor ser sincera e falar diretamente com a pessoa do que simplesmente ficar quieto, se desgastar e a relação ficar verdadeiramente comprometida, né?

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