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19 agosto 2014

Limpando a existência e meu armário de gorda



Há anos conheci uma professora de Feng Shui, uma técnica chinesa para harmonizar o ambientes.
Ela me convidou para trabalhar no seu negócio e eu comecei a estudar, ia com ela em todas as casas que arrumava e depois de um tempo comecei a ir sozinha.

Resumindo um pouco o Feng Shui também diz que a bagunça em casa reflete na vida e desequilibra a pessoa. Primeiro a planta da casa é estudada para ver como é a distribuição de energia e futura divisão dos ambientes, mas depois de todo esse processo é fundamental deixar tudo limpo e arrumado.
Parece simples, mas eu nunca entrei em uma casa que não tivesse alguma coisa fora do lugar.

Lembro de uma muito bonita, era a casa de uma modelo, tudo era arrumado e cheio de estilo, mas o banheiro estava lotado de gavetas cheias de maquiagem, muitas já vencidas. Ela reclamava que ia se arrumar de manhã e se sentia confusa, mas como não ia se sentir assim se cada gaveta devia ter pelo menos uns cinquentas batons?

E assim fui a diversos lugares, onde as pessoas se queixavam de confusão, indecisão, irritação e tédio. E mesmo depois de redesenhar os lugares da casa as coisas não mudavam, porque as pessoas voltavam a colocar suas coisas pessoais e lotavam o espaço.

Nessa época fiquei tão cansada de ver tantas bagunças que comecei a limpar as minhas, resolvi que não ia colecionar mais nada, apenas meus perfumes, mas fora disso não ia juntar mais tralha. Mesmo assim tenho a impressão que isso nunca acaba, de repente me pego limpando os armários da cozinha porque acabo achando mais coisas ali do que preciso.

Não posso afirmar que limpar a casa muda a vida da pessoa, mas posso garantir que limpa a mente, é um bom começo, mesmo que não seja fácil, vivemos em uma sociedade que incentiva o apego, qualquer pessoa tem mais do que precisa em sua casa, acaba juntando cds, livros, roupas, sapatos. E não tem argumento, sei como é, na hora que dizemos para a pessoa doar e desapegar de alguma coisa, começa aquele discurso de ''mais um dia eu posso precisar''. Escutei isso diante de uma coleção de mais de cem óculos, de sapatos, bolsas e malas. A verdade é que não precisamos de tudo aquilo e as coisas acabam sufocando a pessoa, não dá para viver cercado de tantos objetos, isso enche de poluição a cabeça da pessoa.

Quando me sinto empacada na vida, sufocada, começo a limpar todos os armários e a casa inteira, isso me ajuda muito porque vou clareando minhas ideias enquanto limpo.

O nosso espírito também ocupa espaço e fica apertado no meio de tantas coisas. O mundo parece tão invertido que as coisas vivem no nosso ambiente e parecem mandar em tudo ali, como se os humanos fossem os objetos da casa, sem nenhuma importância. A casa é dominada pelas coisas e elas ocupam tudo, tem seu espaço e as pessoas vão driblando para viver junto a elas.

Limpar gavetas, armários, caixas, é limpar a vida, abrir os caminhos e revitalizar as energias. Não somo objetos e não devemos viver cercado por eles, isso não ajuda ninguém a se equilibrar, qualquer ser vivo precisa estar cercado da natureza, não de ''objetos moderninhos''.
E não precisa nem do Feng Shui para saber disso, bagunça cria sujeira, que cria energias estancadas e isso cansa as pessoas que moram em ambientes assim.

Tirar as coisas, doar, reciclar, muda até nossa noção de tempo. Eu aprendi isso com meu armário, tive durante anos ''armário de gorda'', guardava roupas que um dia me serviram, mas não serviam mais, ficavam ali na esperança de que quando emagrecesse usaria novamente. Sem querer minha vida estava parada ali, estancada, meu armário estava lotado de desejos perdidos que pertenciam a um passado enterrado e a um futuro duvidoso.

Resolvi tirar todas as roupas e só deixei ali as que me serviam naquele momento, a vida é agora, não tenho espaço nem tempo para guardar roupas que um dia me serviram e talvez poderiam me servir lá na frente. Entendi que caso eu emagrecesse preferiria ir a uma loja e comprar roupas novas do que usar aquelas que tanto me atormentavam quando eu abria o armário.

Mas a gente não percebe isso e fica com dó de jogar essas roupas fora ou doar, fica pensando em quanto pagou por elas, mas enquanto isso acontece a energia vai parando e o armário vira uma fonte de irritação, aquela bagunça vai lentamente nos tirando do sério.
Antes eu tinha calças que um dia usei mais magra, tirei tudo. Não moro mais no ontem e por isso mesmo minha roupa também não pode morar mais lá.

Se encher de coisas nos aperta a alma e coloca nosso coração no tempo errado, faz a gente viver em um tempo futuro, aquele que vamos talvez usar a roupa ou o objeto, mas esse dia nunca chega.
É no agora que vivemos e a bagunça nos lembra que estamos fora de ritmo e lotados de emoções que podem ser liberadas.

Nenhum objeto é mais importante do que a saúde espiritual da pessoa, nenhum espaço deve ser mais ocupado por coisas do que por pessoas e armários não são túneis do tempo, são apenas para deixar a roupa que usamos todos os dias, não as roupas que usamos a vida inteira.

Os caminhos precisam de espaço para se manterem abertos e os seres humanos precisamos de liberdade para viver e ela começa na nossa casa, onde devemos estar cercados de amor e paz, não de objetos inúteis, os vivos que precisamos de espaço somos nós, não eles.

Iara De Dupont


Um comentário:

C.Belo disse...

Ahhh eu sempre pensei assim, sinto um enorme alívio toda vez que abro espaço em armários e gavetas. Certeza de que facilita a rotina e que nos dá um grande conforto da sensação de controle sobre, pelo menos, este aspecto da vida né...

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