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17 agosto 2014

Dinheiro e Romeus (poxa, de novo?)




Sempre que escrevo sobre casamento vem alguém lembrar que eu não me casei e só porque sou contra não quer dizer que é uma coisa ruim.

Não sou contra o casamento, desde que os dois sejam maiores de idade e façam aquilo porque querem, não porque a cultura obrigou. E não preciso casar para perceber as coisas, vivi durante anos cercada de casais e só de observar cheguei a muitas conclusões.

Trabalhei um bom tempo em produção de teatro e aprendi que não podemos calcular os imprevistos, mas é possível evitar alguns erros e penso que isso também funciona nos relacionamentos, não podemos saber onde vai dar, mas se pode evitar algumas quedas.

A maioria dos relacionamentos e dos casamentos falha pela mesma coisa, o pouco conhecimento que se tem do outro. A sociedade contribui para que as pessoas entrem em um estado de demência ao se apaixonarem, insistem que é normal achar o outro perfeito e a vida maravilhosa.

Eu tive que apanhar muito para entender que a única coisa que se pode fazer neste mundo com os olhos fechados é dormir, para o resto eles têm que estar bem abertos. É bom suspirar no meio do dia e lembrar do Romeu ou da Julieta, mas no momento que abrimos os olhos eles têm que estar focados e acordados, sem esse mel e algodão que cobre os relacionamentos.

Alguns relacionamentos meus poderiam ter dado certo, caso eu tivesse feito uma leitura adequada da pessoa, mas não fiz isso,  imaginei que o Romeu era de um jeito e banquei essa ideia, caminhei assim ao fim.

E de tanto ver a mesma coisa sempre conto a mesma história, mas ela se repete sozinha, como um eco da falta de educação de muitas de nós mulheres, que crescemos pensando que ver o outro do jeito que ele é pode ser uma coisa ofensiva, melhor mesmo é imaginar que o Romeu é perfeito e as coisas não poderiam estar melhor.

Volto sempre ao mesmo ponto, a questão econômica.
Uma amiga vai abrir um restaurante com seu Romeu, um ator. Eu subi paredes, não acredito que ele pode levar o negócio a frente, não  me parece ser uma pessoa com perfil organizado e pior ainda, o dinheiro que será investido no lugar vem do bolso da minha amiga, é nessa parte que eu surtei.

Não tenho nada contra investir dinheiro em negócios com seu Romeu, mas minha pergunta é se a mulher conhece bem o perfil do seu amado para fazer uma coisa dessas?

Tive uma amiga que investiu pesado na fábrica do seu Romeu, mas ele tinha herdado o negócio, estava começando a administrar depois da morte do seu pai, o dinheiro foi colocado na mão dele que não tinha experiência e a fábrica faliu. Depois que o namoro acabou minha amiga pediu a ele que fizesse um plano de pagamento para que ela pudesse recuperar um pouco do que tinha investido, mas Romeu lembrou a ela que não existiam documentos nem contratos, ela deu o dinheiro porque quis e sem recibo, portanto podia ir se ferrar.

E acompanhei uma longa agonia de uma tia. Ela se casou com um engenheiro, um perfil bem burocrático, daqueles que trabalham todos os dias das oito as cinco. Meu tio ficou vinte e cinco anos na empresa, tudo deu certo nessa época e eles foram felizes. Depois desse tempo ele recebeu uma proposta melhor e ficou na dúvida, enrolou, pensou e saiu da empresa que estava, mas o movimento foi feito fora de tempo e ele ficou sem o novo emprego e longe do anterior.

Até tentou voltar ao sistema, mas não conseguiu. Surgiu então uma figura de um antigo amigo propondo uma sociedade em uma empresa de transportes. Os dois fizeram planos e foram ambiciosos, mas meu tio não tinha mais dinheiro para investir, então minha tia entrou na roda, pegou suas economias, puxou do cartão de crédito e fez um empréstimo no banco.

Meu tio era um burocrata sem a malícia da rua, nem a malandragem de quem navega fora do sistema, foi questão de tempo o sócio roubar tudo e sumir da história.

E quem se ferrou? Minha tia. Ficou com o nome sujo, uma dívida enorme enquanto seu Romeu entrava no quarto e se fechava lá dentro, deprimido pelo o que tinha acontecido.

Na minha ignorância tive pena da minha tia, hoje sei que não é bem assim, ela foi burra, depois de vinte e cinco anos não teve a percepção de notar com quem estava casada. Se tivesse parado para pensar um segundo teria percebido que meu tio era um homem de emprego fixo, de carteira assinada, não ia se virar bem em um negócio autônomo.

Sei que pessoas mudam e na necessidade acabam descobrindo outros caminhos, mas isso pode ser arriscado demais e nem sempre está perto da essência da pessoa. No caso do meu tio isso ficou claro, ele era ótimo em uma sala fechada, mas fora dali não tinha as habilidades necessárias para se defender.

Não importa a situação, nada é mais importante do que saber com quem estamos nos relacionando e como essa pessoa reage a vida. Dinheiro é um ótimo mecanismo para mostrar isso.

Vejo isso no Romeu da minha amiga, um ator, sonhador, meio aéreo, mas distante da realidade, não sei como vai lidar com questões técnicas que envolvem um restaurante.

Conhecer o outro ajuda a evitar erros grotescos e a respeitar a pessoa, se o cara é um ator que vive em outro mundo não vai começar a levar a vida como um empresário realista. Ele pode até mudar pelas circunstâncias, mas quem ele é sempre vai estar ali.

Tenho visto que os relacionamentos que mais dão certo são aqueles que as pessoas se conhecem bem e sabem dos seus limites, principalmente ligados a profissão e ao dinheiro.

Casamento nunca me pareceu uma boa ideia para alguém com meu temperamento, mas já aprendi que não se pode dizer ''nunca'', então pode ser que um dia eu mude de ideia, mas a única coisa que quero ter em mente é não esquecer a importância de conhecer quem está ao meu lado.

Lembro de um Romeu que namorei, ele era um perigo, meio malandro, sempre aprontando, mas eu não queria ver aquilo e desviava o olhar. Depois que o namoro terminou um dia cruzei com sua atual namorada e como ainda estava cheia de ódio por ele disse tudo o que achava dele, chamei de picareta, mentiroso, trapaceiro, vigarista e ladrão. Ela ficou me olhando e disse:

-E daí?

Percebi então que ela era igual a ele, eram almas gêmeas e estavam de acordo em levar uma vida fora da lei. E acabei acertando, eles se casaram, tiveram filhos e vivem montando negócios suspeitos. Me dei conta que deu certo porque os dois estavam alinhados na sua falta de ética e se conheciam, isso era o mais importante.

A pessoa que está ao nosso lado pode ser o que quiser e se estamos de acordo com isso então não aparecem as surpresas. Mas se nos negamos a ver a realidade um dia a bomba explode.

O mais importante não é quem dorme ao nosso lado, mas ''saber'' quem está ali. É só um truque, mas pelo menos garante que o dinheiro não vá para as mãos erradas.

Minha experiência de vida e a mesma história contada mil vezes me mostra isso, Romeus existem milhões, mas conta no banco é só uma e é melhor manter ela cheia e longe de erros que podem ser evitados.

Iara De Dupont

2 comentários:

Mari disse...

Eu estava com muitas saudades suas Iara

Iara De Dupont disse...

Mari, muito obrigado pelo carinho! Beijo

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