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02 julho 2014

Não faço sexo de dia nem com a luz ligada


Às vezes escuto algumas coisas que me quebram o coração, me deixam triste e de alma apertada. Quase sempre são referências a mundos que conheci.

Hoje casualmente estava assistindo um programa, ''A máquina'' onde Mamma Bruschetta estava sendo entrevistada. A Mama é um personagem criado por um ator que fala de fofocas de televisão e capítulos de novela. Deixei ali por inércia, mas escutei quando o apresentador do programa perguntou a Mamma quanto tempo ela tinha sem fazer sexo, e a resposta foram quarenta anos. O apresentador não acreditou e tentou saber mais, ela explicou que era gorda, tinha chegado aos duzentos quilos e agora tentava voltar aos cem, mas enquanto isso acontecia tinha vergonha de mostrar seu corpo e por isso não tinha relações.

Sempre falo que não sei dos outros, falo por mim, e infelizmente sei do que a Mamma estava falando. Só quem já sentiu vergonha de tirar a roupa entende o que ela dizia, não é apenas vergonha de tirar a roupa, é evitar o sexo para não ter que tirar a roupa.

Em relação a isso culpo diretamente a mídia e seu bombardeio do que seria um corpo feminino ideal. A imagem fica tão forte na mente e a nossa imagem no espelho é tão diferente que fica impossível não se sentir um alienígena.

Entendo a Mamma porque eu por vergonha do meu corpo já deixei de ir a praia, piscina, festas e de ter sexo em algumas ocasiões. O pior de tudo é que uma vez conversando com uma pessoa ela me disse que tudo isso era besteira e as coisas passam, um dia eu iria perceber que tudo foi bobagem da minha cabeça e me arrepender das ocasiões perdidas.

E não precisei de muito tempo para isso, me arrependi de muitas, até hoje sofro se lembro. Se vamos deixar de fazer coisas legais é melhor termos um bom motivo para isso, caso contrário aquilo ali vai nos perseguir a vida inteira.

Tive e tenho tantos complexos ainda que desenvolvi a síndrome da vampira, nunca fiz sexo com a luz do dia ou da lâmpada, fujo de iluminação como vampiros fogem do sol.

Já escutei de tudo sobre isso, já vi Romeus desesperados, sem acreditar no que eu dizia.

Uma vez um deles ficou tão maluco que pensou em uma solução estúpida, achou que ofendendo poderia resolver a situação, me disse que antes da gente tropeçar naquela pedra pensava estar saindo com uma mulher adulta, inteligente, culta e de opinião formada que não se deixava levar por uma mídia mentirosa, mas percebeu que eu era uma boba e tonta que se recusava a ter sexo de luz ligada.

Nesse momento a discussão ferveu, porque ele nunca entendeu meu ponto de vista. Eu posso ver e entender racionalmente a estupidez da minha atitude, sei que é idiota não transar a luz do dia e fugir disso, posso entender isso no meu cérebro, mas minha alma não entende e recua, se encolhe paralisando meus movimentos.

Porra, nunca neguei, eu queria ser diferente nisso e já ter superado essa bobagem, odeio ter que entrar nessa discussão cada vez que tenho um Romeu novo na minha vida e o tempo está passando, não tenho mais os vinte anos para me esconder e justificar minha negativa, depois de um tempo fica patético não superar os traumas.

Já fiz e disse coisas que me enchem de vergonha, uma delas foi com um Romeu, que morava em uma casa incrível com seus pais. Um dia eles foram viajar e ele me convidou para ir a sua casa, mas eu não sabia que os pais não estavam ali, então eu fui. Chegando lá fomos para o jardim, onde tinha uma piscina que parecia um lago e ele me disse:

-Iara, olha só, a casa inteira pra gente! Temos o fim de semana todo para nadar na piscina sem roupa!

Qualquer mulher, ou eu acho isso, teria pulado no pescoço dele de alegria, mas eu gelei. Fui ao banheiro, fechei a porta e pensei ''como é que eu vou sair dessa roubada?''. Poxa, já tinha quase trinta anos, trabalhava com ele em uma emissora, dirigia meu carro, era supostamente bem resolvida e como iria dizer a ele que não ia rolar sexo durante o dia e menos ainda na piscina?

Depois de anos com síndrome do pânico dei um jeito inconsciente de resolver as situações que me davam medo, eu criava alguma coisa paralela. Saí do banheiro e fui para a sala com o Romeu, lá do nada e não foi de caso pensado, puxei a conversa sobre uma garota na emissora que dava em cima dele e eu não gostava daquilo. Tudo era verdade, mas minha mente é tão rápida para se livrar de situações que me provocam medo que a discussão acendeu em segundos, virou uma conversa de malucos, um ataque de ciúme idiota enquanto sol descia e a noite chegava. Sou uma especialista nisso, em calcular a descida do sol, coisa de vampira profissional.

Mas a discussão não terminava e quando acabou estávamos os dois cansados e irritados pela discussão boba, então peguei meu carro e me livrei da situação indo embora.

Lógico que depois me arrependi, chorei, quis voltar, mas ele não quis, acho que nunca entendeu o que tinha acontecido ali.

E as vezes que dei certo com algum Romeu é porque eu avisei antes, não ligo a luz , não desfilo nem faço strip-tease, eles toparam e o namoro navegou em águas calmas.

E meu complexo não tem nenhum fundo religioso, moral, ético, político ou social, é apenas estético, me dá vergonha tirar a roupa porque sei que minha beleza não segue um padrão estético vigente e isso pode ser lindo na teoria e no comercial, mas no fundo da minha alma me trava os movimentos e me deixa insegura.

Sou assim até com médicos, odeio a situação. Sempre sou aquela paciente porre que pergunta na hora de tirar a roupa ''mas precisa mesmo tirar?''.


É uma merda ter noção do ridículo da situação, mas mesmo assim não conseguir mudar. É triste, deprimente viver desse jeito com uma ideia tão cretina, também gostaria de ser diferente e transar na luz do dia, mas cada um é cada um. Todo mundo tem seus desafios, o meu é aprender a lidar com um corpo que ainda resisto em aceitar e tenho vergonha de mostrar.

E não tem só a ver com o peso, conheço meninas mais gordinhas do que eu super bem resolvidas e maravilhosas, mostram tudo sem pudor e são lindas. Mas minha alma é estranha mesmo, já começo a me acostumar com a ideia de que sou assim meio fora deste mundo, que alguma coisa em mim não é normal. 

Durante minha vida inteira eu apenas quis ser igual a todo mundo, mas percebo agora que não sou e mudar não é tão simples assim. Onde as pessoas são livres eu sou cheia de complexos e onde elas são cheias de complexos eu sou livre. Não sei porque sou assim desse jeito, mas o tempo passa e o único jeito de amenizar a dor da diferença é aceitando o que sou. E minha maneira de viver até agora é essa, não faço sexo com luzes ligadas nem de dia.

Mas por que? Não sei, mas às vezes fico tão cansada mentalmente de tentar me entender que melhor me olho no espelho e digo '' Iara, você é uma etezinha de outro planeta, uma alienígena'', então me sinto melhor. Não lembro bem do meu planeta, mas talvez lá eu sou normal. Aqui querer ser normal já me custou muito sofrimento e não tenho mais tanta energia para sofrer, vou simplificando e reduzindo, não faço sexo de dia, só de noite. Mas assim é chato! É, pode ser, mas assim sou eu.

Iara De Dupont


3 comentários:

Alexandra disse...

Engraçado...não gosto de me expor na praia...mas graças a Deus já encontrei Romeu que me deixou tão à vontade a ponto de o sexo rolar a qq hora.
Também sou cheia de coisa ; não gostava de me arrumar/trocar de roupa nem na frente da minha mãe. ..
Porém , já me vi fazendo isso na frente de namorado e confesso que me assustei.
Talvez por te-lo conhecido numa época muito triste e por saber que mesmo assim era uma companhia constante. ..
Enfim , todos temos nossos grilos. Falta coragem pra assumir. E às vezes nos falta coragem pra sair da caverna também.

Ana Carolina Serrao disse...

É chato isso de às vezes termos travas com nossos próprios corpos.
Mas penso que também temos nossas intimidades e particularidades...

Eu por exemplo, não gosto de fazer com luz acesa, nao curto muito claridade, acho que sou meio fotofóbica. Rs
Tem gente que quer acesa...acho q eh sempre bom dialogar..vê se é possivel conciliar os gostos.

Anônimo disse...

Meia luz é perfeito! Esse post veio a calhar Iara,pois quando vi essa materia me lembrei de voce,uma fotografa fez um trabalho muito legal para provar o quanto a postura pode deixar alguem sexy ou não,no caso a postura é corporal mas o mesmo vale para a attitude.Acredito que toda mulher tem suas encanações em alguns dias,pelo humor,pelos hormonios,tudo isso influencia e não só os grilos do tal "corpo perfeito",pois as mulheres com esses corpos que admiramos tambem tem seus grilos. Ja que é pra me compararar não me comparo com a minoria de capa de recista com photoshop,me compararo com a maioria,gente normal. Segue o link
Anna

http://noticias.bol.uol.com.br/fotos/entretenimento/2014/03/14/fotografa-mostra-diferenca-que-expressao-corporal-pode-fazer-com-voce.htm

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